sábado, 30 de abril de 2011

O título de novela mais bizarro da história

O título de novela mais bizarro da história é disparado daquela que passava da Record. "Os Mutantes: caminhos do coração". Trata-se da sequência de uma novela chamada "Caminhos do Coração". Beleza. Mas é muito, muito estranho. Sou só eu que acho que não combina nem um pouco?

As expressões "Mutantes" e "caminhos do coração" num mesmo título soam tão estranho quanto uma top model comendo um xis do Speedy (essa só quem é de Porto Alegre vai entender). É mais ou menos como se se fizesse um filme "Carga explosiva: quando o amor fala mais alto". Não dá! Simplesmente não dá!

Além disso, quando penso em mutantes, penso em X-Men. Ora bolas, como seria a trama de uma novela "Mutantes: caminhos do coração"? Fico imaginando a sinopse. Seria algo mais ou menos assim: "Wolverine, um mutante de muita garra, vive uma paixão proibida com Tempestade. O cruel Professor Xavier, porém, não permite a união dos dois, vigia a moça por todas as partes, e, junto com Ciclope, fará de tudo para impedir esta linda história de amor."

É... Realmente, não dá... Não sei o que passou na cabeça de quem bolou esse título para a novela. E o pior é que, dando uma pesquisada no Wikipedia, vejo que a novela teve uma nova temporada chamada: "Mutantes: promessas de amor". Um, dois, três, vai: hahahahahahahahahahahaha.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Vaga encaminhada, mas não garantida

O empate em Montevidéu frente ao Peñarol foi um resultado muito bom para o Inter. Pelo fato de ter marcado gol fora de seus domínios, o colorado joga pelo 0 a 0 no Beira-Rio, na próxima semana.

Os principais destaques da partida ficaram nos extremos do time colorado. No gol, Renan fez grandes defesas. Quase como num passe de mágica, o inconfiável goleiro do ano passado tem voltado a ser o promissor e talentoso goleiro que deixou o Beira-Rio em 2008 como potencial goleiro titular de seleção brasileira. Tem que ter sequência. E cada vez mais se reforça a tese de que o problema dos goleiros colorados na temporada 2010 era mesmo a inexperiência de Clemer na função. Com Marquinhos na preparação, tanto Renan como Lauro estão muito mais seguros, apresentando sensível melhora de rendimento.

No ataque, Damião mais uma vez foi decisivo. Num jogo encardido, fora de casa, aproveitou um contra-ataque fulminante armado por Oscar para chutar de fora da área, e com a ajuda de um desvio no zagueiro, encobrir o goleiro Sosa. Damigol, assim como o time do Inter como um todo, apresentou o atributo para o qual eu tinha chamado atenção ontem: personalidade. O prêmio, um bom resultado fora de casa.

Agora, fica tudo para o Beira-Rio. A vaga está bem encaminhada. Só uma tragédia tira o colorado das quartas-de-final da Libertadores. Mas, ainda assim, deve-se ter muita atenção e concentração: o Peñarol é um time tarimbado e de camisa. Não vai entregar a classificação de mão beijada, tenham certeza. Mesmo sendo um time tecnicamente deficiente, vai dar a vida no Gigante. Como Falcão vive dizendo, o Inter vai ter que igualar na vontade para fazer prevalecer sua técnica.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Duelo de gigantes

Logo mais, o Inter encara um desafio importantíssimo e emblemático pela Libertadores da América. O colorado enfrenta o Peñarol no lendário estádio Centenário, em Montevidéu. Tem tudo para ser um grande jogo, cheio de emoção.

Os uruguaios tentarão certamente fazer valer o mando de campo. O Inter deve esperar por todos os ingredientes de um típico jogo de Libertadores: catimba, pressão da torcida, tentativas de condicionamento da arbitragem, jogadas ríspidas e tudo mais.

O Peñarol deve ser muito respeitado, por sua imensa tradição. É uma camisa de muito peso, que carrega a força de cinco títulos de Libertadores e de três Copas Toyota. Ainda assim, camisa por camisa, o Inter também tem muita: é Bi da Libertadores e Campeão do Mundo. E, no papel, possui um elenco muito superior tecnicamente.

Por isso mesmo, não há motivos para temer. É uma partida em que será necessário colocar em prática toda a experiência do grupo colorado. O fator chave para o Inter trazer um bom resultado do Uruguai chama-se PERSONALIDADE. Tem que jogar de igual pra igual, marcar forte, tocar a bola, e mostrar porque o colorado é o atual Campeão da América. Igualando na raça e tendo postura vencedora em campo, a tendência é de uma vitória até ao natural. Time, o Inter tem bem mais.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

080411

Vocês são o fim dos dias e não percebem.
Vocês são o lixo absoluto.
Morram logo, inexistam logo.
Piada de mau gosto, frustrações grotescas.

Não aguento mais palpites falsos.
Sei bem quem me quer bem.
Recalques e tragédias não me atraem.
Me deixem respirar.

Fodam-se suas crenças.
Sou mais forte, e estou firme.
Sejam o nada desprezível.
Nunca pedi favor algum.

Busquem lixo no lixo.
É para isso que nasceram.
Deixem-me viver.
E sintam o ar como urubus.

