segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

280211

Estou cercado pelos zumbis.
Eles parecem tão preocupados.
Nunca souberam o que é estar vivo.
Ou será que esqueceram de tudo?

Incapazes de sentir a minha vontade de acordar.
Agora tudo está explicado.
Eles buscam carne e sangue.
Encontrei meu tesouro, e me escondo num canto qualquer.

Fazem tudo mais fácil e frio.
Evito os contatos, evito minha destruição.
Estou num lugar em que me sinto bem.
No chão, todos vomitam suas doenças.

Mantenho minha capacidade de pensar e sentir.
Mais vivo do que nunca, observo e aguardo.
Crio uma nova era, um novo tempo.
Resgato a capacidade de sonhar.

Já não quero mudar o mundo.
Eles não ligam para isso.
Dedico-me a mim mesmo, e àquele espírito que me encanta.
Nossas mãos se tocam, caminhamos juntos.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

As 10 melhores músicas do Nirvana

Nirvana é o grande marco do rock nos anos 1990. Kurt, Dave e Krist constituíram o grande expoente do grunge, com canções que combinavam de maneira extraordinária melancolia e agressividade. Apresento, então, as dez melhores músicas da história da banda.

Décima posição- In bloom: A décima melhor canção da banda vem do álbum de maior sucesso do Nirvana, Nevermind (http://www.youtube.com/watch?v=GvXZX8Ntu3A&feature=related).

Nona posição- Old age: Não é uma música muito conhecida do Nirvana. Mas a sua melodia associada à melancolia meio despreocupada do vocal de Kurt Cobain tornam esta canção grandiosa, inesquecível (http://www.youtube.com/watch?v=mRFYdtC5IuE).

Oitava posição- Rape me: Nossa oitava posição pertence à explosiva canção do álbum "In utero" (http://www.youtube.com/watch?v=H-QEeEPFGXs).

Sétima posição- About a girl: Do álbum "Bleach" para nossa sétima posição, "About a girl" (http://www.youtube.com/watch?v=JpMt_YqVbhw).

Sexta posição- Sappy: A exemplo de "Old age", é uma canção bem "lado b" do Nirvana (http://www.youtube.com/watch?v=Hfu_MrtYsb4).

Quinta posição- Come as you are: A quinta melhor música do Nirvana é melancólica, angustiante, profunda e contagiante. Tudo isso ao mesmo tempo (http://www.youtube.com/watch?v=vabnZ9-ex7o).

Quarta posição- Aneurysm: Nossa quarta colocada vem do álbum "Insesticide" (http://www.youtube.com/watch?v=QD0D7IuriWQ).

Terceira posição- Heart shaped box: Agonia reprimida em uma calma apenas aparente, e uma explosão de proporções enormes e consequências arrasadoras. Isso é "Heart shaped box", a terceira melhor música da banda de Seattle (http://www.youtube.com/watch?v=n6P0SitRwy8).

Segunda posição- Serve the servants: A medalha de prata de nosso ranking pertence a "Serve the servants" (http://www.youtube.com/watch?v=jtB6gEmr6ZY).

Primeira posição- Smells like teen spirit: A nossa grande campeã é mais do que uma canção: é um hino grunge (http://www.youtube.com/watch?v=hTWKbfoikeg).

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Polêmica dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro

Reproduzo abaixo texto interessantíssimo de Rodrigo Vianna (http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/o-clube-dos-treze-o-moleque-espertalhao-e-o-exemplo-que-vem-da-argentina.html) sobre a atual celeuma dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, que tem causado uma série de abusos de poder e troca de favores da Rede Globo para com alguns clubes de nosso país, em nome da manutenção de um monopólio pra lá de questionável.

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O Clube dos 13, o "moleque" espertalhão, e o exemplo argentino

Acabo de voltar da Argentina. Passei dias agradáveis em Buenos Aires. Sábado, fim da tarde. Depois de uma longa jornada de caminhadas por Palermo e Barrio Norte, parei com minha mulher num café. Na tela: Newell´s x Lanús. Só o garçon e eu parecíamos interessados na partida. O time de Rosário faturou, com um gol no finzinho: 2 a 1.

Cheguei ao hotel às 10 da noite, e liguei a TV. Já havia outro jogo, ao vivo, na tela: Racing versus Boca. Jogaço. O Racing (time pelo qual tenho simpatia, sabe-se lá porque – era o time do coração de Kirchner, e ele morreu do coração…) jogava melhor. Mas o Boca fez um a zero no contra-ataque, e segurou o resultado.

Acompanhei só o primeiro tempo (até porque me esperava um belo bife de chorizo com purê de papas). No intervalo, entrou propaganda institucional do governo argentino: “obras na província de Chubut”. Anúncio curto. Fiquei esperando a propaganda privada. E nada. O sinal voltou ao estádio para os comentários e melhores momentos (os locutores argentinos são impagáveis, com aqueles ternos anos 70, com um lencinho pendurado do bolso). Novo intervalo: de novo, anúncio institucional do governo… E só então lembrei: na Argentina, os direitos de transmissão do futebol foram comprados pela TV pública!!! Mais um capítulo da briga entre Cristina Kirchner e as TVs privadas.

Nesse caso, parece que o público saiu em vantagem. Há jogos em horários variados: sábado à tarde, à noite. Domingo à tarde e à noite. Tudo pela TV aberta. Dizem-me que, antes do Estado entrar na parada, os jogos passavam só pela TV a cabo (agradeço se alguém trouxer informações mais detalhadas sobre isso…) Não sei se os horários já eram assim quando a transmissão estava nas mãos das TVs particulares. Não vou mais longe nos comentários, porque não conheço os detalhes das negociações na Argentina.

