terça-feira, 31 de maio de 2011

Barreiras

Barreiras se apresentam no caminho.
Tenho que ultrapassá-las.
Ontem estive desorientado.
Hoje sei que tenho de lutar para vencer.

Superar a dor, superar o cansaço.
Chegou a hora de entregar tudo para não me entregar.
Até poderão me matar, mas não agora!
Dependo de minhas forças, e do meu espírito.

Senti vontade de deitar, mas preciso permanecer em pé enquanto meu coração estiver pulsando.
Se sinto dor, é porque ainda vivo.
E enquanto viver, permanecerei bem aqui.
Olho para trás e vejo que as lágrimas podem ser o prelúdio da paz.

Estou de mãos dadas com a garota que amo em meu pensamento.
Sim, eu sonho com ela todas as noites.
Respiro e sigo, por fraqueza não vou parar.
Só a morte é capaz de me derrotar.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

300511

A vida está me desafiando novamente.
Tudo o que passei, tudo o que venci, ainda guardo na lembrança.
Parei esta noite, pensava em você.
Acordei e me vi sozinho, não era para ser assim.

Mas tenha certeza que estarei junto de ti.
Não esqueça, meu bem, das coisas que passamos juntos.
Você não está perto de mim.
Mas você está sempre dentro de mim.

Estive triste, estive pensando no que podia ter feito melhor.
Você nunca me deu as respostas ou o melhor jeito de agir.
Fiz tudo o que estava ao meu alcance, você sabe muito bem.
Agora estou esperando algo bom acontecer, o destino te trazer pra cá.

Levanto, me olho no espelho.
Já não me reconheço, tento me lembrar de quem eu sou.
Pareço longe, pareço tão distante, mas não me esqueci de você por um minuto sequer.
Você é tudo que eu sempre quis, você é um traço do meu jeito de viver.

A saudade quase me matou, ela ainda bate muito forte.
Mas eu sei que preciso continuar, e lutar.
Levo você comigo aonde for, não me peça para abandonar meus sonhos.
Já cansei de desistir, agora vou seguir, seguir, seguir.

As horas, os dias, as semanas vão passando, e ainda tenho esperanças e certezas.
Não esqueça, meu bem, que eu nunca vou te esquecer.
Entenda o quanto eu já andei, e que jamais encontrei nada parecido com o seu sorriso.
Muitas vezes tive que me calar, mas você sabe muito bem que ainda estou aqui.

Essa demora não me importa, ainda tenho fé.
A solidão me acompanha, mas o relógio não é conselheiro.
Tudo está mudando e talvez você não perceba.
E quando se der conta, teremos vencido, e estaremos rindo de tudo o que se passou.

domingo, 29 de maio de 2011

George Orwell: um visionário

Falar da genialidade de George Orwell é chover no molhado. Dono de uma escrita direta, controversa, desafiadora e um tanto subversiva, o escritor indiano também apresentou incrível capacidade de, precisamente em sua principal obra, "1984", antever fenômenos híbridos entre a mais crua realidade e o surreal, que, outrora absurdo, passa a ser visto, cada vez mais, nos dias de hoje, como realidade palpável.

É bem verdade que o autor mira o modelo soviético, comunista. É dali que sai a sua inspiração. No entanto, mirando para um lado, acertou, em cheio, no outro. Muito do que se vê na referida obra é absolutamente aplicável para o atual contexto de globalização. Não que isso seja propriedade intrínseca do capitalismo global. Dotado dos atuais dispositivos tecnológicos, um regime comunista ortodoxo e anti-democrático faria exatamente o mesmo. E de maneira mais agressiva ainda.

Ora, os fenômenos vislumbrados por Orwell são, acima de qualquer coisa, referentes à natureza humana, seu modelo de comportamento, e às suas consequências e desdobramentos lógicos. Em diferentes direções, "1984" é atualíssimo.

O caro leitor reparou que, hoje em dia, há câmeras por todos os lados, e não só de segurança, mas de todos os tipos, como em celulares e outros dispositivos tecnológicos de riquíssima variedade, e sob o domínio e a serviço de todo o tipo de intenções, mesmo que privadas? Somos, tanto voluntária quanto involuntariamente, observados praticamente o tempo todo. A privacidade dos indivíduos está sendo progressivamente suprimida. O Grande Irmão está por todos os lados. E ele tudo vê...

E a Polícia do Pensamento, então? Qualquer semelhança com a patrulha do politicamente correto é mera coincidência (?). Não cometam crimideias! Não toquem nos intocáveis!

Isso tudo sem contar o hoje praticamente irrestrito acesso a dados de cada sujeito, expostos para quem quiser ver na "rede", a inconveniência da família e dos sentimentos de amor e afeto entre as pessoas em nome da manutenção de um modelo social, e a volatilidade e diluição da história em si, manipulável pelo avassalador crescimento das comunicações, sua velocidade e dinâmica. Assim como em "1984", graças à necessidade e ao consumo instantâneo de informações, a história torna-se moldável e multifacetada, criando-se uma série de possibilidades de sua construção. É claro que isso não chega a ser de todo o mal, desde que não sirva como uma anti-bússola, uma forma de conhecimento meramente desconstrutor e desorientador do saber humano. Entretanto, o fato é que dentro desta dinâmica, a verdade de hoje é a mentira de amanhã. Ou, mais grave: a verdade de minutos atrás é a mentira de agora. E vice-versa!

É por essas e outras que, como gênio que foi, George Orwell se estabeleceu como homem à frente de seu tempo. Anteviu brilhantemente, na forma de semi-absurdos de organização social e mesmo de natureza existencial, uma série de fenômenos muito notáveis do presente. Orwell "previu" o futuro com incrível precisão. Estamos em 2011. Mas estamos, de certa forma, também, em 1984.

sábado, 28 de maio de 2011

De: Bernardo; Para: Camila

Meu amigo Bernardo mandou uma carta para a pessoa que ele ama. Como tem uma relação de amizade muito grande comigo, mandou-me uma cópia da carta. Compartilho, então, com vocês, leitores do DC.

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Olá, Camila.

