sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

10 previsões arrojadas para 2011

1. Uma pessoa muito famosa vai morrer.

2. Uma pessoa muito famosa vai engravidar.

3. Uma pessoa muito famosa vai casar.

4. Pelo menos um clube brasileiro vai se classificar para a segunda fase da Libertadores.

5. Na sexta-feira santa, o Jornal Nacional vai apresentar um giro pelo país com as diversas encenações da paixão de Cristo.

6. Na semana da São Silvestre 2011, o Globo Esporte vai mostrar no mínimo uma matéria de um Zé Ruela qualquer que vai disputar a corrida.

7. Ronaldo sofrerá uma lesão muscular.

8. O BBB tomará conta dos portais, enquanto o mundo explode. Mas isso, tanto faz...

9. No carnaval, o Jornal Nacional apresentará um giro pelo país que mostrará, entre outras coisas, os trios elétricos de Salvador e os bonecões de Olinda.

10. Quem é de mentira e enganação, continuará sendo de mentira e enganação. Simples assim.

Anotem. E me cobrem depois.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Reconhecimento

É bem verdade que o Mundial trouxe um gosto amargo para o final de 2010 dos colorados. A derrota para o Mazembe vai ficar marcada na paleta, tão inesperada que foi. Desastres são assim mesmo, e deixam cicatrizes. Mas o fracasso em Abu Dhabi não invalida um ano excelente do Inter. Ou alguém tem dúvida de que o Fluminense, por exemplo, trocaria fácil, fácil seu Brasileirão pelo título da Libertadores? Talvez Muricy, "o competente", não trocasse (será?). Mas a torcida trocaria, sim...

Fato é que num ano em que foi Bicampeão da América, o devido reconhecimento veio para o colorado. Semana passada, o Inter foi apontado como o clube brasileiro da década, pela Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/esporte/850832-na-decada-de-inter-e-sao-paulo-palmeiras-e-vasco-so-patinam-no-ranking-folha.shtml). Nem poderia ser diferente. O Internacional, na segunda metade da década, conquistou todos os títulos internacionais possíveis. É o clube brasileiro mais vencedor dos anos 2000.

Ontem, veio mais um pedação de reconhecimento. O tradicional prêmio "Rey de América", do jornal El País, do Uruguai, é de D'alessandro (http://www.ovaciondigital.com.uy/101230/futinter-538413/futbolinternacional/el-argentino-d-alessandro-es-el-rey/). El cabezón é o melhor jogador da América. Apesar de ter ido muito mal no jogo contra o Mazembe, D'ale fez uma temporada brilhante. Foi o maestro colorado na Taça Libertadores. Jogou muito, conquistou pela primeira vez a maior competição do continente e, de quebra, marcou de uma vez por todas seu nome na galeria dos maiores craques da história do Inter.

Este reconhecimento nacional e internacional serve para dar uma adoçada no amargo final de ano do Inter. Um trabalho, uma trajetória toda, não podem ser jogados no ralo por causa de um jogo, como alguns setores da imprensa gaudéria, bem conhecidos por sinal, têm tentado nos aplicar.

O clube brasileiro da década fica ali, na Padre Cacique. E, naquele estádio, joga o melhor jogador do continente.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Esgoto

Achei o meu lugar.
É longe de tudo.
Fogo por todos os lados.
Delícias e prazeres me chamam através das paredes.

Entrego-me ao movimento dos seus quadris.
Hipnose profunda, êxtase em cada centímetro do corpo.
Dê-me mais um pouco de lama!
Os grunhidos são meu doce deleite.

E agora não preciso mais de explicações vazias.
E agora desisti de mim mesmo.
Apenas me deixo levar ao inferno.
Não há mais vagas no céu.

Esse fingimento é mais verdadeiro.
Com clareza vejo a escuridão ao meu redor.
Sou parte dela, agora me conheço melhor.
E não adianta me chamar de volta.

É no subsolo que sou entendido.
Vou mergulhando até as profundezas.
Já não preciso de ninguém mentindo em meus ouvidos.
Meu poder é saber que não preciso ser escravo do poder.

Sim, baby, estou livre.
E isso está cheirando a esgoto.
Tente me buscar algum dia, se tiver coragem.
Mas nunca me peça para ser o mesmo.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Vício

Abstinência insuportável.
Rendo-me ao vício.
Nunca consigo parar.
De novo você está injetada em minhas veias.

O sono se foi, o sonho voltou.
Tento acabar com isso, mas me sinto fraco.
Vou colocar fogo em tudo.
As chamas brilharão em meus olhos.

Estou olhando para a agulha, maldita agulha.
Ainda posso sentir seu cheiro em minha roupa.
A cidade de areia desmorona com a onda do mar.
Mas ainda sobra algo, sempre sobra algo.

Agora esbofeteio minha cara.
E cuspo em meu coração.
Um dia isso teria que ser feito.
Preciso me libertar.

Mas quando o cansaço volta, tudo está em seu lugar.
Quebrei toda a casa, porém a agulha permanece ali.
Controlo o tanto que posso, mas isso é muito pouco.
Meu sangue precisa dessa droga, precisa de você.

Então perco de novo o senso do real.
Será que esse beijo é uma miragem?
Encontrei a fórmula ideal ou tudo isso é vazio?
Sou seu vício também, ou apenas mais um viciado?

Ainda vou abrindo caminhos.
Ela é linda, ela é uma luz que brilha.
Ela não é você.
Sabia que minhas vistas desembaçaram?

Não sei o que vai ser, mas sei que ainda posso sobreviver.
Vi que ainda tenho o direito de ser feliz, e que posso me livrar destes fantasmas.
Eles nunca me levam para um lugar bom.
Eles apenas me destroem, e decidi lutar.

