segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A razão e o abismo

O sol neste passar de dias cozinha pensamentos outrora crus.
Lógica sem lógica, lógica sádica.
Movimentos antecipados, jogo de xadrez.
Acabaremos todos derrotados.

Guiados pela razão, rumamos ao abismo.
Estamos assassinando nossos sonhos.
Em meus ouvidos, sussurros de uma versão inconveniente dos fatos.
Fecho os olhos e me jogo, na esperança de estar vivo ao final da queda.

Não temos mais alma, que lugar é esse?
Haverá revelações ainda mais atordoantes?
O fim do mundo, o nosso fim, muito por ainda se dizer.
A cada noite, mastigamos a dor, mas não conseguimos engoli-la.

A caixa de ilusões nos diz o que fazer com seu manual do sucesso certeiro.
Mas quero mais do que isso.
Imagens, sons e palavras já não me bastam.
Meu espírito está faminto de verdadeiros motivos, que irradiem do coração e dêem sentido a esta asséptica existência.

E você, amigo, onde pretende chegar?
Correndo com o pé no freio.
Amando racionalmente.
Humilhando com humildade.

E você, amigo, onde pretende chegar?
Matando em nome das causas mais nobres.
Apodrecendo com o melhor perfume.
Morrendo com o terno mais bem alinhado.

Chegou a hora de romper esta lógica sem lógica, de pulverizar de vez esta lógica tão sádica. 
Sobrevivência não significa necessariamente vida. 
  

domingo, 25 de dezembro de 2011

Infame

Pedro e Sérgio, conversando na lancheria:

- Pedro, se você pudesse ser uma criatura mitológica, qual você seria?
- Ah, sei lá... Um gnomo, ou um duende, talvez... Acho divertido.
- Eu não. Gostaria de ser um elfo.
- Não conheço direito...
- São figuras conhecidas por serem bonitas, atraentes, férteis. Acho que eu ia fazer sucesso.
- Ah, sim, agora me lembrei! Elfo é legal, e realmente é bastante cativante. Tinha aquele, bem famoso, né?
- Hum... Qual?
- O Elfo Pressley.
- Er... Ah, tá...  

sábado, 24 de dezembro de 2011

Barcelona x Caxias

O jogo entre Barcelona e Santos foi pura perda de tempo. Um alarde sem precedentes para um jogo entre desiguais. Que Santos, que nada! Jogão para esse time do Barcelona seria contra o Caxias do ano 2000! Duelo de titãs em azul-grená! O esquadrão do Guardiola contra o esquadrão do Tite! Dois times mágicos! 

Valdes versus Gilmar.

Daniel Alves versus Jairo Santos.

Puyol versus Paulo Turra.

Xavi versus Ivair.

Iniesta versus Márcio Furada.

Villa versus Adão.

E, claro, o grande embate, duas lendas, dois craques de primeira grandeza em lados opostos: Messi versus Gil Baiano.

Esta partida, sim, o mundo inteiro contaria os dias, as horas, os minutos e os segundos para ver! Que jogo, amigo! Que jogo!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Box

Pedro e Sérgio, conversando na lancheria:

- Pedro, quando você vai entrar no banho, por qual lado você entra?
- Como assim, Sérgio?
- Quando você vai entrar no box: você entra pelo lado que tem o chuveiro, ou pelo outro?
- Ora... Pelo outro.
- Pelo outro?
- Sim. Pelo outro. É assim que é o certo.
- Mas... Eu entro pelo lado do chuveiro...
- Tá errado. É pelo outro.
- E aí você pisa no chão frio para alcançar o registro?
- Sim.
- Mas isso é ruim.
- É assim que funciona.
- Eu gosto de entrar no box com o chuveiro já ligado.
- Pois você está cometendo uma ilegalidade. A Convenção Internacional dos Tomadores de Banho estabeleceu esta regra em 1973.
- Poxa! É mesmo?
- Não, não... Isso eu inventei.      

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Anacronismo

- Filho, já está quase na hora! Desce!
- Já vou, pai! Estou atualizando meu Facebook e dando uma olhada nos e-mails!
- Vê se dá uma acelerada! Não quero que a gente se atrase!
- Já vou! Já vou!
- Vem logo! Quero ver o discurso do Getúlio desde o início, e tá quase na hora do bonde passar!
- Calma!
- Se a gente se atrasar pode ir dando adeus ao ingresso para o show do Restart, hein?
- Ah, paiê! Segura a onda!
- E também pode esquecer o Playstation 3!
- Tá bom! Tá bom! Já tô indo...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

As 10 melhores cenas da trilogia "O Poderoso Chefão"

"O Poderoso Chefão" é, sem sombra de dúvidas, a melhor trilogia de todos os tempos. Com um elenco fantástico, no qual se destacam Marlon Brando, Al Pacino e Robert de Niro, entre outros, os três filmes são verdadeiras obras de arte, dirigidas magistralmente por Francis Ford Coppola. Exatamente por isso, a saga conta com uma série de cenas inesquecíveis. Passo a listar abaixo, assim, as 10 melhores cenas da trilogia:

10ª posição: O ataque de helicóptero ordenado por Joey Zasa contra Michael Corleone, após discussão em um reunião, é uma das grandes cenas de "O Poderoso Chefão- Parte III" (http://www.youtube.com/watch?v=Td8eEM9KDig).

9ª posição: A nona melhor cena da trilogia também vem da terceira parte, e se passa numa reunião entre Michael Corleone, Vince, seu sobrinho, e Joey Zasa (http://www.youtube.com/watch?v=-hBNIIib5uw).

8ª posição: No primeiro filme, Santino Corleone dá uma surra em Carlo, que havia espancado sua irmã, Connie Corleone (http://www.youtube.com/watch?v=p5E6FCPyiPs&feature=fvst).

7ª posição: Na segunda parte da trilogia, o senador Geary tenta extorquir Michael, que responde seco: "Minha oferta é esta: nada" (http://www.youtube.com/watch?v=wPmTp9up26w).

6ª posição: O jovem Vito Corleone, brilhantemente incorporado por Robert de Niro, volta à Sicília para vingar a morte do pai, ocorrida quando ele ainda era pequeno (http://www.youtube.com/watch?v=gCdXiOssbM0&feature=relmfu).

5ª posição: Michael avisa o irmão Fredo que sabe de sua traição: "Eu sei que foi você, Fredo. Você partiu meu coração" (http://www.youtube.com/watch?v=FcFlp6kl508).

4ª posição: Don Vito Corleone dá uma bronca no afilhado Johnny Fontaine, que chora ao lhe pedir um favor (http://www.youtube.com/watch?v=eTq0JakJ3jA).

3ª posição: No segundo filme, Kay, esposa de Michael, confessa ter feito aborto intencional (http://www.youtube.com/watch?v=_g9RI0GgRIQ).

2ª posição: Cena clássica do primeiro filme da trilogia. Se você acordar com uma cabeça de cavalo na cama, é melhor tomar cuidado... (http://www.youtube.com/watch?v=avER-t6GL4U).

1ª posição: A morte de Mary Corleone, filha de Michael, seguida das memórias e da morte do mesmo, já velho, forma um desfecho belíssimo para a trilogia (http://www.youtube.com/watch?v=oA78zejFZK8).     

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

DC Gourmet: bife ao molho de leite condensado

Ingredientes:
- 1 bife bovino;
- Azeite;
- 1 lata de leite condensado;
- 1 cebola picada;
- 1 tomate picado;
- Sal a gosto.

Modo de preparo:
Bife:
- Deixe o azeite aquecer numa frigideira. 
- Assim que estiver no ponto de fritura, acrescente o bife. 
- Coloque um pouco da cebola sobre o bife, e deixe dourar.
- Acrescente sal a gosto. 
- Assim que o bife ficar pronto, coloque-o num recipiente à parte.

Molho:
- O primeiro e fundamental passo é abrir a lata de leite condensado. Para isso, use um abridor de latas.
- Despeje o leite condensado numa panela, em fogo brando.
- Coloque a cebola e tomate, de uma só vez.
- Mexa durante aproximadamente 5 minutos.    
- Adicione sal a gosto.
- Em seguida, despeje o molho sobre o bife, e pronto! Eis o nosso bife ao molho de leite condensado!

Observações:
- O bife ao molho de leite condensado é uma ótima pedida para a ceia de natal. Basta multiplicar os ingredientes pelo número de pessoas que irão degustá-lo.
- Não sei o gosto com o qual essa merda vai ficar. Mas pelo menos você poderá se gabar de fazer um prato do qual ninguém ouviu falar. Exatamente por isso, os convidados acharão que se trata de algo extremamente sofisticado, e, para não parecerem ignorantes, derramar-se-ão em elogios às suas habilidades culinárias.

Bom apetite!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Balinhas

- Olá... Me veja aí umas dez balinhas, por favor.
- De morango ou de iogurte?
- A de iogurte é de quê?
- De iogurte, ué...
- Tá. Mas, iogurte de quê?
- Ah, sim... Iogurte de morango.
- Ora... Então é a mesma coisa!
- Não, não é.
- Como não?
- Uma é de morango. A outra é de iogurte de morango. Isso muda tudo!
- Muda?
- Muda.
- Então tá... Faz assim: me dá cinco de morango, e cinco de iogurte de morango.
- Boa pedida! 

domingo, 18 de dezembro de 2011

Messi, é claro

O que falar desse time do Barcelona, que agora há pouco passou por cima do Santos? Só aquilo que já está batido. É um time extraordinário. Coloca o adversário na roda com incrível simplicidade. Toca a bola com categoria inigualável. O Barça brinca de jogar futebol quando está com a redonda nos pés.