Estou exausto e nada me ajudou.
Vocês me desmotivam com suas ideias medíocres.
Sou novo, estou novo.
Apenas quero amar.

terça-feira, 26 de abril de 2011

(D) Existir

Você caminhou tanto e encontrou uma porta fechada.
De que adiantou sangrar os pés?
Tudo à sua volta está apodrecendo.
Esperanças são para os tolos.

Corpo e alma cansados.
Estou sozinho, sigo sozinho.
De que adiantaram tantos dias e sonhos?
A sombra é a única companheira que fica.

Tudo o que fazemos é estéril.
Você recomeça todos os dias, mas à noite a sensação é sempre a mesma.
Está incompleto, sobriedade insuportável.
Seu ponto já passou, desça logo.

Não existe caminho certo, não existe chegada.
A vida é uma farsa.
Estão apenas brincando com você.
Coma a própria carne, beba o próprio sangue.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A batalha da polenta

A vitória conquistada pelo Inter no Alfredo Jaconi, pela semifinal da Taça Farroupilha, foi emblemática. Foi um jogo típico de Gauchão. Foi um típico Inter e Juventude no Jaconi, jogo de muita pegada e com jogadores do time da serra bem "aceleradinhos". Mas foi mais. Foi a vitória de um time que quer vencer sempre. Foi a vitória do talento, da atitude na hora mais adversa.

No primeiro tempo, o colorado não criou praticamente nada. Os meias Andrezinho e Oscar estavam inoperantes. Sóbis jogava na zona morta, participando pouco, e, quando o fazia, burocraticamente. Mas a defesa esteve segura. No Inter de Falcão, a bola fica longe do setor defensivo. Os volantes avançam muito a marcação, o que facilita o trabalho da zaga, que se dedica mais a rebater sobras do que a um confronto direto com os atacantes adversários. E foi num desses lances de marcação adiantada dos volantes que Bolatti pegou uma sobra na intermediária ofensiva e mandou um petardo contra o gol de Jonatas, do Juventude. 1 a 0. O time de Caxias empatou com um belo gol de falta do zagueiro Fred.

Na segunda etapa, o que se viu foi um Inter mais solto e objetivo. Oscar cresceu no jogo, e começou a criar ótimas jogadas. O colorado empilhava chances de gol até que Bolatti, em lance infantil, foi expulso. Aí entrou em campo o treinador Paulo Roberto Falcão. Em tempos de Roth, em circunstâncias dessas, entraria Wilson Mathias. Mas Falcão colocou Tinga. Resguardou-se, sim, mas não abdicou do ataque. O prêmio pela postura arrojada do treinador foi um gol do PC da Tinga, completando, aos trancos e barrancos, jogada antológica de Leandro Damião: o centroavante deu uma lambreta extraordinária no zagueiro Fred, e levantou a bola para o volante marcar. Gol, com dez em campo. Vitória. E vaga na final da Taça Farroupilha garantida. No próximo domingo, o colorado enfrenta o Grêmio no Beira-Rio.

Porém, antes há um jogo decisivo na Libertadores. O Inter enfrentará o tradicionalíssimo Peñarol no Uruguai. É muito mais time. Mas a camisa do adversário merece respeito. Vai sair faísca. Pedreira garantida. Depois dessa partida, e só depois dela, as atenções coloradas se voltam para o clássico. Aí sim, o Rio Grande vai tremer.

domingo, 24 de abril de 2011

Tempos (pós) modernos

- Fernando, gostaria que você entendesse. Você é muito bom pra mim. Eu não te mereço. E ainda por cima, somos muito amigos...
- Tatiana, então você quer dizer que sou bom em excesso? É isso?
- Sim, você não merece passar por isso. Só vai sofrer. Merece alguém muito melhor do que eu.
- Não me importo. Deixa eu sofrer, então! E, se sou bom demais, posso piorar! Posso virar um verdadeiro filho da puta! Não deve ser tão difícil piorar...
- Ai, Fernando, não é bem isso... E, ainda por cima, somos muito amigos...
- Sem problemas. Se é isso que você exige de um namorado, que seja um filho da puta e teu inimigo, eu posso sê-lo!
- Mesmo?
- Mesmo! Olha só, já não consigo nem olhar pra sua cara de tanto nojo!
- Verdade?
- Verdade! Chego a estar com náuseas.
- Tá, então tá... Assim é bem melhor. Digo, pior.
- Me dá um beijo, então, Tatiana.
- Claro, meu bem.

E viveram felizes para sempre...

sábado, 23 de abril de 2011

Rasura

Estava tudo bom demais.
Fui correndo atrás do oásis.
O amanhã é um oásis.
O amanhã não existe.

Encontro a mim mesmo.
Sou uma doença.
Estou prestes a me curar.
Ninguém vai nem notar.

O caminho está perdido.
Sangre o porco, vamos ao banquete.
Isso não depende só da minha vontade.
Me ensine a ser um fantoche.

Violente-me um pouco mais.
Ei, você aí, me ouça e marque meu julgamento.
Sou um erro, uma palavra rasurada.
Posso trocar meu coração por um punhado de balas.

É importante comer e jogar tudo fora, no vaso.
Estou sem fome e sem vontade de levantar.
O chão ainda me acolhe.
Sou pontual com meu tempo.

Tudo que dói é o máximo que podemos ter.
Palavras gastas tentam me convencer.
Não se deixe pisar!
Vasculhe o forno, encontre baratas.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Correnteza

Anda desorientado pelas ruas da cidade.
A vida é um martírio sem fim.
Mesmo quando acerta, ele erra.
Mesmo quando tudo vai bem, tudo vai mal.