Sim, ainda há esperanças fora desse vício maldito.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Rock, arte e comércio

De Dado VillaLobos, ex-Legião Urbana, sobre a banda Restart, na Billboard de dezembro (fonte: http://redutodorock.virgula.uol.com.br/site/2010/12/24/dado-villa-lobos-detona-restart-na-billboard-brasil/):

"Eu nem vejo o Restart como banda de rock. É um veículo para que se venda camiseta, chiclete, álbum de figurinhas. Não é porque o cara pendura uma guitarra elétrica no pescoço e tem um baterista que isso é rock. É um fenômeno pop adolescente. Aliás, adolescente, não! É pré-adolescente. Nosso público nunca teve esse perfil."

Definição perfeita. Sem nada pra tirar ou colocar. É isso! Me causa arrepios quando ouço alguém caracterizar Restart como rock. Me dá náuseas quando tentam me aplicar que aquela coisa é arte. Não é! É comércio puro. Não que a arte não possa ser comercial. Mas o ser comercial é, ou deveria ser, fruto, consequência. Um ou outro ajuste, também, de vez em quando e com moderação, para tornar a arte mais palatável, também não é condenável.

No entanto, a partir do momento em que o sujeito direciona aquilo que faz, desde o nascedouro, a ganhar dinheiro, pura e simplesmente, isso definitivamente não é arte. Quando se coloca a relação econômica na frente da produção artística em si, esta inevitavelmente se vê corrompida. Porque o comércio é utilitário. E a arte não o é. Não sou puritano. Não acho que artista deve fazer voto de pobreza. Não acho que seja pecado ganhar dinheiro com a arte. Mas acho, isso sim, que a partir do momento que, em nome das verdinhas, o cidadão distorce aquilo que pensa e sente para ganhar dinheiro de maneira oportunista, e não encontro outra definição, ele está abrindo mão de fazer arte para fazer qualquer outra coisa, à qual se dê o nome que se quiser dar, mas que não pode ser chamada de arte.

Infelizmente, hoje em dia a relação de produção para venda tornou-se prioritária, em todos os campos, consequência direta de um modelo capitalista que cada vez mais ultrapassa a dimensão econômica para se enraizar nas próprias relações sociais, nivelando tudo pelas mesmas cifras. O problema é que produção intelectual e artística não pode, ou ao menos não deveria, se pautar exclusivamente pelo dinheiro. Porque, assim sendo, ela perde a sua essência, aquela que seria sua finalidade primordial: expressão de ideias e sentimentos próprios, e não uma fórmula pré-definida e pré-moldada para obtenção do lucro.

Dinheiro é bom, lógico, e eu gosto muito. Mas isso não pode se dar a qualquer custo. Romântico que sou, ainda acho que a alma não é algo que se venda. E é isso que os Restarts da vida fazem.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Respostas

De uma hora pra outra vou abandonando tudo.
Segundos decisivos, não há como escapar.
Então, está traçado nosso destino.
Como se pudéssemos algum dia ter escolhido esse final.

A despedida é rápida, mental.
Não há tempo para chorar.
Um filme em minha mente, e já vejo aquela luz.
E não poderia ter falado nada mais...

O coração dispara, certeiro.
Nunca antes havia estado tão lúcido.
Imagens claras, respostas não são mais necessárias.
Tudo está respondido, sem mais, sem menos.

E agora, já chegamos ao máximo?
E agora, já chegamos ao ápice da existência?
Ou terá sido um grande engano, roteiro sem nexo?
É o fim, ou apenas o começo?

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

10 pedidos para o Papai Noel

24 de dezembro. Véspera de natal. Dessa vez vou abusar. Não vou fazer um pedido apenas, para o Papai Noel. Vou fazer dez. Podem vir à prestação no próximo ano, sem problemas. Vamos a eles:

1. Que o governo de Dilma comece com o pé direito (ou esquerdo, dependendo do ponto de vista), calando todos os secadores de plantão.

2. O Tri da Libertadores e o Bi Mundial. Para o Inter, é claro.

3. Paz, afinal, sem ela não podemos curtir em sua plenitude os bons momentos da vida.

4. Amor: apesar de ser um negócio meio fora de moda, é algo que ainda prezo.

5. Sucesso profissional nunca é demais também, vamos a ele.

6. Que as pessoas sejam cada vez mais apegadas à simplicidade. Não uma simplicidade forçada e artificial. Simplicidade verdadeira, destas que tornam as relações humanas muito mais leves e genuínas.

7. Para que tal simplicidade seja exercida, é fundamental que cada um se faça confiável. Sejamos sinceros e honestos para com nossos desejos e atitudes, pois. Meias-palavras não estão com nada...

8. Determinação: o ano que vem é sempre o mais desafiador. Há de se ter aquela força que sai das entranhas, mesmo nos momentos mais difíceis.

9. Capacidade de fazer do tempo o maior aliado: fazer cada segundo bom ter o efeito de uma hora, um dia, uma semana, um mês; fazer cada mês ruim ter o impacto cada vez mais reduzido, de uma semana, um dia, uma hora, um segundo...

10. E, se nada disso der certo, peço pelo menos uns trocadinhos para tomar uns tragos, e esquecer os contratempos reservados pela vida.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Previsível

Não me contamine mais com sua estupidez!
Estou acordado, estou acordado!
Sonhos em chamas estão se apagando!
Jogue mais água, deixe as cinzas para trás!

Você é tão óbvia, baby, incapaz de fazer uma transformação.
Sabia que estou rindo da sua cara nesse exato momento?
Sabia que estou me deleitando com a sua fraqueza?
Você é óbvia, baby, entregue a uma vida medíocre e sem graça.

Todos estão dançando a marcha fúnebre.
A plateia aplaude, irônica, seu concerto de dó-ré-mi.
Crianças fazem melhor do que isso.
Elas ainda guardam sua autenticidade, enquanto não são fisgadas.

