domingo, 30 de janeiro de 2011

Carências coloradas

Sexta-feira chegou Cavenaghi. Bela contratação do Inter. Se jogar o que jogava no River. Ou no Bordeaux. Aos poucos, o Inter vai se remontando, e suprindo carências claras. A de centroavante, até segunda ordem, está resolvida.

O volante está por vir. Era para ser Bolatti. Mas, dizem na Itália que ele não quer jogar no Inter. Sou bem objetivo nesse sentido: não quer jogar no Inter, não joga. Haverá quem queira. De qualquer maneira, o colorado busca, sim ou sim, um primeiro volante.

A terceira carência, bem grave, é a de goleiro. Lauro está voltando à titularidade. Não é um grande goleiro. Mas é, ou está, mais goleiro do que Renan. E não é nem que Renan estivesse irregular na temporada passada. Renan foi regularíssimo. Jogou mal praticamente todos os jogos.

Eu, particularmente, apostaria em Agenor. É bom goleiro, promissor, teve passagem marcante pelo Criciúma, onde virou ídolo. É incompreensível como Agenor não tenha chances como titular do Inter B, que perdeu o Gre-Nal gelado de Rivera. Joga muito mais que Muriel, que é muito abaixo do que aquilo que o Inter necessita e exige, em padrões mínimos.

Fato é que a diretoria está se mexendo em relação ao volante, e já trouxe um centroavante de primeira linha. No gol, até por falta de opções no mercado, o Inter está requentando Lauro. De um jeito ou de outro, as coisas estão mudando nos pontos mais fracos do colorado do segundo semestre de 2010, seja com reforços, seja com soluções caseiras. O que não podia era continuar do jeito que estava nessas posições. E, ainda bem, não continuará.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Trotes violentos: uma estupidez

Eu já havia escrito aqui no DC, há cerca de dois anos, sobre os trotes violentos e humilhantes realizados com calouros de universidades do Brasil (http://dilemascotidianos.blogspot.com/2009/02/trotes.html). De lá para cá, minha opinião não mudou.

Agora, leio no G1 que na UnB é adotada, na faculdade de Agronomia, a prática de um trote absolutamente grotesco e humilhante (http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2011/01/secretaria-do-governo-investiga-trote-de-calouros-na-unb.html). Nele, as calouras são colocadas a chupar linguiças com leite condensado, um verdadeiro abuso. E não me venham com pseudo-argumentos de que ninguém é obrigado a fazê-lo. Há, sim, uma forte coerção por parte dos "veteranos". Qualquer um que acompanhe este festival de imbecilidades de muitos dos trotes realizados país afora sabe do que estou falando.

Sempre haverá, também, o cínico argumento de que "é uma tradição". Com todo o respeito, mas, que vá para o inferno a tradição. Se é uma tradição grosseira, que fere a auto-estima das pessoas, e agride os direitos humanos, não há relativização possível: deve ser limada. Providências nesse sentido devem ser tomadas, urgentemente.

Muito me espanta o âmbito universitário, que se auto-postula uma espécie de vanguarda da sociedade, conviver com essas verdadeiras barbaridades, agressões físicas, morais e psicológicas. Os propagadores de tais atitudes, ainda por cima, acham-nas lindas, maravilhosas, consideram-se os bambambans, quando na verdade não passam de uns debilóides entediados com sua vidinha burguesa. Isso que nem estou falando de casos em que estes arremedos de seres humanos se aproveitam das brincadeiras para brincar um pouco mais, com locais estratégicos dos corpos das alunas, como já relatado em outros casos.

Eu não acho isso certo, e não consigo considerar aceitável esse tipo de coisa. E acho bom que seja assim mesmo. No dia em que eu passar a achar normal e aceitável esse tipo de ato covarde, pequeno e nojento, sinceramente, largo a humanidade de mão, e desisto de acreditar em vida civilizada.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Ar puro

Naquela noite tudo estava perfeito.
Fazia tempo que não estava tão vivo.
Voltei sorrindo, e todos me olhavam.
Mas isso não importa, e não há o que esconder.

Vejo tudo tão mais claro!
Me sinto um cara de sorte.
Vou me desafiando sem saber onde vou chegar.
Tudo vale a pena quando a vejo.

Uma doce presença, uma nova motivação.
Rezo para não decepcioná-la.
Chegou a hora de dar o meu melhor.
Ela ocupou meus pensamentos o dia inteiro.

Sem perceber, estou em um campo florido.
Nem preciso mais olhar para trás.
Dou uma deliciosa gargalhada para que todos ouçam.
Respiro ar puro, finalmente.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Devaneio

Estou me sentindo bem. Estou me sentindo feliz. É algo maravilhoso. Mas, ao mesmo tempo, é complexo. Porque a felicidade é uma coisa complexa.

Estou feliz no ponto máximo que posso estar hoje, neste exato momento. Mas não alcancei o máximo de felicidade. Nem sei se existe esse máximo. Felicidade, a rigor, não possui limites. Porém, afirmo, sem medo de errar: estou feliz pra caramba. Pode não ser o ápice. Contudo, já é espetacular.