Não sabe o que fazer em meio ao fogo cruzado.
Foi ensinado a sonhar, mas já não consegue.
Imaginações doentias, projeções obscuras.
Seu estômago dói.

Noite de insônia e suor.
O ar falta aos pulmões.
O coração pula como se fosse romper peito afora.
Aqueles números não podiam ser profanados.

Queria vomitar na cara daqueles seres desprezíveis.
Queria levá-la para casa em paz.
Espera por um momento que foge.
Todos são fantasmas, e a ameaça está por todos os lados.

Tudo poderia estar melhor resolvido.
O relógio é insensível e incorruptível.
Afogando-se num mar de dúvidas, implora pela mão dela.
Morre aos poucos, levado pela correnteza.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Estado de natureza

É meia-noite. O ônibus está parado no terminal. Um cara forte com camisa de jiu-jitsu está com uma bandeja de ameixas, logo à minha frente.

Ele morde a primeira. E joga pela janela.

Ele morde a segunda. E joga pela janela.

Ele morde a terceira. E joga pela janela.

Ele morde a quarta. E joga pela janela.

Ele morde a quinta. E joga pela janela.

Ele morde a sexta. E joga pela janela.

Mas tudo bem. Ele é um cara forte com camisa de jiu-jitsu.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Classificação garantida

Não foi uma grande atuação. Mas o Inter conquistou a vaga para as oitavas-de-final da Libertadores e a liderança do grupo. É assim que tem que ser. Quando se pega adversários ruins na primeira fase, tem que conquistar a liderança.

No primeiro tempo, o colorado teve imensas dificuldades para furar a retranca do atual líder do Campeonato Equatoriano. Poucas chances eram criadas, de lado a lado. Já no segundo tempo, o Inter cresceu. Passou a criar mais oportunidades de gol e ser mais incisivo. E assim, marcou dois tentos, com Sóbis e Damião. Vitória garantida, e agora vamos para o mata-mata.

Como já disse anteriormente, não foi uma grande atuação colorada na noite de ontem. Mas, ainda assim, numa jornada pouco inspirada, pôde-se notar a diferença de postura do Inter. O colorado de Falcão tem fome de bola. Não tem cerca-cerca e recuo. Não! Em todos os setores do campo, os jogadores buscam desarmar, efetivamente, os adversários. Assim como já havia ocorrido contra o Santa Cruz, não poucas vezes o Inter construiu contra-ataques interessantíssimos graças à intensa marcação na intermediária do adversário.

Já é possível notar avanços táticos importantes no Inter de Falcão, com uma defesa mais protegida e menos assediada, um meio campo de forte marcação e rápido na troca de passes, e um ataque que começa a criar alternativas importantes em termos de movimentação. Há muito o que melhorar? Certamente. Mas não se pode negar a rápida evolução apresentada pelo colorado sob o comando de Paulo Roberto Falcão.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Engarrafado

Estou parado aqui dentro.
Estamos parados no meio da pista.
Nada anda, alguém fez besteira.
Se eu pudesse, chutaria toda essa lataria.

Ninguém parece irritado.
Isso me irrita ainda mais.
A fila nunca acaba.
Esta viagem é um martírio.

Então toda minha vida parece que parou.
Me preparei para correr e não saio do lugar.
Somos conduzidos como porcos.
Estamos morrendo e o mundo não espera.

Dez minutos, meia hora, uma hora.
Estão todos conformados.
E eu rio para não chorar.
Prisão de angústia, procuro me conter.

Então eu chego esgotado.
O dia ainda nem começou.
Mais uma náusea dessa mesma vida.
E tudo ainda pode piorar.

domingo, 17 de abril de 2011

Uma outra atitude

O magro 1 a 0 do Inter sobre o Santa Cruz foi um placar mentiroso. Na primeira partida sob o comando de Paulo Roberto Falcão, o colorado foi outro time em relação ao que vinha sendo com Celso Roth. Ainda apresenta falhas. Mas já se viu o dedo de Falcão na atuação da equipe.

O Inter atacou o tempo todo. Mesmo quando fez o gol, não se percebeu, em momento algum, a já famosa síndrome do "faz o gol e recua". A equipe colorada foi intensa, dominou todas as ações, criou oportunidades, manteve a bola em seus pés, e fez o adversário correr atrás. O Internacional se impôs, e fez prevalecer sua superioridade técnica.

Também foi notável a ideia de compactação proposta por Falcão. Não poucas vezes, vimos os volantes Guiñazu e Bolatti desarmando na intermediária ofensiva, propondo assim contra-ataques curtos e, por isso mesmo, extremamente objetivos.

Até Andrezinho, que dificilmente joga bem quando inicia uma partida, esteve soberbo. Atuando quase como um ponteiro direito, deu o passe para o gol de Damião. Esteve atuante em todos os momentos ofensivos. D'alessandro também teve ótima atuação.

Exatamente pela imposição da equipe em campo, a defesa foi pouco exigida. Mas, ainda assim, dá arrepios. Melhorou sem Índio. Porém, ainda parece ser o calcanhar de Aquiles do time. Por isso mesmo, a imposição apresentada deve se repetir ao máximo. Quanto mais o colorado tiver a posse de bola, quanto mais atacar, mantendo a redonda longe dos arredores da defesa, menos esta será incomodada.

