quarta-feira, 30 de março de 2011

Oscar digno de Oscar

Se a partida da noite de ontem no Beira-Rio fosse um filme, Oscar teria sido o ator principal. Foi o grande astro. Oscar ganharia o Oscar.

Foi impressionante a atuação do garoto. Gastou a bola. Não errou praticamente nada. E ainda fez um gol. De chiripa. Mas fez.

Em alguns momentos do ano passado, e mesmo no Sul-Americano sub-20, logo, entre garotos, Oscar parecia tímido. Não parecia ter o torque suficiente para se firmar rapidamente. Mas os fatos provaram o contrário.

Oscar é uma realidade do Inter. Tem que ser titular. Se não se perder pelos descaminhos do futebol, será um craque de seleção. Ele é rápido, tem muito domínio de bola, erra poucos passes, tem visão de jogo, chuta bem, tem categoria, e é extremamente objetivo. É, em suma, diferenciado. Espero que dê muitas alegrias à torcida colorada antes de ser vendido (cruel e inescapável realidade).

Quanto ao resto da equipe, fica difícil avaliar o sistema defensivo. Este não foi exigido. Mas não teve maiores sustos contra o Jorge Wilstermann, de ruindade constrangedora.

No meio-campo, Wilson Mathias, mesmo sem nenhum brilho técnico, teve atuação correta. Guiñazu foi soberbo. D'alessandro se entendeu muito bem com Oscar, e fez um gol, com muita categoria.

No ataque, Damião ficou devendo. E Zé Roberto teve seu esforço premiado com um gol. Porém, apesar do tento, Zé Roberto tem um problema sério de acabamento de suas jogadas. Corre, dribla, arranca, não se intimida, mas, na hora do passe final erra; na hora da finalização, carimba o zagueiro adversário. Tem que tentar se corrigir. Do jeito que tá, é uma usina pra acender uma lâmpada.

A próxima rodada reserva para o Inter o Jaguares, no México. É o adversário mais técnico que o colorado enfrenta nessa fase da Libertadores, o que não quer dizer lá muita coisa. Mas é um jogo perigoso. Um empatezinho lá não seria desprezível. Que isso não passe, porém, pela cabeça de Celso Roth. Porque nesse caso, ele provavelmente "reforçaria" o meio campo com três volantes. E aí, a derrota seria um perigo iminente.

Formalidade (?)

Em condições normais de temperatura e pressão o jogo desta noite entre Inter e Jorge Wilstermann seria o mero cumprimento de uma formalidade. Os times entrariam em campo, o jogo começaria, o Inter faria um tanto de gols, e o jogo terminaria. O problema é que o Inter 2011 ainda não é um time confiável. Ainda é capaz de tropeços como empatar com o São Luiz de Ijuí com dez em campo no Beira-Rio.

Mas há, sim, motivos para acreditar que as coisas podem engrenar. Roth ensaia uma escalação mais racional, com dois volantes e dois meias. O time tende a ficar mais solto, criativo. A volta de D'ale, por si só, já faz uma tremenda diferença. Junto com Oscar, o cabezón pode fazer ainda mais estragos nas defesas adversárias.

Existem ainda outras atrações. O capitão Bolívar volta de longo período inativo. Jogará ao lado de Índio. E no ataque tem Damião. O centroavante jogou muito boa partida pela seleção. Volta com ainda mais prestígio. O jogo contra o horroroso time boliviano é propício a uma penca de gols do centroavante. Damigol neles!

O mais importante de tudo é que a vitória lógica na partida desta noite encaminha muito bem a vaga à próxima fase. Mesmo num grupo fraco, é importante garantir o mais rápido possível essa condição. E, a partir daí, lutar para somar o máximo de pontos e colher a vantagem de jogar em casa as segundas partidas da fase final da Libertadores.

terça-feira, 29 de março de 2011

Bebedouros

Das coisas que encontramos por aí em prédios, os bebedouros são talvez as mais legais. Adoro bebedouros. Às vezes nem estou com sede, mas bebo água no bebedouro. É como se passar pelo bebedouro sem utilizá-lo fosse uma espécie de pecado. Isso não se aplica, entretanto, a bebedouros de praça. Nestes, me sinto um pombo. E não gosto de me sentir um pombo.

Ali, no bebedouro, temos água a nosso bel-prazer. Não precisamos repô-la num recipiente. Bebemos o quanto queremos. O limite é nossa sede. É só apertar o botãozinho.

Porém, como todas as coisas legais da vida, os bebedouros trazem situações adversas. Existem limitações e constrangimentos. Não sou muito sortudo com bebedouros. Não pelos bebedouros em si. Mas porque sempre aparece alguém que fica atrás de você esperando para usá-lo também. E daí, a liberdade vai pro espaço. Em nome da vida civilizada, liberamos o bebedouro, mesmo sem estarmos plenamente saciados. Dói na alma.

Não deixa de ser um exemplo de Lei de Murphy. Os bebedouros sempre estão lá, solenes e solitários, à espera de alguém com sede. Mas, quando resolvemos usá-lo, outras pessoas sentem sede! Por que elas não sentem sede quando ele está disponível?

Exatamente por saber o quão constrangedor e desprazeroso é usar o bebedouro pressionado psicologicamente com alguém à espera dele, é que não fico esperando. Deixo a pessoa feliz e contente com o bebedouro. Deixo ela viver aquele momento de prazer particular e intransferível. Não faça aos outros aquilo que não gostaria que fizessem a você. Isso se aplica também aos bebedouros.

Mas às vezes há pessoas que não entendem o sentido social do bebedouro. Elas levam garrafas até ele. E enchem, pacienciosamente, mesmo que se forme uma fila de dez pessoas.

Até se pode usar o bebedouro como torneira. Não é absolutamente condenável. Mas quando há mais alguém querendo usá-lo, provavelmente este alguém deve sentir mais sede. Tanto que nem quer usar recipiente nenhum. Só quer a água, direta na boca. E, mesmo que a sede seja menor, ainda assim não faz sentido trancar o caminho. Pelo contrário, é meio cruel. O sujeito tem que esperar o da frente encher uma garrafa inteira para tomar um golinho d'água. Onde fica a solidariedade humana?

O fato de bebedouros serem legais não quer dizer que não sejam, algumas vezes, frustrantes. Bebedouros sem água gelada, por exemplo, são extremamente frustrantes. Você está morrendo de calor, louco por um líquido gelado, enxerga o bebedouro como um oásis no deserto, chega lá e... água em temperatura ambiente! Bebedouros sem água gelada deveriam ser recolhidos. São uma pegadinha de mau gosto. Só no frio não precisamos de água gelada. Mas dificilmente sentimos sede no frio! E, ainda que sentíssemos, a água estaria gelada! A temperatura ambiente não seria temperatura ambiente, não aquela coisa morna entre San Juan e Mendoza! Ou seja, existe uma lei universal dos bebedouros: eles só prestam se tiverem água gelada. Sem água gelada, são inúteis. Só servem como torneira, e não para a sua finalidade principal.