É felicidade de verdade. Não é felicidade com asterisco. Felicidade com asterisco não é felicidade. É algo que aprendi. Qualquer coisa com asterisco não é suficientemente bom (ou ruim) para ser efetivamente aquilo que o termo sugere. Tanto que tem o asterisco.

A felicidade de hoje é felicidade sem asterisco. Há, realmente, pessoas & pessoas. Algumas, nem com o sexo mais selvagem se tornam atraentes, pelo menos dentro de determinado grau de exigência. Há outras, entretanto, que apenas com um sorriso, um olhar, fazem tudo ter um sentido. Fazem tudo valer a pena.

Pode ser um sonho, o mais doce dos sonhos. Se for, como diria outrora, em outras circunstâncias, Luís Fernando Veríssimo, não me acorde. Porque é lindo demais. Estou bobo. Não sei o que vai acontecer, desconheço a proporcionalidade daquilo que é ensejado ao meu coração sempre esperançoso. Mas sei que o que sinto agora, é real. Sinto que posso sorrir sem medo.

E sorrir é bom. Tenho gosto em sorrir. No fim, há de dar certo. Podem ser mil tentativas. Podem ser novecentos e noventa e nove fracassos, novecentas e noventa e nove tristezas as mais agudas. Mas uma vez, pelo menos uma vez, vai acontecer, de verdade, mesmo que esta seja a milésima. E essa vez, tão única, vai dar um sentido a tudo que veio antes. Essa vez redimirá tudo. Reduzirá as outras novecentas e noventa e nove a pó. Explicará tudo pela sua própria existência.

Amar ainda vale a pena. Por mais errante que seja o caminho, uma hora chegamos. Não sei ao certo se cheguei. Mas algo me diz que, se não cheguei, estou muito perto disso. O horizonte já não é desértico. Pode ser miragem, sim, reconheço. Mas pode não ser. Se não for, serei o mais feliz dos homens. Aí, minha vida terá valido algo. Terá valido muito. Terá valido aquele sorriso. E aquele sorriso, ah, caro leitor, aquele sorriso derruba todos os fantasmas, remove todas as montanhas, e me faz repousar em paz, com a alma realizada. Aquele sorriso é o mais precioso dos tesouros.

Do outro lado da rua

Passo em frente àquela rua.
Nunca tinha atravessado.
Será que agora já posso?
Olho para todos os lados, mas não quero perder tempo.

Quando observo, penso nos momentos mais mágicos.
Há uma atmosfera diferente, e lá eu posso ser feliz.
Muitos carros passam, e o temor de ser atropelado é grande...
Mas continuo com a maior vontade de atravessar.

De riscos se vive a vida, e, ainda que com cautela, chegou a hora de atravessar.
É a velha mania de querer sorrir.
Vida nova ou vida velha, sempre vida.
Quando não houver mais nada que me motive, quando não houver mais nenhuma esperança, só aí pensarei em desistir.

Meus olhos brilham quando vejo o lado de lá.
É meu paraíso, é onde posso me encontrar.
A beleza mais simples é a que mais me fascina, pois é mais espontânea.
Ela me espera lá, com aquele sorriso que me hipnotiza.

Para tudo existe um tempo.
Espero que o meu tenha finalmente chegado.
Quero explodir de alegria.
Quero um lugar que me abrace com sinceridade.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Manchas removidas

Acordo pronto pra viver.
Um novo recomeço me faz olhar para o céu.
E com isso, tudo vai embora.
Mais uma chance de fazer o mundo sorrir.

Quando me olham, eu penso no dia em que eu irei ganhar.
Algo novo, um consolo depois das dores.
E agora estou bem mais feliz.
Tudo fica claro e prazeroso.

Nem esperava mais por ninguém.
No apagar das luzes sou chamado.
Ainda havia algo por fazer.
As manchas foram removidas.

Mesmo que me digam que não posso mais sonhar, insisto.
Quando deixei de acreditar, o contrário surgiu para fazer minha vida valer algo.
Sim, ela vale muito, e agora quero vê-la sorrir de uma vez.
Ninguém está angustiado, e com o vento no rosto, olhamos para um horizonte promissor.

Meio ou fim, não há como saber.
Dou o meu melhor, e estou mais firme do que nunca.
Corpo e alma revigorados, novas expectativas e personagens.
Chegou a vez de dar certo.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Uma noite de Janeiro

O calor derrete o corpo e o cérebro. Do ventilador, o vento quente parece debochar da minha cara, colocar em prática uma espécie de sessão de tortura. A nudez completa nada ameniza. É desesperador. Se pudesse, mergulharia numa bacia gigante de gelo. Não há ânimo nem disposição para absolutamente nada.