Mas claro que lembrei disso tudo quando voltei a São Paulo e dei de cara com essa barafunda no Clube dos 13.

O Corinthians, meu time do coração, acaba de se desfiliar do Clube dos 13. Andres Sanchez, com aquela cara de espertalhão mexicano de filme “B”, foi chamado de “moleque” e “advogado da Globo” pela direção do Clube dos 13.

Pra quem não acompanha a confusão: pela primeira vez, a Globo corria o risco de perder a transmissão do futebol. É que, até hoje, a Globo sempre teve direito de “cobrir” a proposta apresentada por qualquer concorrente. Dessa vez, seria diferente: envelopes fechados seriam apresentados com as propostas. Para transmitir jogos na TV aberta, o lance mínimo seria 500 milhões de reais. Direitos da TV fechada, internet e pay-per-view (quando o telespectador paga pra ter direito a transmissão de jogos específicos): tudo isso seria negociado à parte.

A Globo corria risco sério. Alguns clubes alegavam que, mesmo com valor um pouco menor, valeria a pena aceitar a proposta da Globo, por causa do “tradição” da emissora, da “capilaridade da rede” (a Globo, de fato, tem uma rede bem montada e estruturada em todo o país). O Clube dos Treze, então, estabeleceu uma cláusula razoável: para vencer a Globo, os concorrentes teriam que oferecer ao menos 10% mais do que a emissora da família Marinho. Mas as ofertas seriam feitas no escuro, sem privilégios.

Se a Record oferecesse 650 milhões de reais e a Globo 600 milhões, a transmissão ficaria com a Globo. Mas se a Record oferecesse 800 milhões e a Globo 600 milhões de reais, aí a emissora de Edir Macedo ganharia a disputa.

A situação não era confortável para a TV Globo. Teria que jogar, e tentar ganhar “na bola”. Sem ajuda do juiz. O que fez o Andrez Sanches? Tirou o time de campo. Agiu sozinho? Não. Com ele estariam saindo do Clube dos 13 Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo. Grêmio também poderia seguir esse caminho.

Ou seja: o Clube dos 13 (que, apesar do nome, representa duas dezenas de clubes) está em decomposição. E ele é que tem o direito de negociar as transmissões em nome dos clubes.

A barafunda está criada! Os cinco ou seis dissidentes vão negociar à parte com a Globo? E se os outros fecharem com a Record?

Como disse um jornalista amigo meu: aos 44 do segundo tempo, o jogo estava zero a zero. Pênalti pra Record. Aí alguém apaga a luz do estádio. “Alguém”! Quem seria? Andres apagou a luz sozinho?

Os espertalhões mexicanos normalmente atuam em parceria com um sócio rico do outro lado da fronteira.

Andres conseguiu (será?) o estádio para o Corinthians. A CBF (que é parceira da Globo, e não se dá tão bem com a atual dioreção don Clube dos 13) tirou o Morumbi da Copa. Retaliação contra o São Paulo F. C. O time do Morumbi não aceita cartas marcadas na negociação. Queria entregar os direitos a quem pagasse mais. Seria a decisão “capitalista”.

Mas o Brasil é terra de “capitalistas de araque”. Capitalismo sem concorrência.

A Globo perdeu o direito às Olimpíadas porque lá vale o óbvio: quem paga mais leva. No futebol brasileiro, valem os arranjos dos poderosos de outros tempos com os espertalhões fajutos.

O futebol é algo tão sério para o brasileiro que o governo federal deveria intervir nessa história. Intervir, não: “arbitrar”. Já que a concorrência não vale, deixemos o Estado cuidar disso.

Não digo que precisemos imitar a Argentina, com jogos transmitidos pela TV pública. Mas que tal a TV pública brasileira entrar na disputa, montar um pacote razoável de horários, e depois vender cada horário para uma emissora privada?

Seria o fim do monopólio. E o fim dos espertalhões.

Mas quem acredita nisso…

O mais provável é que se estabeleça a confusão. Isso a 3 anos da Copa.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Brilho

A onda vem avassaladora.
Noite sem sono, coração pulsante.
Prove um pouco da minha felicidade.
Estive pensando em você, garota.

Certeza incerta.
Mas tudo valeu a pena quando você sorriu.
Me acostumei a cair, por isso, fiquei meio atônito.
Você é tão doce, garota.

De volta, reerguido.
Minhas pernas se firmam sobre o chão.
Minha alma está limpa, os pensamentos um pouco mais nítidos.
Você me fortalece, garota.

Dona dos meus melhores sentimentos.
Brilho do sol, brilho dos seus olhos, brilho do seu sorriso.
Tudo reflete em mim, e apenas me entrego.
Você é céu livre de nuvens, garota.

Resta uma espera, pequena espera.
Mas agora tudo está mais claro, pra mim e pra você.
Tudo faz um sentido, finalmente.
Você é minha verdade, garota.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Pra lavar a alma (sem sabão, é verdade)

Boa atuação do Inter. Vitória. 4 a 0 no Jaguares. Não é da Bolívia. É do México. Merece respeito. Times mexicanos já incomodaram. Chivas, Tigres, Cruz Azul... Boas campanhas em Libertadores. Semifinais, finais... Pachuca, Campeão da Sul-Americana, frequentador de Mundiais Interclubes. O futebol mexicano não é bobo. Como o boliviano é. Né, Oriente Petrolero?