Tem também os bebedouros com o jato desregulado. Ou forte demais, ou fraco demais. No forte, se não cuidarmos, podemos sofrer lesões irreversíveis no olho. No fraco, temos que quase beijá-lo. Quando encontro um bebedouro com o jato fraco, bebo só um golinho, pra disfarçar. Quando encontro um bebedouro com o jato fraco e a água morna, penso no suicídio. Bebedouros com jato fraco e água morna são o suprassumo da frustração humana.

No entanto, mesmo com estes contratempos, bebedouros continuam sendo muito legais. Continuarei procurando por eles, e utilizando-os, por hobby mesmo. As frustrações ainda são menores do que a inigualável sensação de água gelada disponível de forma ilimitada. Um bom bebedouro tem muito valor. Estou pensando em instalar um na minha casa. Com um bebedouro disponível só pra mim, eu seria um novo homem.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Ar

Eu tinha esquecido de como era respirar de verdade.
Agora tenho os pulmões cheios.
Você é meu ar.
Você é a única resposta de que preciso.

Não me importo de seguir o seu ritmo.
Só você consegue me fazer sorrir de verdade.
Às vezes sinto alguns medos.
Mas a sua voz sempre me reconforta.

Quando eu estava pronto para fechar os olhos e desistir você me acordou e me fez ter esperança de uma vida melhor.
Preciso do seu abraço e do seu cheiro.
Algumas vezes parece que estou sonhando.
É por isso que ajo como um bobo.

Me desculpe pelas vezes em que sou repetitivo.
Faço isso porque meus sentimentos transbordam.
Já não tenho receio de demonstrar o quanto gosto de você, menina.
Aguardo o dia em que possamos gritar aos quatro ventos que estamos vivos.

Você está tatuada em meu coração.
Minha alma já não precisa de mais nada.
Estamos indo contra o passar do dia.
Podemos ser a força recíproca.

Então todos os muros serão derrubados pela força de nossos corações.
Recolha-me em seu colo, me dê a sua mão.
É o sentimento mais doce que já pulsou em meu coração.
Prometo lutar para ver você sorrir sempre.

domingo, 27 de março de 2011

Mídia jagunça

Reproduzo abaixo excelente texto de Alexandre Figueiredo, do blog Mingau de Aço (http://mingaudeaco.blogspot.com/2011/03/verdade-como-mercadoria.html), sobre a mídia jagunça, na qual se enquadram Datenas, Alexandres Mottas, e Diários Gaúchos da vida. Vale a pena conferir.

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A "VERDADE" COMO MERCADORIA

Por Alexandre Figueiredo

Ainda impera a visão de que a cultura popularesca é a "verdadeira cultura popular". Embora seus defensores falem tanto em "ruptura de preconceitos", são eles mesmos os preconceituosos, porque se baseiam numa visão de povo pobre ao mesmo tempo pitoresca e domesticada, piegas e grotesca, como se o povo fosse "melhor" sendo sempre o pior.

Isso favorece o pretenso carisma que a imprensa jagunça possui, com associações até mesmo contraditórias. Uns a classificam como "imprensa de humor", extra-oficialmente. Outros a classificam como a "imprensa-verdade". Como se o "mundo cão" fosse, em si, a "realidade pura", da mesma forma que se atribui à hegemonia do popularesco à visão elitista da pobreza, associada a um pretenso estado de "pureza social".

Mas o que vemos é que a "verdade" é tratada como mercadoria. Isso em toda a imprensa jagunça, inclusive o Notícias Populares, que ninguém deve esquecer que foi um veículo do Grupo Folha. E isso vale tanto para o Jornal da Bahia que Mário Kertèsz desenvolveu em 1990 quanto o Meia Hora do Grupo Ejesa, de O Dia.

Estudiosos sérios de jornalismo definem esse tipo de imprensa sensacionalista, que se baseia no tripé "sexo, crimes e aberrações", além da obsessão por banalidades da TV (no momento temos, por exemplo, o Big Brother Brasil) e futebol, além da trilha sonora brega-popularesca, é claro (só para se ter uma ideia, o Exaltasamba é um dos mais "sofisticados" nomes musicais divulgados por essa imprensa. Fábio Jr., então, é quase o "Tom Jobim" dessa mídia tosqueira).

Essa mídia pitoresca cresceu muito durante a ditadura militar. Não vamos nos esquecer que, com o golpe de 1964, a sociedade trocou Silveira Sampaio por Jacinto Figueira Jr., as pegadinhas de Dom Rossé Cavaca por outras mais grotescas e humilhantes, e lá se vai o tempo em que o noticiário esportivo tinha Nelson Rodrigues, Ary Barroso e Antônio Maria.

O povo era humilhado duas vezes. Pelo poder político autoritário, seja do latifúndio, seja do capitalismo antes militarizado, depois apenas tecnocrático, e pela mídia que domesticou o povo, transformando-o numa caricatura pior do que a inocente caricatura das chanchadas.

E isso criou um paradigma de povo que tanto a direita dente-de-leite quanto a intelectualidade etnocêntrica "romantiza" como se fosse o "povo de verdade, em estado puro". Até chamaram este que lhes escreve de "playboyzinho de favela", um adjetivo pejorativo, que, no entanto, tem um sentido muito melhor do que ser "etnólogo de escritório" ou "filantropo de casarão".

Mas aqui não cabe eu detalhar as minhas andanças pelas comunidades pobres, coisas que a direita dente-de-leite tão "vangloriosa" em dizer que "gosta de pobre", que só vê a periferia pela tela da televisão, nunca faz.

A "verdade" mercadológica da imprensa jagunça - definida pelo eufemismo de "imprensa popular", embora ela nada atue em benefício das classes populares - soa tão falsa quanto vender a "opinião" como mercadoria (algo que falaremos noutra oportunidade). É o tendenciosismo que impera nessa mídia "popular", de forma até tão cruel que a imprensa conservadora propriamente dita.

Afinal, é um grande engano acreditarmos que um Diogo Mainardi da vida manipule diretamente as classes pobres. Ele nem sequer é conhecido por elas. Quem manipula a opinião pública do povo pobre é a "inocente imprensa popular" que a classe média tão alegremente admira e defende. Como a tal "cultura trash" foi tão levianamente adaptada e ganhou adeptos no Brasil...

Assim como uma Valesca Popozuda dissolve mais os protestos de operários e camponeses do que mil capatazes armados juntos, e que uma Solange Gomes vestida de "freira sexy", por incrível que pareça, age de acordo com as manobras da Opus Dei, a imprensa jagunça manipula o povo sem atacá-lo, sem afrontá-lo.

Por isso poucos percebem o que foi o Notícias Populares, o Aqui Agora, o Cidade Alerta, ou o Povo na TV, com Roberto Jefferson, Wagner Montes e Sérgio Mallandro de mãos dadas com o charlatão Roberto Lengruber.

Quando o entretenimento, aparentemente, não ofende o povo pobre, por mais que o ridicularize na distorção de seus valores, no uso do grotesco para evitar qualquer iniciativa de movimentos populares, a classe média "sem preconceitos" (mas tão ou mais preconceituosa que muita dondoca do Tea Party) não define a "imprensa popular" como mídia golpista. Mas é.

E o rótulo de "imprensa jagunça" se deve pelo fato de um Notícias Populares ou Aqui Agora, de um Meia Hora ou Brasil Urgente, de um Supernotícias ou de um Balanço Geral, complementarem o que Veja, Globo, Estadão e Folha fazem.