Agora, os pensamentos voltam-se para o jogo contra o Emelec, na terça-feira. Jogo importantíssimo. Vale a classificação na Libertadores, e a manutenção do sonho do Tri. É o primeiro grande desafio da Era Falcão.

sábado, 16 de abril de 2011

A estreia de Falcão

Hoje, no final de tarde no Beira-Rio, teremos um fato histórico. Depois de longo período como o mais conceituado analista de futebol do país, Paulo Roberto Falcão volta à casamata para treinar o clube que o lançou para o futebol. Esse fato, por si só, torna o jogo de hoje único.

Fosse qualquer outro o treinador colorado, teríamos um jogo de Gauchão contra o Santa Cruz. Só isso. Mas não é. Hoje teremos a estreia de Falcão, e uma nova proposta: futebol compacto, de muita posse de bola, com o time buscando o ataque o tempo todo, atuando de maneira vistosa.

É óbvio que o Inter de hoje não será ainda o Inter de Falcão em sua plenitude. Com menos de uma semana de trabalho, a equipe ainda terá alguns velhos vícios. Absolutamente normal. Mas já dará pra ver uma postura diferente. Questão de orientação, mesmo. Pelo menos, é isso que eu espero.

Lamentavelmente, chove muito neste momento em Porto Alegre. Tomara que a chuva acalme. O campo pesado tende a equilibrar as ações e prejudicar o time mais técnico. E mais: tende a dificultar a proposta de jogo de Falcão, de toque de bola e riqueza de ações ofensivas. Assim, torna-se fundamental, acima de tudo, a vitória. E o valor histórico da partida de logo mais.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Pessoas que ficam

Você já se deparou com situações em que quer desesperadamente que alguém vá embora, e essa pessoa simplesmente não vai? É impressionante! Quase uma fórmula universal. Pessoas que queremos que fiquem, vão rápido. Pessoas que queremos que se evaporem, ficam. Talvez exatamente por isso gostemos mais dos que vão embora do que dos que ficam. Os que vão embora sabem respeitar o espaço alheio. Têm bom senso. Os que ficam são malas. Por isso ficam. Por isso não gostamos deles.

Essas pessoas são especialmente atraídas por pessoas bem educadas. Elas vêem, ali, um espaço rico e propício para a reprodução do seu parasitismo e chatice inatos. Por mais que você demonstre que quer que elas vão embora logo, elas não se mancam! Vão ficando, e ficando, e ficando. Enquanto isso, você reza aos céus, implora: apenas quer viver um pouquinho! Dar uma cagadinha tranquila, talvez! Nada demais. Não chega a ser ódio. É apenas vontade de privacidade. Geralmente gostamos de privacidade.

Qualquer sinal é em vão. Você boceja. Você desliga a tv. Você deita. Fecha os olhos. Finge dormir. Finge uma convulsão. Mas não adianta! Aquela pessoinha amada continua lá, intocável, e sem se tocar! É como se ela estivesse totalmente desconectada do mundo, e conectada a uma única vontade, um único foco, um único objetivo: ficar ali. Ela simplesmente fica! As horas passam, e ela fica! Permanece, e ainda acha que está fazendo um imenso favor!

Às vezes chego a pensar que essas pessoas que ficam, o fazem apenas para incomodar. Pode ser uma espécie de "chatice ideológica". Ou síndrome do "Do Contra". "Poxa, ele está com sono! Quer que eu vá embora! Quer saber? Só por isso vou ficar. Quem é esse sujeitinho para querer sentir sono enquanto eu, tão legal e bacana, estou na casa dele?"

Ainda não conheci uma pessoa que fica que eu considere legal. É difícil achar legal alguém que invade seu espaço e não conhece o limite das coisas. Logo, se você, leitor, é uma dessas pessoas que ficam, e nem sequer dizem, uma hora ou outra, pelo menos pra testar o anfitrião e dar-lhe o direito de dispensar sua presença, "acho que tá ficando tarde, vou indo nessa", aviso de antemão: você não é legal. Muito antes pelo contrário. Você é chato pra cacete. E a pessoa que está te recebendo deve estar com uma pequena vontade de te enforcar e jogar no primeiro valão que aparecer. Pode ser duro. Mas é real.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Faixas

Faixas e cartazes são um negócio engraçado. Os erros que vejo em alguns são próximos do absurdo. Ou melhor, são absurdos mesmo.

Todo dia, quando me dirijo à faculdade, me deparo com uma faixa que diz "Vendo está propiedade". Já vi trocentas vezes. Mas sempre, sempre, paro três segundos,fecho os olhos, medito, e penso: "Que porra é essa?" Pode ser a oferta mais tentadora do mundo! Jamais vou comprar um imóvel com uma faixa dessas. Talvez por isso mesmo até hoje o dono não tenha conseguido vender "está propiedade". Dói nos olhos. Se o cara não sabe fazer uma faixa, vai conseguir fazer um contrato decente?

Aí podem dizer: "Ah, vai ver que o erro foi do sujeito que pintou a faixa". Nesse caso, eu perco as minhas esperanças na humanidade. O cara que faz a faixa não pode "achar", muito menos "achar" algo tão esdrúxulo. Pessoas que pintam faixas deviam ter um dicionário. É como o martelo para o carpinteiro. A chuteira para o jogador. A camisinha para a prostituta.

