quinta-feira, 3 de março de 2011

Sobre reformas do Beira-Rio e o atual ambiente político colorado

Não tenho opinião conclusiva sobre a polêmica da reforma do Beira-Rio. Tenho, sim, uma pequena tendência a achar que a melhor solução é a parceria com a empreiteira. Muito mais por dúvidas do que por convicções.

As dúvidas que tenho são: se o Inter quiser abraçar a reforma sozinho, terá, REALMENTE, condições de tocá-las, e, principalmente, CONCLUÍ-LAS satisfatoriamente? Até que ponto uma perda de isenções condicionadas à Copa do Mundo prejudicaria, ou minimizaria as reformas, transformando-as em paliativo, minimizando os benefícios outrora previstos? E, ainda que possa fazer andar as obras com suas próprias forças, como o colorado manteria o time, dentro de campo, com seu padrão de competitividade dos últimos anos, sem desviar recursos do futebol para o patrimônio? São dúvidas, dúvidas, dúvidas... Dúvidas de um leigo assumido, fique claro.

Me preocupam, também, as possíveis consequências políticas da polêmica do Gigante. O cenário político do Internacional tem sofrido algumas sacudidas importantes desde o ano passado. Nas eleições, houve o famoso racha entre os grupos que compunham a situação. Agora, no debate sobre as reformas do Beira-Rio, o próprio grupo nuclear do Inter vencedor dos últimos anos, o Movimento Inter Grande, de Carvalho, Píffero e Luigi, parece sofrer cisões que podem ser profundas e irremediáveis, dependendo dos desdobramentos posteriores. De um lado, a atual gestão, liderada por Giovani Luigi, defende a parceria com a empreiteira Andrade Gutierrez. De outro, Vitório Píffero coloca-se frontalmente contra, defendendo a auto-sustentabilidade do projeto.

Dependendo do nível de conflito, pode-se estar avizinhando um desenho político diferenciado e confuso no Inter. As consequências são imprevisíveis, caso haja um reagrupamento nesse sentido. A única coisa que no caso seria previsível é a criação de uma instabilidade política que há muitos anos não ocorria no clube. Sabemos bem, pelo nosso exemplo, e pelo exemplo mais recente do coirmão, que esta instabilidade e consequente imprevisibilidade dos movimentos dos atores políticos em jogo, não traz coisas boas para o clube. Quer queira, quer não, um ambiente de conflito e instabilidade respinga no campo, prejudica o andamento do clube, e, consequentemente, afasta muitos associados do clube. E, com isso, quem sai perdendo é o próprio Sport Club Internacional.

Tudo o que espero é que a melhor decisão para o clube seja tomada, no que diz respeito à reforma do Beira-Rio. E que o ambiente político colorado se acalme e estabilize rapidamente. Mais do que personalidades, gestões ou movimentos políticos, o que importa é o Inter. É ele, o Inter, o nascedouro e o morrente de todas as paixões e todos os debates em voga. Portanto, que seja o Inter, e mais nada, o elemento que paute este momento, fundamental para o futuro do clube.

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