Estes veículos da mídia conservadora, no conjunto da obra, defendem interesses do público de classe média, condenam os movimentos sociais sob o ponto de vista alarmista das classes dominantes.

Já a "imprensa popular", em complemento a isso, faz das classes populares gato e sapato, manipulando seus gostos, desejos, preferências, fazendo o serviço da mídia golpista em transformar o povo em paródia de si mesmo, para assim tentar reprimir de forma bem mais eficaz os movimentos populares.

Por isso a tal "imprensa popular" não pode ser considerada cult. Pelo contrário, ela está para a mídia golpista assim como o jagunço está para o latifundiário. Esse tipo de imprensa, através do sensacionalismo, tenta transformar o povo numa massa conformada com sua miséria, tornando-se viciada na sua pobreza e nos valores grotescos.

sábado, 26 de março de 2011

Garoto

O garoto está ali parado.
Não sabe o que fazer.
Nunca acerta, mas tenta prosseguir.
Um dia seu dia há de chegar.

O garoto está ali parado.
Queria se mover.
Mas seu estômago dói.
O seu dia ainda não chegou.

O garoto está ali parado.
Uma chance a menos.
Tudo se repete, ou é apenas ilusão de ótica?
Será que seu dia vai chegar?

O garoto está ali parado.
Ainda tenta acreditar em si mesmo.
É difícil ser feliz.
Mais uma noite de aflição.

O garoto está ali parado.
Não carrega mais nenhuma expressão em seu rosto.
Seu corpo está gelado.
Espera seu anjo buscá-lo.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Na porta giratória

Piii... Piii... Piii...

- Seu segurança, já larguei a chave e o celular.
- Deve ser algo que você tenha na mochila.
- Tem um guarda-chuva. Pronto. Larguei.

Piii... Piii... Piii...

- Poxa... Será que é essa calculadora que tá acusando no detector de metais?
- Talvez. Largue aí também.

Piii... Piii... Piii...

- Puta merda... Não sei mais o que pode ter de metal aqui.
- Posso dar uma olhada na mochila?
- Sim, olhe!
- É... Aparentemente não tem nada. Tenta passar agora.

Piii... Piii... Piii...

- Ai, ai, ai...
- O senhor usa piercing?
- Não.
- Mostre a língua.
- Aqui ó... Viu? Não tem nada.
- Levanta a camisa.
- Você acha que eu tenho piercing no umbigo?
- Se não tem, mostra.
- Tá bom, tá bom... Satisfeito?
- Bom, tenta passar mais uma vez...

Piii... Piii... Piii...

- Eu só quero pagar uma conta! Só isso!
- Peço a colaboração do senhor. O senhor tá complicando as coisas.
- O quê? EU tô complicando as coisas?
- Coloque o dedo na goela.
- Hã???
- Coloque o dedo na goela e vomite.
- Mas... por quê???
- Quer colaborar ou não?
- Tá bom... Uuurrrllllsh.
- Tá aí!
- Hein?
- O senhor comeu feijão. Feijão tem ferro.
- Não acredito nisso... Posso entrar agora, pelo menos?
- O senhor queira se retirar. Sua camisa está toda vomitada. Seria incômodo para os demais clientes. Peço a sua colaboração. Não acha que já fez bagunça demais por hoje?

quarta-feira, 23 de março de 2011

Prestígio

O Inter, dia após dia, mostra o quanto é um clube de prestígio elevado. O atual Campeão da Libertadores foi convidado a participar do Torneio dos Campeões do Mundo, no mês de julho, em Munique, na Alemanha (http://www.futnet.com.br/futebolgaucho/internacional/noticias/?144420_cbf_libera_e_inter_vai_jogar_torneio_com_bar%C3%A7a_milan_e_bayern).

O torneio contará ainda com a participação de Bayern de Munique, Milan e Barcelona. Serão disputadas duas semifinais: os vencedores disputam a final, e os times que perderem os duelos, disputarão a terceira posição.

Para disputar mais este título internacional, o colorado obteve liberação da Confederação Brasileira de Futebol, uma vez que o Campeonato Brasileiro estará em pleno curso durante a realização do referido torneio.

É uma oportunidade de colocar mais uma taça interessante na galeria colorada. É sempre bom lembrar que, de 2006 pra cá, o Inter é o único clube brasileiro a conquistar competições internacionais. Mais do que isso, desde lá, ininterruptamente, o Internacional traz pelo menos uma conquista deste tipo por ano: em 2006, Libertadores e Mundial; em 2007, Recopa Sul-Americana; em 2008, Copa Dubai e Copa Sul-Americana; em 2009, Copa Suruga Bank; e em 2010, de novo a Libertadores.

Desconfio que tem mazembista morrendo de inveja numa hora dessas...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Flor

Quando ouvi sua voz ao ontem ao telefone, reencontrei a mim mesmo.
Às vezes perdido, mas com você na mente e no coração, vou caminhando.
Você é a minha bússola, e me sinto mais vivo assim.
Questões de tempo e espaço já não importam quando penso em você.

Em certos momentos a saudade aperta, e rasga minhas entranhas.
Tudo vai ficar melhor quando eu puder te ver novamente.
Seu sorriso, meu bálsamo; seus olhos brilhando, meu paraíso.
Está tudo tranquilo, e meu coração acelera quando me lembro do seu jeito.

Garota, você me inspira e me faz acreditar em coisas que havia abandonado.
Como posso retribuir todo o bem que você me faz?
Tento fazer as pazes com o relógio e o calendário, preciso deles como aliados.
Marca em minha existência, entrego o meu coração numa caixinha.

Estou tentando melhorar dia após dia, por você.
Dedico minha existência a esse sentimento que me faz ver o mundo com outros olhos.
As flores lá fora me devolvem a esperança.
Você, a flor mais bela, me dá a certeza de que isso tudo vale a pena.

domingo, 20 de março de 2011

200311

Eles estão por toda parte.
Meninos feridos à bala.
Um segundo a mais, e tudo está perdido.
Agora eles conhecem a realidade.

Palpites florescem no quintal.
Engulo meus remorsos.
Tento reparar os erros alheios.
Eu nunca quis que fossem esmagados.

Sumam de minha frente, e deixem-me viver.
Preciso de paz para caminhar.
Fiquem longe desta estrada.
Estou mastigando toda essa arrogância.

Violência gratuita, pedem mais mentiras.
Para vencer, querem que sejamos derrotados.
É a regra de um jogo que não sei jogar.
Estamos todos colidindo contra nossas almas.

sábado, 19 de março de 2011

A lua e os seus olhos

Uma saudade quase incontrolável invade minhas entranhas.
Hoje tem lua cheia, e não vou ver seus olhos brilhando.
Eu mergulharia nos castanhos olhos de minhas verdades.
Mas preciso me ater aos fatos.

Esperarei o tanto que precisar.
Não posso comprometer tudo.
Então, deixo o tempo me guiar.
Mas os segundos escorrem pelos meus dedos.

Aquelas reticências podem ser tudo, podem não ser nada.
Preciso de você, minha menina.
Por favor, me acalme, me conforte um pouco.
Me acolha em seu brilho.

