sábado, 23 de abril de 2011

Rasura

Estava tudo bom demais.
Fui correndo atrás do oásis.
O amanhã é um oásis.
O amanhã não existe.

Encontro a mim mesmo.
Sou uma doença.
Estou prestes a me curar.
Ninguém vai nem notar.

O caminho está perdido.
Sangre o porco, vamos ao banquete.
Isso não depende só da minha vontade.
Me ensine a ser um fantoche.

Violente-me um pouco mais.
Ei, você aí, me ouça e marque meu julgamento.
Sou um erro, uma palavra rasurada.
Posso trocar meu coração por um punhado de balas.

É importante comer e jogar tudo fora, no vaso.
Estou sem fome e sem vontade de levantar.
O chão ainda me acolhe.
Sou pontual com meu tempo.

Tudo que dói é o máximo que podemos ter.
Palavras gastas tentam me convencer.
Não se deixe pisar!
Vasculhe o forno, encontre baratas.

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