O Barcelona tem um gênio: Messi. Dos seus pés, só saem coisas boas. Mas o Barcelona tem mais do que Messi. Tem dois craques de primeira grandeza no seu meio de campo. Até certo ponto discretos. Não são jogadores pirotécnicos. Mas na simplicidade do seu futebol reside toda a força que move o time catalão: Xavi e Iniesta. O Barça também tem Daniel Alves, que, se não é brilhante, movimenta-se de forma estonteante, e é um ala com presença ofensiva permanente. Ah, e já ia esquecendo: hoje o Barcelona não tinha o ótimo Villa.

O time azul e grená tem ainda uma fantástica obsessão pela bola. Marca muito. Algumas vezes, este aspecto é negligenciado. Mas é ponto fundamental que faz da equipe espanhola a máquina de jogar futebol que ela é. Desde os atacantes, todos marcam. Não deixam o adversário respirar. No futebol brasileiro, os atacantes, sem a bola, rebolam. No Barça, eles atuam coletivamente. E sem vaidades. Messi, o extraordinário Messi, marca. 

Do título do Barcelona, fica também uma grande lição para a imprensa brasileira, que é pródiga em exagerar em ufanismos e falsas disputas. Certa feita, a imprensa paulista, antes de um Inter e Palmeiras, mancheteou algo como: "Quem é melhor? Falcão ou Mococa?". No dia seguinte, após triunfo do Colorado com magnífica atuação do Bola-Bola, teve que dar o braço a torcer: "Falcão, é claro". Neste Mundial, ocorreu algo semelhante, guardadas as devidas proporções. Jogo do século? Messi versus Neymar? Faltou seriedade e humildade. O Santos só poderia se tornar protagonista se adotasse, a priori, o papel de coadjuvante. Não o fez. Atônito, observou o Barcelona jogar. Sucumbiu solenemente. Fez-se de protagonista antes, para tornar-se constrangedor coadjuvante na hora do vamos ver. 

E a patética questão alardeada pela imprensa tupiniquim nos últimos meses parece estar bem respondida: Messi, é claro.  

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

5 anos...

Estádio Internacional de Yokohama, 17 de dezembro de 2006.

No campo, Inter, Barcelona, e a história.

90 minutos que marcam uma vida inteira.

90 minutos para ser dono do mundo.

Cada colorado estava lá, dentro das quatro linhas.

Na marcação ferrenha de Ceará sobre o então melhor do planeta...

Em cada corte do Eller...

Nos dribles do Pato...

Na exemplar obediência tática de Fernandão...

Na defesa espetacular do Clemer, de mão trocada...

No nariz quebrado do velho Índio...

Na valentia ensandecida do Edinho...

Na retenção de bola do Iarley, na lateral do campo...

No abençoado chute do Gabiru, no resvalar da luva do Valdes...

Sim, cada um de nós estava lá, se não com o corpo, certamente com a alma.

Aquele "vamo, vamo, Inter" ainda ecoa naquele estádio nipônico.

Ainda ecoa em nossos corações. 

Saia

Pedro e Sérgio, conversando na lancheria:

- Pedro, olha lá!
- Opa! Que saia é aquela?
- Loucura, né?
- Poxa... Que mulherão... Que beleza...
- Nossa!
- Impressionante...
- Praticamente um absurdo! O que ela quer com aquela saia? Destruir toda a base pela qual se sustenta a nossa sociedade? Que escândalo!
- É... Melhor nem olhar muito...
- Pois é... 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Um pai furioso...

- Moleque cagão! Como é que um filho meu pode fazer isso? 
- Calma, amor... Não grita assim com ele...
- Grito sim! Onde já se viu isso? Só sabe fazer merda! Só faz merda! 
- Por favor, meu bem, pare de gritar...
- E não adianta ficar aí choramingando, guri! Seja homem e assuma seus atos! 
- Amor, por favor se acalme... Ele só tem dois meses. Basta trocar a fralda.
- Não quero saber! Não é de hoje que ele só faz merda! Só merda! Moleque cagão! Moleque cagão!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Mazembe Day

Figura nos Trending Topics do Twitter o Mazembe Day. É uma celebração de torcedores gremistas para a maior derrota da história do Inter, na semifinal do Mundial ocorrida há exatamente um ano.

Não vejo com irritação esta comemoração tricolor. Pelo contrário, até compreendo. Para quem não ganha nada importante há dez anos, só resta mesmo celebrar as tragédias de terceiros. A história contemporânea do Grêmio tem como seus dois maiores momentos uma vitória sobre o Náutico pela segunda divisão em 2005, e uma derrota colorada no Mundial Interclubes de 2010. Tem que comemorar, mesmo.

Não deixa de haver, também, uma fina ironia no fato de a maior alegria recente de uma torcida que chama os outros de "macacos imundos" residir na vitória de um time... Africano! Do Congo! Se fosse propaganda de cartão de crédito, daria para dizer que é o tipo de coisa que não tem preço.

Aos gremistas, desejo que comemorem bastante o seu Mazembe Day. Cada um homenageia suas glórias, de acordo com sua grandeza. É assim mesmo. Dia 17  é a vez de nós, colorados, comemorarmos nosso grande momento. 5 anos de Mundial FIFA conquistado sobre o Barcelona. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Na exposição de fotografias

- Poxa, pai... Que bonita essa foto da árvore, né?
- Sim, filho. É linda. Bem na hora do pôr-do-sol.
- E aquela ali da lagoa, hein? Gostei também!
- Muito bonita. Mas ainda prefiro a da árvore.
- Ih, pai, olha aquela lá. 
- Qual?
- Ali, ó. Ah, não, dessa não gostei. Pra que tirar a foto de uma caveira? Que mensagem negativa!
- Ah, filho, essa aí é de uma top model...
- Morta?
- Não. Anoréxica.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Na balada

- Oi, Priscilla! Você está linda hoje, sabia, gatinha?
- Obrigada! Pena que não posso dizer o mesmo de você...
- Ora... Por quê? Não acha que estou linda?
- Não, Marta. Não acho. Não amola, tá? Tchau.
- Ei, princesa... Volta aqui... Vamos conversar...

domingo, 11 de dezembro de 2011

Van Gogh

Pedro e Cláudia, conversando na lancheria:

- Sabe, Pedro, ultimamente tenho me interessado muito mais pelas artes...
- Poxa, isso é bom... Bom mesmo.
- Van Gogh, por exemplo, é fantástico! O que você acha dele?
- Acho ótimo. Nada como uma música de qualidade. Chego a me emocionar quando ouço...
- Er... Ele era pintor...
- Ah, claro! É verdade! Ai, ai... Essas vans, sempre me confundindo... Me emociono com as pinturas dele, também.
- Que coisa...
- Hehehe...

sábado, 10 de dezembro de 2011

Contradições

Um sentimento estranho me invade.

Não é de alegria, mas também não é de tristeza.

Estou mais leve, mas estou atordoado.

Tenho uma certeza que me enche de dúvidas.

Não choro, não sorrio.

Não sei o que pensar.

Sinto a vida, estou em calmo luto.

Não há respostas, apesar da letra fria.

Sinto culpa, mas sou inocente.

Apenas sei que a vida segue.

Que siga melhor.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sinto falta...

Sinto falta do verão passado.
Do brilho nos seus olhos.
De todo o significado daqueles momentos.
E daquela nossa comunhão.

Sinto falta dos sonhos que sonhávamos juntos.
Da ternura, do carinho em cada gesto.
Do bem-estar que me invadia quando te via.
Da euforia mal disfarçada de cada "oi", e da emoção transbordante de cada "tchau".

Sinto falta da sua alegria inocente.
Dos toques de nossas mãos.
De quando eu podia te admirar, meio bobo.
E do coração acelerado a cada encontro.

Sinto falta do ontem.
Sinto falta do hoje.
Sinto falta do amanhã.
Sinto falta do sempre, que, com o passar do tempo, se transformou em nunca.

Sinto falta de você, menina. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Vem aí o livro "Identidade Xavante"

O Brasil de Pelotas é uma das grandes forças do futebol do interior do Rio Grande do Sul. Primeiro Campeão Gaúcho, em 1919, o clube construiu, ao longo dos seus cem anos de vida, uma história riquíssima, marcada por momentos doces e amargos, mas, acima de tudo, jamais perdeu sua identidade de time dono de uma torcida absolutamente apaixonada (disparadamente a mais fiel do interior).

É exatamente esta a maior marca, o maior patrimônio do Brasil: a sua torcida. Na alegria ou na tristeza, ela, a massa xavante, está sempre ao lado do time. Seja na vitória histórica de 1950, em pleno Estádio Centenário, contra a Celeste Olímpíca que viria a ser Campeã do Mundo naquele mesmo ano, seja nas duríssimas peleias pelos campos do interior gaúcho, o amor dos xavantes é o mesmo. Seja na vitória contra o Flamengo de Zico, numa semifinal de Brasileirão em 1985, seja na dor da tragédia que vitimou, além do então preparador de goleiros, Giovani Guimarães e do jogador Régis, o eterno ídolo Cláudio Milar, a massa nunca abandonou este clube. 