Ansiedade natural, estou frente a frente com minha felicidade.
Cabeça confusa, minha única certeza é você.
Passarei por todas as pedras e espinhos para que você sorria.
Mas não me deixe sozinho no meio do caminho.

Me apego às suas palavras, àquele dia doce.
Venceremos juntos, e encontraremos nossas soluções.
Agora, apenas me abrace e seja meu mundo.
Com você, tudo ganhou mais cor.

sexta-feira, 18 de março de 2011

No ponto de ônibus

- Moço, esse ônibus passa na rua Jerônimo Cordeiro?
- Sim, senhora. Ele passa.
- Não, moço. Não passa, não.
- Então tá...
- Moço, e esse, agora, será que passa na rua Jerônimo Cordeiro?
- Sim, senhora. Passa...
- Não, não passa, não.
- Então tá...
- Ah, lá vem outro! Tá vendo moço? Será que ele passa na rua Jerônimo Cordeiro?
- Ahã. Passa.
- Ah, não, não... Não passa.
- Então tá...
- Ih, olha lá, moço! Será que finalmente veio um ônibus que passa na rua Jerônimo Cordeiro?
- É. Passa. Também.
- Não, não passa.
- Então tá...
- Moço, moço! E esse que tá chegando agora? Passa na rua Jerônimo Cordeiro?
- Não, minha senhora. Este não passa. Mas tem um vindo logo ali atrás. Ele vai até a puta que pariu. Sugiro que a senhora embarque nesse.
- Então tá...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Boa vitória

O Inter fez o que tinha de fazer ontem à noite, contra o Jorge Wilsterman. Passou por cima. Contra time ruim, tem que ganhar. E, a despeito da imensa ruindade do time boliviano (que joga a segunda divisão do campeonato de seu país), a parte colorada foi bem feita. Não sem antes levar um imenso susto.

No começo do jogo, o Jorge Wilsterman veio com tudo. Pressionou fortemente. E fez um gol, com Brown, que levou vantagem na bola aérea sobre Sorondo. Mas, exatamente aí, o time boliviano acabou no jogo. Foram dez minutos de pressão. Depois, o Jorge Wilsterman morreu. E o Inter passou a mandar na partida.

Em cruzamento do ótimo Oscar, o zagueirão Brown, aquele que fez o gol dos bolivianos, concluiu com muita categoria. O problema é que foi contra a sua própria meta. 1a1.

Na sequência, depois de cruzamento perfeito de Guiñazu, Damião, o Damigol, se contorceu todo para virar o jogo. É impressionante a elasticidade do centroavante do Inter. Se o cruzamento vier num raio de dois metros do seu corpo, tenha certeza: ele vai finalizar. De um jeito ou de outro, ele dá um jeito de concluir. E, na maioria das vezes, o faz com precisão. 2 a 1.

O terceiro gol veio com arrancada de Damião e o passe para Zé Roberto, sozinho, marcar. Zé Roberto, aliás, foi outro destaque. Correu muito, teve presença ofensiva, infernizou a defesa do Jorge Wilsterman. Entretanto, foi fominha diversas vezes, quando companheiros se apresentavam em melhores condições de arremate, mas ele tratava de chutar a bola.

O quarto gol foi de Kléber, chutando forte, com qualidade e categoria, e fechando o placar. Jogo fácil. Vitória maiúscula contra um time que fede de ruim. Mas valem os três pontos, e a atuação correta do Inter, que fez prevalecer sua qualidade infinitamente superior à do adversário, mesmo que longe de casa.

A classificação está mais do que encaminhada. Nem por isso, os próximos jogos perdem em importância. É hora do Inter fazer gordura. Somar, no mínimo, sete pontos no returno da primeira fase, para ficar bem colocado e levar a maior parte das decisões do mata-mata para o Beira-Rio. O Gigante será fator fundamental para a busca do Tri da América.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Jogo pra ganhar

Hoje à noite o Internacional fecha o primeiro turno da primeira fase da Libertadores contra o Jorge Wilsterman, na Bolívia. Celso Roth escala uma equipe mais racional, com Oscar no meio, e Wilson Mathias fora. Poderia ser ainda mais arrojado, mas daí já é querer demais do treinador colorado.

Seja com que escalação for, o Inter tem que vencer. O discurso de empatar fora e ganhar em casa é contestável. Valeria se o grupo do colorado não fosse a barbada que, convenhamos, é. Vale, aí sim, para a fase de mata-mata.

O grupo do Inter na Libertadores é fácil, e isso é inegável. Acredito que seja o segundo mais fácil do certame. Dessa forma, o colorado tem que aproveitar para pontuar o máximo possível, para levar as decisões da fase final para o Gigante.

O fraco Jorge Wilsterman é presa fácil. Tem que somar os três pontos. Já empatamos de bobeira com o Emelec. no Equador. Agora, o negócio é ganhar. Caso contrário, a já existente nuvem de desconfiança sobre o trabalho de Celso Roth ficará ainda mais carregada. E uma tempestade, agora, não seria bem-vinda.

terça-feira, 15 de março de 2011

No seu tempo

Os dias vão passando, belos e promissores.
Oh, menina, você pensava que eu ficaria chateado com suas palavras?
Apenas me deu mais certeza de que quero estar ao seu lado.
Sei que tenho algo por que lutar.

Esperarei o turbilhão de sua vida.
Sim, eu estarei aqui firme para tudo.
Você é a dona do meu tempo.
Vale a pena ficar por aqui, e viver pelo seu sorriso.

O que estamos fazendo não é por acaso.
Peço que me oriente, e me ajude acertar.
Por você, não tenho pressa, só por você.
Apenas quero que se sinta bem.

Seu rosto sob a luz do sol foi a imagem mais linda que já vi.
Ele apareceu por segundos, apenas para me proporcionar aquele prazer.
Meu coração está com você.
Você me motiva a prosseguir, e acredito nas suas palavras.

Sua certeza aparecerá uma hora, e estarei de braços abertos.
Temos o direito à felicidade, e lutarei para que você sorria sempre.
Na sua velocidade, o que tiver de acontecer, vai acontecer.
Quero continuar te vendo, você me faz muito bem.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Damião, Douglas e Carlos Alberto

Damião está em fase excepcional com a camiseta colorada. Ontem, no estádio Centenário, fez os três gols do empate do Inter com o Caxias. Está jogando demais. Centroavante tem que ter fome de gols. E Damião é insaciável. Se a bola está na área, tenha certeza: Damigol estará perseguindo a redonda, obstinadamente. Não é como uns e outros centroavantes que ficam parados esperando um zagueiro errar em bola, o outro ter um ataque epiléptico, e o goleiro falhar para só então fazer o gol.

Em seu terceiro gol, Damião fez uma comemoração bem-humorada e irônica, gesticulando acréscimos e levantando uma placa imaginária. Problema nenhum? Não para os gremistas Douglas (http://www.youtube.com/watch?v=lHOAo_f3qOA) e Carlos Alberto (http://www.youtube.com/watch?v=CnojpxfxjSY). Ficaram ofendidinhos. A boina serviu. Machões de Twitter, replicaram o centroavante colorado (http://globoesporte.globo.com/futebol/campeonatos-estaduais/campeonato-gaucho/noticia/2011/03/pelo-twitter-douglas-e-carlos-alberto-respondem-provocacao-de-damiao.html).