Não sei direito nem como começar esta carta. Estou deitado, pensando em você, consumindo-me por dentro. Sinto um doloroso afastamento de sua parte. Sei que tenho que ser forte e fingir que não sofro. Mas é difícil. É impossível. Nossa história, talvez curta, talvez tola e cheia de atropelos, significa muito para mim. Não tenho como colocá-la no lixo. Não tenho como esquecer cada um de nossos encontros.

Tudo isso começou com uma espécie de acaso. Lembra-se? Estávamos lá, de repente, nós dois. Doce bênção. Aquele encontro quase fortuito foi absolutamente maravilhoso. Confesso que há muito já te achava lindinha demais. Adorava seu jeito. Mas você namorava. Então, eu deixava isso meio represado. Porém, naquele dia mesmo, conversávamos sobre relacionamentos, e você disse que ia terminar tudo. Egoisticamente talvez, senti um tanto de felicidade por dentro.

Nossa conversa foi incrível! Ela fluiu com uma naturalidade quase inacreditável para alguém que é um poço de timidez, como eu. Saí muito feliz daquele bar. Ali, surgia uma pontinha de esperança, um começo de algo que tomou proporções incríveis.

Passada mais ou menos uma semana, te convidei para sair. Agora era oficial: eu e você. Sem acasos. Pura e simplesmente um encontro entre Bernardo e Camila. Você aceitou. E mais uma vez foi maravilhoso. Assim, sucederam-se mais encontros. Eu sempre ia embora bem bobo, pensando comigo mesmo: "É, cara... Você tá se apaixonando..."

A cada vez que eu te via, mesmo nos momentos de dificuldade que você viveu, eu me sentia mais seu. E, foi exatamente ao viver um pouco desses momentos com você, que eu tive a certeza de que estava te amando. Eu vivi aqueles momentos com você o tempo todo, mesmo quando não estava fisicamente presente junto de ti. Não tenha dúvidas disso.

Então, fui cada vez mais amadurecendo o que sentia. Eu decidi que falaria a verdade, revelaria integralmente meus sentimentos. Diria o quanto pensava em você, e o quanto gostava de você. Por omissão, eu não te perderia. Falei. A emoção era tamanha que nem lembro direito os termos que usei. Apenas me recordo que perguntei: "A recíproca é verdadeira?". E você prontamente respondeu, com a mais meiga simplicidade: "Sim!". Naquele momento, flutuei. Durante aqueles momentos, eu estava sendo, sem uma gota de dúvida, a pessoa mais feliz do mundo.

Os dias que se passaram foram de incontida alegria. Tudo na minha vida finalmente estava fazendo sentido. Tudo o que passei, tudo o que sofri, cada lágrima que chorei, absolutamente tudo estava ali sendo compensado. Eu estava experimentando a mais pura das felicidades. E venceria toda e qualquer dificuldade. Afinal, você, Camila Ribeiro Costa, gostava de mim. Eu gostava de alguém que gostava de mim! Não há como descrever precisamente o quão fantástica era essa sensação! Era algo maravilhoso! Me sentia o ser humano mais afortunado do universo.

Nos encontramos outra vez. Debaixo daquela árvore, peguei na sua mão. Era simples, era um gesto singelo. Mas para mim era tudo! Não podia te beijar, ainda. Você ainda queria oficializar o fim do seu namoro. Tivemos uma conversa bem profunda naquela tarde. E procurei compreender cada palavra sua. Mesmo não podendo te beijar, eu estava feliz. Era apenas uma questão de respeitar o seu ritmo, o seu tempo. O que me importava era que você gostava de mim. O que me importava era que você existia.

Passaram-se mais alguns dias, e saímos mais uma vez. Fatídica vez. Quando eu iria pegar na sua mão, você a tirou, de maneira meio abrupta. Disse que precisávamos conversar. E, então, veio o golpe: você disse que havia pensado muito, e chegou à conclusão de que não gostava de mim. Simples assim. Para se relacionar com alguém, teria de amar muito essa pessoa. E esse não era o caso. No fim das contas, combinamos de continuar nos vendo, vivendo momentos juntos, e esperar se você passava a sentir algo. Fato, porém, é que não mais nos vimos, pelo menos não até o momento em que escrevo esta carta. Você nunca mais pôde/quis me ver. Dia desses, liguei para sua casa, e você não estava. Seu pai ficou de passar o recado de que eu havia te ligado. Mas, até hoje, você não me deu retorno algum.

A verdade é que tudo isso tem doído muito. Não consegui, até agora, assimilar o que aconteceu. Tento não pensar em você, mas não consigo. Hoje, sou só angústia. Você apareceu num momento em que eu não acreditava mais em nada, nem ninguém. Floresceu uma esperança na vida que eu jamais havia experimentado antes. Você gostou de mim. Você sabe disso. E talvez ainda goste e negue para si mesma.

Você diz que não quer me magoar. Porém, já me magoou. Não me deu sequer a chance de lutar por você. Mas eu ainda luto. Luto porque tenho esperança. Luto porque acredito no que sinto. Luto porque não posso jogar na privada os nossos bons momentos, o seu sorriso lindo, os seus olhos vivos e brilhantes olhando para mim. Luto porque te amo.

Não posso te dar certeza de que as coisas vão dar certo entre nós. Mas posso te dar a certeza de que vou fazer tudo o que eu puder para que dêem.

Peço um voto de confiança. Peço que você abra um pouco o seu coração. Peço que me dê a chance de provar que está redondamente enganada em seus temores e incertezas.

Me dê o direito de tentar, só isso. Eu assumo todos os riscos. Mas não deixe essa história linda, que pulsa insistentemente dentro de mim, morrer na casca, na forma de um "poderia ser". Apenas deixe que seja. O medo de errar não pode tirar a vontade de tentar, e de acertar. Quem não tenta, não erra. Mas também nunca vai acertar. Pense nisso.

Te amo.

Um grande beijo,
Bernardo

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Apocalipse

Observo o fim do mundo de longe.
A lava vai consumindo tudo e todos à sua frente.
Já não corro, e não quero sair do lugar.
Nossos destinos estão traçados.

Vivemos na hora errada.
Somos os últimos condenados.
Já não há mais piedade para conosco.
Estamos chorando, estamos rindo, estamos morrendo.