Vá se afogando em seu próprio vômito.
Esqueça de respirar.
Deixe tudo igual, igual como um dia de chuva e de sono que nunca se acaba.
Inércia absoluta, relógio parado.

Pode ver as pessoas que estão virando as costas?
Elas esperavam mais de você.
Foram tolas, humanamente tolas.
Showzinho mequetrefe, palavras vãs.

Olhe no espelho, e evite a própria vergonha.
Olhe no espelho, e diga a si mesma que tomou a decisão certa.
Faça isso até desmaiar.
Faça isso até cortar sua mão com um soco na face refletida.

Procure algo melhor para fazer.
Vá se repetindo, dia após dia, burocraticamente.
As moscas são mais livres e têm desejos menos limitados que os seus, é capaz de perceber?
Apenas continue brincando até que todos aqui se explodam.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A renovação de Roth

Repercutiu mal entre a maior parte da torcida colorada a renovação de contrato de Celso Roth, anunciada ontem pela direção do Internacional. Mas há que se ter a cabeça no lugar num momento desses. Particularmente, não acho nenhum absurdo a permanência de Roth. Se houvesse melhores opções disponíveis no mercado, valeria a troca. Hoje, só há Falcão, a única aposta que eu faria, e que, parece mais do que comprovado, a atual direção jamais vai fazer.

Depois do Mundial, surgiram muitos e muitos profetas do acontecido. Após o fracasso, surgiram muitas teses, principalmente em relação ao planejamento do segundo semestre, onde o colorado praticamente abriu mão da disputa do título nacional para poupar seu elenco para o Mundial. Mas, à época, pouquíssimas vozes ergueram-se na imprensa para contestar o planejamento. Eu mesmo, aqui neste humilde blog, sempre fui favorável ao que estava traçado. Hoje, só hoje, após o desastre do Mundial, vejo que era um erro. Logo, acho covarde e oportunista colocar toda a carga da derrota sobre o treinador.

Passa longe de ser um absurdo renovar o contrato com o atual treinador Campeão da América. Celso Roth mostrou na Libertadores que é competente, sim. Vale dar o crédito. E, mais importante do que treinador, é fundamental, para servir de suporte, que a diretoria colorada reforce o elenco com jogadores de qualidade.

Do jeito que está, o Inter precisa de, no mínimo: um goleiro; um zagueiro; um primeiro volante; e um centroavante. Principalmente nos dois extremos, considero fundamental que sejam trazidos jogadores de grande porte, daqueles que chegam no aeroporto, assinam contrato, e saem jogando. Para o gol, talvez por despiste, os dirigentes indicam que apostarão em Muriel ou Agenor. Particularmente, prefiro Agenor. Entretanto, considero uma temeridade iniciar uma Libertadores com uma aposta embaixo das traves. Para o ataque, então, nem se fala. Alecsandro, que não é um desgraçado, já deu o que tinha que dar. Não tem mais clima para ficar no Inter. O colorado precisa de um matador, um jogador "erro zero", como seriam jogadores do nível de um Luís Fabiano, um Fred ou um Grafite. Na primeira volância, até vale um jogador de menor renome, mas que seja eficiente. E na zaga, Rodrigo, de contrato renovado, pode ser a solução para substituir o histórico, mas cansado, Índio.

O próximo ano reserva imensas dificuldades para o Inter. Como há muito não acontece, o colorado iniciará a temporada sob olhares dos mais desconfiados, um treinador contestadíssimo pela torcida, e com o peso da euforia adversária com a contratação, bastante provável, de Ronaldinho Gaúcho. Só tem uma maneira de tornar o cenário menos nebuloso: montar um time forte, capaz de conquistar o Tri da América, e apresentar resultados em campo, o mais rápido possível, e com o mínimo de tropeços.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Ponteiro

O ponteiro gira certeiro e angustiante.
Até quando vai tudo isso?
Um, dois, três, quatro, cinco, seis.
Sete, oito, nove, dez, onze, doze.

Momento indefinido, meu olho está fixo.
As horas passam, mas a dor fica.
Ela está mais e mais forte com o anoitecer.
O tempo não pára, ainda que tudo permaneça igual.

Segundos, minutos, horas, já é tudo o mesmo.
Você está sorrindo em algum canto?
Olho para o telefone, mas sei que não posso.
Isso não acaba, algum dia vai acabar?

Preciso acalmar meu coração.
Ele não tem a convicção do ponteiro.
Talvez eu deva tirar a pilha.
Isso poderia ser bem melhor.

Será que meu mundo já acabou?
Ou será que minha vida já começou?
Coloque a mão em meu peito.
Salve-me de mim mesmo.

Quero ter lembranças suas.
Quero ser uma estrela marcada em você.
Falta completar nosso álbum, você sabe bem, garota.
O vazio não pode continuar, o ponteiro tem que abandonar sua frieza.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O poeta

Podem servir o poeta.
A negociação foi fácil.
Seu sonho finalmente virará realidade.
Sim, será real.

São clarividências inquestionáveis.
Visões de um futuro promissor e prometido.
Quadro lindo pintado na mente de quem lhe quer bem.
O poeta tem a certeza de que será feliz.

Ele apenas pergunta o que fazer, partir ao encontro ou permanecer à espera.
Faça o que o coração mandar, a resposta.
Aguardará um pouco, o sinal positivo com a cabeça confirmou.
De um jeito ou de outro, dará certo, a convicção.