Esta é, pois, a essência do Brasil: trata-se de um clube movido por amor. Fundada em 7 de setembro de 1911, a agremiação comemora, neste ano, o seu centenário. E, evidentemente, este momento não poderia passar em branco: tem que ser em vermelho e preto. Por isso mesmo, a Editora Textos lançará, no dia 10 de dezembro, o livro "Identidade Xavante", retratando, em 228 páginas e 300 imagens, todos os principais momentos do clube detentor da maior e mais apaixonada torcida do interior do Rio Grande do Sul. O evento acontecerá no Quiosque Nelson Nobre Magalhães, no calçadão da Rua XV de Novembro, em Pelotas.

Recomendo este livro não só aos torcedores do Xavante, como também a todos aqueles que são apaixonados por futebol. É mais do que um livro: trata-se uma peça para colecionadores, com qualidade gráfica e de material de primeiríssima linha. Quem se interessa pela história do futebol gaúcho e brasileiro não pode negligenciar esta obra.  

Vale ressaltar, ainda, que todo o lucro obtido pelas vendas do livro será remetido à Associação Cresce, Xavante!, que destinará estes recursos para um novo projeto de reestruturação das arquibancadas do Estádio Bento Freitas, casa do Brasil. 

O livro poderá ser encontrado na loja virtual Cresce, Xavante! (www.crescexavante.com/produtos), na secretaria do clube (Rua João Pessoa, 694, Centro de Pelotas), ou na loja Tribo Xavante (Rua Sete de Setembro, 244, Pelotas).

Para mais informações sobre o clube e o livro, acesse:
Site Oficial do Grêmio Esportivo Brasil: http://www.gebrasil.com.br/
Site Oficial do livro "Identidade Xavante": http://www.identidadexavante.com.br/
Site da Associação Cresce, Xavante!: http://www.crescexavante.com/

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Inter na Libertadores 2012

A vitória sobre o Grêmio no domingo garantiu ao Inter uma vaga na Libertadores de 2012. O Colorado entrará na primeira etapa, de mata-mata, que antecede a fase de grupos. 

Sem dúvida, é bom estar mais uma vez na competição mais importante da América. Porém, tal fato não deve ser comemorado tão entusiasticamente. Critiquei o Grêmio quando este comemorava exageradamente conquistas de vagas nos últimos anos. Não é agora que mudarei de opinião e postura. Vaga é vaga. E o Inter tem que perseguir títulos.

Para a folha de pagamentos que o Colorado possui, ganhar uma sofrida quinta posição no Brasileirão é pouco. Isto aconteceu graças a uma administração que cometeu muitos erros que não podia ter cometido. O Inter titubeou em muitos sentidos: não deu respaldo ao Falcão, desperdiçou preciosos pontos sob o comando de um aspirante a treinador (Osmar Loss), perdeu tempo com ex-jogadores e alguns pernas-de-pau, deixou de ser incisivo em momentos cruciais do campeonato. 

Com tudo isso, porém, o Inter chegou à Libertadores. Mesmo mal administrado em seu departamento de futebol, o Colorado chegou. Isto aponta, evidentemente, o crescimento absurdo que o clube teve nos últimos anos. Há dez anos, conquistar uma vaga à Libertadores era um sonho, quase uma utopia. Hoje em dia, é obrigação.

Hoje, o Inter não só participa frequentemente da Libertadores, como banalizou o fato de conquistar uma vaga para a mesma. E isto é extremamente positivo. Hoje, a vaga por si só não satisfaz, como satisfaria antigamente. Ela só vale alguma coisa se for para disputar o título, o qual já foi conquistado pelo alvirrubro duas vezes nos últimos seis anos.      

Precisamente pela dimensão que tomou, de ser um dos gigantes da América, o Internacional tem que se repensar profundamente para a próxima temporada. O clube tem que saber por que ganha e por que perde. 

Luís Anápio Gomes, o vice de futebol, visivelmente não entende quase nada do riscado. Por isso, talvez uma mudança no departamento de futebol seja deveras importante para evitar que o ainda inexperiente Fernandão fique sobrecarregado. 

O elenco, por sua vez, apesar dos altos valores salariais globais, é insuficiente para se sonhar com título de Libertadores. Isto ficou mais do que provado ao longo do ano (não esqueçamos que frequentes vezes morremos nas mãos de Delatorres, Jôs, Bolívares, dentre outros menos cotados) Dispensas deverão ser realizadas, e não em pequeno número. E contratações pontuais e de primeira linha deverão ser feitas com relativa urgência, aliadas às jovens promessas das categorias de base.

A vaga conquistada no domingo só vale alguma coisa se for em nome do Tri da América. E, para conquistar o Tri da América, o Colorado precisa se oxigenar de maneira substancial. 

Portanto, Luigi, Fernandão, Dorival e cia: mãos à obra! E pra já! 

domingo, 4 de dezembro de 2011

A obrigação é do Inter

O Gre-Nal de logo mais promete grandes emoções. Vale vaga de Libertadores para o Inter. Pelo tamanho da sua folha, e pela quantidade absurda de pontos ridiculamente perdidos, o time colorado já devia ter assegurado esta vaga há algum tempo. Mas não o fez, e ficou tudo para o clássico.

Dessa forma, agora o time vermelho e branco ficou com a inadiável responsabilidade da vitória. O Inter terá um Beira-Rio em ebulição a seu favor. Terá a motivação de mais uma participação em Libertadores. Já o Grêmio joga de sangue doce. Para o time tricolor, a partida vale tão somente atrapalhar a vida do Colorado, o que, para ele, não chega a ser grande novidade, pois nos últimos dez anos suas únicas alegrias são provenientes das tragédias alheias. 

Para conquistar a vaga, a equipe alvirrubra ainda terá de contar com resultados paralelos, resultados estes que não têm nada de improvável: o Flamengo, concorrente direto, enfrenta o ótimo Vasco, que ainda luta por título; e o Coritiba, outro postulante à vaga, e que está à frente do Inter, encara um Atletiba histórico, contra um Atlético desesperado, em uma Arena da Baixada lotada.

Com isso, o que resta? Resta que o Inter, sim ou sim, tem que se entregar de corpo e alma no Gre-Nal. O Inter tem que fazer a sua parte. Tem mais qualidade que o Grêmio. E não pode, de forma alguma, estar menos motivado que um time que não joga por nada para si, e está com um treinador que já garantiu que esta é sua última partida em seu comando. Gre-Nal é Gre-Nal, já diria o filósofo. É clássico, e, enquanto clássico, guarda seus mistérios e imprevisibilidades. Mas, ainda assim, ainda considerando todos os ingredientes inerentes ao confronto de maior rivalidade do país, cabe ressaltar: a obrigação, caríssimos amigos, é toda do Inter. 

sábado, 3 de dezembro de 2011

Viver...

Nascemos...

Observamos o mundo...

Nos surpreendemos...

Aprendemos...

Crescemos...

Ganhamos...

Perdemos...

Aprendemos de novo...

Buscamos...

Lutamos...

Amamos...

Ganhamos de novo...

Fazemos planos...

Acreditamos...

Perdemos de novo...

Tiramos lições...

Pensamos...

Buscamos respostas...

Envelhecemos...

Encontramos algumas respostas, não todas...

E morremos...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

De novo, Vanusa?

Depois de errar cantando o Hino Nacional e "Sonhos de um palhaço", Vanusa se confundiu novamente com uma letra de música (http://www.band.com.br/entretenimento/musica/noticia/?id=100000471975). Agora, a canção assassinada foi "Era um garoto", popularizada com Os Incríveis e Engenheiros do Hawaii. 

Hoje em dia, se a Vanusa cantar "Parabéns pra você", ela erra. "Parabéns nessa daaata, felicidades de vida, aaanos queriiiida". Ela parece o Chapolim tentando recordar ditos populares.

A veterana cantora diz que vai largar essa vida. Eu discordo. Vanusa tem que continuar! Ela poderia lucrar muito criando um quebra-cabeça musical. Você ouve ela cantando, e tenta reconstruir a música. Sensacional, não é mesmo?

Abandonar a música não é necessário. É só uma questão de se readequar. Ela tira todo o sentido daquilo que canta. Fica aquela coisa "A imaaagem, líííímpido, fiiiiilho, saaaalve saaaalve!". Ora, letra sem sentido por letra sem sentido, ela poderia compor funks. Seria inusitado! Acho que ela deveria pensar nessa possibilidade.

O que não pode é continuar do jeito que está. Virou folclore, piada. Um amigo tinha me pedido alguma coisa engraçada para lhe dar no aniversário. Não titubeei: comprei um dvd da Vanusa. Só olhar para a cara dela é engraçado. Entre Vanusa e Tiririca, sinceramente não sei quem tem mais problemas com letras. O páreo é duro!