E o pior é que acho que esses caras nem suspeitam dos seus erros. Eles terminam a faixa, olham para ela, e lêem: "Vendo está propiedade". E pensam: "Putz! Como não vi isso antes? Que absurdo! Ficaria muito melhor em vermelho! Agora já era. Vai ficar preto mesmo..."

A burrice em si não é tão assustadora. O que assusta é que essas pessoas nem sequer suspeitam que sejam burras. Cometem erros esdrúxulos. Mas com convicção! Isso é o pior.

No meu bairro, tinha uma carrocinha que não vendia xis burguer. Vendia "xis burgue". Ainda assim, o negócio cresceu. Talvez o pessoal sentisse pena do dono. Virou uma lojinha. Mas o "xis burgue" continuou lá, e agora com letras garrafais. Se bobear, até tinha um neon piscando. Só pode ser licença poética. Só pode!

Passando de ônibus hoje pela manhã, vi que uma "casa de moças de vida fácil" mudou de direção. Estava uma enorme faixa estendida, dizendo: "Sobre nova direção". Até onde eu saiba, a direção fica acima. O negócio, abaixo. A direção manda no negócio. O negócio é guiado pela direção. Logo, aquele puteiro devia estar "Sob nova direção". Ou então é algum tipo novo de empreendedorismo. Talvez as prostitutas mandem nos cafetões. Vai saber. No mundo do sexo, as posições podem variar das formas mais malucas. Vide Kama Sutra. Talvez assim aquela faixa grotesca faça algum sentido.

Uma outra casa dessas, que fica na mesma avenida, por sinal, abria vagas: "Procura-se garçonetes dançante". Porra! Talvez o Lula seja o cafetão. Agora, fora da presidência, pode se dedicar mais ao negócio: "Companheiras garçonete: nunca antes na história desse puteiro..."

Estou ficando muito preocupado. Essas faixas e cartazes com erros absurdos estão se proliferando. Talvez eu abra um negócio no ramo, corrigindo esses absurdos. Amanhã mesmo vou providenciar um cartaz grandão para colocar na janela do apartamento: "Fasso revizão de portugueis para faichas".

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Um coqueiro...

Mexa no seu brinquedinho, garoto.
Você é o orgulho do papai.
Por isso está aí olhando todos de cima.
É insegurança esse seu jeito estúpido de ser?

Mostre o tanto que você sabe.
Quando apodrecer não valerá nada.
Finja que está acima do bem e do mal.
Saia correndo como um bebezão quando for contrariado.

Ele pensa que sabe por que nasceu.
Nunca terá nada por que morrer.
É tão escasso e tão pequeno em seus objetivos óbvios.
Ele é o que o mundo quer dele, sem vontade própria.

Apenas rio disso, e levo no deboche.
Ele é engraçado, minha chacota favorita.
Uma merda que se olha no espelho e vê sorvete de chocolate.
Ele fede a esgoto.

Vive sua própria fraude.
Está na crista da onda, e esquece que pode se afogar.
Está cercado, vai chamar alguém pra lhe salvar?
Risos, risos, risos, e ele está metralhado na alma.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O bom filho à casa torna

Paulo Roberto Falcão está de volta ao Inter. O melhor jogador da história do clube assume como treinador para buscar muitos títulos, principalmente Libertadores e Brasileirão. É sua segunda passagem como técnico do clube. Como jogador, marcou época. Foi Tri-Campeão Brasileiro. Foi uma lenda (http://www.youtube.com/watch?v=F-R3IQbn9Fs). Um dos maiores jogadores da história do futebol mundial. Como treinador, ainda jovem, passou também pela seleção brasileira, onde foi vice-campeão da Copa América. Agora, mais maduro, mais experiente, chega como um grande nome. Será a grande estrela do colorado.

Falcão, mesmo tendo sua imagem associada ao Inter, é respeitado também pelos gremistas. Como comentarista da Rede Globo, durante anos a fio, tornou-se talvez a opinião mais respeitada da imprensa nacional. Homem gentil, bem educado, de ideias claras, Paulo Roberto Falcão é referência absoluta.

Em alguns momentos, como comentarista, Falcão me parecia distante do Inter. Muito provavelmente por causa da responsabilidade de ser imparcial como homem de imprensa e opinador número 1 da maior emissora de televisão do país. Ainda assim, nos últimos tempos, Falcão se libertou um pouco. Perdeu o receio de mostrar o carinho pelo clube. Se reaproximou, devagarinho. E agora volta ao clube que o revelou para o mundo.

Falcão volta porque ele e o Inter são indissociáveis. Querendo ou não, o colorado está definitivamente tatuado em seu coração. E o Inter sempre terá nele uma marca absoluta do grande craque, do ídolo. Falcão e Inter têm uma linda história de amor. E essas grandes histórias de amor passam por caminhos, descaminhos, afastamentos e reaproximações, mas sempre terminam como têm que terminar: com a união do mais puro e forte sentimento. Falcão ama o Inter. Levava tijolinhos na época da construção do Beira-Rio. E a torcida do Inter ama Falcão.