Peito leve, com a certeza de que chegou a sua vez.
Há dias ensolarados por vir, confiança na credibilidade daquelas palavras.
Intuição forte, alegria represada.
O poeta fará de sua vida a mais bela de suas poesias.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Dignidade e grandeza

Começava o jogo em Abu Dhabi. Era para ser uma aguadíssima decisão de terceiro lugar do Mundial Interclubes. Cumprimento de uma formalidade indesejada, resquício de uma ressaca terrível. Mas não foi. Ecoavam no estádio cânticos apaixonados, típicos do Beira-Rio. Ouvia-se com mais força do que nunca aquele "Inter, estaremos contigo. Tu és minha paíxão. Não importa o que digam, sempre levarei comigo minha camisa vermelha, e a cachaça na mão..." Ali, mais uma vez, ficou provado que o Inter é um clube grande. Mesmo nas tragédias. Ali, naquele momento, meus olhos marejaram. Que coisa mais linda, que fenômeno absurdamente maravilhoso é este amor que nós, colorados, temos pelo nosso clube.

É claro que há uma série de fatores que constroem a grandeza do Inter: os títulos, todos os possíveis para um clube brasileiro; o patrimônio, que só ganhará valor com a reforma do Beira-Rio; a permanência direta na primeira divisão, sem experimentar rebaixamentos, entre tantos outros aspectos. Mas, acima de qualquer coisa, a grande riqueza do Internacional é a sua torcida. Ela faz a diferença.

Ser grande nas horas fáceis é cômodo. Mostrar grandeza na vitória é algo tranquilo. Porém, ser grande nas horas ruins é muito mais árduo. É nessas horas que se vê o valor de um clube. E o Inter, derrotado, vindo de uma catástrofe histórica, soube ter a imponência dos verdadeiramente grandes. Sua torcida mostrou com toda a gana o amor pelo clube. Outros abandonariam. Deixariam a instituição às traças em um jogo constrangedor como era de se esperar que fosse o de ontem. Mas a torcida colorada, não.

No momento mais doloroso, triste, de luto, ela mostrou toda a sua força, sua inesgotável paixão. É esse amor incondicional que nos faz ter a certeza de que o colorado continuará forte. Já, já, tem a busca do Tri da Libertadores e do Bi da Recopa. E me atrevo a dizer que o Inter sai do Mundial maior do que entrou. As lágrimas agigantam nossa torcida, e, sempre foi assim, das lágrimas mais amargas floresceram nossas maiores glórias. Tenham certeza: essa derrota, esse tombo de proporções inenarráveis, servirá para tornar o Internacional ainda mais vencedor.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Prazer mórbido

Ela finge que está tudo normal.
Está escolhendo errado mais uma vez.
O cavalo apanha no lombo.
Ele não aguenta mais.

Não foram dias nem meses, nada foi simples.
Remoeu cada gesto.
Engoliu a seco cada ato daquela peça ridícula.
Vive a incerteza mais certa e ácida.

Ela contorna o caminho, ela vai passar reto.
É muito mais fácil fechar as portas e morrer à míngua.
Ela sente prazer quando pisa nele.
Agora, sua alma não passa de uma pasta no chão.

Do outro lado, todas as chances.
É muito cômodo amar assim.
Aquele cara aguentaria os cortes que aguentei?
Não tem muita lógica o que está se passando.

Nós estamos no circo, mas seria bom se pegasse fogo de vez.
Morreríamos queimados e rindo dessa imensa palhaçada.
Aquele gesto é de carícia ou estrangulamento?
Ninguém sabe as verdadeiras intenções.

Um dos dois está ressecando, é sempre o mesmo.
Fantoche estúpido, desista de ter vontades.
Apenas seja consumido a cada minuto.
Alguns parecem ter nascido para isso.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Portas

Essa espera está me matando.
Olho para o teto procurando uma resposta.
Sou refém de suas indecisões.
O que eu faço se não consigo fugir?

Vão passando as pessoas na janela, nenhuma é você.
Neste jogo sórdido, sempre saio perdendo.
Preciso dormir até que o mundo exploda.
Não se esconda mais, seu vício é a mentira.

Estou fraco e cansado.
Ninguém enxerga minha dor.
Ninguém acaba com ela.
Acho que vou vomitar agora.

Abri mão de tudo, e me vejo morrendo lentamente.
Sua arma estava carregada, agora pode ver?
Por mais quantos dias e noites terei de viver assim?
Tudo vai ficando menor diante de sua presença que rasga meu peito.

Todas as melodias se juntam num único inferno.
Sou coadjuvante da minha própria história.
Não quero gritar, mas preciso disso.
As pessoas sorrindo me incomodam profundamente.

Ainda existo, ou sou somente um fantasma?
Quero sair logo, mas só você tem a chave.
Já não se divertiu o bastante?
Apenas me beije e esqueça tudo que passou.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Soterrado

Vá corroendo todas as suas células.
Estou esgotado, mas podia estar melhor.
Você se entrega e morre, devagar e dolorosamente.
Mas ainda pode tentar.

Pare de brincar, estou estraçalhado.
Pare de correr, isso já não tem graça nenhuma.
Vão te usar, vão te sugar mais e mais.
Quando não servir mais, irão te amassar e jogar no lixo.

Tento ser uma rocha, peço ajuda aos céus.
Deus, preciso de você.
Minha vida está me consumindo.
Ela vai fazer tudo de novo.

Suas palavras me confundem.
Quanto mais caminho, mais me perco.
Já não quero mais nada, apenas estoure meus miolos.
Isso não é tão doloroso.

Ela vai ardendo no meu peito.
Estou sozinho e morto por dentro.
Meus sonhos sempre viram pesadelos.
Por que insisto em me auto-flagelar?

Te vejo ir embora de novo.
Por mais que eu grite, você não me ouve.
Em algum momento voltei a ter fé.
Mas estou novamente soterrado em meus sentimentos.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Brilho nos olhos

Tento dormir cedo.
Quero o amanhã logo.
Verei você, estou precisando de você.
Mesmo que eu tenha que guardar o coração numa gaveta.

Amor corrosivo, espere um pouco até que eu chegue.
Minha chance não pode ir embora de novo.
Salve-me de mim mesmo.
Você é a única que pode.

