sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Roth começa a acordar

Com as chances práticas de título brasileiro reduzidas a zero, o Inter passa a se focar na preparação do time para o Mundial Interclubes. Após a Libertadores, o colorado estava num processo meio letárgico, até natural, meio lutando pelo título, meio "de canto", e alguns problemas visíveis não estavam sendo considerados. Mas alguma coisa já está mudando.

Leio no Globo.com que Celso Roth está promovendo a volta de Pato Abbondanzieri ao time titular. Me parece um grande acerto. Por dois motivos. O primeiro é a notória má fase técnica de Renan. O goleiro inseguro e instável que voltou da Espanha não é nem sombra do confiável e promissor goleiro que foi para lá, cheio de perspectivas boas para a carreira. A fase do até então titular é tão ruim que não há chance de Abbondanzieri entrar pior do que ele estava. O segundo motivo para considerar um acerto a volta de Pato à meta colorada é sua experiência, sua tarimba, sua grife. O argentino passa respeito não só aos companheiros de time, mas também aos adversários. Foi recentemente classificado, em ranking do IFFHS, o melhor goleiro argentino da história. Por mais que se conteste os critérios do instituto, é o único que trabalha com isso, e é vinculado à FIFA. Logo, não é pouca coisa. Numa disputa complicada, tensa, como é o Mundial Interclubes, Abbondanzieri pode ser fundamental.

E tem mais. Pato vai se aposentar no final do ano. Terminará a carreira jogando o mais importante campeonato interclubes. Estará comendo grama para conquistá-lo, e se despedir dos gramados com chave de ouro, sendo campeão do mundo pela terceira vez, a primeira e única fora do Boca Juniors, clube que o consagrou.

Mas, se a entrada de Abbondanzieri é substancial, não chega a ser suficiente para resolver os problemas colorados para o Mundial. Há basicamente três questões a serem definidas.

A primeira se refere ao cabeça de área. Wilson Mathias, talvez por não ser da função, tem sido insuficiente. No banco há opções que, se não são empolgantes, pelo menos são interessantes: Glaydson e Derley. Glaydson joga um feijão com arroz bem legalzinho. É discreto, não compromete, marca bem e sai jogando sem maiores dificuldades. Derley, por sua vez, tem uma maior capacidade de se apresentar ao ataque, de dar opções na movimentação ofensiva da equipe, como fazia Sandro. Qualquer um dos dois parece, ao menos para mim, constituir uma melhor opção que Wilson Mathias.

A segunda questão é o posicionamento de Sóbis. Será um quinto homem de meio campo, pela esquerda, fazendo o que Taison fazia? Ou vai ser atacante, fazendo companhia mais aguda ao centroavante?

E a terceira questão é justamente o centroavante. Alecsandro não é mau jogador. Mas vem jogando mal. Ou Roth lhe aplica uma terapia de choque, ou o faz dar lugar a Leandro Damião, que sempre que entra dá boa resposta. Contra o Atlético Goianiense, com Alecsandro suspenso, terá uma boa oportunidade.

Agora, o Brasileirão é, mais do que qualquer coisa, um laboratório de luxo. É hora de fazer os devidos ajustes no time, ver o que não está bem na engrenagem, trabalhar forte, e ir tinindo para o Mundial Interclubes. Com uma equipe bem definida e encaixadinha, dá pra beliscar bem. A Inter de Milão de 2010 não é nem sombra do que era o Barcelona de 2006. Inclusive, acho a semifinal um jogo potencialmente mais perigoso do que uma suposta final com os italianos. É a chance de ouro para o bi.

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