E Bolatti, hein? Nem tinha estreiado no Inter, e eu já dizia que era baita reforço (http://dilemascotidianos.blogspot.com/2011/02/bolatti.html). Elegante. Bom passe. Marca bem sem fazer faltas. E faz gols. Hoje, fez dois. Contra o Emelec já tinha guardado o dele. Volante. Primeiro volante. Artilheiro colorado na Libertadores. Grande jogador. Um Sandro com pedigree. Já se pagou.

Damião, por sua vez, é um senhor centroavante. Mas, mais do que isso, me tocou a comemoração dele no gol marcado. Foi lindo. Talvez eu seja um último romântico do futebol. Mas achei inesquecível o gesto de Damião, beijando entusiasticamente o escudo colorado fixado atrás do gol.

Ainda teve o gol de Oscar. Jovem talento. Não brilhou no Brasil sub-20. Mas, dane-se a seleção. Que brilhe no colorado!

Menção honrosa ainda para Lauro. Fez grandes defesas. Passou segurança para a torcida.

E Roth, o treinador, tem sua trégua. Importante trégua, e inevitável. Até quando vai durar? Não sei. No mínimo, enquanto não fizer bobagens. Espero que não as faça, pelo menos até o final da Libertadores. De preferência, com o Tri no armário. Depois, pode até escalar o Nei de centroavante... Desde que não seja numa semifinal de Mundial, é claro...

Vencer bem é fundamental

Por mais que os dirigentes colorados neguem, a cabeça de Celso Roth está a prêmio. Um tropeço na noite de hoje contra o Jaguares significaria, quase que inevitavelmente, a demissão do Juarez. Isso porque a pressão se tornaria praticamente insuportável no Beira-Rio.

Desde o fiasco no Mundial, o ambiente é de desconfiança. Tal ambiente foi amainado com as boas contratações para a temporada. Porém, isso já se desmanchou depois dos equívocos grotescos de Roth em Guayaquil, os quais ele parece disposto a bancar ainda na partida de hoje à noite, quando terá Zé Roberto como único meia, acompanhado de três volantes na meia cancha colorada.

Para piorar, ocorreu a eliminação no Gauchão, do Inter B, que jogou enquanto jogadores do elenco principal que sequer jogaram pela Libertadores treinavam já no domingo no Gigante. Acertadamente, Roberto Siegmann "engavetou" o Inter B. Dali, sairia muito pouco. A grande maioria dos jogadores dali não tem qualidade para vestir a camisa colorada. Estouraram a idade para estourar. Provavelmente, rodarão por clubes médios e pequenos do país. Que sejam felizes. Longe do Beira-Rio.

Fato é que, querendo ou não, toda essa efervescência respinga em Celso Roth, que, em sua função, não tem colaborado muito. Siegmann afirma no site oficial do clube que não há chance de demitir Roth. Mas sabemos que no futebol a verdade de hoje é a mentira de amanhã. Ou, como diria o ex-presidente gremista Rafael Bandeira dos Santos, o futebol é dinâmico.

Por essas e outras, é bom, para o Inter e, talvez principalmente para Celso Roth, que a equipe colorada vença, e jogando bem, o Jaguares esta noite. Qualidade o Internacional tem, e não seria a falta dela que justificaria um revés na Libertadores. E, pelo que tenho visto do vice de futebol Roberto Siegmann, ele não vai morrer abraçado com Roth. Não mesmo.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Agosto

Um profundo incômodo contamina o ar.
Sua ignorância petrifica meus sonhos.
Não me obrigue a ser como você.
Ainda posso tentar vencer.

Você não entende nada do que se passa.
Não tem lições a oferecer.
Você está entregue à mediocridade.
Estamos em mundos diferentes.

Da sua pressa nasce seu caos interior.
Respeite minhas escolhas.
Agora está fazendo o jogo da plateia.
Todos riem de você no meio da arena.

Sua visão está limitada.
Deixe-me seguir em paz.
Apenas fique rezando em silêncio.
É o melhor que pode fazer.

Desobedeço suas ordens pequenas.
Tento melhorar todos os dias.
Minha vida está sendo traçada.
Preciso de tranquilidade para caminhar.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Infame

- Carlinhos Veículos, bom dia.
- Bom dia!
- Em que eu poderia ajudá-lo?
- Você tem aí um Fiat Uno cor de gelo?
- Vou verificar o catálogo, só um momentinho.
- Ok.
- Olha, senhor, não temos.
- Ah, vai ver que já derreteu. E Gol 1000, tem aí?
- Ah, sim, Gol 1000 nós temos alguns.
- Do Pelé ou do Romário?
- Da tua mãe, ô desocupado.
- Nesse momento, estou ocupado, ninguém pode me ligar.
- O senhor deseja mais alguma coisa?
- Tá, agora falando sério... Desculpa a brincadeira... Estou querendo comprar um carro esportivo.
- Certo. O senhor tem alguma preferência?
- Poderia ser uma Mc Laren ou uma Willians...

Tuuuu... Tuuuu... Tuuuu...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Montanha

Você acorda todos os dias para vencer. Mata um leão por dia. Mas ninguém acredita em você. São corações ignorantes e sem virtude. Esqueça, olhe para a frente.

Tudo o que querem é que você seja mais um. Querem te mediocrizar. Querem te desmerecer. Mas você, amigo, só você, sabe o caminho que trilhou, os espinhos nos quais pisou, e o quanto sangrou.

Seu pecado foi vencer, aproveitar as chances. Tiram-lhe o couro, o corpo e a alma. Eles preferem a lama e o sofrimento. Estão entregues às suas limitações. Não espere reconhecimento. Deixe que falem com as paredes.

O orgulho vem da mesquinhez. Mentes fechadas, verdades absolutas. Dê de ombros. Tanto faz, mesmo. Apenas siga seu rumo. Você e os seus. Sim, ainda há quem acredite em você. Mantenha-os ao seu lado, são seu suporte. Deixe as almas pequenas putrefando num canto qualquer.