O momento é histórico. É a fusão do saudoso passado do maior craque do clube com um Inter moderno, Campeão do Mundo, Bicampeão da América e Campeão de Tudo. O Inter mudou muito. Falcão também. Mas o Inter continua sendo o Inter. E Falcão continua sendo Falcão. Inter e Falcão estão juntos novamente. Estava escrito nas estrelas.

Seja bem-vindo de volta à sua casa, Paulo Roberto Falcão!

domingo, 10 de abril de 2011

Ditadura de Deus

Respeito todas as crenças. Tenho as minhas. Jamais vou querer agredir a religiosidade de alguém. Mas é fato que Deus, em alguns moldes religiosos, é um grande ditador. Se isso é bom ou ruim, não sei. Depende da valoração que se dê ao conceito de ditadura. Jair Bolsonaro, por exemplo, não veria nada de mau. Fato é que, de um jeito ou de outro, em alguns sistemas de crenças, Deus constitui um regime autoritário.

Faça-se sempre a vontade de Deus! Cumpram-se os mandamentos dele! Não há discussão. Qualquer coisa que aconteça, é porque Deus quer. E nada de questionamentos!

Deus não é democrático. Deve ser porque democracia é coisa do demo. Não existe corpo legislativo de anjos ou santos. Muito menos um orçamento participativo dos filhos de Deus. Ele tem o poder do canetaço. Ele decide tudo. E pronto.

Deus não aceita oposição. Quem ousou pensar no seu cargo foi expurgado impiedosamente para o inferno. Deus também proíbe divisão de poder e colegiados. Politeísmo é sacrilégio!

Há quem diga que o tsunami no Japão foi castigo de Deus, porque lá eles acreditam em Buda. Deus não só não aceita opiniões diversas, como também reprime violentamente os que dele discordam!

O Deus ditador é inquestionável. Ou assim pretende ser. Questionamentos são blasfêmias. Não se pode pensar. Apenas obedecer. E aceitar. Porque ele sabe o que é melhor para nós.

sábado, 9 de abril de 2011

Roth fora

A demissão de Roth já havia passado da hora. Todos os créditos foram dados. Não havia mais o menor clima junto à torcida. A equipe não apresentava um padrão de jogo. Com Celso Roth, a eliminação do Inter da Libertadores era mera questão de tempo.

Não considero Roth um desgraçado, um burro, um incompetente. Ele é bom treinador, por incrível que pareça. Provou isso no ano passado, quando provocou uma revolução no colorado, levando um time que tinha atuações patéticas sob a batuta de Jorge Fossati para o título da Libertadores, com atuações memoráveis nas semifinais e finais. Porém, ao mesmo tempo, comprovou a antiga tese de que seus trabalhos perdem fôlego rápido. Isso culminou com a maior tragédia da história do clube, contra o Mazembe, no Mundial Interclubes.

Ainda com o mazembaço, a direção deu crédito ao trabalho de Roth, no que não a condeno. Era, ainda, o técnico Campeão da América. Mas a equipe continuou titubeando. Em nenhum momento de 2011 o Inter foi um time confiável. Tropeçava contra os fracos times do interior gaúcho. E vai ter que decidir na última rodada a liderança e classificação num grupo ridículo da Libertadores, no qual devia se classificar com um pé nas costas. A derrota para o fraco Jaguares, com direito à entrada de Wilson Mathias no lugar de Bolatti, certamente para "evitar uma derrota maior", foi a gota d'água. Celso Roth não é mais o treinador do Inter.

O nome mais forte para substituir Roth é o de Falcão. Espero que a direção realmente abrace a causa. Trata-se de um ídolo do Inter, um vencedor, um homem que conhece o clube, é amado pela torcida, e teria todo o respeito e o respaldo no vestiário. Falcão mudaria, para melhor, o ambiente do Beira-Rio. Seria, por si só, uma atração à parte. Que assim seja, e Luigi e Siegmann não façam o triste e pobre óbvio, do tipo trazer um treinador comum disponível no mercado. Isso seria brochante.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O massacre do Realengo

O lamentável massacre ocorrido numa escola do Rio de Janeiro tem trazido à tona uma série de debates sobre segurança, patologias psíquicas, bullying, e comportamentos individuais. Os "diagnósticos" repousam, em última análise, no aspecto psicológico do indivíduo que cometeu aquela barbaridade para depois se suicidar. Não há porque duvidar da seriedade de tais diagnósticos. Mas há um debate um pouco mais profundo que precisa ser feito. Um debate no nível do tipo de sociedade que tem sido construído no ocidente. Um tipo de sociedade que aumenta consideravelmente a possibilidade de afloramento de comportamentos como o de Wellington de Oliveira Menezes.

Vivemos numa sociedade doente. O relativismo exacerbado, combinado com uma globalização que integra consistentemente mas, paradoxalmente, atomiza ainda mais violenta e abruptamente, tornaram a convivência social muito mais complexa. Símbolos, sistemas de crenças, comportamentos, tudo isso ganhou uma dinâmica de difícil acompanhamento. O resultado é que muitos indivíduos acabam por se encontrar deslocados do mundo, sugados por uma relação tempo-espaço que mais se parece um buraco negro pronto a sugá-los no menor descuido. Como defesa, muitas vezes adotam um fanatismo esquizofrênico como o que Wellington utilizou para justificar aquela barbaridade.

