terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mente fechada

Tomou conta, como sempre faz.
Isso tudo é insegurança?
Boneco mal-padronizado e orgulhoso.
Não aceita melhorar.

Você odeia o diferente.
Tem medo, muito medo, morre de medo.
Mediocridade vaza pelos poros.
Recuse um pouco mais, mantenha-se fechado.

Você é doente, não me contamine com sua doença.
Não adianta envenenar as páginas.
Nossas almas voltarão do inferno para lhe perturbar.
Esconda-se, suas calças agora estão borradas.

Não sabe ocupar menos espaço?
Não sabe extrapolar suas verdades?
Incômodo, misto de pena e nojo.
Escute e veja mais, fale menos.

Quando estas folhas queimarem, para quem pedirá socorro?
Corra para o abismo, você sabe fazê-lo.
Aprenda a aprender.
Você não está a salvo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Assimetrias

Ela gosta de brincar.
Ele não gostava, mas aprendeu.
Acenda o isqueiro, se queime um pouco.
Sei que vai gostar.

Elevação e queda, sempre vai ser assim.
Ela é vaidosa.
Ele se odeia.
Mas tudo se mistura e explode, é isso que nos diverte.

Falta muito tempo para amanhã.
Ele odeia errar, isso faz todo o sentido.
Alguém sonhou e planejou.
O dia perfeito não existe.

O depois sempre chegará, solene, preocupante e triste.
Vivemos de ilusões.
Que ao menos elas sejam longas.
Um dia seremos lembrados, um pelo outro, outro pelo um.

Ele é um ímpar imperfeito.
Ela precisa ajustar melhor seu triângulo.
O auge já passou ou está por vir?
Não existe lucidez quando suas almas se fundem.

Coisas certas, horas certas, jeitos certos.
Ele precisa ser ajudado.
Ela só precisa ser ela.
São as assimetrias que dão graça à vida.

domingo, 28 de novembro de 2010

(I) Bope

Espetáculo na tv.
Me emociono com as cenas de ação.
Tudo tem um pouco de moda e romantismo.
Personagens reais, doçura que sai pelos poros.

Finjo que me importo.
Só quero assunto para o dia entediante de trabalho.
Não é todo dia que me oferecem isso.
Produto acabado, lucro nos números do Ibope.

Estamos todos sádicos e secos.
Meu prazer individual, falso interesse por vidas desinteressantes.
Enquanto não baterem em minha porta, estou tranquilo.
Estou mais atento do que nunca.

Enquanto preparo mais uma bacia de pipoca, o reality show me seduz.
Não posso perder nenhum detalhe.
Parem os tiros, vou ao banheiro!
Sou o sanguessuga do tubo teatral.

Varredura, limpeza: deixem apenas o chão limpo.
Há que se cuidar da faixa etária e do conteúdo.
O certo está tão irrefletido nos dias de hoje...
Será por desgosto ou puro comodismo?

sábado, 27 de novembro de 2010

Ódio de classe

Quando Luiz Carlos Prates, o fascista da RBS de Santa Catarina, bradava contra o fato de "qualquer miserável ter um carro" (http://www.youtube.com/watch?v=l_4fCSoTI0c), estava refletindo o que grande parte da elite brasileira pensa. O governo Lula e suas medidas de inclusão social contribuiu para o acirramento deste ódio de classe. Desafiou dogmas e preconceitos.

Os ricos sempre preferirão governos que priorizem a "liberdade" ao invés da "igualdade" ou da inclusão. Livres, partindo de pontos desiguais, sedimentados pelo abismo que ainda separa as camadas sociais, podem exercer o direito de explorar os menos favorecidos. É o receituário neoliberal, em suma.

O governo petista, no entanto, tem tratado de diminuir o fosso entre ricos e pobres. É um fosso ainda imenso. Dentro do sistema capitalista, jamais será eliminado. No máximo, pode ser atenuado.

Entretanto, apenas isso, apenas essa atenuação, o direito a uma maior dignidade para a classe trabalhadora, já causa imenso horror e escândalo nos socialmente privilegiados. Consideram-se, de modo geral, superiores, donos de um direito quase divinal a perpetuar seus privilégios e desigualdades.