Acima de qualquer coisa, confie em si mesmo. Você é o único ser vivo cuja existência é certa. Você pode até mesmo ser o centro do universo. Pare, pense, e veja se não é isso mesmo. Reflita: no fim das contas, tudo começa e termina em você mesmo, seja na terra, no céu ou no inferno.

Caminhe, caminhe, caminhe mais. Caminhe até chegar. E quando chegar, amigo, qual será o tamanho da sua satisfação? Caminhe mais, caminhe até chegar. E, do alto, ria dos que escolheram ficar estacionados na imediaticidade mediana. Encha-se de orgulho por não tê-los ouvido, por ter se dado o direito de sonhar. Eles nunca chegarão ao topo da montanha.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Sem rosto

Pessoas sem rosto vagam na cidade.
Elas não têm boca, não têm olhos, nem ouvidos.
Sentem apenas vontade de gritar e explodir.
São amassadas por uma ordem que desconhecem.

Uma doença se espalha.
Hipnose coletiva, uma dor que rasga o peito.
Mas não há ninguém para ouvi-las.
Abandonaram suas almas aos cães.

Estão sendo sugadas para um túnel escuro.
O grande irmão conduz ao abismo.
Mas a ignorância as impede de enxergar com alguma clareza.
Elas não sabem mais pensar, e nunca vão entender os sons que estão ecoando.

Um grito, apenas um grito!
Não passou de um sonho ruim.
Está tudo no lugar, olhos, boca, ouvidos, basta usá-los.
Agora, todos estão livres.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Pesadelo

Eles são doentes.
Ela, um objeto que se degrada.
Desumanização, carne e carne.
Observo de longe, perguntando o que é aquilo.

De mão em mão, metem a mão.
Ela sorri, está feliz ou desesperada?
Agora, são gargalhadas que tomam conta de tudo.
Ninguém mais se espanta com nada.

Todos empanturrados e satisfeitos em seus casulos.
Guardo minha indignação.
Estou fora da moda, que tolo.
Sou um corpo estranho neste imenso organismo desarmônico.

Todos estão mortos, mas não percebem.
Aquela garota continua entregue aos instintos.
É apenas mais uma, tão igual, tão devassa, tão perversa.
E as hienas continuam a devorá-la ferozmente.

Alguém nesta mesa resolve compartilhar meu espanto.
Ainda estamos a salvo.
Continuo me perguntando o que faço aqui.
Acordo: era apenas um pesadelo.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Roth rotheou

O empate de ontem no Equador foi um duro castigo para o Inter. A equipe colorada, apesar de jogar com três volantes, fez boa partida frente ao Emelec. Tinha segurança defensiva, e muita presença ofensiva.

O primeiro tempo foi truncado. Ainda assim, da metade para o final desta etapa, o colorado passou a criar boas oportunidades. E assim continuou no segundo tempo. Damião jogou demais. É centroavante de carteirinha, muito mais jogador que Alecbrahimovic. Ele não fica "pescando". Vai de encontro à bola. Rompe, chuta, cabeceia. Tem presença ofensiva. Merecia um gol, pelo menos.

O domínio continuou até que Bolatti, em estreia iluminada, fez de cabeça. O primeiro volante argentino ainda dará muitas alegrias à torcida colorada. Escrevam. Assim como Cavenaghi. Mesmo entrando no segundo tempo, mais uma vez mostrou que é um jogador muito técnico. Roth terá que encontrar um espaço para ele entre os titulares. Por mim, seria no lugar de Tinga (no caso de hoje, do fraquíssimo Wilson Mathias). Mas pode também ser no lugar de Zé Roberto, que hoje esteve apagado.

Fato é que após o gol, Roth rotheou. Foi o velho Roth de guerra. Tirou Bolatti e colocou Rodrigo, chamando o Emelec para o campo colorado. E foi um sufoco só. Até que, no último lance da partida, veio o castigo, em falha defensiva clamorosa, com menção honrosa a Lauro, que até então fazia muito boa partida. 1 a 1.

Não é uma tragédia. O Inter atuou bem, se impôs, apesar de uma escalação altamente questionável de Celso Roth. Como tava dando certo, o treinador resolveu mudar. O resultado foi o gol equatoriano, no apagar das luzes.

Empatar fora de casa não é ruim. Só o é à medida que se analisa o que foi a partida em si. Mas, em termos de tabela, é tranquilo. O Inter deve se classificar sem sustos. Mas tem que repensar algumas coisas, principalmente a filosofia do treinador que, na dúvida, sempre manda o time recuar.

Por fim, apenas uma observação: o empate não deve ser creditado à arbitragem. Mas esta, tem sim, importante colaboração para o resultado, a partir do momento em que o juiz Néstor Pitana não apitou pênalti escandaloso em Sorondo. Mais escandalosa que este erro, só a substituição de Roth, chamando o Emelec de volta para um jogo que estava na mão.

Em busca do Tri

Hoje à noite, o Inter estreia na Libertadores 2011 com a nobre missão de defender o título. O adversário, o Emelec, não mete medo. Mesmo fora de casa, o colorado tem plenas condições de buscar os três pontos.

Entretanto, o time que se cogita que entrará em campo passa longe do ideal. É a mesma formação que teve imensas dificuldades para enfrentar o Pelotas na primeira etapa do jogo passado, no Beira-Rio, pelo Gauchão, com o acréscimo, importante, é bem verdade, de Bolatti.