Nossos minutos e horas, o melhor de minha vida.
Deixe meus dedos te mostrarem o caminho certo.
Um dia você disse que esse dia chegaria.
Será que ainda lembra?

Meus olhos ainda brilham quando te vêem, percebe?
Dispa minha armadura, só você é capaz.
Voltei à estaca zero, nem imaginava.
Minha boca procura a sua, consegue sentir?

Andei tanto, tanto, tanto...
Será que cheguei?
Chorei tanto, tanto, tanto...
Será que agora já posso sorrir?

Alguma coisa estava escrita, isso é óbvio.
Faltam as próximas páginas, espaços em branco.
Quero que seja a melhor noite de nossas vidas.
Apenas me deixe sentir o que transborda do peito.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Levanta, colorado

Levanta, colorado.
Levanta, que tu és o atual campeão da Libertadores.
Levanta, que tu és o Campeão de Tudo.
Levanta, que este clube é verdadeiramente grande.

Levanta, colorado.
Levanta, que tu não precisas fazer buzinaço com a derrota alheia.
Levanta, que as tragédias sempre te fizeram mais forte.
Levanta, colorado, mesmo que a dor seja incontrolável.

Levanta, colorado.
Levanta, que tu nunca soubeste o que é habitar as divisões inferiores do futebol.
Levanta, que tu pertences ao clube do povo.
Levanta, que nada, absolutamente nada, destruirá o teu amor por este clube Gigante.

Levanta, colorado.
Levanta, que tu já és Campeão do Mundo, sem asteriscos.
Levanta, como o Inter levantou depois das décadas malditas.
Levanta, que o mundo não acabou, embora, por ora, não possas conquistá-lo.

Levanta, colorado.
Levanta, que tu tens títulos para comemorar, és o Rei da América.
Levanta, que tu não tens as suas maiores glórias em vitórias do Independiente e do Mazembe.
Levanta colorado, que tu tens o que comemorar, apesar deste pesar que parece destruir este teu coração.

Levanta, colorado.
Levanta, que logo ali estarás de novo, na arquibancada do Gigante, vibrando como nunca.
Levanta, que este dia, o mais ensolarado e mais cinzento da tua vida, vai acabar em poucas horas.
Levanta, colorado, e coloca os teus olhos onde surge o amanhã.

É lá, no amanhã, que tudo fará sentido.
De novo.

Começa hoje a caminhada rumo ao Bi Mundial

Logo mais, às 14 horas, o Inter entra em campo, todo de vermelho, para disputar com o Mazembe, do Congo, uma vaga na final do Mundial de Clubes FIFA. O colorado é favorito, lógico. Seria muito mais complicado enfrentar o Pachuca, time mais experiente, com mais cancha. O Mazembe tem a ingenuidade defensiva característica dos times africanos. Mesmo assim, é importante manter os olhos abertos.

O colorado deve atuar com máxima atenção. É um jogo de Mundial! E alguns aspectos táticos me causam certa apreensão. Por exemplo, Mathias melhorou muito seu posicionamento do Brasileirão para cá? Ou vai deixar, como costumeiramente tem feito, a defesa desguarnecida? Além disso, o melhor jogador do Mazembe, Kabangu, provavelmente cairá na esquerda da defesa colorada, onde temos Kléber, um apoiador, e Índio, que se ficar no mano a mano, só busca o atacante adversário se pegar um táxi. Me parece que Guiñazu terá que ficar um pouco mais preso na marcação, para neutralizar a principal alternativa do ataque africano, e com isso permitir que o Inter possa partir para o campo ofensivo com mais tranquilidade e segurança.

Por outro lado, o ataque pode fazer a diferença. Sóbis é um cara que merece muito brilhar nesse Mundial. É decisivo, e a cada declaração mostra que quer demais conquistar esse título. Assim como D'alessandro, el cabezón. Ele nasceu para os grandes jogos, para os grandes momentos. Ele adora fazer a diferença nos momentos mais cruciais. Chama a responsabilidade e toma conta do jogo. É o grande trunfo colorado nesse Mundial de Clubes FIFA.

Cabe ressaltar ainda que é fundamental que o Internacional controle ao máximo a ansiedade típica das estreias, principalmente quando se trata de Mundial Interclubes. Qualidade técnica, o colorado tem muito mais. Tem é que, no mínimo, igualar na raça, e atuar com a serenidade e determinação de quem é o grande bicho papão do futebol sul-americano nos últimos anos. O Inter hoje tem status de grande força do futebol internacional. E tem que fazer valer o peso da camisa vermelha.

Estou contando as horas para o jogo. E elas, as horas, não passam. O coração hoje não bate: ele pula. A ansiedade dos grandes jogos do seu próprio clube é a sina de ser torcedor de time grande. É a deliciosa sina de ser colorado.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

131210

Já está suficientemente exausto?
Delete sua existência enquanto ainda possui alguma essência para salvar.
Interne-se no seu próprio manicômio, não confie em ninguém.
Estão todos prontos para decapitá-lo lá fora.

Você acreditou demais em seus pais.
Agora se depara com a realidade mais crua.
Congelou o suficiente ou ficará vivo para ver tudo isso?
O espelho não mostra mais nada, percebe que não existe mais?

Dói, dói, dói, estão torcendo a faca em seu peito.
Não adianta implorar, não adianta esperar que alguém lhe salve.
Sua condenação veio do útero.
Mas disseram que seria mais fácil.

Mais dias, mais dias, mais dias em sua vida.
Menos dias, menos dias, menos dias de sua vida.
Ela está indiferente a tudo, olhe isso.
E você continua a acreditar que seus sonhos são mais que sonhos.