Bom, como diria o filósofo, "recordar é viver". Então, sem mais delongas, caríssimos leitores, deixo vocês com o épico, o incrível... "Hino Nacional Brasileiro Revisitado pela Vanusa": http://www.youtube.com/watch?v=6w9MpztV4gk.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Inocência

Estava voltando para casa, despretensiosamente, como é o normal, no ônibus. Estava ouvindo minhas músicas no celular, matutando sobre problemas e soluções de uma vida corrida feita de coisas corriqueiras. Enfim, não havia nada de especialmente diferente ocorrendo naquele momento. Porém, alguns acontecimentos um tanto simplórios, quase imperceptíveis, acabam por mudar um dia tão igual aos outros. Nos fazem pensar. São uma experiência muito própria. Isso ocorreu comigo quando surgiu uma mãe com uma menininha linda naquela condução. Aquela criança devia ter uns dois anos, quando muito. Seus olhos, de um castanho bem claro, brilhavam. Era a inocência humana em seu estado mais puro.

Considero o ser humano, de maneira geral, um lixo. Nós, humanos, nos perdemos no meio do caminho. Jogamos fora nossos valores. Sem valores, perdemos nossas referências. Sem referências, nos banalizamos. Tornamo-nos mesquinhos, tacanhos.

Somos sexo, somos carne, somos posse. Isto é bom. Mas, às custas de nossas almas? Como animais, vivemos para satisfazer as necessidades mais primárias. Deixamos de lado a doçura de viver um verdadeiro amor. Esquecemos em algum canto o quanto é bom sentir, fazer algo valer a pena, conquistar aquilo que almejamos.

Hoje, sequer sonhamos. Somos tão presos ao instante, ao agora, que, ou nos satisfazemos, ou imediatamente desistimos, de forma um tanto asséptica. Não lutamos mais. Somos, sim, indolentes pós-modernos. Sem o gosto amargo da derrota, da qual sempre nos escondemos, não conseguimos mais apreciar o doce e delicioso sabor de uma vitória, de uma conquista verdadeira.

Somos fracos. Somos superficiais. Somos reféns da aparência. Somos reféns dos números. Somos reféns do tempo. Somos reféns do dinheiro. Somos reféns de uma força que nos espreme até a última gota de suor, e que leva tudo de mais belo que temos no âmago do nosso espírito.  

Confesso que me emocionei ao ver aquele olhar tão puro daquela menininha. Ela não é, pelo menos não ainda, parte desta vivência tão angustiante e sem sentido. Ela encara o mundo com a simplicidade com a qual todos nós devíamos encará-lo. Provavelmente, infelizmente, um dia ela perderá isso. Jogará o maldito jogo. Será mais do mesmo. 

Porém, ao vê-la, ainda sinto esperança. Por mais transitório que seja aquele estado de pureza, de alma absolutamente inocente, ainda me cabe a utopia: quem sabe um dia, de transitório, este estado se torne regra permanente para todos nós, crianças, adultos, idosos? Quem sabe este lindo estar não se torne ser? 

O mundo seria bem melhor. Com toda a certeza.     

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Stand up

Um comediante de stand up, fazendo sua apresentação:

Comediante: - Sempre que vejo um casal de gays na rua, paro pra pens...
Alguém na plateia: - Ei! Eeeeei! Homofóbico! Intolerante!
Comediante: - Ok, ok... Desculpe... Não quis ofender ninguém... Bom... E aquelas pessoas que pegam pizza de milho no rodízio, hein? É incr...
Alguém na plateia: - Ei! Eeeeei! Eu peço pizza de milho! Algum problema?
Comediante: - Não, não... Problema nenhum... Problema nenhum. Er... Bom, vamos seguir... E a Ana Maria Braga falando com o Louro José, hein? Eu simplesment...
Alguém na plateia: - Ei! Eeeei! Eu tenho um papagaio! E converso com ele todos os dias! Por que fazer piada com isso?
Comediante: - Tá bom, tá bom... Desculpe... Vamos falar de política, então... Os comunistas, por exemplo... São um caso engraçado. Dizem que a religião é o ópio do povo. Mas tratam "O Capital" como se fosse a bíblia! É no mínim...
Alguém na plateia: - Ei! Eeeeei! Sou comunista! Acha bonito debochar de uma causa pela qual tantos lutaram e ainda lutam?
Comediante: - Tá certo... Bom... Falando nisso, e os liberais? Defendem a livre competição e a lei do mais forte no mercado, mas têm medinho da luta de classes! É um contra-sens...
Alguém na plateia: - Ei! Eeeeeei! Eu sou liberal! E você? É vermelho, é? Tem algo contra o liberalismo?
Comediante: - Não, nada contra... Vamos mudar de assunto, então... Alguém se lembra do ET de Varginha? Já repararam que esses ETs sempre aparecem em cidades pequenas do interior? Não me lembro de nenhum ET metropolit...
Alguém na plateia: - Ei! Eeeeei! Eu moro no interior! E já vi um ET! Você acha graça disso?
Comediante: - Tudo bem... Desculpe... Bom... E esses comediantes de stand up, hein? Eu, por exemplo, quando escolhi essa profissão, não sei onde estava com a cab...
Alguém na plateia: - Ei! Eeeeeei! Filho! Aqui é a sua mãe! É pra isso que te criei? Pra ficar em cima de um palco se autodepreciando? Que decepção!
Comediante: - Tá bom. Tá bom... Desisto. Chega. Eita plateiazinha complicada!

O comediante então deu as costas e retirou-se do palco. Sob intensas vaias.  

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Cortesia

Fúlvio, na cafeteria:

- Garçom, me diz uma coisa: quanto custa esse sanduíche aqui, hein?
- Esse de queijo com presunto?
- Isso mesmo.
- Quinze reais.
- Quinze reais? Caramba! Que caro!
- Mas ganha um cafezinho de cortesia, olha o asterisco aqui, ó, senhor.
- Ah, verdade... Bom... Vejamos... E esse só de queijo?
- Cinco reais.
- Hum... E tem o cafezinho de cortesia?
- Não, senhor. Neste, não.
- Bom... Difícil, isso... É... Vou querer o de queijo e presunto. E já traz o cafezinho de cortesia.
- É pra já, senhor.
- Ué... O que o pessoal tá me olhando. Eeeei! Eeeei! Qual a graça, seus trouxas? Eu tô ganhando cafezinho de cortesia! E vocês?

Neste exato momento, todos os presentes caíram na gargalhada.

domingo, 27 de novembro de 2011

Jogo para começar a desenhar 2012

O Inter está bem escalado para o jogo desta tarde contra o Flamengo, em Macaé. Minha única objeção é a presença de Bolívar, que, além de por si só ser uma temeridade, ainda desloca o melhor zagueiro do elenco Colorado, Rodrigo Moledo, para o lado onde rende menos. De resto, no entanto, a proposta é de um time dinâmico no meio campo, com os volantes Guiñazu e Tinga acompanhados dos meias D'alessandro e Oscar, e com boa presença ofensiva, proporcionada por dois homens no ataque, Gilberto e Damião  

Durante a semana, D'alessandro falou em entrevista coletiva que Oscar tem tudo para ser o jogador-chave da partida de logo mais. Observando a provável escalação flamenguista, no 3-5-2, penso exatamente o mesmo. Se jogar com inteligência, o Inter pode matar a sobra da zaga rubro-negra, passando para uma espécie de 4-3-3, com Damião em cima do líbero, e Gilberto e Oscar abrindo como ponteiros. Oscar, portanto, taticamente tem tudo para ser o diferencial, compondo o meio sem a bola, e juntando-se aos dois atacantes quando o time estiver com a redonda, colaborando para abrir generosos espaços na defesa adversária, espaços estes que poderão ser muito bem explorados com a criatividade de D'alessandro e a velocidade do ataque.

Portanto, desenha-se, em tese, um jogo interessante para o Colorado, em termos estratégicos. Em tese. Luxemburgo é uma raposa. Ainda que não seja o Luxa de outrora, ainda pode preparar uma surpresa no modo de sua equipe atuar. Além disso, fica a certeza típica dos times dirigidos por ele, quando jogam com o mando de campo: o Flamengo vai partir com tudo para cima. Tem jogadores como Thiago Neves e Ronaldinho mão-na-massa Gaúcho que, num espasmo, podem decidir a partida. Principalmente nos primeiros minutos de jogo, o time carioca vai tentar pressionar no acanhado estádio de Macaé. Mas, resistindo à pressão inicial, o Internacional pode passar a tomar as ações do jogo, aproveitando-se do momento turbulento da equipe adversária.

Acima de tudo, é uma decisão. Não, não se deve comemorar vagas como se comemoram títulos. Deixemos isso para quem não ganha títulos. Porém, é um jogo que pode traçar a temporada de 2012 de ambas as equipes. Vale, desde já, a possibilidade de o Inter buscar o Tri da América e o Bi Mundial no próximo ano. Por isso, o jogo vale muito. É dia para ter sangue nos olhos.

sábado, 26 de novembro de 2011

Contra-ataque fulminante

E lá vai o Flamengo no contra-ataque em velocidade...

É fulminante!

Ronaldinho toca na bola...

São cinco contra um!

Ele levanta a cabeça!

Vai bater de longe...

Bateu, bateu, bateu...

Gooool!

Ronaldinho Gaúcho!

Que gol gozado!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Ícaro e o sol

Um dia luminoso está nascendo pela janela.
Renovo-me na esperança de que algo novo aconteça.
Foram-se aqueles momentos, pintados no quadro de minhas lembranças.
E eu o observo todas as noites.