A zaga é inacreditavelmente lenta. Índio, com toda a sua história no clube, já deu o que tinha que dar. Sorondo está muito mal há alguns anos... É um mistério da humanidade o motivo pelo qual Rodrigo não ganhou uma oportunidade no domingo, e, pelo jeito, não ganhará hoje. Está no Beira-Rio há meio ano, e agora que tem as condições legais, não joga!

A formação entre meio e ataque também é problemática, graças à teimosia de Celso Roth. Com Damião isolado, o time perde em profundidade, mesmo com Zé Roberto fazendo as vezes de companheiro pela esquerda. Seria mais interessante colocar Cavenaghi, e contar com a aproximação de D'alessandro e Zé Roberto, como meias típicos. Mas, para isso, Roth teria que tirar Tinga. E Tinga parece intocável, mais pelo que representa do que pelo que tem jogado: nada.

De qualquer forma, é chegado o momento. Esta noite, começa a busca pelo Tri da Libertadores. Se hoje ainda não teremos o mais consistente dos times, que ao menos consigamos trazer um bom resultado do Equador. Com todos estes problemas, a equipe colorada ainda é bem superior à do Emelec. Torço apenas para que não nos enganemos, mesmo com vitória hoje: ajustes importantes ainda deverão ser feitos no decorrer da competição. Elenco para isso, tem. O treinador tem que colaborar.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Novo tempo

Foi bom te ver, como sempre.
Pessoas morrem dentro de mim, mas você está mais radiante.
Quem morreu, se suicidou em meu coração.
Mas você está mais viva e linda do que nunca.

Bons dias, e a todo momento penso em seu sorriso.
Não sei se meu rosto ficou vermelho, mas aquele papelzinho dizia muito.
Agora me sinto bem.
Não choveu, o céu está limpo como sua imagem.

Meio desastrado, faço o melhor que posso.
Os dias vão passando, mas não tenho pressa.
Sei onde quero chegar, e você me fortalece.
Garota, você é tão doce.

Enterro os cadáveres de uma vez.
Deixo o solo para que as flores nasçam.
Elas serão todas para você.
Não posso negar que estou mergulhado.

De mãos dadas, observaremos o passado.
Tudo explode cinematograficamente.
Estamos em um novo mundo, o nosso mundo.
O sol está sorrindo de alegria.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Revolução

Ando no meio da multidão.
Sou apenas mais um rosto.
As pessoas são grãos, tão iguais.
Nas capas de revistas nas bancas, celebridades vazias tentam comprar minha alma.

Todos estão com sede.
Pensamentos flutuam, e cada um sofre sozinho.
Sonham com uma nova vida.
E acabo me esquecendo o porquê de estar aqui.

Somos gotas de tinta, o último número da conta.
Quem nos aprisionou aqui?
A quem estamos servindo?
Faz tempo que me deixei dormindo em alguma esquina.

Num momento incerto, levantam-se dos túmulos.
Eis a maior das revoluções.
Estamos vivos, e à procura do ditador.
O céu vem abaixo, e estamos apenas lutando pelo direito de viver como queremos.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Sobrevivência

Ouço ruídos que me incomodam.
Estou no auge do nada, esperando por coisa alguma.
Talvez os dias tenham mudado, ou eu mesmo.
Faça tudo diferente, antes de ser engolido.

Esqueça a chuva, acenda a luz.
Estive tão cansado nos últimos tempos.
Tudo o que peço é um pouco menos de dor.
Preciso ficar um pouco mais distante de mim mesmo.

Todos estão desconfiados.
Não olhe para eles, apenas siga.
Na primeira oportunidade, te jogarão no lixo.
Só restará você mesmo.

No fim das contas, estamos em guerra, mesmo.
Ninguém ouviu enquanto eu gritava.
Cada qual se esconde onde pode.
E agora vejo como posso sobreviver.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

120211

Cruzei com você aquele dia.
Seus olhos estavam mais vivos do que nunca.
A passos firmes mantive a certeza de que tudo seria bem melhor.
E agora estou aqui esperando por você.

E nos veremos num abraço forte.
Nossas almas se unirão.
Como se fossem uma única inspiração.
Tenho tanto ainda pra dizer...

Enganos no passado.
Esqueço, agora você é minha explicação.
Estarei aqui, saiba que estarei de peito aberto.
As barreiras do presente serão o motivo de nossos risos.

Guarde um tempo pra viver.
E se tudo parecer escurecer lembre-se que estou ao seu lado.
Nunca se esqueça disso.
Feche os olhos e durma um pouco, você precisa descansar.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Doce vingança

Não é novidade nenhuma para o leitor do DC a visão que tenho sobre o tema "violência sexual". Considero o pior dos crimes, mais hediondo até mesmo que o homicídio. E, quando falo em violência sexual, realmente assumo: sou pouco civilizado. Talvez por isso tenha gostado tanto do filme "Doce Vingança" ("I Spit On Your Grave", remake de filme de 1976).

Neste filme, uma moça da cidade grande se refugia sozinha numa cabana isolada, numa cidade de interior. Sua intenção é buscar inspiração, já que é uma escritora. O problema é que um grupo de cinco homens fica de olho na garota, desde que ela chega à cidade. E, de tocaia, estupram-na violentamente, e da maneira mais humilhante possível. De forma quase miraculosa, ela se salva. E é aí que o filme fica realmente bom.

Ela volta, e se vinga deliciosamente, de um por vez. Com alta dose de crueldade, sadismo e humilhação, ela consegue sua revanche particular. Até para não configurar um spoiler, não descreverei as sessões de tortura às quais ela submete os estupradores. Mas adianto que é bem forte. Entretanto, o filme e sua sanguificina se tornam particularmente fascinantes porque a abordagem toca direto no senso de justiça do expectador. Em nenhum momento (à exceção, talvez, de quando ela pega um dos rapazes que a estuprou pressionado pelos demais, e não por vontade própria) dá pra sentir o mínimo de piedade pelas vítimas da tortura. Muito antes pelo contrário: quanto mais os estupradores sofrem, mais dá vontade de vê-los sofrer.