Está sendo devorado pelas hienas.
Elas roem até os ossos.
Sua existência é um pesadelo.
Mas não se preocupe, tudo vai piorar.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Eu odeio os seus amigos

Buscávamos o nosso acerto.
Eles são sua desculpa favorita.
Na hora inadequada, lá estão, não têm nada interessante pra fazer.
Ei, garota, você percebeu os meus olhos em chamas?

Você não gosta de bossa nova.
Mas ele é a cara do Boça.
Um idiota completo.
E tive que aguentar aquela estupidez sem sentido.

Você faz péssimas escolhas.
Vá tomar seu café com bobagem.
O cenário que você monta é patético como eles.
Eu odeio os seus amigos, baby.

Eles pensam que podem mudar alguma coisa.
Jogo a doutrina deles na lata do lixo.
Subestimam a minha inteligência.
Eles estão caídos no chão, envenenados.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Caminhos e destino

Está caído e sangrando no chão.
Mais uma lição, despido de sua dignidade.
Ainda aguarda como um zumbi.
Tem esperança de ressuscitar.

Um caminho ou outro, sempre o mesmo destino.
Vive de ilusões, vive do amanhã.
Mas o amanhã nunca chegou.
Está livre para ser um nada.

Algumas respostas parecem previsíveis.
Mas continua acorrentado, vivendo de migalhas.
Ela prefere a acomodação medíocre.
Ela não gosta de assumir riscos.

Ele tentou erguer a cabeça.
Ele tentou o seu melhor.
Agora apenas descansa.
Agora apenas apodrece.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Goiás merecia melhor sorte

O Independiente conquistou a Copa Sul-Americana. É um time de muita tradição, muita camisa, isto é indubitável. Entretanto, o Goiás merecia melhor sorte. Não que seja um time brilhante. Tanto é de mediano para baixo que foi rebaixado no Brasileirão. Mas lutou muito. E dominou a maior parte da finalíssima.

O primeiro tempo do esmeraldino foi horroroso. O time goiano foi defensivamente desastroso e não teve absolutamente nenhum peso ofensivo. O meio de campo inexistiu, e os brasileiros se limitavam a dar chutões. Nos primeiros 45 minutos, o Goiás sofreu três gols e fez um. Não fosse a ruindade do Independiente, poderia ter levado mais gols nessa etapa. Ainda assim, dois dos gols que o Goiás sofreu foram espíritas, quase varzeanos.

Já no segundo tempo, o Goiás passou a trocar jogo com os argentinos. Ficou muito próximo do segundo gol. Não conseguiu, mas continuou jogando mais na prorrogação. Os argentinos se salvaram pela catimba. Na bola, foram inferiores, e venceram apenas nos pênaltis. Fato é que o Independiente é o novo campeão da Copa Sul-Americana. A reboque da conquista argentina, o Grêmio ganha a vaga na Libertadores. Reza a lenda que vai sair dvd e desfile no caminhão de bombeiros. E o museu vai ser duplicado. Além de sala de troféus, terá uma sala de vagas.

Ao fim e ao cabo, o Inter continua sendo o único clube brasileiro campeão da Sul-Americana. Mais do que isso: desde 2006, é o ÚNICO clube brasileiro que conquistou títulos internacionais. Mais ainda: desde 2006, conquista ao menos um título internacional por ano. Em 2006, Libertadores e Mundial; em 2007, Recopa Sul-Americana; em 2008, Copa Dubai e Copa Sul-Americana; em 2009, Copa Suruga Bank; e em 2010, Libertadores. Ainda tem um Mundial a disputar esse ano. E uma final de Recopa no ano que vem, além da participação na Libertadores da América. Desempenho bastante razoável, não é mesmo?

Alma violada

Ele foi ensinado a amar.
Mas era tudo um deboche.
Agora está esmagado sob uma pedra gigante.
Ele mesmo devia ser algo assim.

Resta-lhe deixar os dias passarem.
Mas eles insistem em permanecer iguais.
Um pouco de ilusão pode lhe fazer bem.
Um pouco de álcool nas veias pode ser a solução.

A dor que está por vir sempre é maior.
Violará sua própria alma ao vê-la passar.
Você pode imaginar o rombo em seu coração?
Você pode ver seus olhos cheios d'água?

Ele tenta resgatar a si mesmo.
Vai caindo, caindo, caindo...
Ele tenta sobreviver enquanto tem o peito rasgado.
Ele já viu tudo isso acontecer.

De que adianta todo o esforço?
Não sabe ler os fatos.
Vai enfraquecendo, enfraquecendo, enfraquecendo...
Está vivo, mas não sabe se isso é bom.

Ela podia comparar melhor.
Ele passou por tudo e mais um pouco.
Os testes foram desproporcionais.
Ainda assim, ele se manteve firme.

Mas a verdade é que ninguém mais se importa.
Ele pensou que podia sorrir.
De novo, de novo, de novo...
Agora chora em um canto qualquer.

Será que amanhã alguma coisa vai mudar?
Ele precisa de alento, ou de um pouco de veneno.
Precisa despir-se de seus sentimentos.
O mundo está lhe reeducando...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Agonia

Agora que desistiu, que atitude irá tomar?
Ambientes incômodos, vozes que perturbam.
Há um instante de paz para minha mente?
Me deixa viver um pouquinho?

Eles querem te chutar.
Eles querem te derrubar para rir depois.
Eles são pequenos vermes.
Agora é sua vez de chutá-los.

Obedeça apenas a si mesmo.
Ninguém pode dizer nada.
O silêncio acalma o espírito.
Seria bem melhor se ainda pisassem na areia.

O que faço se o estômago quer devolver tudo?
Me ensine a respirar, é disso que preciso.
Me deixe longe das doenças.
Estou suando e com medo.