Você é o sol que brilha, sempre e sempre.
Te olhar agride minha retina.
Mas quero tocá-la, como um Ícaro alucinado e sonhador.
Queimo minhas asas, caio e levanto.

Não sei desistir, não sei abandonar aquilo que pertence ao meu íntimo.
Pode parecer fraqueza, mas estou convencido de que isto é demonstração de força.
Se não se vive para ao menos buscar nossos sonhos, para que viver, então?
E se o coração ainda pulsa, por que deixar de lutar?

"O que não me mata, me fortalece", diria o filósofo.
As feridas me deixam mais resistente, são motivo de orgulho.
E mesmo que eu esteja remando contra a maré, acreditarei sempre, pois tenho a força da vida.
Se ainda estou em pé, existe algum motivo para isso: eis minha certeza. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Vestido de cabelo

Pedro e Sérgio, conversando na lancheria:

- E aí, Pedro? Você viu aquela do vestido feito de cabelo humano?
- Não, não vi... Do que se trata?
- De um vestido feito de cabelo humano.
- Aaaaah... Tá certo... Perspicaz você, hein, Sérgio?
- Gostou?
- Do vestido ou da tirada?
- Dos dois!
- Da tirada, não. Do vestido, sim.
- Você achou legal um vestido feito de cabelo?
- E por que não acharia? Deve ser interessante. E a manutenção também não deve ser difícil. Ao invés de lavar com sabão em pó, você lava com shampoo! Ao invés de passar, você penteia! E pode variar o visual, usar um gelzinho de vez em quando, tranças, dreads... Acho uma ideia interessante! Minha namorada iria adorar!
- Namorada?
- Sim, sim... Voltei com a Lígia... Resolvi perdoar a história do fígado.
- Ufa! Você não sabe o quanto fico feliz! Um fígado não pode arruinar um grande amor!
- O coração sempre vai ser mais importante do que o fígado, Sérgio! Leve isso para a vida.
- Que lindo isso, Pedro... Mas, voltando à questão do vestido... Isso pode ter um lado negativo... As mulheres podem passar o triplo do tempo no salão de beleza! Chapinha, escova, permanente... Na cabeça e no vestido!
- É... Talvez você tenha razão... Acho uma péssima ideia. 
- Péssima.
- Horrível! Horrível!
- Pois eu não disse?   

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Nudez e protesto

Tá na moda pelo mundo esse negócio de mulheres protestarem nuas. Eu acho exótico. Mas, acima de tudo, acho um contra-senso. Porque as mulheres que ficam nuas, pelo menos a maioria das que vejo em algumas das fotos destes protestos, são maravilhosas! Cadê o protesto?

Protestos devem causar incômodo ao alvo do protesto. Mulheres bonitas nuas não o causam. Só se o alvo do protesto for gay, ou mulher (e mulher heterossexual, evidentemente). Mulheres bonitas nuas são legais. É difícil que elas causem incômodo!

Se eu fosse um governante, e belas mulheres nuas protestassem em frente ao Palácio do Governo contra, sei lá, os impostos, sabem o que eu faria imediatamente? Aumentaria os impostos! Quero mais beldades nuas! Mais e mais!

Para nudez feminina ser protesto, isso só poderia ser dado se levassem a Dilma pelada. Ou a Angela Merkel. Aí, sim. É para o sujeito ter pesadelos por anos a fio. Atentado contra os direitos humanos mais básicos! "Reduzo os impostos! Vão a zero! Mas tirem essa coisa da minha frente, pelo amor de Deus!" No entanto, é só nesses casos que funcionaria, mesmo... 

Se nudez fosse protesto, a Nana Gouveia seria militante do PSTU. E o site do Ego seria de esquerda: "Olha lá, a Nicole Bahls protestando! Que moça engajada! E a Juju, então? A revolução está estourando naquele peito! Ah, não! É só o silicone..."

Hoje em dia, está tudo banalizado, mesmo. Qualquer coisa é protesto e engajamento político. Para mim, estes protestos "alternativos" se resumem a apenas uma coisa, que não chega a ser lá muito ideológica: vontade de aparecer. Simples como uma disputa de cara e coroa. É uma maneira de transformar um capricho/desejo individual em algo que de alguma forma ganha contornos de nobreza. Os rebeldes sem causa tornaram-se rebeldes sem calça.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Pensamentos de um jovem de ressaca ao acordar após uma noite louca

Uau... Que noite...

Dor de cabeça...

Ainda tô cansadaço...

Podia dormir mais doze horas, sem problemas...

Nossa... 

Não consigo lembrar de nada que aconteceu depois daquela rodada de tequila...

Nem me lembro como cheguei aqui em casa...

Mas cheguei...

Que bom...

Ô, minha caminha, como eu gosto de você...

Ops... O que é isso?

Puta que pariu! Que merda que eu fiz?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Esnobe

- Oi, moça... Posso saber o seu nome?
- Oi... Meu nome é Maria.
- Hum... Bonito nome... O meu é Márcio. Você vem sempre aqui?
- Sim! Venho há anos!
- Pois é... Eu estou vindo pela primeira vez...
- É... Tenho notado que anda caindo o nível do pessoal que vem aqui...
- Hehe... Me diga uma coisa... Que carne você vai comprar?
- Picanha...
- Picanha é uma boa carne.
- É... É mesmo...
- Eu vou comprar paleta. 
- Pfff...
- Qualquer dia podíamos marcar um churrasco na minha casa, de repente...
- Desculpa... Não saio com homens que comem paleta. No mínimo, no mínimo, coxão mole...
- Ok! Ok! Mas você vai ver! Um dia ainda vou desfilar por aí com um filé mignon bem macio na sacola... E não vou nem olhar na sua cara... Grave isso!
- Tá bom, tá bom, "Senhor Carne de Segunda"...
- O que vale é o coração, viu? Você é muito superficial, mesmo... Conheço muitas marias-espeto como você! Julgam um homem apenas pela carne que ele pode comprar!
- Tá certo, menininho romântico da mamãe... O que vale é o coração, mesmo... Por isso vou comprar dois quilos! Pena que você não tem dinheiro pra isso, né?
- Esnobe!
- Comedor de pelanca!
- Vou sair daqui antes que me irrite! Tchau!   
- Bye, bye! Até nunca mais!

domingo, 20 de novembro de 2011

Mostrando as compras...

- Ô, filhão! Finalmente chegou, hein? Vem aqui tomar um champagne! Acabamos de jantar. Mas acho que ainda tem um pouco de magret de pato ao perfume de mel e especiarias. 
- Ô, pai, Já comi uma vitela ao Porto e compota de frutas secas na rua. Mas muito obrigado.
- E aí, como foram as compras?
- Foram ótimas! Acho que caprichei nas escolhas! 
- E o que você comprou? 
- Não comprei muita coisa... Olha aqui, ó... Três gravatas, duas camisas sociais, uma camiseta do Che Guevara, dois ternos, um par de sapatos, quatro blazers...
- Espera um pouco, espera um pouco...
- O que foi?
- Tem algo errado nessas compras... Algo muito, muito errado!
- Er... O que exatamente? Não é o que você está pensando...
- É o que estou pensando, sim!
- Pai... Eu posso explicar...
- Um blazer bege? Você comprou um blazer bege? 
- É... Comprei....
- Eu já tinha notado que você andava com um comportamento estranho... Mas... Comprar um blazer bege? Suma da minha frente! Não te criei para ter esse desgosto! Um blazer bege? Bege?
- Mas... Pai... Eu gosto de bege...
- Não, não e não! Não quero ouvir mais nada! Fora daqui! Fora! Fora! Que vergonha, meu Deus! Que vergonha! 
  

sábado, 19 de novembro de 2011

Horas percorridas...

Amanheceu.

Tudo novo de novo.

Uma espécie de renascimento.

Ar puro que invade os pulmões.

Passar de horas, readaptação, readequação.

Reencontro com um destino já bem conhecido.

Lembranças de um passado que não passou.

Não há nada de novo, de novo.

Resta a sobrevivência, a espera pelo amanhã.

Sim, já escureceu...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Tecnologia

- Mão na cabeça! Mão na cabeça! Perdeu! Perdeu!
- Calma, calma... Por favor, vamos manter a calma.
- Passa o dinheiro aí, rapá! Rápido! Rápido!
- Mas... Eu estou sem dinheiro. Só tenho o cartão.
- Tá bom, tá bom... Débito ou crédito?
- O quê? 
- Débito ou crédito?
- Hein?
- Tá aqui a maquineta. E aí? Cem reais e estamos conversados.
- Hã... Bom... Tá... Pode ser débito, então...
- Beleza, põe a senha aí rápido, se não eu arrebento os seus miolos!
- Certo, certo... Pronto...
- Isso, muito bem! Tá aqui o seu comprovante, ok?
- Ok... Er... Obrigado.
- De nada! Volte sempre!  

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Rivalidade

Rogério e Vitor se detestavam. Eram de turmas rivais da sétima série na escola. A 71 e a 73. Entre eles, não havia o mínimo de afinidade. Rogério era colorado. Vitor, gremista. Rogério era zagueiro. Vitor, atacante. Rogério gostava de pizza. Vitor, de churrasco. Rogério gostava do Batman. Vitor, do Super-Homem. A única coisa em comum entre os dois era uma garota chamada Letícia. Loira. Estonteante. Dona do mais encantador olhar de desprezo do colégio. Os dois eram apaixonadíssimos pela garota. E ela não dava bola para nenhum dos dois.