Minha mente é um deserto. Minhas pernas, meus braços, minhas costas, meu peito, tudo arde como a areia mais quente do Saara. O tic-tac do relógio me avisa que preciso dormir. Ou, ao menos acordado, produzir algo, fazer o tempo ter algum valor e não se esvair como o sangue de um suicida que acabara de cortar os pulsos mergulhado numa banheira. Não consigo nem uma coisa, nem outra. As pálpebras relutam em baixar. O corpo reluta em levantar da cama.

Travo uma batalha entre diferentes partes de mim. Mas não há acordo, não há consenso. E fico ali, parado, numa estrada entre San Juan e Mendoza. Nem carona posso pegar.

Copos d'água. Copos de refrigerante. Copos de suco. Até copos de leite. De maneira predatória, acabo com todos os líquidos gelados da casa. Me resta a água quente da torneira. Nem um banho frio é suficientemente frio.

A boca seca, o insuportável calor do meu próprio corpo, a configuração de um limite físico que quase me leva ao desespero. Abraço a parede, tento encostar cada pedaço de mim nela. Mas rapidamente ela se contamina com minha quentura. Talvez eu mastigue pedras de gelo. Talvez eu remova minha pele e me jogue de novo debaixo do chuveiro, deixando a água tocar meu sangue, minha carne, fazer a fumaça subir, me cozinhar de vez. Mais uma noite de torturante calor em Porto Alegre.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Despeito (?)

Por que se sente assim, tão pequeno?
Palavras vazias e propaganda enganosa nada resolverão.
Construa seu caminho, se preocupe menos comigo.
Ou há algum fetiche escondido nisso tudo?

Pague o preço, e siga sem olhar para os lados.
Você terá muito mais paz.
Jogue o seu joguinho, enquanto sigo minha vida.
Evite se comparar, não quero que se constranja à toa.

E todos vão lutando na lama.
Mas eu não quero me sujar!
Percebe que não me importo nem um pouco?
Baixe sua cabeça e desista das picuinhas.

Ninguém poderá salvá-lo quando estiver caído.
Então não deixe mais o tempo passar.
Sua alma pode ficar mais leve.
Abandone todo esse despeito e inveja.

Agora todos dançam na lama em que outrora lutavam.
Ridicularizam seus feitos, e dão gargalhadas.
Se importou demais comigo, e esqueceu de si mesmo.
O que me resta, se não lamentar, enquanto se debate aí?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ressurreição

Estou vendo tudo bem melhor.
Sinto-me vivo novamente, como há muito não me sentia.
Ressurreição improvável, e uma nova motivação.
Posso me levantar, forte e decidido.

Ela é diferente, ela me faz bem.
Ela tem o sorriso mais lindo da face da terra, que de tão poderoso, me faz sorrir também.
Sol, apareça para reverenciá-la.
Ela é doce, ela me deixa bobo.

Provo um pouco da mais pura felicidade.
É tão simples sentir isso quando a vejo!
Consigo respirar, finalmente consigo respirar um pouco.
Com ela vejo que eu tenho salvação, e com ela a vida fica mais leve.

Passei a noite acordado, passei a noite pensando nela.
Danço comigo mesmo, e guardo aqueles olhos vivos como o bem mais precioso.
Minhas lágrimas regaram a mais linda flor no meio do deserto.
Abro os braços, deixo o vento bater em meu rosto: estou vivo!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Vá e vença

Enterre o passado.
Deixe as dores numa gaveta.
Apenas olhe para o horizonte.
Vá e vença.

Deixe os cadáveres pelo caminho, não há como ressuscitá-los.
Busque o que quer, com toda a força do seu coração.
Você merece, amigo, e estaremos aqui.
Respire fundo, caminhe para a frente.

Cada recomeço construiu o que você é hoje.
Orgulhe-se, cabeça em pé!
Ainda há algo por buscar.
Você ainda tem direito a sorrir.

Não é culpa sua se as pessoas estão cegas.
Ainda há quem enxergue.
Ainda há motivos para lutar.
Faça do hoje o melhor dia de sua vida.

Tenha a certeza de que as noites escuras tiveram um porquê.
Valorize o sol que agora pode brilhar.
Descubra a si mesmo mais uma vez.
Abrace o mundo, e se dê o direito de ser feliz.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Mediocridade

Poderei explodir tudo.
Vejo miolos indo pelo ar.
Vá sendo sugado, vá desistindo.
Não há paz, nunca haverá.

A mediocridade contamina a todos.
Pobreza de espírito, e a velha vontade de vomitar.
Ainda posso suportar se encher a cara.
É assim que querem fazer.

Mas não me deixe ressecar aqui.
Ainda tenho muito por fazer.
Segundas e terceiras intenções, ninguém dança.
Isso é muito ruim, e todos estão incomodados.

Agora vá mostrando o quanto é ridículo.
Sim, você sabe sê-lo.
Aponte o dedo para a minha cara.
Apenas você está satisfeito.