Me acorde quando todos tiverem morrido.
Me acorde quando só restarmos nós dois.
É meu sonho mais doce.
É minha última chance.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Brasileirão

Merecidíssimo o bicampeonato brasileiro do Fluminense. Não é um supertime. Mas foi o mais regular. O mais competente. Muito graças a Muricy, uma espécie de mago dos pontos corridos. Pode-se não gostar do jeito manjado que seus times jogam. Mas não se pode negar que esse jeitão funciona. Dá resultados. Dá títulos brasileiros.

Junto com o Flu, vão à Libertadores fazer companhia ao Inter o Cruzeiro, vice-campeão, e o Cortinthians, terceiro colocado. O Grêmio está numa categoria nova. Sua torcida e alguns veículos da imprensa gaudéria saúdam uma "talvez-vaga". Realmente esta vaga está bem vaga... Até porque o Goiás não é bobo, e está muitíssimo bem encaminhado para conquistar a Copa Sul-Americana, em cima do modestíssimo, mas tradicional, Independiente.

A Sul-Americana 2011 terá as participações de Atlético Paranaense, Botafogo (que, de novo, seguiu a triste sina de morrer na praia), São Paulo, Palmeiras, Vasco, Ceará, Atlético Mineiro e Flamengo.

Na zona de rebaixamento, não tivemos grandes caindo. Só os médios Goiás, Vitória e Guarani. Além deles, o Grêmio Prudente, que não vai fazer falta nenhuma. Nada contra clubes pequenos patrocinados por prefeituras do interior de São Paulo. Mas o futebol agradece. Na subida, vêm aí Coritiba, Figueirense, Bahia, ressurgido das cinzas, e o simpático América Mineiro. A troca me parece vantajosa. O Brasileirão da próxima temporada vai ser ainda mais interessante, com mais times tradicionais.

De qualquer maneira, tivemos um bom Campeonato Brasileiro. Foi emocionante do início ao fim, ainda que alguns clubes não tenham podido dar a ele a devida atenção, principalmente o Inter, envolvido com a Libertadores e a preparação para o Mundial Interclubes, maior título que um clube de futebol pode conquistar. O Fluminense é justíssimo campeão. Parabéns ao tricolor carioca!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Luigi, o novo presidente colorado

A democracia colorada elegeu ontem o novo presidente do Sport Club Internacional. Giovanni Luigi ocupará o posto máximo do clube no próximo biênio, graças a uma vitória pra lá de consistente sobre Pedro Afattato. Terá a missão de manter o Inter no altíssimo nível verificado nos últimos anos. Trata-se do Bicampeão da América. Trata-se do, possivelmente (tomara!), Bicampeão do Mundo.

O primeiro semestre de gestão já trará consigo um imenso desafio: conquistar o Tricampeonato da América. Espero que 2007 tenha sido uma boa lição, e o Inter não entre numa ressaca terrível, mesmo conquistando o Mundial FIFA. Clubes da grandeza do colorado têm de querer SEMPRE MAIS. E tem sido esta, salvo uma ou outra exceção, a linha norteadora do Inter nos últimos anos. Não é à toa que, de clube em dramática seca de títulos, o colorado tornou-se, na última metade da década, um multicampeão, conquistando um Mundial, duas Libertadores, uma Copa Sul-Americana, uma Recopa Sul-Americana, uma Copa Dubai, e uma Copa Suruga Bank. Isso sem contar dois Gauchões, de lambuja, conquistados com dois 8 a 1 em plena final de campeonato!

Para que o caminho vencedor seja mantido sem atribulações, é fundamental que algumas arestas deixadas no processo eleitoral encerrado ontem sejam aparadas. O Inter não pode voltar aos tempos de turbulência política, de péssimos reflexos no campo. É importante que haja oposição. Mas não pode ser uma oposição raivosa e destrutiva, assim como, de parte da situação, não deve haver arrogância e patrolamento sobre divergências de ideias. O colorado precisa de união.

No fim das contas, o importante é o Inter. Todos queremos um Inter vencedor, campeão, respeitado mundialmente. Esse, e não mesquinharias políticas, deve ser o objetivo final de todas as ações e exposições, de todos os setores colorados. A política em clube de futebol só deve servir a um propósito: colaborar para que o time seja bem gerido e vencedor dentro de campo. Ninguém torce por grupo político (ou pelo menos não deveria): todos são, acima de tudo, torcedores do Sport Club Internacional.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Grades

Inquieto e preso, é assim que estou.
Malditas grades impostas, não era para ser assim.
Ando de um lado para o outro e não encontro uma solução honrosa.
Imploro que me entregue as chaves, mas você permanece impassível e distante.

Você realmente ouve quando grito?
Tento compreendê-la, e gostaria que você me entendesse também.
À primeira vista, parecem dias; mas são anos.
Escolha entre o velho moribundo e o bebê cheio de vida.

Você pode me transformar em felicidade em estado puro.
Me abrace e diga que meu pesadelo chegou ao fim.
Posso dedicar cada segundo de minha vida a lhe fazer sorrir, basta confiar.
Foi um longo prelúdio, as experiências foram feitas, e estamos novamente frente a frente.

Consegue imaginar o tamanho da minha angústia?
Consegue imaginar as noites sem dormir, a comida que não desce direito?
Consegue ver em meus olhos a vontade de acertar?
E o amor que transborda quando olho pra você, consegue ver?

Os dias passam rápido e parados, por mais paradoxal que isso seja.
Sinto-me vazio sem você, e você sabe que tem sido assim.
Me liberte, me dê o direito de tentar.
Não deixe nossa grande chance se esvanecer no ar.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

2111

Ela se diverte com a tragédia alheia.
Envenena as feridas abertas.
Verdade ou despiste, ninguém sabe.
Mas arde e queima, seus olhos vivos revelam.

Preocupações futuras, presente incerto.
Estamos nos provocando.
Falsa hostilidade, desejo corrosivo.
Há que se achar graça.

Esmolas satisfazem o ego.
Puxe do fundo da alma o que tem de pior.
É essa a regra do jogo.
Já não vomito com cenas de tortura.

