sábado, 2 de abril de 2011

Dor

Como se tudo fosse diferente, eu acordei.
Um minuto a menos num oceano sem fundo.
O que vem depois dessa vida?
Já não sei se quero estar aqui.

Durma, durma, durma, é isso tudo o que resta.
Estão todos distraídos enquanto caio da janela.
Sangue, lágrimas, imundice.
Estão debochando da minha cara.

A dor de um fio de esperança é mais amena do que a dor da realidade morta.
Não sei se estou com febre ou se devo me deitar.
Estou obrigado a esmagar meu coração.
Ele está apodrecendo na lixeira.

Novos velhos dias.
Tudo morre, tudo acaba, menos eu.
As mãos se tocam num alento.
Tenho todas as virtudes que ninguém precisa.

Morro mais um pouco, e um pouco de mim se vai.
Já não pertenço a este mundo.
Na verdade, nunca pertenci.
Meus olhos procuram o chão, e é isso o que sobrou.

Ninguém me avisou que isso doeria tanto.
Resta-me o tempo, e os olhos que não quero perder de vista.
Amanhã, ou depois, ou nunca.
Sou refém de uma aposta só minha.

Alguém ainda está acordado enquanto choro feito um tolo?
Estou repetindo de ano, não tenho a aptidão necessária.
Rio de mim mesmo, repouso sobre minhas lágrimas.
O chão está frio e sujo.

Últimas palavras, dor aguda no peito e na alma.
Já não consigo suportar essa prisão.
Quero vê-la, preciso de mais um abraço.
Resta apenas deixar o vento nos direcionar com um sopro de esperança.

4 comentários:

Anônimo disse...

Chorão!

(Rafael)

Bruno Mello Souza disse...

Obrigado pela participação!

Nayara So'Ram disse...

Que blog maravilhoso! Precisava de um desse para alegrar minhas noites! :D

Bruno Mello Souza disse...

Oi Nayara!

Fico muito feliz com as suas palavras, e muito satisfeito por ter leitores que gostam do blog e se identificam com o seu conteúdo.

Sinta-se à vontade para visitar e comentar!

Beijos.