Carros e casas são resumidos a lixo.
E de que adiantou você lutar por riqueza e vitórias?
Somos todos presas expostas à natureza.
Ao longe, um homem corre desesperado para salvar sua alma.

Daqui a alguns minutos, seremos cinzas.
A vida toda passa na cabeça, com cada momento desperdiçado a nos atormentar.
Estamos agarrados à esperança de nascermos novamente.
Os rumos escolhidos nos trouxeram até aqui, e nos perguntamos se valeu a pena.

Priorizamos o futuro, mas agora ele vai embora sem pedir licença.
Estivemos muito pretensiosos e auto-suficientes nesses últimos dias.
Enquanto pensávamos que tínhamos o controle de tudo, estávamos sendo controlados.
Construímos um luxuoso castelo de areia, mas não combinamos nada com o mar.

Em uma contagem regressiva angustiante, estamos sem saída.
Ganhamos muito, e agora vamos perder tudo.
O tempo não perdoa, e ele faz suas cobranças.
Estamos abraçados e arrependidos, mas isso já não vai resolver nada.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Acima das nuvens

Estou no céu. Sinto a vida como um sonho divino e acolhedor. É uma dádiva. Acima das nuvens vejo o quanto talvez tenha perdido tempo. Acima das nuvens tudo é claro e faz sentido.

Como um pássaro livre, alcanço novos horizontes. Minhas projeções não são mirabolantes. Acima das nuvens, encontro respostas. Acima das nuvens, os problemas são tão pequenos perto da imensidão do céu, da vastidão da Terra, dos significados mais simples da arte de viver! Acima das nuvens, sequer precisamos de soluções. Está tudo resolvido por si só. Estar vivo é fim em si mesmo.

Então, me vejo novamente criança. Já não preciso de poder, de riqueza, de vitórias banais. Acima das nuvens, tudo isso é minúsculo. Meus olhos curiosos apenas buscam a beleza e a vida de cada detalhe presente. Vivo para respirar. Respiro para poder sorrir.

Carrego comigo novas saudades de velhos amores. Renovo antigos sonhos, deixo minhas tristezas no filtro. Sinto nostalgia do amanhã. Observo, esperançoso, um futuro claro, lindo e simples, de campos verdes, flores coloridas, vivacidade nos olhos das crianças, e meu amor ao meu lado, oferecendo-me sua doçura em troca do mais intenso e transbordante sentimento que tenho para lhe oferecer. Estou vivo e banhado pela luz do sol. Aprendi a respirar.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sinaleira em BH

Eu estava caminhando pelo centro de Belo Horizonte. A sinaleira fechou para os pedestres. Uma moça parou ao meu lado.

Olhei para ela.

Me apaixonei por ela.

Fiquei com ela.

Comecei a namorar com ela.

Noivei com ela.

Casei-me com ela.

Briguei com ela.

Enjoei da cara dela.

Me divorciei dela.

E então, a sinaleira abriu para nós.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Descontrole

Foi um momento do mais poderoso impulso, a racionalidade desaparecida. A visão preteou.

Era um gesto que correspondia a uma vontade avassaladora. Era um trem desgovernado. Descontrole completo.

Sintetizava angústias, sentimentos e ideias numa só energia que lhe escapava do domínio. O gesto, o ato, o desejo, tinham autonomia em relação àquele ser humano.

Poderá ser acusado e condenado por muitos. Mas ele, e só ele, sabia que não tinha o que fazer. Simplesmente ele fez. Naquele momento, ele não pensou em nada. Apenas fez.

Era um segundo, ou a fração de um, talvez. Tanto tempo de auto-repressão e auto-limitação vinha num turbilhão que o fazia desaparecer. Machuca a alma. Joga tudo pelo ralo. Um momento de insanidade. E o estrago estava feito.

Assim, o gordinho de dieta adentrou a lanchonete e pediu um xis bacon. Com Coca-Cola.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sophia

Hoje é um dia extremamente especial para mim. Nasceu minha afilhada, Sophia. Uma linda garotinha. Estou muito feliz.

Receber a missão de ser padrinho de uma criança já é algo maravilhoso por si só. Quando tal missão é dada por pessoas que você tem na mais alta conta em sua vida, como são os pais dela, Lucas e Cibeles, isto se torna ainda mais fantástico.

São grandes amigos. Seres humanos portadores das virtudes que mais prezo nas pessoas. Pessoas que me fazem acreditar que a vida ainda vale a pena. Amigos já de bons anos, que levarei para o resto dos meus dias. E saber que eles têm essa confiança e consideração por mim me deixa muito contente. Fica muito difícil descrever essa sensação. E é praticamente impossível não me emocionar um tanto.

Desde quando fui convidado a apadrinhar a criança, lá no final de outubro do ano passado, se não me engano, fiquei muito orgulhoso. Serei um dindo bobo e babão, com certeza. E farei de tudo para honrar essa oportunidade e essa confiança. Quero ser o melhor padrinho do mundo. Se vou conseguir? Não sei. Mas vou dar o meu máximo para sê-lo.

Parabéns, Lucas e Cibeles. Desejo que a criança traga muitas alegrias para o casal.

Seja muito bem-vinda, Sophia. Desejo que você tenha uma vida extremamente feliz. No meu papel de padrinho, farei tudo que estiver ao meu alcance para ajudar neste intento. Tenha certeza, minha afilhada.

domingo, 22 de maio de 2011

Mau começo

A primeira partida do Inter no Brasileirão 2011 não foi nada do que se poderia esperar. É bem verdade que o colorado estava desfalcado. Porém, mesmo assim, não dá pra aceitar um desempenho tão fraco, e um empate lamentável contra os reservas do Santos.

Era uma chance de ouro: estrear bem, tirar três pontos de um candidato ao título e, de quebra, acabar com o tabu da Vila Belmiro. Mas o Inter esteve apático. Nivelou-se por baixo contra uma equipe desentrosada e fraca. Não teve alternativas ofensivas. Não teve a defesa exigida muito mais pela ruindade dos reservas do Santos do que por solidez do sistema de marcação.