Parâmetros morais estão cada vez mais diluídos. Estes parâmetros não precisam ser necessariamente religiosos. Podem ser de ordem humana, de valores que até anteontem eram ponto pacífico e indiscutível. Mas precisam existir. São os pilares que sustentam a convivência entre os indivíduos. Uma sociedade sem certo e errado, sem respeito ao próximo, onde os limites e fronteiras morais estão permanentemente em disputa num jogo sem nenhum tipo de previsibilidade tende a, digamos, potencializar comportamentos psicóticos como o visto no Realengo.

Um grande estrago já está feito, e parece de difícil reversão. Indivíduos sem referências estão sendo multiplicados em escala industrial, a todo momento. Não há como parar esta máquina, que se autonomiza permanentemente. Neste imenso jogo sem regras e fair play, em que o prazer individual é o único benefício a ser perseguido, custe o que custar, doa a quem doer, tende a prevalecer o mais forte, o mais egoísta, o mais frio e calculista. Um modelo social agressivamente competitivo, em que o indivíduo tem de lutar despudoradamente contra outros indivíduos pela sobrevivência não só física como moral, numa grande e nada ingênua dança das cadeiras, faz perder-se o próprio sentido da palavra "sociedade", concebida por si mesma. Estaríamos voltando a um estado de natureza disfarçado de modernidade e liberalização comportamental? É pra se pensar...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Constrangedor

A atuação do Inter diante do Jaguares foi constrangedora. O colorado jogou um pouco menos que nada. Só se salvaram Lauro, que evitou vexame maior, diante de um time medíocre, Guiñazu e Bolatti. De resto, foi um lixo.

Nei, o esforçado Nei, o apenas esforçado Nei, o Nei que nunca vai ser nada mais do que esforçado e tosco, foi ridículo. Entregou o gol junto com Índio. O Índio de tanta história no clube. O Índio ex-jogador, que faz a sua rotação completa de forma mais lenta que o planeta Terra. Giraram em cima dele. Ele ainda está girando à procura do atacante Hulk.

Os meias estiveram apagadíssimos. Oscar ainda tentava algo. Mas estava mal tecnicamente. D'alessandro esteve nulo. Apático, errou absolutamente tudo que tentou. No ataque, Zé Roberto foi o que sempre é: uma usina pra acender uma lâmpada. Dessa vez, a mísera lâmpada estava queimada. Pra completar, Damião esteve inoperante, mais como consequência de um time frouxo e sem criatividade do que por culpa própria.

Para sublimar a imensa e gloriosa porcaria que foi o Inter na noite de ontem, Celso Roth fez por merecer um capítulo à parte. Fez alterações óbvias colocando Sóbis e Andrezinho, nos lugares de Oscar e Zé Roberto. E fez uma substituição esdrúxula, quando perdia o jogo. O Juarez tirou Bolatti e colocou Wilson Mathias! Surreal! Não foi uma alteração tática: tirou um volante para colocar outro. Não foi uma mudança técnica: Bolatti é bom; Mathias é ruim. Só Roth, ou nem ele, pode entender e tentar (apenas tentar) explicar o que pretendia com aquilo. Por mais que eu me esforce para entrar na mente de Roth para entender tal substituição, não consigo. Das duas, uma: ou Celso Roth está muito à frente da minha reles e pobre compreensão de futebol; ou ele é idiota, mesmo.

Fato é que o Inter conseguiu a façanha de complicar uma classificação óbvia num grupo fraquíssimo. Devia passar com um pé nas costas. No entanto, vai ter que suar, e ganhar do Emelec no Beira-Rio.

Acho que Celso Roth já deu o que tinha que dar. Muito obrigado pela contribuição valorosa na Libertadores do ano passado. Mas que vá embora. Leve Mathias, o espetacular, junto com ele. E que todos sejam felizes para sempre.

Inter x Jaguares

A partida desta noite no México é, na minha opinião, a mais complicada do Inter na primeira fase desta Libertadores. O que não quer dizer que seja lá muito difícil. É a menos fácil, por assim dizer.

O Jaguares faz campanha fraquíssima no campeonato nacional. Mas é um time mexicano, e os times mexicanos têm características bem delineadas, características estas que este mesmo Jaguares apresentou quando jogou no Beira-Rio. São equipes com razoável nível técnico, e bom toque de bola. Mas não possuem imposição física, jogam no melhor estilo tico-tico, sem objetividade, e apresentam zagas geralmente fracas.

Além disso, os mexicanos estão mordidos com os quatro a zero sofridos no primeiro turno. No site, colocaram a chamada "La venganza es un plato que se sirve frío. Te esperamos 'campeón'".

Não acho o empate na noite de hoje desprezível. Pelo contrário: considero interessante. Mas dá pra ganhar. A escalação que Roth mandará ao campo é a mais racional para o momento, com um meio-campo equilibrado e criativo. Jogando assim, aumentam consideravelmente as chances de vitória, que já não seriam desprezíveis mesmo com os malditos três volantes.

Há que se considerar que uma vitória hoje também pode ser decisiva para o colorado conquistar a melhor campanha desta etapa, e, por consequência, garantir as segundas partidas dos mata-matas no Gigante da Beira-Rio, que, por sinal, hoje está completando 42 anos. Em duelos parelhos de Libertadores, este fator pode ser fundamental.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Lágrimas

Deitado na cama, apenas penso em meu anjo.
Nunca pensei que seria fácil.
Mas não precisava ser tão difícil.
Manhã de domingo, lágrimas no travesseiro.