As lágrimas estão cada vez mais secas.
O coração é rocha, rocha que se quebra.
Alguém pode traduzir sua mente?
Vamos nos consumir até os ossos.

Doces sentimentos carregados de apimentada vendetta.
Nossas mãos estão tatuadas em nossos corpos.
O cenário está bem armado, quase perfeito.
Mas tudo pode melhorar com a certeza de que agora é a nossa vez.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Deveria ser perfeita?

Quando navegamos em determinados portais, nos deparamos algumas (para não dizer muitas) vezes com manchetes e notícias estapafúrdias, principalmente quando se fala no mundo das celebridades. Existe uma glamourização exagerada da fama. Não só da fama, como também da quase-fama, ou sub-fama. Em tempos pós-modernos, tudo fica meio junto, meio a mesma coisa, meio líquido, para usar um termo bem baumaniano.

Fato é que uma dessas manchetes, no Globo.com, chamava a atenção para algo capaz de causar escândalo e comoção em qualquer alma deste universo: "Maquiagem pesada não esconde imperfeições de Katy Perry" (http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL1633560-9798,00-MAQUIAGEM+PESADA+NAO+ESCONDE+IMPERFEICOES+DE+KATY+PERRY.html). A pergunta que não quis calar era simplesmente: tá, e daí?

Não é só a banalidade da notícia que espanta. Há quem goste desses assuntos, é algo que tem público, e este público deve ser minimamente respeitado, por mais que se discorde dele. O que verdadeiramente assusta é a maneira como a fama é encarada. Katy Perry tem espinhas! Meu Deus! É o fim do mundo!

Ora bolas, cara pálida, o fato de ser uma pop star não torna uma pessoa perfeita, acima do resto da humanidade. Que bom que Katy Perry, ou quem quer que seja, seja imperfeita! É sinal que é humana! Essa exigência midiática escrota por um padrão pré-determinado e inescapável no nível estético é doentia.

E com isso, não é só a Katy Perry que vai sofrer uma incômoda pressão. Numa sociedade de bombardeio de imagens e de ícones exatamente caracterizados como semi-deuses (ou deuses mesmo), os reles mortais buscam parâmetros sobre estas bases. A menina de quinze anos que recebe naturalizada uma notícia de que é um absurdo seu ícone ter espinhas, vai se cobrar o fato de ter espinhas tanto quanto é cobrado de Katy Perry.

Eis a perversidade disso tudo. Os padrões em estado de estabilidade são inalcançáveis para a imensa maioria das pessoas. E, quando o padrão torna-se instável, com elementos indesejáveis desvelados empiricamente, ao invés de se humanizar a relação fã-ídolo, cria-se uma espécie de cobrança mútua. O padrão estável continua lá, inabalável. Não é visto como inalcançável: é visto como inalcançado, fruto do desleixo de quem não o atingiu.

Com isso, o sistema de consumo a todo custo vai se alimentando cada vez mais. As pessoas correm atrás daquilo que o mercado diz que elas devem alcançar. Os padrões não se humanizam. Se humanizados fossem, criariam pessoas satisfeitas e felizes. E pessoas satisfeitas e felizes não costumam dar lucro.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Muita calma nessa hora

A ocupação do Complexo do Alemão, no Rio, pelo Estado tem repercutido de maneiras diferentes, e, em minha opinião, equivocadas. De um lado, a euforia e o maniqueísmo da imprensa de massa. De outro, grupelhos e intelectualóides se colocando frontalmente contra a operação, com argumentos toscos e socialmente indigeríveis.

A grande imprensa trata o fato de forma sensacionalista e espetacular. É algo próximo do patético. O momento, que tem, sim, sua importância, está longe de firmar-se na realidade. O povo das favelas cariocas não está exatamente "livre", não se pode, pelo menos por enquanto, afirmar isso de forma tão peremptória. Ainda é cedo para ufanismos. Há que se esperar as consequências e possíveis desvios para os quais tais acontecimentos podem desembocar.

Por outro lado, vemos algumas críticas ferozes à ocupação: "Estado repressor", "abaixo a polícia", o discursinho anarquista-revolucionário-de-butique de sempre. Tão intelectuais e aprofundados sobre os fenômenos do mundo e do universo, estes setores da esquerda mostram-se tão rasos e capengas quanto a direita mais reacionária no trato da questão.

Se por um lado os reaças limitam-se ao pé na porta e repressão cega acima de tudo para resolver os males da violência urbana, os esquerdóides parecem viver num mundo da fantasia em que polícia e coerção não são necessários. Limitam-se às, sem sombra de dúvidas importantíssimas, mas não únicas, questões de fundamento econômico. De resto, tudo é repressão desnecessária de um aparato estatal que só serve a uma classe. O que é não mais que uma meia-verdade. Vira ainda menos do que meia-verdade no atual contexto brasileiro.

É óbvio que alguns abusos ocorreram e ocorrerão. Faz parte das relações de poder. E as relações humanas são basicamente relações de poder, seja de qual natureza for, hierárquico, social, econômico ou simbólico. Não há como fugir disso. Como não há como fugir do fato de que a operação foi, sim, bem-sucedida em seus propósitos iniciais.

A maioria do povo de lá parece relativamente satisfeita, pelo menos nas repercussões às quais temos tido acesso via imprensa. Será que este povo está tão errado assim? Ou precisa de uma boa direção de iluminados que determine o que é o bom e o ruim, o certo e o errado para ele? Os traficantes seriam mártires incompreendidos? Estariam mesmo os setores progressistas e democráticos da imprensa floreando as coisas, em conchavo excuso com o status quo para evitar o inevitável e promissor movimento de levante da revolução brasileira?

São questões que ficam. Por isso digo, à minha direita e à minha esquerda: menos, muito menos... Muita calma nessa hora.