Não importa o esgotamento.
Essa tortura lhe dá prazer.
Lentamente vou desaparecendo.
Poderia estar em um lugar melhor.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Destinos

Atravesse a rua antes que o mundo te engula.
Passe pelo carros, e saiba que eles não param por você.
A pressa dos seus passos não foi você que decidiu.
Então corra mais, se sacrifique mais, e siga o destino que escolheram enquanto estava no útero de sua mãe.

A vida é assim, estamos aqui, tão iguais.
Tente refletir, e se conseguir, voltar atrás.
Não posso mais ficar esperando o mundo explodir.
Sempre foi assim.

Ao seu redor você já não encontra mais os sorrisos antigos.
Tempo que passa, tempo que nos mata vivos.
Percebe que está morto, e não pode fazer nada pra mudar isso?
Ossos e caveiras no chão, apenas siga as pistas, e fareje o seu ponto final.

Manchas em seu rosto, cada perda registrada.
Você tenta fazer tudo certo, você tenta uma nova vida.
Mas sempre acaba aí, comendo terra.
Talvez você só exista para isso.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Tormenta

Está de frente para seus velhos erros.
Um pouco mais do seu sangue, um pouco mais da sua alma.
Beije o chão enquanto o mundo desmorona em sua cabeça.
Todos sabiam que seria assim.

Neva no inferno, e a besta está faminta.
Já não pode se proteger, mas vai fingindo que nada aconteceu.
Vá aproveitando enquanto ninguém pode te tocar.
E deixe os mendigos morrerem na porta de sua casa.

O céu aberto resolve se fechar.
Já não existe alguém pra te ajudar.
Já não pode voltar atrás e mudar o que fez.
É nesse momento que estará do lado de fora de sua vida.

Na companhia dos morcegos estará só, vagando na escuridão.
E todas as chances agora viram lágrimas.
Saberá lidar com essa frustração?
Ou fugirá novamente, como sempre?

No meio da multidão blasé, estará se auto-destruindo.
Agora pode experimentar o que foram aqueles dias?
Agora consegue enxergar a destruição ao seu redor?
Sua existência se resume a ruínas em chamas.

E tudo tem um preço, pegue sua carteira.
Todos estão cegos e surdos.
Não há mais vagas.
Entregue-se ao desespero e saia correndo para lugar nenhum.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Hienas e cornetas


"A hiena (Crocuta Crocuta) é um animal mamífero, carnívoro, da família Hyaenidae. Adulta, uma hiena mede 1,5 m de comprimento, com 80 cm de altura e 70 kg de peso. Seu modo de andar é esquisito, manquejante, pois suas patas traseiras são mais curtas que as patas dianteiras. Sua pelagem tem cor castanha escura. Não é um animal dos mais rápidos, em corrida não consegue ultrapassar os 60 km/h. É capaz de emitir um grito áspero, parecido com uma gargalhada, que os antigos acreditavam ser de um homem mau, que colocava armadilhas para capturar os viajantes. Seus hábitos são noturnos, embora possa desenvolver atividades durante o dia.

Habita o oeste da Ásia e principalmente as savanas da África. Excelente caçadora, com uma mordida poderosa, a hiena se alimenta de búfalos, zebras, gnus e até de filhotes de girafa, entre outros. Atacam geralmente em grupo, com mais eficiência que alguns felinos.

Porém, a hiena é mais conhecida por ser necrófaga, ou seja, por se alimentar das carcaças e dos ossos de animais, restos de outros predadores.

Esse animal desempenha um papel importante, necessário na cadeia alimentar, pois ao se alimentar dos restos de outros predadores, evita que esse material contamine as águas e que cause o aparecimento de doenças em outros animais ou em habitantes da região.

Ao contrário dos demais predadores, a hiena não tem o hábito de cuidar de sua pelagem, o que a deixa com o mau cheiro do sangue, das entranhas, ou mesmo da carniça de suas presas.

Em alguns países existiram tentativas de domesticar a hiena, sem resultados positivos. Enfim, é um animal selvagem.

As hienas vivem em grandes grupos de 40 a 100 animais. Diferente de outros mamíferos que vivem em grupo, a sociedade das hienas é matriarcal, ou seja, é dominada pelas fêmeas, que costumam ser mais agressivas que os machos.

A gestação das hienas dura entre 98 e 110 dias, sendo que geralmente nascem dois filhotes por cria, embora não seja raro o nascimento de 3 ou 4 filhotes.

Os filhotes nascem com os olhos abertos e com a dentição completa. Desde o nascimento são muito agressivos, sendo comum que os filhotes matem uns aos outros.

Em algumas regiões da África, as hienas são caçadas sem misericórdia. A expectativa de vida das hienas em seu habitat natural é de até 20 anos" (Grifo meu).

.......................................................................................

Agora, mudando de assunto, leiam essa notícia interessante do site Vírgula (http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/esporte/2011/01/13/267055-gremistas-lancam-cervejas-para-ironizar-fracasso-colorado):


"Gremistas lançam cervejas para ironizar fracasso colorado

Nos últimos dias a novela Ronaldinho Gaúcho tomou conta da imprensa brasileira e da opinião pública, mas não dos gremistas. Os tricolores não esquecem o fracasso do Internacional em Abu Dhabi, no fim do ano passado.