O jogo foi de uma chatice sem igual. Ninguém merecia ganhar. Ninguém merecia sequer marcar gols. Nem um zero a zero seria condizente para refletir a ruindade da partida. Um -1 a -1 seria mais cabível e justo com a falta de futebol das duas equipes.

O Inter começou mal. Falcão terá que corrigir uma série de coisas para a próxima rodada, na qual o colorado enfrenta o Ceará, provavelmente enfraquecido por estar envolvido nas semi-finais da Copa do Brasil. Escalar dois atacantes pode ser um bom começo. Tirar o péssimo Daniel e colocar Glaydson, ou um boneco de posto, na lateral, também.

Fato é que tem que dar uma sacudida rápido. O preço por ficar patinando nas primeiras rodadas pode ser muito alto. E time que almeja o título não pode nem sequer pensar em pagá-lo.

sábado, 21 de maio de 2011

Estreia colorada no Brasileirão

Hoje à noite, o Inter estreia no Campeonato Brasileiro contra o Santos, na Vila Belmiro. Em tese, seria jogo duríssimo. Porém, envolvido na disputa da Libertadores, o time comandado por Muricy Ramalho vai a campo com reservas. Oportunidade de ouro, portanto, para o colorado arrancar bem.

O Internacional também tem lá os seus desfalques. A maioria deles, porém, possui reposição à altura. De um jeito ou de outro, o colorado irá a campo com uma equipe muito mais experiente do que a do Santos. Por isso, considero empate um mau resultado, vislumbrando-se a série de elementos favoráveis ao Inter. Ganhar hoje é muito importante.

Ganhando, o Inter já faz um potencial adversário pelo título patinar, de cara. Muitas vezes os confrontos diretos têm peso enorme na decisão do campeonato, naquela contagem ponto lá, ponto cá. Por isso, seria ótimo largar bem.

Além disso, em disputas de pontos corridos, por mais que isso seja clichê, cada jogo é uma final. Cada ponto é indispensável. Cada vitória influi decisivamente. Não dá para perder pontos bobos. E, convenhamos, não ganhar dos reservas do Santos na Vila Belmiro, no Beira-Rio, no Camp Nou ou no Colosso da Lagoa, é, sim, perder pontos bobos.

Existe ainda um fator histórico envolvido na partida desta noite. O Inter jamais venceu o Santos na Vila Belmiro. Ora, chegou a hora. Quer ocasião melhor do que esta? Tem que partir pra cima, impor seu futebol e mostrar que o colorado não está para brincadeira.

Estou bastante confiante para este Brasileirão. O Inter tem um elenco bem forte. Precisa ainda de algumas peças. Mas tem qualidade suficiente para disputar o campeonato até o final. Este ano não tem desculpas de Libertadores e preparação para Mundial: tem que entrar a morrer, seja contra o Santos na Vila Belmiro, ou contra o Atlético Goianiense no Beira-Rio. Recopa e Copa Audi são tiros curtíssimos, e não exigirão desvio de foco. Portanto, chegou a ocasião perfeita para ganhar. Inter rumo ao Tetra Brasileiro!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Vencedor

Era uma balada quente. Bebida liberada, todos animadíssimos. Desde o início da noite, uma loira olhava, insistentemente, para Fernando. E ele devolvia os olhares, sem pudor algum.

Foi passando o tempo, e a festa ficava ainda mais quente. A dança e a pegação rolavam soltas. A loira continuava a flertar com Fernando. Chamava-o, com o dedinho. E, atiçado por aquele jogo de sedução, ele foi ao seu encontro.

Chegou bem pertinho, falou meia dúzia de bobagens típicas dessas ocasiões, e tentou beijá-la. Ela refugou. Afastou-se para dançar com suas amigas. Mas continuou fazendo aquele joguinho peculiar.

Um tempo depois, ela estava bem mais soltinha. Beijou um outro cara. Mas continuava flertando com Fernando, e chamando-o. Sempre que ele se aproximava ela, então, se afastava. E ia beijando mais e mais caras.

A noite toda passou nessa tônica. Fernando vidrado na loira. E a loira, brincando de gato e rato com Fernando. Ela beijou até boca de bueiro. Mas com Fernando, era nananinananã. E Fernando, logicamente, foi cansando daquilo.

A festa já estava no fim, e a loira encontrava-se na área de fumantes com suas amigas, provavelmente tomando um fôlego para beijar mais uma centena de marmanjos. Fernando, por coincidência, também estava lá. Era um momento derradeiro. E ele, decidido, abordou a moça:

- Oi! Me diz só uma coisa... Qual é o teu nome?
- Oi... Daiane.
- Daiane, eu só queria te agradecer por essa noite. Você beijou tantos, mas tantos caras, que estou me sentindo muito especial por não ter lhe beijado. Tô me sentindo um vencedor, um cara muito foda, exatamente pelo fato de não ter ficado contigo. Sou um privilegiado. Muito obrigado, de coração.

E ela, perplexa, atônita, visivelmente constrangida perante as amigas, que ainda estavam ali, saiu, sem falar nada...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Milagre

Estávamos certos quando paramos no meio do caminho?
Hoje a distância está ainda maior.
Remoendo remorsos do que poderia ter sido melhor.
Talvez a resposta esteja em nossos olhos.

Enquanto você sorria para mim, eu sonhava.
Por que tudo mudou tão rápido?
Será o mais correto morrer antes de nascer?
Tudo o que tive e perdi de uma hora para outra ainda me atormenta.

Hoje você acha que foi tudo um acaso, um engano.
Você pensa que errou, mas sequer tentou acertar.
Pagamos o preço da falta de coragem.
Quero voltar no tempo com você, vamos reviver tudo o que sentimos e escrever novamente os últimos dias de solidão.

Já não está mais em minhas mãos, você sabe disso.
Fiz tudo o que estava ao meu alcance, hoje espero que você lembre que eu existo e do que já sentiu por mim.
Lembra-se de quando as coisas davam certo, e nos sentíamos felizes um com o outro?
Resgate as melhores lembranças e venha me buscar, ainda estou ao seu lado.