Me causa espanto o fato de "Doce Vingança" não ser um filme muito conhecido no gênero "tortura". É uma das melhores coisas que vi nos últimos tempos, não devendo nada para filmes famosos como "O Albergue", "A Casa de Cera" e "Jogos Mortais". Destaco ainda a atuação excelente da protagonista Sarah Butler, que encarna com muita vivacidade a dor, a humilhação, o ódio e a sede de vingança da personagem Jennifer Hills.

É um grande filme, que recomendo intensamente para quem se interessa pelo gênero.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Flores

Passei a noite rezando.
Passei a noite meditando.
Passei a noite entregando meu coração.
Passei a noite pensando nela.

A vida não poderia ser tão ingrata.
Um deboche divino seria minha maior lástima.
De repente, espanto meus medos.
Ela vai ficar bem.

E continuarei aqui, todo dela, e mais meu do que nunca.
Nas flores, tudo que sinto, singelamente descrito naquelas pétalas.
Mesmo ali, ela sorri, sempre lindamente.
E eu, eternamente sem jeito, digo tudo sem dizer nada.

Estou com ela, e estarei, sempre que ela precisar.
Quase chorei enquanto voltava.
Se pudesse, a teria abraçado por um dia todo, por uma vida inteira.
Mas ela vai sair de lá, logo.

E então, poderemos sorrir juntos.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Mais um aumento

Mais um aumento da tarifa de ônibus em Porto Alegre. Maravilha. Transporte público de primeiro mundo. Para quem não precisa de transporte público. Sim, porque chega a ser um acinte a diferença entre as linhas das regiões mais abastadas da cidade em relação à periferia.

Os pobres, os trabalhadores de Porto Alegre, têm de andar feito bichos em ônibus superlotados, sem espaço sequer para se coçar. Com o intenso calor deste verão, encaram ônibus sem ar condicionado, cheio de calor humano! R$ 2,70 para andar de pé, esmagado, encoxado, suando feito um porco. Mas não se preocupe. A linha Auxiliadora tem ônibus mais ou menos de meio em meio minuto. Justo?

Ano após ano, a ganância de nossas empresas de transporte público só faz aumentar. Existe uma grave incongruência entre o valor pago e a qualidade do transporte na capital gaúcha. Chega a ser covarde. Os empresários e o mais podre senso comum culpam os benefícios a estudantes e idosos. Mas estes têm direito adquirido, justo e legítimo. Não é mais do que obrigação destas empresas, que prestam serviço público, fazer cumprir os direitos destes setores sociais. Não é por aí que explicarão o absurdo preço dos ônibus em Porto Alegre.

O povo acaba como refém disso tudo. Os aumentos sempre vêm em período de férias, exatamente com o intuito de pegar os movimentos estudantis e de trabalhadores desarticulados. A partir de hoje, pagaremos um pouco mais sobre algo que já não custa pouco, e que possui um custo-benefício pra lá de duvidoso. R$ 2,70. Por ônibus que não dão conta da demanda, por linhas que demoram uma eternidade para aparecer no ponto, para andar esmagado, saindo pela janela. É nossa vida de gado. Povo marcado. Povo feliz?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Desesperança

As crianças correm pela rua molhada.
Elas não sabem das verdades que estão nos consumindo.
Uma dose de inocência um dia me manteve vivo.
Hoje, a realidade desvelada perturba minha mente.

Se tudo fosse mais certo, nossa solidão coletiva seria exterminada?
Talvez alguém resgate nossa essência em algum túmulo no meio do nada.
Estamos ressecando, sem forças para reagir.
Tensão diária, falta de tempo para viver.

Os bons momentos vão escorrendo pelos dedos.
O desespero invade meu quarto, corre em minhas veias.
Acordei, vaguei e continuo preso à cama.
Demorei para conseguir me mover essa manhã.

Vítimas de um erro repetitivo.
Dias e mais dias, expectativas, e a velha sensação de vazio.
Sempre haverá alguém para roubar nossas esperanças.
Mas a chuva cai, e as crianças continuam correndo lá fora, enquanto olho pela janela.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Incerteza

As coisas são assim mesmo. Vivemos de incertezas, até nos momentos mais certos de nossas vidas. Meus olhos miram o horizonte. Mas não sabem se isso tudo não é apenas miragem.

Respostas que não vêm, espera que angustia. De repente, um tudo pode virar nada. É com isso que lidamos, dia após dia. Fumaça no caminho, realidades paralelas vão consumindo tudo.

Fugimos das repetições dolorosas. Fazemos diferente, buscamos novos rumos. Às portas da felicidade, velhos fantasmas trazem velhos medos, lembranças de tempos tristes. E então os passos mais simples e seguros tornam-se incertos, com as pernas trêmulas.

É aí que o coração tem que bater com mais vontade. Temos que nos livrar do passado com a fúria de quem busca um tempo novo, e a alegria de quem quer, mais do que nunca, viver. De um simples sorriso, a maior das motivações. Amanhã há de ser o mais ensolarado de todos os dias.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

60211

Vou esperando mais um pouco.
Tanto a ser dito, tantas experiências anteriores.
Como se sentir bem antes do ápice, um gosto, uma promessa.
E rezo todas as noites para fazer a coisa certa.