Para celebrar a eliminação precoce do Internacional, os gremistas resolveram lançar três cervejas. Elas se chamam Mazembier, Kidiaba e 1983.

As duas primeiras fazem alusão ao clube africano que derrotou o Inter ainda nas semis do Mundial Interclubes. Já a última é uma saudação ao ano em que o Grêmio foi campeão mundial."

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Roleta

Uma das coisas que mais me irritam num ônibus são aquelas pessoas desprevenidas, que, não sei por que cargas d'água, deixam para achar o dinheiro na última hora. Muitas vezes, só de olhar já fico incomodadíssimo. E, sinceramente, não consigo entender.

Ontem, por exemplo, um imbecil subiu no ônibus em que eu estava, chegou à roleta, e abriu a mochila. Procurou, procurou, procurou... Ficou umas duas horas procurando a porcaria do dinheiro dele, enquanto os trouxas, logo atrás, tinham que esperar o retardado. Depois de muito sangue, suor e lágrimas, o idiota achou uma nota... De vinte reais.

Meu Deus do céu! Quando uma pessoa vai andar de ônibus, ela sabe que vai ter que passar pela roleta, certo? E, presumo que esta pessoa saiba que, para passar pela porra da roleta, ela vai ter que pagar, ok? Então por quê, Deus todo-misericordioso, o animal já não deixa o tal dinheiro separado num bolso para pagar a merda do ônibus? Por quê? Por quê? Por quê?

Não é que eu seja impaciente. O problema é que me incomodo com a estupidez humana. Principalmente quando ela afeta os outros. Todo mundo que teve o azar de subir no ônibus depois daquela anta teve de esperar o imbecil achar o dinheiro. O cara ser burro e incompetente, até vai. Mas que pelo menos tenha o bom senso de parar de trancar a roleta e deixar o pessoal passar! Poxa vida!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Abstinência

Bobagem à vista.
Controle-se, e mantenha a dignidade.
Não se entregue tão fácil.
Ainda há muito por fazer.

Lave sua alma com a chuva.
Faça algo que valha a pena.
Deite-se e durma mais um pouco.
Mas não se entregue tão fácil.

Ainda acredita em finais felizes?
Deixe o tempo lhe curar.
Vença um dia de cada vez.
Será que ainda tem volta?

Confraternize consigo mesmo.
Sinta cada vez mais perto sua nova morte.
Amarre-se à cama, mas não faça o que pensa.
Está pronto para se arrepender novamente?

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Buquê

Marcelo acordou determinado a fazer daquele dia um dia especial. Caprichou na feitura da barba. Tomou seu banho, perfumou-se, ajeitou o cabelo com afinco. E saiu de casa.

Escolheu a dedo uma floricultura. Demorou uma hora para escolher o buquê ideal. Nem a vendedora aguentava mais, tamanho o capricho e perfeccionismo do rapaz.

Seus passos um tanto apressados e outro tanto nervosos não o levavam para a casa da mulher amada. Levavam-no para uma outra dimensão. Um universo paralelo. Resolveria toda a sua vida. Estava prestes a ser o homem mais feliz do mundo. Ou não.

Esses momentos cruciais geram uma tremenda ansiedade. Ela não tem uma tonalidade definida. Nessas horas não se sabe o que vai acontecer. Apenas se sabe que algo grande está para acontecer. Para o bem ou para o mal. Por isso, Marcelo tinha passado sem dormir a noite anterior inteirinha.

Mas, estava chegando o momento, o fechamento. Pensava no quão feliz poderia estar dali a alguns minutos. Faltava pouco, tão pouco que agora somente sua velocidade determinaria o quanto faltava. Não havia mais espera. Apenas seus passos.

O coração parecia saltar-lhe pela boca. Tentava disfarçar. Mas ocasiões como esta, de definições, de intensas grandiosidades emocionais, fazem o sujeito transparecer, sim ou sim, sua essência, sua humanidade, sua ansiedade, enfim. Quem consegue disfarçar tanto nessas horas, não disfarça. Simplesmente não sente. Ou não sente como e quanto deveria sentir.

Chegara à porta. A mão tremia um tanto, e tocava a campainha. Ela abriu. Com os olhos brilhando, ele deu oi, e, com a mão quase descontrolada de tamanho nervosismo, entregava-lhe o buquê com um cartão em que declarava seu amor.

Ela encarou-o firmemente, com os olhos também brilhando, tanto quanto os dele. Durou uns três segundos. Seculares três segundos. Os três segundos mais longos da vida de Marcelo. E dali, seguiu-se uma sonora gargalhada. A moça estrebuchava-se de tanto rir. O rapaz sorria, sem graça, sem sequer entender a situação. Em meio às risadas, ela apenas disse "Desculpa, Marcelo, mas você é muito engraçado!" Ele respondeu com um sorriso angustiado, sorriso triste, de dor. Sorriso de pesadelo.