Já não sei como, mas sei que vou lutar por você até o fim.
Hoje a luta é resistir, é me defender.
Hoje tudo o que posso fazer é aguardar o milagre que está guardado em seu coração.
Ainda tenho fé, ainda estou vivo, ainda te amo, garota.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

180511

Ainda penso se isso é um pesadelo.
Estávamos perto do paraíso, mas agora tudo é um inferno.
Eis a nossa gratificação por tudo o que passamos.
A visão está nublada, e os olhos estão ardendo.

Os donos da palavra roubam o nosso ar.
Estão planejando o fim do mundo.
Mudanças vãs, vômito no meio da calçada.
Estou queimando, e meu sangue borbulha.

Deixará tudo acabar assim, baby?
Pegue em minha mão, vamos atrás de nossas verdades juntos.
As nuvens se cansam de chover, o sol voltará, e isso é inevitável.
Apenas escolheremos a maneira de fazer isso funcionar.

Buscamos as pegadas, não vamos a lugar algum.
Só nos resta imaginar o desfecho de uma história sem fim.
A desgraça é rejeitada, estamos procurando por um atalho para o melhor destino.
Em conjunto, falamos aos ouvidos alheios, e eles haverão de nos escutar.

Podemos lidar com a comodidade de esperar a morte nos levar quando estiver entediada.
Mas estamos lutando, derrubando barreiras, insistindo em sobreviver.
Derrotas não podem ser o fim de tudo.
Mesmo que na última página, haveremos de vencer e nos libertar.

terça-feira, 17 de maio de 2011

A "seleção" do Gauchão 2011

Em cerimônia promovida pela Federação Gaúcha de futebol, foi conhecida ontem à noite a "seleção" do Gauchão 2011. E ela tem que ser tratada assim mesmo, entre aspas. Na verdade, esta "seleção" é, num cômputo geral, uma piada. E de mau gosto. São consideráveis, e grosseiros, os seus equívocos. Para se ter uma ideia, o Grêmio, o Cruzeirinho e o Caxias estiveram mais representados do que o campeão Inter, que apresentou apenas Leandro Damião na lista. Vamos, então, analisar a "seleção". Como diria Galvão Bueno: prepare o seu coração.

Goleiro:
Fábio (Cruzeiro): Goleiro de pebolim. Tem um metro e meio de altura. Cesar, do Santa Cruz, jogou muito mais do que ele.

Lateral-direito:
Suéliton (São José): É ruim na defesa. Não é um suprassumo, tecnicamente falando. Mas tem vitalidade e apóia o ataque com frequência. De fato, foi o melhorzinho da posição. Merecido.

Zagueiros:
Léo (Cruzeiro): Fez muito bom campeonato. Merecido.
Matheus (Ypiranga): Outro bom nome do futebol do interior. Se saiu bem, embora não me pareça jogador para time grande. Merecido.

Lateral-esquerdo:
Gerley (Caxias): Quem?

Volantes:
Edenílson (Caxias): Melhor que Bolatti e Guiñazu? Ah, tá...
Fábio Rochemback (Grêmio): Apesar de passar por uma fase chiliquenta, em que reclama feito travesti histérico em qualquer lancezinho contra seu time, o volante criado pelo Inter jogou muita bola. Merecido.

Meias:
Diego Torres (Cruzeiro): Fez belo campeonato, e foi nome importante no surpreendente Cruzeirinho. Mas não jogou mais do que Andrezinho, que foi decisivo para o título colorado desde a chegada de Falcão, ou do que Oscar.
Douglas (Grêmio): Articulador clássico. Saiu-se muito bem no Gauchão, deixando seus companheiros na cara do gol em inúmeras ocasiões. Merecido.

Atacantes:
Leandro (Grêmio): O cai-cai tricolor sucumbiu à marcação de Índio na hora da pomada. No campeonato, Éverton, do Caxias, e Jô, do Cruzeiro, só para citar dois exemplos, jogaram mais. Foi escolhido também como revelação. Nesta categoria em particular, merecido.
Leandro Damião (Inter): Hors concours. Só um retardado mental não o colocaria entre os melhores. Foi, ainda, artilheiro e craque da competição. Merecido.

Técnico:
Leocir Dallastra (Cruzeiro): Fez excelente campanha, e montou um time que deu muito trabalho para a dupla Gre-Nal. Merecido.

Dirigente:
Dirceu de Castro (Cruzeiro): Levou um clube que estava esquecido nas divisões inferiores do futebol gaúcho a ser a mais agradável surpresa do Gauchão. Merecido.

Árbitro:
Márcio Chagas da Silva: Ganhou o prêmio provavelmente como homenagem pelo acréscimo de oito minutos em Grêmio e Caxias, fundamental para o tricolor chegar à decisão do campeonato. É a prova de que a arbitragem no Rio Grande do Sul anda uma porcaria. Nunca pensei que fosse sentir saudades do Gaciba...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Paralisia

Está frio por aqui.
Sozinho como uma vela que derrete.
Janelas fechadas, quarto escuro.
Minha própria companhia é um tédio.

Insuportavelmente vivo.
Os olhos fecham, me escondo das luzes.
Alguém se esqueceu de me recolher.
Mais um dia, menos um dia, mesmos dias.

Estou apodrecendo no chão.
Pode me ver em meio ao lixo?
Vou consumindo a solidão até ter uma overdose.
Doces sonhos são vomitados na privada.

Procuro a chave para uma linha de tempo paralela.
Ainda estou trancado em meu corpo.
De que adiantou tudo aquilo?
O amanhã nunca chega.

Olho para o céu, e não encontro espaço para mim.
Minha mente está parada mas não descansa.
Mesmo que eu chorasse, isso não resolveria nada.
Está tudo inalterado, e não consigo mais lutar para mudar isso.

domingo, 15 de maio de 2011

DC extra: Título histórico

O título conquistado pelo Inter é histórico. É um Gauchão. Mais um Gauchão. Mas é histórico.

Tivemos dois Gre-Nais maravilhosos em termos de jogo jogado. Tanto Inter quanto Grêmio estão de parabéns. Acima de qualquer coisa, foram dois jogos espetaculares. Jogos que orgulham o Rio Grande do Sul. Vimos dois times ousados, dois times que buscaram, e fizeram, gols, mesmo nas circunstâncias mais improváveis.