Certa feita, a escola organizou um torneio de futebol, como ocorria todos os anos. Meninas não percebem, mas, para meninos de 12, 13 anos, torneios de futebol são uma espécie de oportunidade ímpar para se exibir. Eles se matam dentro do campo para mostrar habilidade e amor à camisa para as donzelas nas arquibancadas. E elas ficam chupando pirulito, fingindo-se de interessadas, esperando que aquela chatice acabe logo.

Por coincidência, ou não, a grande final do torneio foi entre as turmas 71 e 73. Lá estavam Rogério e Vitor, zagueiro e atacante, frente a frente dentro de campo. Lá estava Letícia, do lado de fora, com o pirulito na boca. Era o duelo do século. Questão de vida ou morte. Coisa de homem, de quem tem mais culhão que o outro. Se você é mulher e está lendo isso, não tente entender. É uma lógica muito própria da masculinidade. 

O jogo transcorreu duríssimo. Divididas, carrinhos, balões. Vez por outra, os jogadores se engalfinhavam com o árbitro para decidir de quem era o arremesso lateral. Levava quem cuspia mais na cara do pobre juiz enquanto gritava. Tal era o nível de competitividade, que não saía gol. Entre uma botinada e outra, o tempo passou, e a partida chegou aos acréscimos. Zero a zero. Parecia que tudo seria decidido na loteria dos pênaltis.

No último lance, porém, veio o ápice, o clímax, a dramaticidade digna de uma partida de final de Libertadores. Um lançamento preciso encontrou, na corrida, Vitor. Cara a cara com o gol. No mesmo embalo, vinha Rogério, na marcação. Vitor iria fazer o gol do título. Rogério não podia deixar essa tragédia acontecer. Letícia estava lá, vendo tudo, com o pirulito na boca. 

Então, o zagueiro não teve dúvidas: deu dois passos largos, com as pernas destruídas, amortecidas de tanto ácido lático, e chutou, ele mesmo, contra o próprio gol. Rogério sacrificou seu nome, e fez o gol contra, para que Vitor não provasse o sabor daquela glória. A turma 73 era campeã do torneio do colégio. Mas ele, Rogério, estava particularmente satisfeito: não deixou Vitor ser o herói do jogo. Após o gol contra, olhou para a tela de proteção do campo, e fez um coraçãozinho com a mão para a amada. 

Ao apito final, os colegas partiram para cima de Rogério, evidentemente enfurecidos. Vitor, por sua vez, comemorava o título à distância do restante do time, meio contido, um tanto irritado por não ter feito o gol para Letícia. 

E Letícia deu as costas, com o pirulito na boca. 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Velório

Sérgio, no velório do amigo Leandro, conversando com a mãe do falecido:

- Meus pêsames, dona Elza. Foi um trágico acidente.
- Muito obrigada, Sérgio. Meu filho era de ouro.
- Com certeza. Um grande amigo.
- Sim, eu sei que ele era. Leal, sincero, bem-humorado, honesto, pontual...
- Bom... Quanto à pontualidade... Sabe... Na verdade ele estava há dois meses me devendo um dinheiro... Duzentos reais.
- Er... O que você está querendo dizer?
- Não, não, nada! Só que ele está, ou estava, me devendo... Nada demais.
- Espera aí... Você está tendo a cara de pau de cobrar uma dívida do meu filho no velório dele?
- Claro que não! Podemos trocar os telefones, de repente acertar isso depois... Sei que o momento é de dor imensa.
- Ah! Você está me cobrando mesmo? Fora daqui! Fora daqui!   
- Mas... Mas... Não precisa gritar! Se acalme! Pelo menos deixe eu pegar seu telefone!
- Fora!
- Podemos acertar um parcelamento...
- Fora!
- Duas de cem... Três vezes de sessenta e seis com sessenta e sete, quem sabe?
- Fora daqui!!!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Miragens

Já andei por campos floridos, onde os animais passeavam alegremente. Vasculhei bosques, colhi maçãs, me perdi em meus próprios labirintos. Sonhei. Ah! Como eu sonhei! Lutei. Ah! Como eu lutei! E caminhei. Caminhei, caminhei, caminhei. E cansei.

Não mais que de repente, me dei conta de que tudo aquilo não passava de miragem. Os animais, as flores, as árvores, os lagos... Nada daquilo existia. Estava sozinho no deserto. A vida mentiu para mim. Eu mesmo menti para mim.

Hoje, depois de tantos caminhos e descaminhos, parei aqui, ando por sobre o gelo. Ainda sozinho. Neve, frio, melancolia polar. Mas algum dia foi diferente? Não, acho que não foi. Sou humano. Não vivo de miragens. Preciso de água.

Posso estar errando novamente, o que não seria exatamente novidade. No entanto, tento mudar, sim. Desisti do pote de ouro depois do arco-íris. Desisti de uma parte de mim mesmo.

domingo, 13 de novembro de 2011

Sensações incômodas do presente do Colorado

O Inter me irrita. E como não se irritar com uma equipe de folha grande e futebol pequeno?

O Inter me constrange. E como não se constranger com um time que se esforça para ser incompetente, que desperdiça chances, que joga no lixo todas as oportunidades que lhe aparecem pela frente?

O Inter me incomoda. E como não ficar incomodado vendo ex-jogadores dando de cacique, jogo após jogo? Como não ficar incomodado com as negociações mal-feitas, com a falta de planejamento, com contratações miseravelmente ruins, e para as posições erradas?

O Inter me entristece. E como não se entristecer com um time que joga um futebol melancólico, que não tem "sangue nos olhos", que se acomoda com a primeira dificuldade surgida em seu caminho?

O Inter me preocupa. E como não se preocupar com um clube que tem um Presidente fraco e indeciso? Como não se preocupar com um clube cujo vice de futebol não entende nada de futebol? Como não se preocupar com um clube que vai passar mais um ano nas mãos dessa gente?

O Inter precisa urgentemente de uma limpeza. E esta começa pelo seu Presidente.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Massagem

Pedro e Sérgio, conversando na lancheria:

- Que irritação é essa, Sérgio? Aconteceu alguma coisa?
- Sim! Aconteceu!
- E o que foi?
- Fui enganado! Lembra do mau jeito que eu dei nas costas no domingo?
- Sim, sim. Foi patético! Você parecia uma menininha gemendo de dor.
- Pois então... Minhas costas continuam doendo. Uma coisa insuportável. Eu tinha que resolver isso. Precisava de uma massagem. Então, recebi um papelzinho com um anúncio de uma casa de massagem. E, vou te dizer uma coisa: tá vendo aqui o papelzinho? Nunca, Pedro, nunca vá nessa porcaria! Foi a experiência mais absurda da minha vida. Quando cheguei na sala de massagem, a massagista começou a tirar a roupa! Uma falta de profissionalismo absurda! E, mais ainda! Queria transar comigo! Nunca tinha visto isso! Não sabia que eu era tão sedutor assim. 
- Não, você não é.
- Mas era uma coisa avassaladora! Me levantei, saí da sala de massagem, chamei a gerente, e ela não quis devolver o dinheiro! Briguei, discuti, e fiquei a ver navios. Fui completamente enganado! Acho que vou entrar no Procon! E o pior de tudo: além de ter perdido a grana com uma ninfomaníaca anti-profissional, continuo com essa dor nas costas.
- Você achou ela anti-profissional?
- Mas é óbvio! Você percebe o que aconteceu? Completamente anti-profissional. Acho que viola todas as normas da Associação Mundial de Massagistas.
- Bom... Me parece que ela era bem profissional. Mas é só uma impressão...
   

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Fitas

Pedro foi passar o fim de semana com os pais, dona Cristina e seu Paulo, no interior. Às 8 horas da manhã de domingo, estavam os três tomando café da manhã;

Mãe do Pedro: - E aí, filho? Dormiu bem essa noite?
Pedro: - Pois é, mãe... Tive algumas dificuldades. O vizinho fez muito barulho.
Mãe do Pedro: - Ah, aqui nós já estamos acostumados, não é, Paulo?
Pai do Pedro: - É verdade. Mas você podia ter me acordado e avisado. Eu tenho umas fitas que uso para relaxar quando estou estressado.
Mãe do Pedro: - Ah, não, Paulo... Não me venha com essas fitas...
Pedro: - Que fitas?
Pai do Pedro: - São fitas cassete, que sempre coloco no walkman.
Pedro: - E que tipo de música tem nelas?
Pai do Pedro: - Não são músicas. Há alguns anos, sua finada avó veio passar uns meses conosco. E trouxe uma máquina de cortar linguiça. Cortávamos muita linguiça juntos. E eu sempre gravava o som com um velho gravador. Quando começávamos a cortar linguiça, eu apertava o rec. E cada vez que parávamos, eu apertava o pause. Tenho centenas dessas fitas.
Mãe do Pedro: - Não sei porque seu pai ainda não colocou essas porcarias fora. Vê se pode! Ouvir fitas com barulho de máquina de cortar linguiça!
Pai do Pedro: - Não se intrometa, mulher! Estou falando com o meu filho sobre as fitas! São muito relaxantes! Pedro, você quer as fitas?
Pedro: - Olha, pai... Na verdade, não tenho walkman, nem nada...
Pai do Pedro: - Posso te dar o meu walkman!
Pedro: - Não, pai. Eu jamais aceitaria isso!
Pai do Pedro: - Mas você tem computador, não tem?
Pedro: - É... Tenho...
Pai do Pedro: - Então hoje mesmo vou para a cidade mandar digitalizar as fitas.
Pedro: - Não, pai... Não precisa!
Pai do Pedro: - Filho, filho... Eu faço questão.
Pedro: - Tá bom, pai! Tá bom! Manda digitalizar as fitas da máquina de cortar linguiça, então...
Pai do Pedro: - Assim que se fala, filho!
       