Despediu-se dizendo que só queria entregar as flores, e não queria atrapalhá-la. E foi-se embora.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

281210

Sujeira que não acaba mais.
Tire os porcos daqui.
Vamos lavar esse chiqueiro.
Não, não vamos, não.

Um gostinho a mais, e estão todos nos mesmos lugares.
Sua diversão acabou, ainda bem.
Verifique suas calças.
O medo ainda escorre.

E hoje vejo que nada poderia ser melhor.
Já chegou ao seu limite.
Dou-lhe as costas, agora é minha vez.
Meus olhos brilham de sórdido prazer.

As crianças brincam na escuridão.
Elas sangram lentamente, como em seu pior pesadelo.
De tão sóbrias, enlouqueceram.
De tão sombrias, renasceram.

Abandone os corpos na estrada.
É seu hobby predileto.
Dê mais dor de cabeça, infernize a vida do farrapo de gente.
Ele vai gostar, adora isso.

Não tenho esse temperamento, e estou aliviado por isso.
Linhas tortíssimas, mas haverá quem realmente mereça.
Ainda posso olhar para cima e para a frente.
E você, pode?


domingo, 9 de janeiro de 2011

A ingenuidade gremista

Ontem, através do seu presidente Paulo Odone, o Grêmio anunciou oficialmente a desistência em contratar Ronaldinho Gaúcho. O destino do jogador deve mesmo ser o Flamengo. O que chama a atenção, no entanto, é a ingenuidade demonstrada pela cúpula gremista durante a negociação, em momentos cruciais.

O primeiro erro crasso foi Paulo Odone, raposa velha, sair alardeando aos quatro ventos a negociação, e o acerto iminente com Ronaldinho. É primário no futebol: não se anuncia nada até que esteja tudo assinado, preto no branco. Quando pensamos na dimensão do negócio, e nos possíveis atravessamentos, ora, o erro torna-se ainda mais infantil. E se pensamos no que os irmãos Assis Moreira aprontaram há dez anos com o tricolor, nem se fala...

Juremir Machado, em seu blog, recentemente comparou o Grêmio a um marido traído que estava prestes a se reconciliar com a esposa gostosa (http://www.correiodopovo.com.br/Opiniao/?Blog=Juremir%20Machado%20da%20Silva&Post=242983). Acrescento: portou-se como marido traído e babão. Quando ela, a esposa gostosa, deu uma ligadinha, ele foi pro boteco falar pra todos os "parcerias" da áera. E os gaviões, digo, urubus, se alertaram. Um deles, o bonitão mais popular do bairro, ligou pra ela e disse: "princesa, esquece esse cara. Vou te dar do bom e do melhor." E ela foi, não sem antes ficar fazendo o bom e velho fiofó doce, para todos os lados. Muitas delas são assim mesmo. Gostam de valorizar o passe. Mesmo que já não estejam mais lá essas coisas.

A lição que fica é exatamente a mais óbvia: esse tipo de negócio se faz na surdina. E, quando publicizado, se nega até a morte, ou até que os papéis estejam devidamente assinados, carimbados e autenticados. O Grêmio, na ânsia de aparecer, e de fazer inveja aos outros homens do bairro, falou demais. E agora todos riem dele, que está enchendo a cara num canto do boteco.

Além disso, o Grêmio confiou demais em quem não podia e nem devia confiar. Ele foi corneado constrangedoramente pela esposa gostosa, outrora. E, na primeira piscadinha de olhos dela, voltou cegamente à relação, acreditando em todas as juras de amor. Deu no que deu.

Ih, olha ela lá aos amassos com o cara na esquina! E o Grêmio, ficou só na punheta...

sábado, 8 de janeiro de 2011

Anjos

Anjos são quase auto-explicativos. Surgem do nada, quando tudo está obscuro e nublado. Dão luz e graça a tudo. Nos permitem sonhar um pouco. E que assim seja. Que assim, sonhemos um pouco em meio à mais crua e cruel realidade.

Pode não ser nada além de miragem. Isso não importa. Há momentos na vida em que isso realmente não importa. Importa o brilho de um sorriso, de algumas palavras. Importa sentir que estamos vivos, ainda, e apesar de tudo.

Anjos não precisam de pirotecnias. São de carne e osso. Nem se apercebem de que são anjos. Entre seu olhar puro e minha devassidão incontida, cria-se um campo magnético, algum ente cósmico que faz com que aquele compartilhamento simplório e despretensioso valha a pena, mais do que as mais espetaculares aventuras românticas.

Confio até os recôncavos de minha alma àquele anjo. Entrego-me, confiante, à leveza de suas asas, e com ele flutuo. Vejo que tudo o que passou, realmente passou. Um dia qualquer, despertamos do pesadelo. E voltamos a sonhar.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Nojo

Nojo.
Nojo do mundo.
Nojo das mentiras.
Nojo, nojo, nojo.

