sexta-feira, 27 de maio de 2011

Apocalipse

Observo o fim do mundo de longe.
A lava vai consumindo tudo e todos à sua frente.
Já não corro, e não quero sair do lugar.
Nossos destinos estão traçados.

Vivemos na hora errada.
Somos os últimos condenados.
Já não há mais piedade para conosco.
Estamos chorando, estamos rindo, estamos morrendo.

Carros e casas são resumidos a lixo.
E de que adiantou você lutar por riqueza e vitórias?
Somos todos presas expostas à natureza.
Ao longe, um homem corre desesperado para salvar sua alma.

Daqui a alguns minutos, seremos cinzas.
A vida toda passa na cabeça, com cada momento desperdiçado a nos atormentar.
Estamos agarrados à esperança de nascermos novamente.
Os rumos escolhidos nos trouxeram até aqui, e nos perguntamos se valeu a pena.

Priorizamos o futuro, mas agora ele vai embora sem pedir licença.
Estivemos muito pretensiosos e auto-suficientes nesses últimos dias.
Enquanto pensávamos que tínhamos o controle de tudo, estávamos sendo controlados.
Construímos um luxuoso castelo de areia, mas não combinamos nada com o mar.

Em uma contagem regressiva angustiante, estamos sem saída.
Ganhamos muito, e agora vamos perder tudo.
O tempo não perdoa, e ele faz suas cobranças.
Estamos abraçados e arrependidos, mas isso já não vai resolver nada.

2 comentários:

Anônimo disse...

Acima das nuvens, agora Apocalipse, relaxa isso deve ser uma mistura de saudade, com desejo impossivel ,isso porque voce quer que seja impossivel !!!
Adoravel Bruno que amor louco é esse,da pra ser ou esta dificil ?
Adoro seu Blog !!!
Natasha

Bruno Mello Souza disse...

Olá, Natasha!

Amores são loucos e delicados por natureza, cada vez mais me convenço disso.

Se é totalmente racional, é qualquer coisa, menos amor. Enquanto emoção, é indispensável esse componente que foge do domínio da razão.

Se tivéssemos o poder de racionalizar o amor, talvez o mais racional fosse não amar ninguém.

Felizmente, ou infelizmente, não é assim que funciona.

Muito obrigado pelo teu comentário! Volte sempre!