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Zumbis

Mais um dia, menos um dia.
Somos os mesmos de sempre, mas ainda não sabemos quem somos.
Sim, existem momentos em que lutamos até o fim.
Mas também precisamos descansar.

Então olhe ao seu redor.
Somos zumbis, estamos confortáveis.
Ela dança, ela me enlouquece.
Ela está pronta para me assassinar.

Cai a água da chuva, mas permaneceremos sujos para sempre.
Fujo, corro, mas entrego-me à maldição.
Agora ficou tudo mais claro, cada momento não passou de uma tolice, uma mentira.
Mas ninguém conseguirá nos salvar de nós mesmos.

Ossos no chão, graça que não pedimos.
O inferno é a nossa mente.
Estamos queimando, estamos ardendo, estamos nos deparando com a peste que nos consome.
E ninguém se importará, pois os espíritos estão famintos por sangue, eles vão nos rasgar de dentro para fora.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Teste de visão

Pedro e Sérgio, conversando na lancheria:

- E aí, Pedro? Como é que você está?
- Estou tranquilo! E você, Sérgio?
- Tudo bem... Mas acabo de sair de um exame de visão. Fui reprovado. Minha miopia aumentou.
- Nossa... Mas não tem problema. Talvez seja uma boa chance de você fazer uns óculos novos... Porque esses aí...
- O que tem eles? Eu gosto dos meus óculos...
- Bom... Gosto é gosto. Acho meio espalhafatosos.
- E eu acho bonitos! De qualquer maneira, detesto ser reprovado... Mesmo que seja em um exame de visão. Fico constrangido. Sorte sua que nunca passou por isso, e não teve que fazer óculos.
- É... É uma meia verdade. Já fui reprovado num exame de visão. Mas era um exame diferente de tudo que já vi na vida. Ao invés de letrinhas, me mostraram um pôster da Hebe. Fui reprovado. Vi a Jennifer Aniston naquela foto.
- Ué! E o que deu? Algum problema de visão?
- Não, não. Eu tava bêbado, mesmo.   

domingo, 6 de novembro de 2011

Vencer, ganhar ou triunfar

O jogo do final da tarde de hoje é decisivo para qualquer ambição que o Colorado possa ter de vaga na Libertadores ou mesmo de título. O adversário é forte. O Fluminense é, não esqueçamos, o atual campeão nacional. E tem velhos conhecidos do Internacional: Abelão, Sóbis e Edinho. Personagens de grande importância para a história do clube alvirrubro.

Entretanto, durante os noventa minutos, todo e qualquer tipo de afeto e gratidão devem ficar fora das quatro linhas. Ali, no gramado do Beira-Rio, o Inter tem que, sim ou sim, vencer o tricolor carioca. Lutar em cada dividida. Buscar incessantemente os três pontos. É obrigação do Colorado vencer.

A cota de tropeços do Internacional no Brasileirão já se esgotou há algum tempo. O engraçado é que, mesmo com todos os contratempos, com o tempo e os pontos perdidos com Bolívares, Jôs e Delatorres da vida, o Inter ainda está no páreo pela Libertadores e com chances, mínimas que sejam, de título. Há alguns anos o Campeonato Brasileiro suplica: "Me ganha, Inter! Me ganha!". Porém, mais uma vez, parece que vai ficar para outra vez. O Colorado faz um esforço hercúleo para não ser Campeão Brasileiro. E tem sido bem-sucedido nesse intento.

Leite derramado à parte, fato é que está colocado o imperativo da vitória. Tem que ganhar, nem que seja na marra, no grito, no "vamo que vamo". Ao longo da temporada, o Internacional errou demais. Exatamente por isso, não pode errar mais.

sábado, 5 de novembro de 2011

Reencontro

- Olá, Débora! Quanto tempo, hein?
- Oi, Fernando! Pois é! Faz uns cinco anos, né?
- Pois é... Aquela fatídica noite...
- Mas você não guarda mágoa, né?
- Mágoa? Eu? Só porque te encontrei na cama com o meu irmão? Não, claro que não!
- Poxa, que bom...
- Não sou rancoroso.
- Fico feliz! Alías, você está bem mudado! Ficou muito bem com esse corte de cabelo!
- Obrigado! Você também mudou bastante... A propósito, você por acaso está com hipotireoidismo?
- Hipotireoidismo? Não, pelo menos não que eu saiba... Por quê?
- Não, não... Por nada...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O presente de aniversário

Clarissa conversando com o filho Diogo:

- Filho, faltam duas semanas para o seu aniversário, né?
- Pois é... Finalmente serei maior de idade!
- É um momento lindo, mesmo... E, me diz uma coisa: o que você vai querer de presente?
- Ah, mãe... Deixa eu pensar... Podia ser um cd do Sex Pistols.
- Sexo o quê? É alguma pornografia?
- Não, mãe. Sex Pistols. É uma banda punk, rebelde, dos anos 70.
- Ah, tá. Vou providenciar.
- Apesar de estarmos na era do download, é sempre bacana ter o negócio materializado, com encarte, e tal. Quer anotar o nome da banda?
- Não, não precisa filho. Não tem como esquecer.

1 semana depois, na loja de discos:

- Boa tarde, moço. Estou procurando um cd para o meu filho. Tá difícil lembrar o nome... Mas é uma banda que tem alguma coisa a ver com rebeldia, rebelde...
- Seria o cd dos Rebeldes?
- Hum... É... Deve ser...
- É só passar aqui, senhora...

1 semana depois, já no aniversário de Diogo:

- Filho, feliz aniversário!
- Obrigado, mãe!
- Tá aqui o presente que você pediu!
- Opa! Valeu!
- Abre aí!
- Já vou, já vou... Aqui, isso... Opa... Um cd... Dos Rebeldes!?
- Sim! Era isso que você queria, né?
- Er... Hum... Uhum... Obrigado...
- De nada, filho! Você merece!
- Ô, se mereço...  

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

261011

Nas profundezas, vozes me chamam.
Querem me levar, querem que eu vá.
Mas ainda é tão cedo, meu amigo!
Estão me consumindo, estão me corroendo.

Amanhã parece um dia muito longínquo.
Mas talvez todos aqueles que não se importam se importarão.
Eu quero ficar mais um pouco, ainda tenho algo por fazer.
Me segure aqui, amigo, não me deixe ir agora.

Todo o meu arrependimento transborda, mas o tempo não volta.
Me vi maior que tudo e hoje apenas suplico.
Misericórdia, piedade, ressurreição...
Tentarei errar o mínimo possível.

Jamais pensei estar aqui desse jeito.
Medo e dor invadindo minha alma.
Ainda não encontrei minhas respostas.
Será que é tarde demais?  

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Peixe

Pedro e Sérgio, conversando na lancheria:

- E aí, Sérgio? O que você andou fazendo no fim de semana?
- Fui à praia. Passei um dia por lá. Tomei banho de mar, tomei umas caipirinhas. E aconteceu algo incrível.
- E o que foi que aconteceu? Fiquei curioso.
- Tinha um cara vendendo sorvete na beira da praia. E eu fui comprar um. De baunilha. Bem onde estávamos parados, tinha um peixe morto no chão. Bom, quando ele me entregou o sorvete, caiu um pouco, bem na boca do peixe! E sabe o que mais? O peixe engoliu o sorvete!
- Ah, conta outra, Sérgio!
- É sério! Eu juro. Mas o pior vem depois. Quando eu ia colocar a cobertura no sorvete, o peixe começou a falar: "Vem, molho! Vem, molho! Vem, molho!"
- Peraí... Não, não, não, não, não. Você não quer, honestamente, que eu acredite nessa história absurda, né?
- Eu juro! Foi aterrorizante.
- E o que você fez? Começou a conversar sobre a crise dos Estados Unidos? Sobre a ocupação em Wall Street?
- Ha, ha, ha, engraçadinho. Eu saí correndo e gritando.
- Ah, agora melhorou muito. Você saiu correndo de um peixe morto falante.
- Ué, o que você faria nessa situação?
- Bom... Talvez eu procurasse aqueles caras que vendem tapetes e tecidos, sabe? E compraria um tapete voador! Hahahahahaha.
- Isso não tem graça, Pedro! Não tem graça nenhuma!
- Só uma pequena dúvida. Não me leve a mal. Isso aconteceu antes ou depois das caipirinhas?
- Hum... Depois.
- Ah, tá...      