Sport Club Internacional e Grêmio Foot-ball Porto-Alegrense fizeram dois espetáculos inesquecíveis. Ganhou o Inter. Como podia ter ganho o Grêmio, sem problema nenhum. O Inter foi grande. O Grêmio foi grande, como se espera que seja sempre, tal qual o colorado. Tanto equilíbrio e bom futebol, de ambas as partes, levaram à última, derradeira, e mais dramática forma de decisão: os pênaltis.

Fato é que o Inter reverteu todas as expectativas. Começou o jogo de forma constrangedora. Tomou um arrodeão até os trinta minutos de jogo. O Grêmio, até então, passava por cima. E fazia, com justiça, 1 a 0. Mas Falcão soube ler o jogo e fazer as mudanças necessárias. Colocou Zé Roberto, e Zé Roberto jogou DEMAIS. Foi pelos pés de Zé Roberto que o Inter construiu uma impressionante e improvável virada. Se um ET aterrissasse no Olímpico aos 30 do primeiro tempo e visse um jogo, cravaria: o Grêmio ganharia, tranquilo, e com autoridade. Mas Zé Roberto fez a diferença, mesmo. E o Inter fez 3 a 1.

O Grêmio reagiu. Deu mais emoção ao clássico. Fez gol com Borges, em falha clamorosa de Renan, que já havia falhado horrorosamente em dois gols no Beira-Rio. Seria o fim de Renan? Não! Absolutamente não! Aquele 3 a 2 levava o título para os pênaltis. Era a hora da redenção. Era o momento de Renan poder se redimir de tudo, e exorcizar todos os seus fantasmas. E assim o goleiro colorado o fez. Pegou pênaltis a la Taffarel. Fez história. Depois de tanto erro, tanta falha, tanta contestação, venceu, particularmente. A história de Renan nesta decisão daria, fácil, fácil, um filme hollywoodiano.

No final das contas, e de tantas e tão fortes emoções, deu Inter. Mas digo, sinceramente, e do fundo do meu coração: parabéns a ti, também, torcedor gremista. Essa final foi mais do que uma vitória do Inter. Foi uma decisão incrível, cheia de reviravoltas, em que o Inter saiu como campeão, como o Grêmio também poderia sair, sem injustiça nenhuma. O grande campeão, meu amigo, foi o futebol gaúcho. Um tinha que ganhar. Um ganhou. Felizmente, foi o Inter.

Sangue doce

Sinceramente, estou de sangue doce para o Gre-Nal de daqui a pouco, no Olímpico. Em termos de conquista de título gaúcho, para o Inter, é muito difícil. Temos de ser realistas.

Ganhar um Gre-Nal é muito difícil, por si só. Ganhar por dois gols de diferença, é mais difícil. Ganhar por dois gols de diferença com a obrigação de fazê-lo, mais difícil ainda. E ganhar por dois gols de diferença, com a obrigação de fazê-lo, e na casa do adversário, então, nem se fala.

Isso não quer dizer, porém, que seja impossível. Já diz a velha, boba, óbvia, porém realíssima máxima: Gre-Nal é Gre-Nal. É jogo de nervos à flor da pele. Numa dessas, o Inter faz um gol, acontece uma confusão, e o Grêmio tem um jogador expulso, por exemplo. O panorama pode mudar, sim. Mas o sobrenatural de Almeida, o inusitado, o extraordinário, teria que entrar em campo. Em condições normais de temperatura e pressão, o Grêmio é favoritíssimo ao título.

Dessa forma, vou dedicar minha torcida muito mais a uma vitória colorada do que ao título em si. Ganhar Gre-Nal é sempre muito bom. Uma vitória sobre o arquirrival, por si mesma, é algo interessante. Se vier o título, melhor. Se não vier, paciência. Ainda há grandes títulos a disputar nessa temporada, como a Recopa Sul-Americana, a Copa Audi, e o Brasileirão. E o Inter vai entrar forte em todas essas disputas, tenham certeza.

sábado, 14 de maio de 2011

Batalha naval

Mais um tiro na água.
A munição já acabou?
Dores ficam no passado, mas outras as substituem.
Não precisava ter sido assim.

Busco forças ou desculpas para continuar acreditando em você.
Não posso jogar fora os meus melhores momentos.
Um dia me disseram para esquecer tudo.
Remorsos me consomem, e tento entender quais foram os meus erros.

Todos um dia já tiveram o direito de tentar.
Mas só me vejo sozinho e sem rumo.
Talvez seja melhor eu me recolher antes do tiroteio.
Paz artificial, fingimento de tranquilidade.

Estou ainda à sua espera, pode me ver aqui?
Me apeguei a uma felicidade que vai escorrendo pelos meus dedos.
Haverá alguém para me salvar quando estiver caindo no precipício?
Ou apenas faremos um brinde ao que poderia ter acontecido?

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Cabines, já!

Vejo os nobres legisladores de nosso país se preocupando com coisas absolutamente banais. Raul Carrion, deputado estadual gaúcho, por exemplo, conseguiu aprovar o fim dos estrangeirismos na língua portuguesa. Sou contra. Trata-se de querer lutar contra uma tendência maior do que leis. Mais ou menos como querer criar uma lei proibindo coqueiros de darem cocos. Mas não é esse o ponto. O ponto é que há coisas muito mais importantes do que isso. Por exemplo: cabines em estabelecimentos que vendem cachorro quente.

É algo que não pode ser deixado para depois. Cabines são fundamentais. Não falo de carrocinhas. Seria impraticável. Mas lojas fechadas de cachorro quente, tipo lanchonete, deveriam ter cabines.

É impossível não se lambuzar comendo cachorro quente. É constrangedor. Mesmo que não sejamos olhados, nos sentimos embaraçados. Não tem quem coma cachorro quente sem parecer deficiente mental. Se alguém que não me conhece me visse comendo cachorro quente, não hesitaria: ligaria para a APAE e diria que encontrou um foragido.

E não adianta ficar aí rindo, amigo leitor: com você acontece a mesmíssima coisa. É uma espécie de lei universal, tão certa quanto a Lei da Gravidade: pessoas comendo cachorro quente parecem retardadas.