Nojo.
Nojo dos dias que se passaram.
Nojo dessa inércia ridícula.
Simplesmente nojo.

Nojo.
Nojo da hipocrisia.
Nojo das pessoas que se fingem felizes.
Nojo, nojo, nojo.

Nojo.
Nojo das repetições.
Nojo do comodismo.
Simplesmente nojo.

Nojo.
Nojo da indiferença.
Nojo daquelas fotos.
Nojo, nojo, nojo.

Nojo.
Nojo de tudo que aconteceu.
Nojo da sua cara.
Simplesmente nojo.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Levante!

Observe o que ela fez com você até agora.
Vai continuar aí nocauteado?
Ela te sangrou até te esvaziar.
Ainda consegue caminhar em sua direção?

Vá digerindo a ideia, tudo foi em vão.
Ainda chove, e você ainda está insuportavelmente vivo.
Se algum dia as coisas derem certo, me chame para brindar.
Contamine sua existência com esse veneno.

Mas, e se o fracasso bater à sua porta, como vai fugir?
Ainda está incerto, ainda não se encontrou.
Então experimente reagir e virar a mesa.
Resolva construir seu próprio mundo.

Sei que às vezes é difícil, o desapego machuca.
Olhe para dentro de si e veja o tempo que perdeu.
Quanto de sua vida jogou no lixo para que ela esteja rindo da sua cara?
Resgate sua alma, faça um levante triunfal.

Abra os olhos, e veja as oportunidades que perdeu.
Muitas outras virão: agarre-as com toda a força do sentimento mais puro.
De joelhos ficou menor, mas de pé percebe que é muito maior.
Você ainda sabe sorrir.

Vá, amigo, caminhe firme e sem olhar para trás.
E se ela chamá-lo, não pare, nem volte.
Faça com que ela corra e chegue até você.
Só assim isso poderá vingar.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Lei

Tudo igual, sempre igual.
Ainda espera alguma coisa?
Lições intermináveis, lições sempre iguais.
O mundo é isso mesmo.

Em meio à imundice, procura algo.
É uma flor, ou uma esperança.
Ele pensa que vai chegar a sua hora.
Leveza para a alma, e um dia ensolarado.

Então, encontra-se consigo mesmo.
As pétalas voam pra longe.
E não pode buscá-las mais.
Agarrra-se à imaginação.

Um pouco mais de álcool, um pouco menos de expectativas.
Não leva jeito para o que esperam.
Não sabe ser o que querem.
E tudo vira um filme monótono.

E ela parte, então, como sempre.
E ela parte, então, como todas.
Isso já foi sentido antes.
Ainda tenta se proteger em vão.

Mais um reza, providências indispensáveis.
Agradece muito, mas podia ter mais.
Não basta não chorar.
Sorrir também é fundamental.

Mas não se ilude mais.
Tudo será como sempre.
E ela partirá como todas.
É essa a regra.
É essa a lei.

As 10 melhores músicas de Avenged Sevenfold

Nos últimos tempos, tenho ouvido muito Avenged Sevenfold. Não conhecia o trabalho dos caras, e, através da música Nightmare, tomei contato e passei a buscar mais e mais coisas deles. É rock de primeira qualidade, e confesso que estou bem viciado. A banda já está entre as minhas favoritas. Decidi listar, então, as dez melhores músicas da banda, na minha opinião. Se algum leitor não conhece, vale a pena. Ainda há vida no rock!

Décima posição- Tension: Dias normais são tensos e angustiantes. É disso que a décima melhor música do Avenged Sevenfold trata (http://www.youtube.com/watch?v=g9hjfFOob3E).

Nona posição- Save me: A nona posição do ranking fica com uma bela e longa canção do álbum mais recente da banda (http://www.youtube.com/watch?v=dchOBArzefw).

Oitava posição- Nightmare: A música que fez eu me interessar pela banda. Em alguns momentos, lembra demais Metallica (http://www.youtube.com/watch?v=94bGzWyHbu0).

Sétima posição- Danger line: Mais uma música do último e excelente álbum, "Nightmare" (http://www.youtube.com/watch?v=OPMdNlpeJng).

Sexta posição- Afterlife: A sexta melhor música do Avenged vem do álbum que leva o nome da banda, de 2007 (http://www.youtube.com/watch?v=HIRNdveLnJI).

Quinta posição- A little piece of heaven: A quinta colocação também pertence ao álbum de 2007, e fica com a extremamente bem concebida "A little piece of heaven". Teatral e marcante, é uma canção que prova que realmente Avenged Sevenfold é uma banda diferenciada (http://www.youtube.com/watch?v=VurhzANQ_B0).

Quarta posição- Victim: Outra baita música. Diretamente de "Nightmare" para a nossa quarta posição (http://www.youtube.com/watch?v=-UvyvpmMDHg).

Terceira posição- Buried alive: "Nightmare" realmente domina o ranking, colocando o maior número de músicas (esta é a quinta e última). A medalha de bronze também pertence a este álbum (http://www.youtube.com/watch?v=6PRfDJQY_Y8).