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Bomba-relógio

Mais um dia adormece, mais uma noite promissora desperta.
Estamos todos prontos para a nossa grande celebração.
Dançando, vencendo, entregando nossa alma por algumas horas de amor artificial.
Somos a felicidade, a tristeza, o sorriso e a dor.

Chegue mais perto, descubra uma nova face no espelho.
Há demônios nos atormentando em meio ao cheiro de fumaça.
Estamos mortos, estamos nos decompondo, mas a energia permanece pulsando.
Gargalhadas ao fundo, presos em uma armadilha da qual não queremos escapar.

Me ensine alguma lição, pois estou fraco, mas me sinto forte.
O relógio corre, meu coração acelera junto.
Sim, agora sou uma bomba-relógio, e tudo pode ir para os ares a qualquer momento.
Sorrisos de maldade e dor incontida me seduzem em cada canto.

Estou fugindo de mim mesmo, mas não estou assustado.
Quando o sol raiar, estarei no chão, cansado de tudo que se passou.
Instintos aflorados, minha mente se abre em meio a estas luzes que fazem questão de me enganar.
Purificação distorcida, talvez um único caminho sem volta.

Liberdade disfarçada, correntes imaginárias em meus braços e pernas.
Sem um destino, nos tornamos sonhos que ficaram perdidos pela estrada.
Aqui já não há esperança, mas todos queremos ressuscitar.
É difícil de entender, chuva e fogo, estamos queimando, mas não precisava ser desse jeito.


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Língua

Pedro chega à casa de sua tia Doralice, que está jantando com seu tio João.

Versão 1:

- Oi, tia Doralice!
- Olá, Pedro! Você chegou bem na hora boa! Senta aí, come com a gente!
- Hum... O que tem aí?
- Fiz língua fervida com molho de tomate. 
- Pois é, tia... Já jantei. Muito obrigado.
- Ah, não! Olha como você tá magrinho. Come, nem que seja um pouquinho.
- Não. Sério, tia. Não precisa se dar o trabalho. Ainda vai ser mais louça para a senhora lavar...
- Não tem problema! Vai, senta aí. Peraí que já vou servir.
- Tá bom, tá bom, tia... Mas não precisa colocar muito.
- Pronto, pronto, tá no prato.
- Muito obrigado.
- E aí, o que tá achando?
- Nossa, tia... Tá muito, muito bom... Parabéns.
- Eu sabia que você ia gostar!

10 minutos depois...

- Pronto, tia. Terminei.
- Põe mais um pouquinho, Pedro!
- Não precisa, tia. Estou satisfeito.
- Pega mais um pouco! Você disse que gostou! Não precisa ficar encabulado!
- Muito obrigado, tia...
- Dá o prato aqui! Vou colocar mais, já que você fica se fazendo de rogado!
- Poxa... Não precisava...
- Precisa sim! Ficou bom, né?
- Nossa... Delicioso... Hum... Gurp... Gurp... Blooorgh!
- O que aconteceu, Pedro?
- Desculpa, tia... Deixa que eu limpo esse vômito. Ai, que vergonha!
- Você tá bem?
- Sim, sim...
- Será que foi língua demais? Você devia ter falado que não queria mais!
- Pois é... Não quis fazer desfeita. Pra falar a verdade, nem gosto de língua...
- Que desfeita, que nada! Era só falar! Não precisava comer forçado! É um direito seu não gostar de língua.

Versão 2:

- Oi, tia Doralice!
- Olá, Pedro! Você chegou bem na hora boa! Senta aí, come com a gente!
- Hum... O que tem aí?
- Fiz língua fervida com molho de tomate.
- Pois é, tia... Já jantei. Muito obrigado.
- Ah, não! Olha como você tá magrinho. Come, nem que seja um pouquinho.
- Não. Sério, tia. Não precisa se dar o trabalho. Ainda vai ser mais louça para a senhora lavar...
- Não tem problema! Vai, senta aí. Peraí que já vou servir.
- Não, tia. Não quero mesmo. Não gosto de língua. É sério.
- O quê? Você não gosta de língua? Ouviu, João? O Pedro disse que não gosta de língua!
- É verdade, não gosto mesmo.
- Você não gosta é da minha comida, né?
- Não, tia... Não me entenda mal.
- Por que não fala, hein? A gente cozinha com tanto carinho, com tanto amor, e é assim que as pessoas retribuem. Mas tudo bem... Você não gosta da comida dessa gente pobre, né?
- Tia, desculpe... Não é nada disso... Desculpe mesmo...
- Ô João, faz a sala aí pra ele... Vou por quarto... Boa noite.
- Tia, volta aqui... Outro dia eu prometo que experimento sua língua com molho! Prometo! Não quis ofender a senhora!
 

domingo, 30 de outubro de 2011

Força, Lula!

Lula passou por muitas provações em sua vida. Da infância miserável à consagração como um Presidente com mais de 80% de aprovação, venceu muitos e muitos obstáculos.

Soube, como poucos, lidar com todas as dificuldades. Venceu inimigos que pareciam invencíveis. Não derrubou a muralha do sistema. Mas conseguiu pulá-la.

O ex-Presidente Lula sempre teve fé. Nunca desistiu de seus objetivos. Lula foi, e é, a imagem da perseverança. Errou muito. Mas acertou mais.

A seu modo, e dentro de suas possibilidades, tornou o Brasil um país melhor, com menos desigualdades, com mais oportunidades para aqueles que sempre se viram como objeto secundário dos diversos governos.

O câncer na laringe é apenas mais um adversário na vida de Lula. E Lula vai superá-lo, da mesma maneira como superou tantos e tantos infortúnios, porque ele é, acima de tudo, um vencedor no jogo da vida. 

Mais uma vez, a esperança vencerá o medo.

Força, Lula!     

sábado, 29 de outubro de 2011

No bar

- Olá. Por favor, quanto está a Polar?
- A Polar? Sete pilas.
- Peraí... Er... Acho que não ouvi direito... Quanto está a Polar, mesmo?
- Sete pilas... Sete reais...
- Sete reais?
- Isso, senhor.
- Bom... Tudo bem... Mas... Cadê as garçonetes dançantes?

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Rompimento

Prezada Alessandra Gouveia,

Primeiramente, vou tomar a liberdade de abreviar seu nome. AG fica bom. Pois então, AG... Talvez tenhamos que repensar a nossa relação. Eu estava muito bem, levando a minha vida sozinho, tranquilo. Mas sempre há pressões da família, e a insegurança em relação ao futuro. Foi aí que começamos a nos relacionar. Você, AG, seria a panaceia de minha existência, a solução dos meus problemas.

Passamos a planejar um casamento. Teria de ser coisa longa, duradoura. Tipo, uns 20 anos, no mínimo. Parei tudo que eu estava fazendo por esta relação. Tinha a certeza deste casamento. Por sinal, que seca que estou passando! Nada de sexo, nada de nada! Você sempre exigiu papel passado, querida. Eu, Sílvio Correia Inácio, ou SCI, como quiser, fiel como um cãozinho, segui tudo o que você dizia.

Fato é que o tempo está passando, e me sinto estagnado, angustiado. Começo a achar, sinceramente, que você está me enrolando nessa relação. Sinto que estou vivendo de ilusões. Sempre tem um probleminha, um impeditivo para este casamento. A lista de exigências só aumenta a cada dia. Você desliga o telefone, não responde meus e-mails e mensagens. Não sei, AG, se você está indecisa, ou se está arrependida de algo. Mas a cobrança de minha família está bem grande. Na última semana, perdi um festão porque no convite era exigido um par. Alguns parentes me pressionaram. "Vai lá, Sílvio! Faz alguma coisa! Não deixa essa mulher te enrolar desse jeito! Pressiona antes de perder essa festa!" Porém, eu, esperançoso de seu retorno a tempo, me mantive quietinho, esperando pelo telefone que não tocou. Perdi a festa. Tudo pelo nosso casamento.

Entretanto, paciência tem limite. Acreditei em suas doces palavras. Já tive convicção absoluta de que você era o melhor caminho que eu poderia seguir. Mas a fila anda. Estou repensando muito seriamente isso tudo. Cada vez mais as pessoas me dizem que devo seguir sozinho, com minhas próprias forças. E, quer saber? Estou cada vez mais convencido disso. Talvez seja o melhor. O que foi aquele e-mail frio e distante que você me mandou hoje pela manhã? Era melhor nem ter mandado nada, como você vinha fazendo até então. Até agora, este casamento, mesmo sem ainda ter se concretizado, só fez trazer atribulações e stress. Talvez seja melhor para mim e para você que acabemos logo com esse martírio. Ou será que suportaríamos a convivência de longo prazo, depois de todo esse desgaste? Minhas pequenas manias lhe incomodariam, tenha certeza. E sua megalomania também seria bem incômoda a mim e à minha família, gente simples, sem frescuras.

Quem sabe então, AG, não seguimos nossos caminhos assim mesmo, fingindo que nada disso jamais aconteceu? Você, AG, vai achar vários parceiros capazes de lhe satisfazer, não tenho dúvidas. E eu, SCI, vou seguir sozinho, ainda com minhas incertezas, mas com todo o carinho e apoio dos meus, certo de não ter feito a maior burrada da minha vida. 

Espero, do fundo do coração, que você compreenda os meus motivos.

Cordialmente,
Sílvio Correia Inácio