segunda-feira, 9 de maio de 2011

É muito cedo para contestar Falcão

Acho absurdo que alguns setores da imprensa e mesmo da torcida colorada comecem a questionar de forma tão veemente o trabalho de Paulo Roberto Falcão. Considero, inclusive, uma covardia.

Falcão, no comando técnico colorado, tem apresentado um desempenho bastante razoável. Teve ótimo início, inclusive em termos de resultados. E agora, dois tropeços sob circunstâncias muito específicas. Tropeços pesados, difíceis de digerir, é bem verdade. Porém, tropeços que não podem jogar por água abaixo tudo o que tem sido feito de bom.

Contra o Peñarol, o Inter amassou o adversário praticamente o jogo inteiro. Cinco minutos de pane mental comprometeram tudo. Mas a equipe buscou insistentemente o ataque. Com Falcão, o Inter não é medroso. Com Roth, falava-se em falta de apetite ofensivo. E isso mudou, embora outros problemas permaneçam e até tenham se agravado, consequência da combinação de uma nova postura com uma defesa que ainda apresenta sérios problemas.

Estes sérios problemas, por sinal, foram o fator chave para a derrota no Gre-Nal de ontem. O sistema defensivo colorado tem sido pavoroso. Renan, que vinha numa crescente, ontem tomou dois gols constrangedores. Nei é ruim. Não ataca com eficiência, e na defesa, está sempre mal colocado. Tem garra. Só. Se garra bastasse, era melhor contratar o Wolverine para a lateral. Bolívar tem sido deprimente. Tem caminhado em campo. Como tecnicamente ele não chega a ser um virtuoso, se não compensa na gana, acaba comprometendo. Rodrigo, por sua vez, é muito bom tecnicamente. Porém, é instável. Ontem, não esteve em bom dia. E Kléber tem jogado com a motivação de burocrata carimbador de documentos. Tem que levar uma sacudida. Qualidade ele tem de sobra. Falta ligar na tomada.

Do meio pra frente, mesmo com defeitos pontuais, como a falta de uma boa parceria para Leandro Damião e erros em demasia nas finalizações, o time tem criado bastante. A mecânica ofensiva tem funcionado relativamente bem. O que falta é ajustar melhor a defesa, de forma a coadunar a sua movimentação com a proposta ofensiva colocada por Falcão. E isso exige tempo e treinamento, coisa que o atual treinador ainda não teve, e que Celso Roth teve de sobra.

Acredito muito no trabalho de Falcão. Continuarei acreditando mesmo em caso de perda do Gauchão. Há um Brasileirão pela frente. Esta me parece uma turbulência passageira. Daquelas que, de alguma forma, prenunciam grandes vitórias, como a perda do Gauchão de 1979 (em que o colorado sequer chegou à final), que antecedeu o Tri Brasileiro invicto; como a perda do Gauchão de 2006, que foi preâmbulo dos títulos da Libertadores e do Mundial naquele ano; e como a derrota no Gauchão do ano passado, que ocorreu antes do Bi da Libertadores. Reforços devem vir e melhorar o elenco no certame nacional. Falcão poderá trabalhar mais detidamente os pontos falhos da equipe, em busca de aperfeiçoamento na mecânica de jogo. O Inter tem muito para crescer, e títulos importantes a disputar. Um Gauchão não pode abalar as convicções da diretoria. O momento é de ter um olhar mais amplo sobre o que o Inter ainda pode conquistar, e sobre o trabalho que tem sido desenvolvido.

Nunca esqueça, caro leitor: quem ri por último, ri melhor.

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