Segunda posição- Seize the day: Belíssima música, com uma letra não menos marcante. Pertence ao álbum "City of evil" (http://www.youtube.com/watch?v=jUkoL9RE72o).

Primeira posição- Bat country: "City of evil" conseguiu levar as medalhas de prata e de ouro. Dobradinha sensacional. A grande campeã da nossa lista é a explosiva e contagiante "Bat country" (http://www.youtube.com/watch?v=IHS3qJdxefY).

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O menino que comia merda

Lá estava o garotinho de cinco anos de idade preso em sua jaula. Era a maior atração da cidadezinha, do curioso nome Boas Intenções. Virara até atração turística. Era o menino que comia merda. Desde o dia em que nasceu, fora ensinado a comer merda. Era exótico. Virou o lucro de seus pais. Quando notaram seu potencial, decidiram colocá-lo imediatamente numa jaula, com um monte de merda em uma tigela. No início, não cobravam nada para que as pessoas de fora o vissem. Mas aquele garoto passou a chamar mais e mais a atenção de todos. Formavam-se filas na porta da casa, cada vez maiores. A situação deveria ser melhor aproveitada.

Então, a coisa se profissoinalizou. Marido e esposa passaram a cobrar ingressos para que os curiosos vissem o menino comedor de merda. O sucesso só cresceu. E o negócio se refinou. Preços diferenciados passaram a ser cobrados. Tinha o pacote básico e o pacote luxo. No básico, os curiosos apenas olhavam o menininho comer merda. No luxo, tinham o direito de ir ao banheiro fazer cocô numa tigela especial, e levar para o menino. Era uma emoção só! O garotinho comendo a bosta advinda do próprio ânus do vivente era fantástico. Os pais levavam a meninada pra se divertir com o espetáculo todos os finais de semana. Tiravam fotos. Filmavam. O turismo foi fomentado na região, e até a Prefeitura de Boas Intenções passou a apoiar o evento, e adotou o slogan: Boas Intenções- Terra do Menino Comedor de Merda. Era incrível, realmente incrível.

Às vezes o menininho recusava-se a comer. Empanturrava-se de tanta bosta. Aí, nessas horas, os visitantes, sim e sim, sempre e sempre, começavam a vaiar e resmungar, ansiosos. Alguns pediam o dinheiro do ingresso de volta. O pai, então, adentrava a jaula com um chicote, e, na base do "schlept, schlept", fazia o menino comer mais um pouco. Não podia decepcionar aqueles que pagaram para ver o espetáculo. Sem profissionalismo e disciplina não se chega a lugar nenhum, sempre dizia o homem de meia idade.

O local, com o tempo, passou a oferecer até souvenirs, a módicos preços. Eram bonés e camisetas que traziam estampas do menino de boca lambuzada, bonequinhos que replicavam o garoto com a tigelinha cheia de merda... Tinha de tudo.

O moleque cresceu, perdeu o encanto, mas ainda comia merda. Programas de televisão vespertinos procuravam-no, em quadros do tipo "Por onde anda?" Virou mais uma sub-celebridade instantânea, dessas que se proliferam de forma cada vez mais intensiva e extensiva por aí. Mas agora era apenas um homem que come merda. Não era mais uma criancinha bonitinha. Estava gordo e barbudo. Tinha apenas cachês miseráveis de shows de bizarrices. O ser humano adora bizarrices. Deleita-se com elas.

O menino que comia merda nunca teve direito à vontade própria. Ninguém nunca perguntou a ele o que queria da vida, nem se gostava de fazer aquilo. Tudo que aprendera a fazer foi comer merda. E disso, deveria subsistir. Disso, subsistia. E disso subsistiria até o fim dos seus dias, que não demorou muito a chegar. Sua vida foi divertir os outros sem se divertir. Sua existência resumira-se a comer merda para que os outros rissem. Mas ninguém se importa com isso, né?

sábado, 1 de janeiro de 2011

Solução

O sangue escorre pelo chão.
Encontrou a sua verdade.
E ninguém pode impedi-lo de seguir em frente.
Mais uma tentativa, menos um motivo.

Esgota-se, você sabia que isso aconteceria.
O sol sorri por protocolo.
Agora já tem a lição na ponta da língua.
Não há como matar os seus fantasmas.

Sabe que tudo o que fez foi estúpido.
Orgulho no esgoto, e mais uma encenação.
Os anjos ao seu redor estão mudos e estáticos.
E Deus está muito ocupado hoje.

Conta consigo mesmo, e busca sua própria solução.
Quando está na escuridão do quarto, ninguém pode salvá-lo.
Respostas malditas, ser humano mal feito.
Não há reparos a fazer, apenas a espera pelo nada.

Quer um novo corpo, uma nova alma.
Observe as ruínas e o deserto.
Apenas o vento pode abraçá-lo agora.
E o chão é o colo no qual se deita.