sexta-feira, 22 de abril de 2011

Correnteza

Anda desorientado pelas ruas da cidade.
A vida é um martírio sem fim.
Mesmo quando acerta, ele erra.
Mesmo quando tudo vai bem, tudo vai mal.

Não sabe o que fazer em meio ao fogo cruzado.
Foi ensinado a sonhar, mas já não consegue.
Imaginações doentias, projeções obscuras.
Seu estômago dói.

Noite de insônia e suor.
O ar falta aos pulmões.
O coração pula como se fosse romper peito afora.
Aqueles números não podiam ser profanados.

Queria vomitar na cara daqueles seres desprezíveis.
Queria levá-la para casa em paz.
Espera por um momento que foge.
Todos são fantasmas, e a ameaça está por todos os lados.

Tudo poderia estar melhor resolvido.
O relógio é insensível e incorruptível.
Afogando-se num mar de dúvidas, implora pela mão dela.
Morre aos poucos, levado pela correnteza.

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