Com as cabines, este problema estaria resolvido. Você pegaria o seu cachorro quente e se trancaria, como num banheiro público. Lá dentro, teria uma cadeira e uma mesinha. Você comeria e se lambuzaria à vontade, sujaria um pouco a mesa, pegaria o guardanapo, passaria nos arredores da boca e sairia com toda elegância, como se nada tivesse acontecido. Sem embaraços! Sem constrangimentos!

Está lançada a campanha. Cabines, já! Por paz na hora de comer cachorro quente! Por um novo mundo em que possamos nos lambuzar sem culpa! Abrace esta causa você também!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Sem título

Preciso de alguém pra conversar.
Sinto-me preso a este cubo.
Estou virando pó, estou desmaiando.
Poderia dormir até o mundo acabar?

Estou perdido em mim mesmo.
Desconectado do mundo e de suas mentiras.
Cada qual criou significados e objetivos.
Mas eu não consigo chegar aonde quero.

Nada tem fim, mas tudo termina a toda hora.
Me sinto esmagado, e só me resta rir.
Estou com fome, procuro comida.
Estou com sede, nadando no esgoto.

Tudo se repete, sempre se repete.
Quero apenas o direito de tentar e sair da monotonia.
Cansamos de abortar nossas possibilidades.
O sol está escondido, mas sei que ele existe.

Esqueça toda a proteção.
Deixe-me sentir dor!
Deixe eu me expor!
É melhor do que ficar parado esperando a morte.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Redundâncias

Eles sobem para cima.
Vós desceis para baixo.
Nós entramos para dentro.
Ele sai para fora.
Tu voas acima do chão.
Eu estou pensando em ti.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

É muito cedo para contestar Falcão

Acho absurdo que alguns setores da imprensa e mesmo da torcida colorada comecem a questionar de forma tão veemente o trabalho de Paulo Roberto Falcão. Considero, inclusive, uma covardia.

Falcão, no comando técnico colorado, tem apresentado um desempenho bastante razoável. Teve ótimo início, inclusive em termos de resultados. E agora, dois tropeços sob circunstâncias muito específicas. Tropeços pesados, difíceis de digerir, é bem verdade. Porém, tropeços que não podem jogar por água abaixo tudo o que tem sido feito de bom.

Contra o Peñarol, o Inter amassou o adversário praticamente o jogo inteiro. Cinco minutos de pane mental comprometeram tudo. Mas a equipe buscou insistentemente o ataque. Com Falcão, o Inter não é medroso. Com Roth, falava-se em falta de apetite ofensivo. E isso mudou, embora outros problemas permaneçam e até tenham se agravado, consequência da combinação de uma nova postura com uma defesa que ainda apresenta sérios problemas.

Estes sérios problemas, por sinal, foram o fator chave para a derrota no Gre-Nal de ontem. O sistema defensivo colorado tem sido pavoroso. Renan, que vinha numa crescente, ontem tomou dois gols constrangedores. Nei é ruim. Não ataca com eficiência, e na defesa, está sempre mal colocado. Tem garra. Só. Se garra bastasse, era melhor contratar o Wolverine para a lateral. Bolívar tem sido deprimente. Tem caminhado em campo. Como tecnicamente ele não chega a ser um virtuoso, se não compensa na gana, acaba comprometendo. Rodrigo, por sua vez, é muito bom tecnicamente. Porém, é instável. Ontem, não esteve em bom dia. E Kléber tem jogado com a motivação de burocrata carimbador de documentos. Tem que levar uma sacudida. Qualidade ele tem de sobra. Falta ligar na tomada.

Do meio pra frente, mesmo com defeitos pontuais, como a falta de uma boa parceria para Leandro Damião e erros em demasia nas finalizações, o time tem criado bastante. A mecânica ofensiva tem funcionado relativamente bem. O que falta é ajustar melhor a defesa, de forma a coadunar a sua movimentação com a proposta ofensiva colocada por Falcão. E isso exige tempo e treinamento, coisa que o atual treinador ainda não teve, e que Celso Roth teve de sobra.

Acredito muito no trabalho de Falcão. Continuarei acreditando mesmo em caso de perda do Gauchão. Há um Brasileirão pela frente. Esta me parece uma turbulência passageira. Daquelas que, de alguma forma, prenunciam grandes vitórias, como a perda do Gauchão de 1979 (em que o colorado sequer chegou à final), que antecedeu o Tri Brasileiro invicto; como a perda do Gauchão de 2006, que foi preâmbulo dos títulos da Libertadores e do Mundial naquele ano; e como a derrota no Gauchão do ano passado, que ocorreu antes do Bi da Libertadores. Reforços devem vir e melhorar o elenco no certame nacional. Falcão poderá trabalhar mais detidamente os pontos falhos da equipe, em busca de aperfeiçoamento na mecânica de jogo. O Inter tem muito para crescer, e títulos importantes a disputar. Um Gauchão não pode abalar as convicções da diretoria. O momento é de ter um olhar mais amplo sobre o que o Inter ainda pode conquistar, e sobre o trabalho que tem sido desenvolvido.

Nunca esqueça, caro leitor: quem ri por último, ri melhor.

domingo, 8 de maio de 2011

Gre-Nal pra curar a ressaca

Não há dúvidas de que o Gauchão triplicou de importância para a dupla Gre-Nal depois das eliminações dos dois clubes da Libertadores da América, no meio de semana. Talvez não tenha relevância e impacto histórico: é mais um Gauchão, nada mais do que mais um Gauchão. Mas tem inegável importância conjuntural.

Inter e Grêmio apostaram muitas de suas fichas na Libertadores. A eliminação nas oitavas, precoce para quem desejava vôos maiores, exige uma resposta dos clubes às suas torcidas. E não há ocasião melhor para isso do que o confronto direto, e a conquista de um título.

O vencedor voltará a ter paz e um pouco de alegria. O perdedor certamente passará por uma forte turbulência. É esse o poder do grande clássico: arrumar a casa, ou bagunçar mais ainda. Por isso, o Inter tem que reagir muito rapidamente.

É óbvio que a frustração da derrota na Libertadores é absolutamente atordoante. Mas o time é bom, tem um grande treinador, e, portanto, não pode se desesperar. Tem que impor seu futebol frente ao Grêmio. Como fez no domingo passado.

