sábado, 28 de maio de 2011

De: Bernardo; Para: Camila

Meu amigo Bernardo mandou uma carta para a pessoa que ele ama. Como tem uma relação de amizade muito grande comigo, mandou-me uma cópia da carta. Compartilho, então, com vocês, leitores do DC.

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Olá, Camila.

Não sei direito nem como começar esta carta. Estou deitado, pensando em você, consumindo-me por dentro. Sinto um doloroso afastamento de sua parte. Sei que tenho que ser forte e fingir que não sofro. Mas é difícil. É impossível. Nossa história, talvez curta, talvez tola e cheia de atropelos, significa muito para mim. Não tenho como colocá-la no lixo. Não tenho como esquecer cada um de nossos encontros.

Tudo isso começou com uma espécie de acaso. Lembra-se? Estávamos lá, de repente, nós dois. Doce bênção. Aquele encontro quase fortuito foi absolutamente maravilhoso. Confesso que há muito já te achava lindinha demais. Adorava seu jeito. Mas você namorava. Então, eu deixava isso meio represado. Porém, naquele dia mesmo, conversávamos sobre relacionamentos, e você disse que ia terminar tudo. Egoisticamente talvez, senti um tanto de felicidade por dentro.

Nossa conversa foi incrível! Ela fluiu com uma naturalidade quase inacreditável para alguém que é um poço de timidez, como eu. Saí muito feliz daquele bar. Ali, surgia uma pontinha de esperança, um começo de algo que tomou proporções incríveis.

Passada mais ou menos uma semana, te convidei para sair. Agora era oficial: eu e você. Sem acasos. Pura e simplesmente um encontro entre Bernardo e Camila. Você aceitou. E mais uma vez foi maravilhoso. Assim, sucederam-se mais encontros. Eu sempre ia embora bem bobo, pensando comigo mesmo: "É, cara... Você tá se apaixonando..."

A cada vez que eu te via, mesmo nos momentos de dificuldade que você viveu, eu me sentia mais seu. E, foi exatamente ao viver um pouco desses momentos com você, que eu tive a certeza de que estava te amando. Eu vivi aqueles momentos com você o tempo todo, mesmo quando não estava fisicamente presente junto de ti. Não tenha dúvidas disso.

Então, fui cada vez mais amadurecendo o que sentia. Eu decidi que falaria a verdade, revelaria integralmente meus sentimentos. Diria o quanto pensava em você, e o quanto gostava de você. Por omissão, eu não te perderia. Falei. A emoção era tamanha que nem lembro direito os termos que usei. Apenas me recordo que perguntei: "A recíproca é verdadeira?". E você prontamente respondeu, com a mais meiga simplicidade: "Sim!". Naquele momento, flutuei. Durante aqueles momentos, eu estava sendo, sem uma gota de dúvida, a pessoa mais feliz do mundo.

Os dias que se passaram foram de incontida alegria. Tudo na minha vida finalmente estava fazendo sentido. Tudo o que passei, tudo o que sofri, cada lágrima que chorei, absolutamente tudo estava ali sendo compensado. Eu estava experimentando a mais pura das felicidades. E venceria toda e qualquer dificuldade. Afinal, você, Camila Ribeiro Costa, gostava de mim. Eu gostava de alguém que gostava de mim! Não há como descrever precisamente o quão fantástica era essa sensação! Era algo maravilhoso! Me sentia o ser humano mais afortunado do universo.

Nos encontramos outra vez. Debaixo daquela árvore, peguei na sua mão. Era simples, era um gesto singelo. Mas para mim era tudo! Não podia te beijar, ainda. Você ainda queria oficializar o fim do seu namoro. Tivemos uma conversa bem profunda naquela tarde. E procurei compreender cada palavra sua. Mesmo não podendo te beijar, eu estava feliz. Era apenas uma questão de respeitar o seu ritmo, o seu tempo. O que me importava era que você gostava de mim. O que me importava era que você existia.

Passaram-se mais alguns dias, e saímos mais uma vez. Fatídica vez. Quando eu iria pegar na sua mão, você a tirou, de maneira meio abrupta. Disse que precisávamos conversar. E, então, veio o golpe: você disse que havia pensado muito, e chegou à conclusão de que não gostava de mim. Simples assim. Para se relacionar com alguém, teria de amar muito essa pessoa. E esse não era o caso. No fim das contas, combinamos de continuar nos vendo, vivendo momentos juntos, e esperar se você passava a sentir algo. Fato, porém, é que não mais nos vimos, pelo menos não até o momento em que escrevo esta carta. Você nunca mais pôde/quis me ver. Dia desses, liguei para sua casa, e você não estava. Seu pai ficou de passar o recado de que eu havia te ligado. Mas, até hoje, você não me deu retorno algum.

A verdade é que tudo isso tem doído muito. Não consegui, até agora, assimilar o que aconteceu. Tento não pensar em você, mas não consigo. Hoje, sou só angústia. Você apareceu num momento em que eu não acreditava mais em nada, nem ninguém. Floresceu uma esperança na vida que eu jamais havia experimentado antes. Você gostou de mim. Você sabe disso. E talvez ainda goste e negue para si mesma.

Você diz que não quer me magoar. Porém, já me magoou. Não me deu sequer a chance de lutar por você. Mas eu ainda luto. Luto porque tenho esperança. Luto porque acredito no que sinto. Luto porque não posso jogar na privada os nossos bons momentos, o seu sorriso lindo, os seus olhos vivos e brilhantes olhando para mim. Luto porque te amo.

Não posso te dar certeza de que as coisas vão dar certo entre nós. Mas posso te dar a certeza de que vou fazer tudo o que eu puder para que dêem.

Peço um voto de confiança. Peço que você abra um pouco o seu coração. Peço que me dê a chance de provar que está redondamente enganada em seus temores e incertezas.

Me dê o direito de tentar, só isso. Eu assumo todos os riscos. Mas não deixe essa história linda, que pulsa insistentemente dentro de mim, morrer na casca, na forma de um "poderia ser". Apenas deixe que seja. O medo de errar não pode tirar a vontade de tentar, e de acertar. Quem não tenta, não erra. Mas também nunca vai acertar. Pense nisso.

Te amo.

Um grande beijo,
Bernardo

2 comentários:

leandroaleixo disse...

Caracas.muito show a carta dele,e a historia dos dois tbm,sem ter terem "tido " nada...muito interessante...gostei..e o final perfieto..vlwwwwwwwwwwww

Bruno Mello Souza disse...

Olá, Leandro!

Muito obrigado pela participação!

Volte sempre ao blog, e sinta-se à vontade para comentar sempre que quiser.

Abraço!