Fantasmas do passado me fazem perder a confiança no futuro.
Mas, ao lado dela, tudo ficará melhor.
Distância relativa, de algumas palavras ou gestos.
Sei que posso estar pronto, e arranco de mim o medo de errar.

A saudade aperta, mas aguento um pouco mais.
Ela sabe que me deixa feliz.
Estou entregue ao que sinto, só que dessa vez isso parece bom.
Talvez tenha chegado a minha vez.

O sol resolve nascer, e espero que não ofusque minhas vistas.
Vou resgatando minhas verdades, e encontrando nela um novo rumo.
Um caminho mais ameno, a doçura de seu jeito me fascina.
Vejo a linha de chegada, a linha de partida para uma nova vida.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Bolatti

Amanhã pela manhã desembarca em Porto Alegre o volante Mario Bolatti. Depois de uma longa negociação, o colorado confirma o guardião da sua defesa, com direitos federativos comprados, e contrato de quatro anos. Com este reforço, o ciclo de contratações do Inter está fechado. Num mundo ideal, faltaria ainda um goleiro. Porém, Lauro não compromete, embora não seja um goleiraço.

Bolatti é, na minha opinião, a grande contratação do Inter na temporada. Me cobrem depois. Joga muita bola. Esteve na última Copa do Mundo, defendendo a Argentina. Fez o gol que classificou a seleção de Maradona para o Mundial. É um jogador praticamente completo em sua função. Marca muito, tem razoável velocidade, tem boa saída de bola, e, de quebra, finaliza bem de média e longa distância. Neste vídeo, podemos ver alguns destes atributos: http://www.youtube.com/watch?v=7T3A5coy0F0.

O time-base colorado para a Libertadores fica fortíssimo com este reforço. Tem um Lauro feijão com arroz; um Nei que é esforçado e não compromete; um capitão Bolívar; um Rodrigo, que é inegavelmente bom zagueiro; um Kléber, sempre talentoso e qualificado, embora por vezes displicente; um Bolatti, considerado por mim um extra-classe; um Guiñazu que, ainda que em decadência, segue sendo Guiñazu; um Tinga, que, se tiver sequência, ainda tem lenha pra queimar; um D'alessandro, o melhor das Américas; um Sóbis, carismático e identificado com a torcida; e um Cavenaghi, matador nato, de nível de seleção argentina. É bom time, não?

Com esse time-base, e se o Inter não perder ninguém (o que é sempre um risco), a equipe colorada vai muito forte para a Libertadores. Novos ares estão sendo respirados no Beira-Rio. O passado, ora, passou. É hora da torcida se mobilizar e corresponder às atitudes da direção, que tem feito o que tem de ser feito. Vamos, juntos, buscar o Tri da América.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Estreia e estreias

Foi boa a estreia da equipe colorada no ano de 2011. Contra um Juventude bastante enfraquecido em relação a outros tempos, mas embalado no Gauchão, o Inter conquistou uma vitória convincente. É início de trabalho, e há muito por melhorar. Cavenaghi ainda vai entrar, e pode ser já no fim de semana, contra o Veranópolis, fora de casa. E um primeiro volante de qualidade será contratado.

Apesar de certa instabilidade defensiva, do meio para a frente o Internacional funcionou bem. Zé Roberto estreou bem, bastante participativo, até se lesionar, ainda no primeiro tempo. Alex, que veio do Fluminense, quando entrou deu conta do recado, com muita personalidade. Foi com ele que D'alessandro tabelou no lance do terceiro gol. Ah, o D'ale é um capítulo à parte. Em seguida, falo mais sobre ele. E Damião foi o que tem que ser: um centroavante, que luta e procura a bola. Jogou-se em direção à redonda para abrir o placar no Gigante.

El Cabezón, por sua vez, jogou o fino da bola. Mostrou por que é o melhor jogador das Américas. Foi o grande maestro, e será um importante pilar de sustentação na Libertadores da América. Ontem, além de marcar o segundo gol, de pênalti, marcou um gol belíssimo, o terceiro e último do colorado. Deu o "La Boba", pela direita, tabelou com Alex e jogou a bola no canto oposto do goleiro, como se fosse com a mão. Muita categoria.

O ambiente colorado vai ficando mais otimista, e num momento importante. Aos poucos, a ferimento grave chamado Mazembe está cicatrizando. Havia um desânimo generalizado, desânimo este que também me atingiu. Confesso que estava bastante cético em termos de perspectivas para o 2011 do Inter. Mas, com os reforços, com algumas alterações inevitáveis que foram feitas, começo a acreditar um pouco mais. Dá, sim, para o colorado ser Tri da América em 2011.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Diálogo entre um gremista e um colorado