O primeiro, Douglas, disse: "O choro é livre, quem vai ter que correr atrás do segundo turno não vai ser o Grêmio... Boa sorte pra eles!!!" Obrigado, Douglas. Espero que o Inter tenha sorte mesmo. E, se tiver um jogo de 98 minutos quando a coisa apertar, melhor ainda. Mas, caso o colorado não leve o Gauchão, sem problemas! Atualmente, o certame regional é mais importante para o Grêmio, que, nos últimos dez anos, só isso tem ganhado (sim, desconsidero títulos de grupos de acesso no futebol).

Já Carlos Alberto, primeiro deu uma lição de moral (tsc, tsc, tsc): "Leandro Damião, mais respeito. Está começando agora e não é assim e a gente respeita vocês!! Escuta mais o Kléber, o Guiñazu, o Zé Roberto e o Índio".

Na sequência, o bom samaritano mostrou sua verdadeira face, demonstrando todo o "respeito" pelo Inter: "Imortais da geral de todo azul porque vermelho é o inferno. Nós estamos acima disso! Um imortal nunca desiste. Estou cagando pra esses merdas. Rumo ao tri e nós vamos vencer. Não adianta esses invejosos falarem!" Chilique imortal esse, hein?

Primeiro, é difícil decifrar o que Carlos Alberto escreveu na primeira frase. É meio pós-moderno. Imortais da geral de todo azul? Que porra é essa? Só ele deve ter entendido...

Depois, a velha balela da imortalidade, que já encheu o saco. Acho que fazem lavagem cerebral nesses caras. Imortal que é rebaixado duas vezes, que toma cinco a zero na soma em final de Libertadores, que tem uma desvantagem histórica em Gre-Nais? É um caso bem curioso de imortalidade. O imortal que vive morrendo.

Quanto à inveja, realmente, morro de inveja do Grêmio. Principalmente nestes amargos últimos anos. Todos os dias vou dormir pensando que trocaria as duas Libertadores, o Mundial, a Recopa, a Sul-Americana, a Copa Dubai, por títulos de segunda divisão cheios de sangue, suor e lágrimas, e de turno de Campeonato Gaúcho nos pênaltis, em casa, contra times do interior. É uma inveja que me corrói dia após dia.

Douglas e Carlos Alberto têm é que cuidar do seu time, e de dar alegrias à sua torcida. Principalmente Carlos Alberto, que não joga absolutamente nada há mais ou menos uns cinco anos. Está afundando o Grêmio com suas más atuações. Não adianta ficarem falando. É no final do ano que vamos ver quem vai estar rindo e chorando nestas plagas. E já aviso: dificilmente vai ter um Mazembe para salvar o ano tricolor...

domingo, 13 de março de 2011

Altruísmo

Religiões e alguns dogmas políticos, que por sinal muitas vezes se parecem com religiões, pregam o altruísmo. Pense no outro! Sejamos iguais! Todos somos filhos de Deus! Ou membros do mesmo partido! Na verdade, o altruísmo completo é uma lenda. E, se não é completo, ora, não é altruísmo.

Política ou religiosamente, tudo nasce e morre no indivíduo. Ele só age "pelo outro", ou por um modelo político-social pensando no outro, se isso vem em seu benefício, direta ou indiretamente.

Muitas vezes, ouço argumentos como "ora, que bobagem, eu faço o bem sem ganhar nada". Este é um raciocínio rasteiro e superficial. As pessoas que fazem o bem na religião, o fazem para ganhar uma casa no céu. Ou para minimizar o déficit na balança do julgamento final. Se a religião pregasse que o altruísmo, ou o "fazer bem ao próximo", leva a um lugar ruim, o inferno, queria ver quem ia "fazer o bem"! Nesse caso o próprio conceito de "bem" mudaria. Sim, porque o bem é o que Deus prega. Se Deus pregasse o assassinato e o egoísmo, tenham certeza: estas pessoas matariam e seria o ápice do egoísmo. É mais cômodo delegar o senso de justiça, de certo e errado, para terceiros. Então, se fazer algo que o indivíduo considera ruim é bom para Deus, ele o faz! Tudo pra ficar de bem com o chefe.

Dogmas políticos vão na mesma direção. Em alguns setores, têm um caráter parecido com o da religião. A bíblia é "O Capital". Deus é Marx. E Jesus Cristo é Lenin. O bem é o comunismo. A busca, o bem comum, o altruísmo de diluir o indivíduo numa sociedade de iguais. Claro, com uns mais iguais que outros.

E olha que aqui fala um cara que se considera esquerdista! Mas tenho consciência de que não há "A Verdade" na política, de que isso é uma escolha que varia de pessoa para pessoa, de que não existe "O Bem" à esquerda e "O Mal" à direita. E de que, se eu gostaria de uma sociedade diferente da atual, é porque EU acho isso melhor, porque EU e os MEUS teriam chance de viver melhor, e não porque isso é um bem que paira no ar e sobrepuja minha individualidade em nome de um mundo melhor por si só. Um mundo melhor só o é na medida em que seja melhor para mim também.

No fim das contas, o fato é que todos desejam um bem que desemboque em sua existência individual, de uma maneira ou de outra, mesmo que o neguem até a morte. Seja para ir para o céu, melhorar sua condição material junto com a de outros, minimizar riscos de ser ameaçado pela violência de pobres revoltados com sua situação, ou mesmo apenas ficar de bem com sua consciência, que é sua, só sua. Altruísmo completo não existe. E, se não é completo, já deixa de ser altruísmo. Simples assim.

sábado, 12 de março de 2011

As 10 melhores músicas da Pitty

Pitty faz parte do que de melhor surgiu no empobrecido cenário do pop-rock brasileiro dos últimos anos. De grande revelação em 2003, passando por uma fase de afirmação, concretização de seu espaço e o direito de ousar e fazer coisas inesperadas, a baiana construiu uma carreira sólida, cheia de canções de muita qualidade. Apresento a lista das dez melhores músicas da Pitty.

Décima posição- Sob o sol: Esta música combina melancolia e um refrão que contagia a alma (http://www.youtube.com/watch?v=Xq-sy5np2Ts).

Nona posição- Anacrônico: Uma letra que faz uma análise psicológica bem interessante (http://www.youtube.com/watch?v=AZwOO2fW8xk).

Oitava posição- Semana que vem: Pode parecer uma lição de moral barata, mas vale muito a reflexão, de quanto temos que aproveitar cada momento da vida, e de como, de uma hora para outra, tudo pode ir embora (http://www.youtube.com/watch?v=t_7Fc_wZgEM).

Sétima posição- Rato na roda: A sétima melhor música da Pitty é a tensa e angustiante "Rato na roda", do álbum "Chiaroscuro" (http://www.youtube.com/watch?v=BRXAafAXEok).

Sexta posição- Na sua estante: Linda e profunda canção. Sexto lugar pra ela (http://www.youtube.com/watch?v=DP3j6hgS4VY).

