terça-feira, 28 de junho de 2011

Bolinhos

Sempre que vou a um buffet, sirvo bolinhos. Muitas vezes não sei nem do que são. Mas sei que são bons. Sempre são bons.

Existe alguma lei culinária universal que proíbe bolinhos de serem ruins. Já comi pizzas ruins. Já comi churrascos ruins. Já comi até lasanhas ruins. Mas nunca, nunquinha, comi um bolinho ruim.

Tanto faz o sabor. Importa apenas ter o nome de bolinho. Se alguém fizer bolinho de radite, vai ficar bom. Se alguém fizer bolinho de olho de cabra, vai ficar bom. Acho que até bolinho de cocô ficaria bom. Basta ser bolinho. Nada que comece com a palavra "bolinho" pode ser ruim.

Existe rodízio de muitas coisas. Mas o bolinho é um injustiçado. "Ele é bom? Não faz mais do que a obrigação!" É isso que as pessoas pensam. Talvez por isso nunca tenham criado um rodízio de bolinhos. Perderiam o fator surpresa, a exclamação "Nossa! Como é bom!", porque bolinhos são inerentemente bons.

O bolinho é como aquele artista talentosíssimo que, de tão talentoso, as pessoas sequer se dão o trabalho de elogiar, porque é óbvio demais. O bolinho é assim: discreto, irrepreensível, sempre faz o seu papel com perfeição. Culinariamente eficiente, é um sucesso absoluto sem precisar ser pop star.

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