Me escondo e me exponho.
Preciso de esperança, não sou nada sem seu sorriso.
Mesmo que eu caia, não posso perder antes do jogo começar.
A realidade é dura, e preciso sonhar.

Aquelas palavras martelam em minha cabeça.
Temos o direito de tentar, e errar se for preciso.
Não me esqueça, e deixe eu buscar a mim mesmo.
Não pode haver dor maior do que se entregar antes do coração parar de bater.

Me busque lá no fundo do poço.
Pegue minha mão de novo.
Não posso apagar.
O tempo pode se encarregar de nossas almas.

Os corações devem se abrir.
Sentimentos não existem à toa.
Arrependimentos no vazio são mais dolorosos.
Vamos construir a realidade que queremos, no nosso tempo, com paciência.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Feliz aniversário, Inter!

Hoje o Inter completa 102 anos de existência. E não é uma existência qualquer. Nestes 102 anos o clube conquistou todos os títulos que um clube brasileiro pode conquistar.

Iniciou sua trajetória com os irmãos Poppe, que nem imaginavam a dimensão que sua iniciativa teria. Queriam jogar bola, só isso! E fundaram um dos maiores clubes do planeta.

O colorado conquistou a cidade. Depois, o estado. Depois, o Brasil. Depois, a América. Depois, o Mundo. E continuou sua trajetória de conquistas. Não cansa de ganhar. Não esqueçamos: é o atual Campeão da América.

Em sua rica história, o Internacional também teve passagens tristes. São passagens que não devem ser esquecidas, por mais que quiséssemos fazê-lo. Fizeram o Inter ainda maior. Olímpias, Bragantinos, Juventudes, Mazembes, Bahias, são parte do roteiro de um filme inesgotável. De alguma forma, tornam a história do colorado ainda mais bonita e singular.

O Inter ainda perderá muito. Mas ganhará ainda mais. Porque tem uma torcida inigualável, capaz de puxar um emocionante "vamo, vamo, Inter" no momento da mais aguda tristeza., numa melancólica disputa de terceiro lugar de um Mundial. Porque não é um clube de história fácil. As dificuldades e aprendizados dão o sabor das verdadeiras grandes conquistas, e fortalecem o amor que temos pelo Inter, mostrando que nada, nem o pior dos tsunamis, é capaz de abalar ou destruir este sentimento que transborda do coração de cada colorado.

Muito obrigado, Inter. Obrigado pelas derrotas. Obrigado pelas vitórias. Obrigado por existir.

domingo, 3 de abril de 2011

Mesmice

Nada. Ninguém. Coisa alguma.

Mais uma hora. Nada. Ninguém. Coisa alguma.

Mais um dia. Nada. Ninguém. Coisa alguma.

Mais uma semana. Nada. Ninguém. Coisa alguma.

Mais um mês. Nada. Ninguém. Coisa alguma.

Mais um ano. Nada. Ninguém. Coisa alguma.

Mais uma década. Nada. Ninguém. Coisa alguma.

Mais uma vida. Nada. Ninguém. Coisa alguma.

sábado, 2 de abril de 2011

Dor

Como se tudo fosse diferente, eu acordei.
Um minuto a menos num oceano sem fundo.
O que vem depois dessa vida?
Já não sei se quero estar aqui.

Durma, durma, durma, é isso tudo o que resta.
Estão todos distraídos enquanto caio da janela.
Sangue, lágrimas, imundice.
Estão debochando da minha cara.

A dor de um fio de esperança é mais amena do que a dor da realidade morta.
Não sei se estou com febre ou se devo me deitar.
Estou obrigado a esmagar meu coração.
Ele está apodrecendo na lixeira.

Novos velhos dias.
Tudo morre, tudo acaba, menos eu.
As mãos se tocam num alento.
Tenho todas as virtudes que ninguém precisa.

Morro mais um pouco, e um pouco de mim se vai.
Já não pertenço a este mundo.
Na verdade, nunca pertenci.
Meus olhos procuram o chão, e é isso o que sobrou.

Ninguém me avisou que isso doeria tanto.
Resta-me o tempo, e os olhos que não quero perder de vista.
Amanhã, ou depois, ou nunca.
Sou refém de uma aposta só minha.

Alguém ainda está acordado enquanto choro feito um tolo?
Estou repetindo de ano, não tenho a aptidão necessária.
Rio de mim mesmo, repouso sobre minhas lágrimas.
O chão está frio e sujo.

Últimas palavras, dor aguda no peito e na alma.
Já não consigo suportar essa prisão.
Quero vê-la, preciso de mais um abraço.
Resta apenas deixar o vento nos direcionar com um sopro de esperança.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Perguntas

Tudo parece queimar, mas não há fogo.
O que é real?
O que podemos tocar com as mãos?
Hologramas nos confundem a todo momento.

Rezo para que nada de ruim aconteça.
Acreditamos no nosso direito de viver.
O tempo desgasta meu estômago.
Amanhã tudo será melhor e mais claro.

Veja a luz do sol, e olhe nos meus olhos.
Pássaros vivem despreocupados.
Gostaria de voar com você ao meu lado.
Podemos sentir a doçura do que vivemos.

Tento fugir de mim mesmo.
Sua boca, seus olhos, só isso pode me reconfortar.
A saudade está em cada célula do meu corpo.
Preciso de você, garota.