Quinta posição- Admirável chip novo: Robotização humana? Eis a analogia da nossa quinta posição (http://www.youtube.com/watch?v=x_I74oWzjIU&feature=fvst).

Quarta posição- No escuro: Com uma pegada grunge, a canção do álbum "Anacrônico" ocupa a quarta posição do nosso ranking (http://www.youtube.com/watch?v=AYVOQ4z4Jzc).

Terceira posição- Todos estão mudos: Explosiva, forte, com um jeitão meio "Queens of the stone age". É a nossa medalha de bronze (http://www.youtube.com/watch?v=9PYQRwOvo24).

Segunda posição- Pulsos: Essa baita música leva a nossa medalha de prata (http://www.youtube.com/watch?v=e9OKSCxfXCg&feature=player_embedded).

Primeira posição- Déjà Vu: Profunda, bonita, refrão marcante: Déjà Vu é a grande campeã do nosso ranking (http://www.youtube.com/watch?v=His5BZcgxj8).

sexta-feira, 11 de março de 2011

Jornal da Globo e a culpa das mulheres

Reproduzo abaixo texto de Alexandre Haubrich (http://jornalismob.wordpress.com/2011/03/10/a-culpa-e-do-oprimido/), sobre reportagem esdrúxula no Jornal da Globo de ontem, que põe a culpa dos baixos salários das mulheres nelas mesmas, de forma rasteira e superficial.

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Para o Jornal da Globo a culpa é do oprimido

“As mulheres reclamam muito dos salários baixos, mas pesquisa revela: muitas delas têm medo de pedir aumento”. Essa foi a chamada para umamatéria do Jornal da Globo desta quinta-feira. Na escalada do jornal, o texto perguntou: “Medo de quê? Por que as mulheres tem mais dificuldade em pedir aumento?”.

Essa é a explicação encontrada pela Globo para os salários mais baixos recebidos por mulheres em cargos iguais aos dos homens. A mesma matéria já aproveita para explicar as maiores dificuldades das mulheres em ascender na carreira: apenas 28% delas pensam em promoção, contra 39% dos homens.

Após algumas entrevistas nas ruas, nas quais todas as falas que foram ao ar são de mulheres dizendo que nunca pediram aumento – referendando a tal pesquisa –, o repórter, em off, acusa: “Quase metade delas diz que ganha mal, mas também não faz nada para mudar essa situação”. No fim da matéria, a entrevistada é uma alta executiva. A partir de sua posição privilegiada, ela faz uma análise sociológica: “Não vejo limitações. Quem coloca limitações é a própria pessoa, o mercado está aberto”, afirma.

Entre tantas aspas destacando frases absurdas, um comentário do Mirgon Kayser, no Twitter, resumiu a situação com precisão: “Padrão Globo sim… Em geral a Globo valoriza as explicações mercadológicas que diluam e mascarem machismo / racismo / homofobia, etc”. É isso. No caso específico das mulheres, é a reprodução e o fortalecimento do pensamento segundo o qual a mulher estuprada é a responsável pelo estupro.

A culpa por ser pobre é do próprio pobre, a culpa do desemprego é do desempregado que não gosta de trabalhar, a culpa de todas as formas de exploração e/ou opressão é sempre do explorado e oprimido. É assim que a Rede Globo quer fazer as pessoas pensarem, alimentando, dessa forma, a segregação, o preconceito e a exclusão por parte das elites, ao mesmo tempo em que tira dos oprimidos a percepção da necessidade de luta coletiva para se alcançar uma verdadeira mudança social. Individualiza a percepção e a luta, colaborando, através da construção desse discurso, com a manutenção das mais diversas formas de opressão.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Estarei junto de você

Não se preocupe, garota.
Acalme seu coração, olhe para a frente.
Você sabe que estarei aqui.
Sua voz me reconfortou ontem.

Mesmo na tempestade, continue firme.
Estarei do seu lado para encarar tudo o que vier.
Feche os olhos, recoste-se em meu peito, que tudo vai ficar bem.
Vou lutar para te ver sorrir.

O sol vai voltar, sempre volta.
Suas lágrimas se transformarão em flores.
De mãos dadas somos mais fortes.
Tudo será mais leve e certo.

Estarei junto de você, conte com isso.
Lembraremos de nossos desafios e vitórias, guardaremos as marcas das dificuldades inevitáveis.
Abraçados, vamos apenas rir de tudo o que passou.
E viver a alegria do amor mais vivo de todos os tempos.

quarta-feira, 9 de março de 2011

200 gramas

- Boa tarde. Moça, me vê aí 200 gramas de presunto magro.
- Olá, senhor. Já pego aqui... Deu 240 gramas. Tiro um pouco?
- Pode tirar.
- 215... Pode ser?
- Não, moça, quero 200 gramas.
- Ok... Vou tirar mais um tanto... Deu 180 gramas... Tá bom?
- Põe mais um pouquinho, por favor.
- 205 gramas... Certinho, agora?
- Não, não... Quero 200 gramas.
- Tá bom... Deu 195 gramas.
- Põe só mais um pouquinho.
- Uhum... 203 gramas...
- Tira uma fatia...
- 199 gramas...
- Coloca mais uma, então, vê se acha uma mais fininha que essa que você tirou...
- Ok... Aqui, ó... 201 gramas!
- Ah, quer saber, moça? Deixa pra lá... Muito obrigado, de qualquer maneira...
- Er... Er... Tchau...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Politicamente correto

Uma das maiores pragas da maldita pós-modernidade é o tal do politicamente correto. O politicamente correto me dá náuseas. O politicamente correto é uma completa porcaria.

Disfarçado de liberdade, ele torna os seres humanos estúpidos e incapazes de raciocinar. O politicamente correto quer virar dogma. Está quase conseguindo. Mas comigo não vai rolar. Me recuso a ser politicamente correto. Por um motivo muito simples: ainda quero ter capacidade de pensar por mim mesmo. Não quero receitas prontas para as minhas estruturas de ideias.

O politicamente correto se disfarça de liberdade e liberalização. Mas ele aprisiona aqueles que ele adotam indiscriminadamente. Tudo para ser mais bonitinho, aplaudido por pares incapazes de uma reflexão mais profunda do que uma massa de panqueca.

O politicamente correto é a fuga mais fácil de quem quer se meter a descolado. Sei que é um paradoxo. Mas é isso mesmo. Na verdade não passa de uma grande chatice enlatada. O politicamente correto é o funeral da capacidade crítica e racional do ser humano.

Estou pensando em criar uma ONG para defender os politicamente incorretos. Seria algo politicamente correto.

Conserto de fogão a gás

Uma das coisas mais intrigantes que existem é o cara que conserta fogão a gás. Ele toca interfones, anda pela rua oferecendo seus préstimos, tentando avidamente encontrar alguém com o fogão estragado. Tocou o interfone de minha casa. Perguntou se estava tudo bem com o meu fogão. Respondi "sim, obrigado pela preocupação".

Ora bolas, quem, meu Deus do céu, utiliza o trabalho daquele cara? Se um dia o fogão a gás da minha casa estragar, dificilmente vou pensar "nossa, e agora? Só há uma solução: esperar o cara que conserta fogões a gás tocar meu interfone. Não vou sair de casa, não vou fazer nada. Uma hora o cara que conserta fogões a gás vai ter que aparecer".

