segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Vigília e pesadelo

Gritos ecoam no corredor e em sua mente. A escuridão parece engolí-lo. É uma montanha russa cega. Ele se debate sozinho.

Arrasta-se pela casa. Vê um vulto de dentes arreganhados. A musculatura está toda travada. Há algo muito forte que lhe imobiliza. Os músculos da face não respondem. Tenta gritar, externalizar seu horror. Mas não consegue.

Beija o chão, esmagado por uma força que envolve todo o seu corpo. Estará ele morto? Será ele, agora, um zumbi, um ser que vaga errantemente por aí?

Lembra-se de todas as rezas possíveis. Pai nosso e Ave Maria. Agarra-se às suas últimas esperanças.

Passa-lhe um filme angustiante pela mente. Lembranças ensolaradas, as mesmas lembranças, ganhavam o tom melancólico do entardecer. Num filme mudo, crianças brincam na rua. A iluminação é rarefeita. Montanhas, igrejas e casas configuram um cenário aterrorizantemente pacato, calmo, familiar.

Talvez esteja em outro tempo ou espaço. Talvez esteja se digladiando com os fantasmas de sua mente. Sabe que uma hora vai acordar. Não sabe quando.

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