- E o meu Imortal conseguiu mais um feito ontem, Fernando!
- Ué, o que houve, Renato? Confesso que estou por fora. Vi o jogo do Corinthians. E me diverti pacas!
- Ah, verdade, o Corinthians... Foi divertido, sim. Mas, eu falava do Imortal. Batemos o Liverpool.
- O quê? Nem fiquei sabendo desse amistoso, Renato.
- Não, rapaz! Na Libertadores!
- Agora que não entendi nada...
- Ora bolas, na Libertadores, o Liverpool do Uruguai.
- Hum... Mas, vem cá, já começou a Libertadores?
- Na verdade, não era a fase de grupos, era a pré-Libertadores.
- Ah...
- Empatamos lá, e ontem ganhamos. De virada!
- Peraí, o Grêmio saiu perdendo para o Liverpool do Uruguai no Olímpico?
- Sim. Mas Imortal é Imortal. Viramos. Tinha que ver! Foi uma batalha. Os raçudos uruguaios estavam segurando o empate, quando um jogador deles foi expulso. Daí, a imortalidade falou mais alto.
- Ai, ai, ai, espera um pouco. Me explica melhor isso. O Grêmio só conseguiu vencer o Liverpool do Uruguai, no Olímpico, quando tinha um jogador a mais?
- Isso!
- E conseguiu uma vaga na fase de grupos da Libertadores, aquela vaga que o Inter tem desde agosto do ano passado, por ser o atual campeão da competição?
- É...
- Então, na boa, e com todo o respeito: tu tá comemorando o quê?
- Estou comemorando mais uma batalha inesquecível. Foi quase como aquela contra o Náutico! E não fica te achando, Fernando. Vocês perderam pro Mazembe.
- Renato, me diz uma coisa: o que o Liverpool do Uruguai ganhou na vida?
- Ah, parece que já ganhou a segunda divisão uruguaia.
- Humm... Disso vocês entendem, né? Buenas, o Mazembe não estava na pré-Libertadores. Estava no Mundial. Sabe por quê? Por que era o campeão do seu continente, a África.
- Grande coisa!
- E, não fala muito, que o Grêmio já perdeu Mundial, ou aquilo que vocês chamavam de Mundial.
- Fernando, tu não vai querer comparar o Ajax de Van der Sar, Kluivert, De Boer, com o Mazembe do Kidiaba e do Kabangu, né? Nós perdemos para um grande europeu, não para um timeco africano. Sem contar que lá era a final...
- Tem razão, Renato. Não tem como comparar, mesmo. Naquela época times africanos não jogavam o "Mundial". Não faziam parte do "Mundo", assim como os da Ásia, da Oceania, das Américas Central e do Norte. Seria bom se esse último Mundial tivesse a antiga fórmula. Daí eu também poderia dizer, caso perdesse, que só perdi para um grande europeu... Mas, com essas regras chatas de fazer um Mundial mundial, acabou acontecendo aquilo...
- Ah, quer saber, Fernando? Não dá mais pra debater contigo. Enquanto tô aqui te provando que a imortalidade tricolor existe, tu não vem com nenhum argumento minimamente racional! Te larguei. Tchau.
- Ô Renato, volta aqui! Não era pra levar a mal...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um novo lugar

O passado está perdido no fundo do oceano.
O tempo cura todos os males.
E todo o esforço realizado em vão fica como lição.
Deixo o inferno ardendo, fecho a porta e vou seguindo.

Há um horizonte muito mais bonito me aguardando.
Uma alma grandiosa apequena as almas medíocres.
Agora há motivação verdadeira.
Darei o meu melhor a cada segundo.

Cicatrizes não doem, mas sempre me lembram dos espinhos nos quais não quero mais pisar.
Elas me fazem agradecer por encontrar os meus motivos.
Os olhos dela me compreendem, e não me cobram pelos meus erros humanos.
Ela não precisa fingir nada: tenta, e consegue, me convencer de que tudo vale a pena.

Remotos dias de espera.
Agora tudo faz sentido.
Foi melhor assim, eu não teria estômago.
Achei um lugar muito melhor, onde posso respirar fundo e viver em paz.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Cachorro quente

Programas em família sempre guardam suas peculiaridades. Neles, geralmente alguém tem uma ideia brilhante. E geralmente a ideia brilhante não é tão brilhante assim. Talvez seja este o diferencial que faça de uma família uma família. É a capacidade de se fazer "indiadas" e disto tirar até certa diversão.

Dia desses, estávamos no centro de Capão da Canoa, eu, minha mãe, minha madrinha, meu tio, meu primo e a namorada dele, fazendo uma dessas andanças básicas de um sábado à noite na praia. E minha mãe tinha uma ideia fixa na cabeça: comer o cachorro quente do Rosário, no caso, a filial de Capão da Canoa. E lá fomos nós. Quando chegamos, havia uma fila imensa. Era merda anunciada. De cara, resmunguei: "Tem que ser muito bom esses cachorro. Muito bom mesmo." O cara que estava imediatamente na minha frente na fila me olhava com uma cara de quem me achava chato e ranzinza. Mas, como era de se esperar, eu tinha razão.

A fila não só era grande como não andava. A minha irritação só fazia aumentar. Era algo quase kafkiano. Depois de mais ou menos uma hora ali, de pé, fui atendido. Finalmente, poderia comer aquele cachorro quente, depois de muito sangue, suor e lágrimas.

Era para ser minha redenção. Eu e o hot dog. O hot dog e eu. Me lambuzei todo. Cachorros quente são constrangedores. Não foram feitos para serem comidos em público. Parece que todos nos olham. E aí, nos lambuzamos mais. Deveriam servir, junto com o cachorro, uma máscara com um buraco na boca. Seria menos desconfortável.

No fim das contas, o famoso cachorro quente do Rosário, que já não é mais necessariamente do Rosário, nem era lá essas coisas. Era bonzinho. Não mais do que isso. Se sustenta muito mais pela grife do que pelo sabor.

Dos cachorros quentes famosos destas plagas, é o pior. O do Kurtz, por exemplo, é bem mais interessante. E com o do Bigode, é até covardia comparar: o cachorro do Bigode está anos-luz à frente. E há ainda o cachorro quente da padaria de perto da minha casa. É, também, melhor que o cachorro do Rosário.

De qualquer maneira, nunca esquecerei daquele dia: o dia em que fiquei quase uma hora numa fila para comer um cachorro quente. Um cachorro quente não mais do que comum. Pelo menos, rendeu essa historinha. E fica a lição: sempre que você for fazer um programa em família, leve junto um representante da FUNAI. A probabilidade de ser um programa de índio é altíssima.