Se o fogão da minha casa estragar, eu vou ligar para alguém que conserte o mais rápido possível. Definitivamente, eu não iria esperar o cara que conserta fogão a gás. Até fico imaginando o diálogo entre alguém que contasse com o cara do conserto de fogão a gás e o próprio. Seria mais ou menos assim, no interfone:

- Quem é?
- Conserto de fogão a gás. Está tudo bem com o seu fogão?
- Iupi! Finalmente! Estou há cinco meses sem fogão, um desespero, meu senhor! Fiquei esperando pelo senhor esse tempo todo! Agora vou poder voltar a cozinhar! Pode subir!
- É pra já!

É o tipo de serviço que você não precisa oferecer. Se você conserta coisas, pode ter certeza: quando as pessoas precisarem de você, elas vão lhe procurar. Pessoalmente, por telefone, e-mail, ou sinais de fumaça! Se elas não lhe procurarem, será por um motivo muito simples: elas não precisam, ou não querem, que você conserte porcaria nenhuma!

E mais: se o cara do conserto de fogão a gás fosse bom, ele não precisaria sair por aí, de porta em porta, oferecendo conserto de fogão a gás. Será que os Beatles andavam pelas ruas de Liverpool, de porta em porta, oferecendo um showzinho particular para o pessoal? A julgar por esse critério, seria mais fácil a Banda Calypso precisar fazer uma coisa dessas:

- Quem é?
- Oooooooooooi, aaaau, aqui é a Joelma, da Banda Calyp...
- Hoje não, obrigado.

domingo, 6 de março de 2011

060311

Pessoas estão morrendo todo dia, você pode ver?
Receitas prontas, diga-me como viver.
Deixe-me mergulhar em sua sabedoria.
Cheguei aqui por acaso, você deve pensar.

Mas ninguém nunca soube dos caminhos que percorri.
Agora, me dê o seu maldito manual.
Vou jogá-lo no lixo.
E deixarei tudo o que não serve pelo caminho.

Diga-me o que fazer sobre um mundo do qual você não conhece nada.
Nascemos para digerir tudo, ou deixar passar por nosso organismo.
É muito mais fácil não pensar, não é?
Entregue-se à mesquinhez de seus pensamentos pequenos.

Quando me revoltei e me livrei de suas correntes, você ficou abismado?
Abandone todos os seus dogmas nojentos.
Juro que tentei ser convencido das besteiras que você falou, amigo.
Mas prefiro escrever meu próprio livro.

sábado, 5 de março de 2011

Vida, não vida; existência, inexistência...

A notícia da morte da mãe do goleiro Renan, do Inter, e do estado grave de saúde do pai do atleta, nos deixa extremamente tristes. Inicialmente, deixo todo apoio e sentimentos a Renan. Quando acontecem coisas como esta, que a gente vê como somos pequenos perante a vida.

É algo que me assusta e incomoda um pouco. Vivemos numa espécie de corda bamba. A qualquer momento, qualquer momento mesmo, puf, pode tudo ir embora. Dia desses, minha mãe caiu escadaria abaixo no nosso prédio. Felizmente, nada de mais grave ocorreu. Mas poderia ter ocorrido.

É muito tênue a linha entre a vida e a não vida. Isso é cruel. É doloroso. Sofremos, sorrimos, somos felizes em alguns momentos, tristes em outros, planejamos coisas, projetamos o futuro, mas sempre desconsiderando esse pequeno fator: somos mortais. E, enquanto mortais, estamos permanentemente expostos. De repente, do nada, numa fração de segundo, e tudo o que fomos, somos, pretendíamos ser, sonhamos, sentimos, tudo isso vai embora, sem nem se despedir. Aquele dito popular "para morrer basta estar vivo" é duramente verdadeiro.

Por isso, acredito, ou preciso acreditar, que as coisas não se esgotam nisso que chamamos de vida. Não pode ser! Há de existir algo que dê sentido a isso. Temos uma essência. Não consigo imaginar o que seja o nada. O nada não pode existir. E, uma vez que exista, deixa de ser nada, pois é algo. Se a não existência existe, ora, ela não pode inexistir. É um paradoxo em si mesmo, uma trama, uma teia da qual não se pode escapar.

Sei, é um papo meio maluco. Conclusão dificilmente se terá algum dia. Mas, pelo menos pra mim, é impossível deixar de pensar nisso...

sexta-feira, 4 de março de 2011

Americanas

As Lojas Americanas são um templo do consumo. Um fenômeno social digno de estudos mais aprofundados. Dia desses, estive numa delas, no centro de Porto Alegre, no horário de pico, cerca de 19 horas, para comprar um caderno. A fila do pagamento era enorme e demorada. E, observando-a, percebi que era composta por cerca de 90% de mulheres.

As Lojas Americanas são um fenômeno eminentemente feminino. Me parece lógico, vista a desproporção de gênero. Não se vê essa desproporção nas ruas do centro de Porto Alegre. Mas, nas Americanas, se vê! As Lojas Americanas são uma espécie de happy hour das mulheres que as frequentam. Mesmo na fila, percebe-se certa satisfação em seus rostos. Satisfação do consumo.

Elas, as frequentadoras das Americanas, ficam atentas a tudo, como se as ofertas pudessem saltar rapidamente das prateleiras e elas tivessem a obrigação de pegá-las o mais rápido possível, como numa competição. Ficam sedentas por comprar mais. Quando chegam ao caixa, ainda fazem questão de pegar uns bombonzinhos. "Se eles estão aqui, é para serem comprados, querem ser comprados, precisam ser comprados", devem pensar. Compram por comprar. Gostam de comprar. Não importa o quê. Não importa o objeto: importa o ato. O gesto de comprar, em si, é que parece causar aquela satisfação quase infantil.

E essa compra por comprar, em especial nas Lojas Americanas, não é uma compra direcionada, como seria numa loja de roupas, onde você vai para comprar roupas, ou pragmática, movida por necessidades mais ou menos imediatas, como seria num supermercado. É uma compra anárquica, meio aleatória, quase desprovida de qualquer sentido. Uma das mulheres da fila, que estava à minha frente, levava em sua cesta salgadinhos, meias, creme de cabelo, uma espécie de tapete, e mais uma série de coisas. Ela não queria comprar nada específico. Ela queria comprar. Simples assim.

A própria movimentação no interior da loja denota isso. É um negócio frenético. As pessoas andam quase em zigue-zague, sem direção definida, observando desordenadamente as prateleiras que aparecem pela frente. Tudo pode ser comprado a qualquer momento, e sem critério ou motivo aparente.

As Lojas Americanas configuram quase um mundo paralelo para as mulheres que nelas adentram. Elas se divertem comprando, como homens se divertem vendo futebol ou filmes estúpidos com o Steven Seagal. Sentem prazer em ficar na fila, olhar preços, pagar por coisas desnecessárias, e, sempre que possível, pegar "mais uma coisinha que tá em promoção". Claro, necessidade é um conceito bem relativo. De qualquer maneira, aquelas mulheres da fila transpareciam certa realização. São amostra e reflexo da sociedade de consumo.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Sobre reformas do Beira-Rio e o atual ambiente político colorado

Não tenho opinião conclusiva sobre a polêmica da reforma do Beira-Rio. Tenho, sim, uma pequena tendência a achar que a melhor solução é a parceria com a empreiteira. Muito mais por dúvidas do que por convicções.

