terça-feira, 14 de junho de 2011

Cobrança

Uma corrente elétrica atravessa aqueles corpos.
Envelopes lacrados, selos envenenados.
Traga-me uma taça de vinho para brindarmos à hipocrisia.
Estamos fora do jogo, estamos fora do ciclo de destruição.

E agora eles estão organizando sua celebração.
Sodomia coletiva, lágrimas do fundo da alma.
Engula mais e mais moedas até vomitar, garoto.
Morra asfixiado pela sua ganância.

Corpos suados se esfregam pelo chão.
Eis o cenário de uma seita animalesca.
O vinho virou sangue, e a pureza é engolida pela devassidão.
Mas ainda estamos longe disso tudo.

Em meio à dor e ao prazer, eles já não conseguem fugir.
Fizeram a escolha errada, e agora pagam por isso.
Um dia aqueles sorrisos seriam cobrados.
Estamos assistindo à destruição e nos deleitando com o que vemos.

Por longos anos essas trevas estiveram à espera desse momento.
As almas obscuras estão sendo tragadas com força assustadora.
Mas ainda restaram alguns objetos não recolhidos.
Reciclagem do lixo, inocência perdida.

É assim que agora podemos virar as costas com desprezo.
A razão e a fé não podem ser compradas.
Por isso nesse momento estamos fazendo nossa comemoração particular.
Estamos livres, e sempre estivemos certos.

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