quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Xenofobia

Um vídeo postado no You Tube mostra muito bem o que é a "elite educada" deste país (http://www.youtube.com/watch?v=tCORsD-hx0w&feature=player_embedded). É um festival de declarações infelizes e xonófobas postadas no Twitter com o advento da eleição de Dilma Rousseff.

O tom é sempre o mesmo: o sul sustenta o nordeste, nordestino vende o voto por um quilo de arroz, etc, etc. Pior do que isso, alguns destes sujeitos sustentam uma visão neo-nazista de inferioridade inerente e natural do povo nordestino em relação ao resto do país.

Primeiramente, há um equívoco muito claro quando se quer colocar a vitória de Dilma como consequência do Bolsa Família no nordeste. Fosse adotado o ideário xenófobo dos brilhantes twitteiros, de excluir o nordeste da eleição, sabe 0 caríssimo leitor qual seria o resultado? Tchan tchan tchan tchan... Vitória de Dilma! Não adianta chorar, o povo BRASILEIRO elegeu Dilma Rousseff (http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4767396-EI15315,00-Dilma+se+elegeria+sem+contar+com+Norte+e+Nordeste.html).

Há que se levar em conta a pluralidade dentro dos próprios estados. Eu, gaúcho, votei em Dilma, assim como muitos e muitos outros gaúchos, assim como muitos mineiros e paulistas votaram em Dilma. Ou há nichos de iluminados superiores também dentro dos estados das regiões pretensamente serristas, "desenvolvidas"? Se há, bom, daí que a tentativa de regionalizar a vitória do PT perde todo o sentido. Mapinhas homogeneizadores entre regiões azuis e vermelhas são coisa pra inglês ver.

É bastante triste ver o quanto as elites deste país são absolutamente insensíveis e preconceituosas. O nordeste historicamente foi excluído dos projetos de desenvolvimento nacional, e por isso, só por isso, possui o abismo que o separa do resto do país. O nordeste, largado num canto pelos governos brasileiros de forma geral, até a chegada de Lula ao poder, ficou nas mãos de coronéis que tiraram proveito da miséria de seu próprio povo para cometer seus mandos e desmandos.

Agora, o nordeste pertence ao mapa do Brasil como região do Brasil, não como anexo indesejado e parasitário, como as elites querem fazer crer. Seres humanos de lá, que são tão seres humanos quanto os seres humanos de qualquer outra região do país, agora têm o direito que os filhinhos de papai que xingam muito no Twitter têm naturalizado: o direito à alimentação, a uma vida minimamente digna.

É óbvio que isso não é tudo, que há muitos outros passos a serem dados para termos um nordeste verdadeiramente forte e inserido na marcha do desenvolvimento. Mas há que se dar o primeiro passo. Agora, nordestino é tratado como gente. O governo brasileiro não vira mais a cara para a região que mais precisa dele. E isso é um avanço significativo.

É esta nova postura que os setores conservadores da sociedade brasileira não aceitam. Querem manter os seus privilégios, e, se possível, aumentar ainda mais a lacuna entre as regiões. Sentem-se humilhados por terem seus status e "títulos de nobreza" com valor factual reduzido num país um pouco mais igualitário. Estes são sintomas até certo ponto esperáveis de uma sociedade capitalista competitiva em que há a necessidade de indivíduos serem, ou sentirem-sem, melhores ou superiores a outros indivíduos, numa luta infinita por dinheiro e prestígio.

Porém, não deixa de ser uma contradição, em um ambiente que tanto preza mentes cada vez mais atomizadas e herméticas, que essas mesmas mentes tenham de estar olhando através do muro do vizinho para sentirem algum nível de satisfação. A sociedade capitalista também, no fim das contas, se baseia em algum tipo de alteridade. Só que numa alteridade do avesso, de comparação permanente e doentia, de intolerância e de verdadeira luta PELA desigualdade.

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