As dúvidas que tenho são: se o Inter quiser abraçar a reforma sozinho, terá, REALMENTE, condições de tocá-las, e, principalmente, CONCLUÍ-LAS satisfatoriamente? Até que ponto uma perda de isenções condicionadas à Copa do Mundo prejudicaria, ou minimizaria as reformas, transformando-as em paliativo, minimizando os benefícios outrora previstos? E, ainda que possa fazer andar as obras com suas próprias forças, como o colorado manteria o time, dentro de campo, com seu padrão de competitividade dos últimos anos, sem desviar recursos do futebol para o patrimônio? São dúvidas, dúvidas, dúvidas... Dúvidas de um leigo assumido, fique claro.

Me preocupam, também, as possíveis consequências políticas da polêmica do Gigante. O cenário político do Internacional tem sofrido algumas sacudidas importantes desde o ano passado. Nas eleições, houve o famoso racha entre os grupos que compunham a situação. Agora, no debate sobre as reformas do Beira-Rio, o próprio grupo nuclear do Inter vencedor dos últimos anos, o Movimento Inter Grande, de Carvalho, Píffero e Luigi, parece sofrer cisões que podem ser profundas e irremediáveis, dependendo dos desdobramentos posteriores. De um lado, a atual gestão, liderada por Giovani Luigi, defende a parceria com a empreiteira Andrade Gutierrez. De outro, Vitório Píffero coloca-se frontalmente contra, defendendo a auto-sustentabilidade do projeto.

Dependendo do nível de conflito, pode-se estar avizinhando um desenho político diferenciado e confuso no Inter. As consequências são imprevisíveis, caso haja um reagrupamento nesse sentido. A única coisa que no caso seria previsível é a criação de uma instabilidade política que há muitos anos não ocorria no clube. Sabemos bem, pelo nosso exemplo, e pelo exemplo mais recente do coirmão, que esta instabilidade e consequente imprevisibilidade dos movimentos dos atores políticos em jogo, não traz coisas boas para o clube. Quer queira, quer não, um ambiente de conflito e instabilidade respinga no campo, prejudica o andamento do clube, e, consequentemente, afasta muitos associados do clube. E, com isso, quem sai perdendo é o próprio Sport Club Internacional.

Tudo o que espero é que a melhor decisão para o clube seja tomada, no que diz respeito à reforma do Beira-Rio. E que o ambiente político colorado se acalme e estabilize rapidamente. Mais do que personalidades, gestões ou movimentos políticos, o que importa é o Inter. É ele, o Inter, o nascedouro e o morrente de todas as paixões e todos os debates em voga. Portanto, que seja o Inter, e mais nada, o elemento que paute este momento, fundamental para o futuro do clube.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Tempo

Mais uma noite mal dormida.
Você está presente a todo momento.
Alegria e uma dose de angústia se conjugam.
Estou tão perto de encontrar a mim mesmo!

É pouco, é muito.
Somam-se os dias, e a falta de você se torna mais aguda.
Controlo minha alma, minhas lembranças amargas.
Mas eu sei, você é diferente.

Desculpe se de alguma forma te incomodo.
Naquelas flores, tinha um pouco do meu coração.
E ele, desobediente, se rebela contra o tempo.
Está tudo bastante agradável, sei que estamos juntos, mesmo quando não estamos no mesmo lugar.

Torço para que aquilo que sentimos se concretize logo.
Tantas vezes precisei recomeçar, e estou exausto.
Garota linda, você já mora dentro de mim.
Espero que o tempo se mantenha ensolarado, e que as poucas nuvens sumam de uma vez.

terça-feira, 1 de março de 2011

Meu dia de Gabiru

Quando eu era criança, não tinha talento esportivo nenhum. Isso era um fato consumado. Na adolescência, melhorei um pouco. Não virei um atleta. Não virei um grande centroavante. Mas aprendi a fazer uns golzinhos. Depois, me fixei no gol. E ali, até tive meus brilharecos. A miopia, à época ainda sem eu ter lentes de contato, me prejudicava na posição. Tomava muitos gols de longe. Mas era um goleiro, digamos, digno. Digno o suficiente para não ser mais objeto do bullying esportivo no colégio. Mas, como falei, isso foi acontecer só lá com meus quinze anos. Antes, eu era tão bom praticando esportes quanto um jacaré é bom jogador de truco.

Ainda assim, tive um dia de Gabiru. Foi um dia especial na minha infância. Acho que eu tinha uns dez, onze anos. Jogava no Centro Humanístico Vida, que é aberto à comunidade, na zona norte de Porto Alegre. Praticávamos várias modalidades. Handebol. Futsal. Basquete. E de vez em quando, vôlei. Eu era ruim em todos. Sabe aquele jogador que fica na zona morta, só pra tocar o mínimo possível na bola, e assim não passar pelo constrangimento da ruindade? Esse era eu. Eu não precisava de marcador. Eu mesmo me marcava. Porém, ainda assim, no tal dia, as coisas deram certo. Incrivelmente certo.

O time no qual eu estava jogando, permanecia invicto naquele dia. Se não me engano, ganhamos o primeiro jogo, no futebol. Minha participação foi nula. Como sempre. Ou quase sempre. Quase, porque veio o segundo jogo, de handebol. Ganhamos também. E fiz um gol! Espetáculo! Tudo bem que num jogo de handebol cada um faz, sei lá, uns dez gols. Mas, para mim, aquele gol significou muito! Pra mim, e só pra mim, era importante.

Veio o terceiro jogo, de novo futebol. Nosso time, invicto, estava perdendo. E eu, ali, aquela coisa toda, meio bobo pelo gol no jogo anterior. Acho que aquilo me deu certa confiança pra pelo menos aparecer um pouquinho mais no ataque. Perdíamos a partida, 3 a 2, me lembro bem. Estávamos perdendo a invencibilidade no dia. Então, eis que, no último instante da partida, eu estava estorvando ali perto do gol adversário, e a bola sobrou pra mim. De direita (de direita!), eu, canhoto, dei de chapa, a bola passou no exato espaço do vão das pernas do goleiro adversário, o Feijão. Gol! Eu fiz um gol! Aliás, o segundo (o segundo!) naquele dia! Meu time se manteve invicto! Graças a mim! Graças ao meu gol! Era uma felicidade absurda! Estavam me cumprimentando! Comemorando comigo! Ninguém me xingava! Ninguém criticava meus erros! Ninguém me chamava de ruim!

É óbvio que aquele dia, meu dia de Gabiru, marcou só pra mim. Ninguém que estava naquele dia, naquele ginásio, deve ter sequer um traço, um resquício de lembrança daquele dia normal de atividade, jogos, gols. Era um dia banal. Mas foi um dos dias mais felizes da minha infância! Muito bom, mesmo! Acho que fiquei semanas pensando naqueles gols, com ênfase para o segundo, o do futebol. Foi um marco importante na minha "carreira". Desde então, nunca mais fui o último a ser escolhido. Passei a ser o penúltimo.