Tenho certeza de que, apesar do mau momento, o Inter está no caminho certo. E chegará mais forte do que nunca para a disputa do Brasileirão, um campeonato que não conquista há 32 anos, e também da Recopa e da Copa Audi (que venha o Barça!).

sábado, 7 de maio de 2011

Saudade

A saudade bate forte. É a presença da ausência. Uma única ausência. A ausência. Ausência que incomoda. Ausência que machuca.

As tentativas de pensar em outras coisas, por mais importantes que estas sejam, são vãs. Minha mente e minha alma estão invadidas pela saudade. Cada hora do dia, cada dia da semana, dirigem-se apenas àquela presença da ausência.

Será que ela está pensando em mim? Será que ela também está sofrendo? Será que ela também quer estar comigo nesse exato momento?

Com a presença da ausência dela, sinto-me fraco. É como se minha vida e o próprio mundo fizessem sentido somente com a segurança que só a presença dela me dá.

O ponteiro gira, brigo com o relógio, com o calendário, brigo comigo mesmo. Vivo uma luta interior sob o império inabalável do amor que sinto por ela. Transbordo minhas emoções em silêncio. Ninguém percebe.

Aquele sorriso tornou-se o combustível de minha vida. Por mais que eu tente transparecer vigor, por mais que eu tente me distrair, sinto-me parando.

Penso em cada palavra que ela me disse até hoje. As que me fizeram chorar permanecem como um triste e angustiante pano de fundo. As que me fizeram sorrir guardo com afeto, cuidadas como cristais de alegria e de esperança, tola e ingênua talvez, de que dias melhores virão, ao lado dela, dona dos momentos mais lindos da minha vida.

Rezo absolutamente todas as noites, pedindo aos céus uma única coisa, mesmíssima coisa sempre, que confere, a mim, o significado de tudo. Com ela ao meu lado, posso ser tudo. Sem ela, apenas caminho desorientado, numa fatigante busca por nada.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A morte de Osama Bin Laden não pode tapar o sol com a peneira

Obama anunciou a morte de Osama. A imensa repercussão é óbvia. Bin Laden era o homem mais procurado do mundo desde 11 de setembro de 2001. Quase dez anos depois, sua trajetória tem um desfecho. Mas há que se ter atenção para alguns aspectos fundamentais que não podem ser negligenciados na emoção do momento.

A exemplo da época do atentado ao World Trade Center, pode-se criar, ou recriar, uma imagem distorcida de alguns fatos. Os Estados Unidos continuam tendo interesses escusos no Oriente Médio. Não podemos retornar a uma americanomania cega e babaca, movida por um sistema midiático maniqueísta e com intenções muito claras. Os interesses norte-americanos em suas ações na região devem continuar sendo fiscalizados e questionados.

Além disso, não se pode esquecer que a causa palestina é absolutamente legítima. O fato de discordarmos de métodos de ação terroristas vindos de setores fundamentalistas não pode significar discordar da causa de um povo sem Estado que luta por um chão para si, escorraçado que foi de seu território, sem realocação digna. O conteúdo de sua reivindicação é justíssimo.

Na sociedade capitalista, tudo vira produto. Mocinhos e bandidos vendem jornais e dão audiência. Mas a situação não pode ser simplificada, sob pena de serem cometidas injustiças absurdas. O Oriente Médio tem sofrido demais nos últimos anos com a truculência norte-americana. Isso não pode ser negligenciado e nem colocado de lado, como resíduo a ser desconsiderado.

Foi-se Bin Laden. Evidentemente, a Al Qaeda continua, as "ocupações" também, e os atos criminosos e violentos contra vidas inocentes continuarão ocorrendo, DE AMBOS OS LADOS. Vidas são vidas. Americanas, inglesas, brasileiras, francesas, israelenses ou palestinas. Vidas são vidas. E isso jamais pode ser esquecido.

domingo, 1 de maio de 2011

Contra o Grêmio e contra o juiz, deu Inter

O Gre-Nal desta tarde marcou uma superioridade marcante do Inter. O time vermelho e branco passou por cima do Grêmio por praticamente todo o jogo.

No primeiro tempo, o colorado teve supremacia absoluta. Leandro Damião marcou um gol de muita categoria, em erro bisonho de Rodolfo. Incrivelmente, os gremistas, liderados por Rochemback, reclamaram de falta. Só se for do Gasparzinho. O lance foi pura tosquice do zagueiro tricolor. O juiz acertou. O único acerto dele nos lances cruciais da partida. Ainda assim, os atletas do Porto-Alegrense tiveram a cara-de-pau de reclamar. Troféu Renê Simões pra eles.

A segunda etapa foi marcada pela manutenção da superioridade colorada. Posse de bola, toques envolventes e Grêmio na roda. Esse era o panorama. Então, entrou em campo ele, o melhor gremista em campo: Márcio Chagas da Silva. Ele expulsou Guiñazu em lance idêntico a pênalti protestado por Oscar no primeiro tempo, e não assinalado. Não reclamo do lance em si. Reclamo da absoluta falta de critério do árbitro. Se não foi pênalti em Oscar, não foi falta de Guiñazu. Se foi falta, de expulsão, de Guiñazu, foi, sim, pênalti em Oscar. Seja qual seja o critério escolhido, o Inter foi garfado. Ou pela sonegação de uma penalidade. Ou pela expulsão equivocada do principal marcador de sua meia cancha.

Fato é que, com a ajuda do árbitro, o Grêmio cresceu no jogo. E achou um gol com o inexpressivo Júnior Viçosa. Com isso, a partida foi para as penalidades. E Márcio Chagas da Silva, aquele da famosa "Batalha dos Oito Minutos", insatisfeito com o estrago já feito, sublimou: no estádio do Inter, com 90% de colorados, colocou as batidas das penalidades na goleira atrás da qual se localizava a torcida do... Grêmio! Mas não adiantou nada. A ruindade de Borges e a estrela de Renan fizeram a diferença. Inter na final do Gauchão. Superou, com sobras, o Grêmio, enquanto as coisas estavam iguais. Superou, com alguma dificuldade, a arbitragem.

Que venham os Gre-Nais decisivos.