sexta-feira, 15 de abril de 2011

Pessoas que ficam

Você já se deparou com situações em que quer desesperadamente que alguém vá embora, e essa pessoa simplesmente não vai? É impressionante! Quase uma fórmula universal. Pessoas que queremos que fiquem, vão rápido. Pessoas que queremos que se evaporem, ficam. Talvez exatamente por isso gostemos mais dos que vão embora do que dos que ficam. Os que vão embora sabem respeitar o espaço alheio. Têm bom senso. Os que ficam são malas. Por isso ficam. Por isso não gostamos deles.

Essas pessoas são especialmente atraídas por pessoas bem educadas. Elas vêem, ali, um espaço rico e propício para a reprodução do seu parasitismo e chatice inatos. Por mais que você demonstre que quer que elas vão embora logo, elas não se mancam! Vão ficando, e ficando, e ficando. Enquanto isso, você reza aos céus, implora: apenas quer viver um pouquinho! Dar uma cagadinha tranquila, talvez! Nada demais. Não chega a ser ódio. É apenas vontade de privacidade. Geralmente gostamos de privacidade.

Qualquer sinal é em vão. Você boceja. Você desliga a tv. Você deita. Fecha os olhos. Finge dormir. Finge uma convulsão. Mas não adianta! Aquela pessoinha amada continua lá, intocável, e sem se tocar! É como se ela estivesse totalmente desconectada do mundo, e conectada a uma única vontade, um único foco, um único objetivo: ficar ali. Ela simplesmente fica! As horas passam, e ela fica! Permanece, e ainda acha que está fazendo um imenso favor!

Às vezes chego a pensar que essas pessoas que ficam, o fazem apenas para incomodar. Pode ser uma espécie de "chatice ideológica". Ou síndrome do "Do Contra". "Poxa, ele está com sono! Quer que eu vá embora! Quer saber? Só por isso vou ficar. Quem é esse sujeitinho para querer sentir sono enquanto eu, tão legal e bacana, estou na casa dele?"

Ainda não conheci uma pessoa que fica que eu considere legal. É difícil achar legal alguém que invade seu espaço e não conhece o limite das coisas. Logo, se você, leitor, é uma dessas pessoas que ficam, e nem sequer dizem, uma hora ou outra, pelo menos pra testar o anfitrião e dar-lhe o direito de dispensar sua presença, "acho que tá ficando tarde, vou indo nessa", aviso de antemão: você não é legal. Muito antes pelo contrário. Você é chato pra cacete. E a pessoa que está te recebendo deve estar com uma pequena vontade de te enforcar e jogar no primeiro valão que aparecer. Pode ser duro. Mas é real.

2 comentários:

Ângela disse...

muito bom esse sarcasmo... bem real

Bruno Mello Souza disse...

Hehehehe, verdade. Será que existe alguém nesse mundo que nunca tenha se deparado com pessoas desse tipo? Acho difícil.

Muito obrigado pela participação, Ângela! Beijos.