E olhe, caro leitor, que não estamos tratando de um governo que chegue nem perto de subverter a dinâmica capitalista. O governo Lula tem sido, no máximo, um governo de welfare state. Se não é neoliberal, e não é, é, isso com certeza, capitalista. E isso não é necessariamente uma crítica. Há de se pensar alternativas ao capitalismo. Alternativas que não parecem ser contempladas por modelos socialistas ou comunistas mais ortodoxos e bitolados. Não se pode, portanto, culpar o governo petista por não ter inventado a roda.

Fala-se que o governo, com medidas inclusivas, voltadas aos mais pobres, tem dividido o país. Isso é uma bobagem sem tamanho. Quem tem "dividido" o país são as elites, egoístas e vaidosas, que não aceitam medidas governamentais que compensem desigualdades enraizadas em nossa sociedade, em nome de uma competitividade cruel, selvagem, e sem parâmetros.

Que mais e mais "miseráveis" possam ter comida na mesa. Que mais e mais "miseráveis" possam ter um carro. Que mais e mais "miseráveis" possam ter uma casa. Que mais e mais "miseráveis" possam ter dignidade. Só assim será construído um país que nos orgulhe verdadeiramente.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Doce e amargo

Sem saber mais o que pensar, estou aqui.
Às vezes isso cansa.
Desgaste mental, alguma esperança estúpida?
Você sabe que me consome.

Quanto mais tento entender sua cabeça, mais eu fico confuso.
Quero acreditar em você.
O que faço se estou sozinho no quarto escuro sem você?
Abra seus lindos olhos, me deixe viver dentro deles.

Ei, isso está doendo de novo.
Ei, já era de se esperar.
Você abrirá a janela para um novo dia?
Ou você se acomodará em mais uma noite fria.

Você tem o poder de me desarmar.
Nunca consigo ser forte o suficiente.
Mais uma vez, fico exposto ao seu sorriso.
Meu pecado predileto.

Ei, agora será que finalmente pode ver?
Ei, foram tantos dias e tanta dor.
Está em suas mãos.
Nossa chance de reescrever a história.

Deixe-me apenas mostrar o que posso lhe fazer.
Deixe-me apenas ser o melhor momento de sua vida.
Vai valer cada lágrima, cada gota de suor e saliva.
Basta você acreditar naquilo que digo, e em minha vontade de acertar.

Ei, me embriague até que eu possa ser o que você quer.
Ei, cuide bem do meu coração, de novo ele é todo seu.
A vida insiste em juntar nossas almas.
Nada foi à toa, baby, e amanhã tudo há de ser melhor e mais vivo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Deposição

Esfregue-se no espelho.
Vendettas deliciosas.
Voltas que o mundo dá.
Não adianta mais chorar.

O poder escorre pelos seus dedos.
Um dia esse dia ia chegar.
Eu sempre soube.
Por isso, agora estou mais vivo do que nunca.

Seu muro de lamentações parece tão engraçado...
Podemos nos envenenar juntos.
Ninguém vai socorrer.
Está deposto, está de quatro no chão.

Seu desespero pode ser bem familiar.
Mas ninguém se importou, não é mesmo?
Invadimos seu território, ninguém impede a revolução.
Perdeu, playboy, perdeu...


terça-feira, 23 de novembro de 2010

Natalia

No início do mês divulguei aqui no DC um pedido de ajuda para doação de sangue para a prima de uma grande amiga, que está sofrendo de uma doença que exige transfusão total de sangue para a sua cura. Ela está tendo que viver numa bolha, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (http://dilemascotidianos.blogspot.com/2010/11/ajuda-doacao-de-sangue.html).

Ainda não foi alcançado número suficiente de doadores para garantir a transfusão. Mais e mais doadores são necessários. Por isso, peço mais uma vez ao amigo leitor que ajude nesta empreitada, doando sangue e divulgando para o maior número de pessoas possível. Sangue de qualquer tipo é aceito, uma vez que o hospital se responsabiliza por fazer a devida troca no banco.

A menina Natalia tem uma longa e linda vida pela frente. Mas para isso, precisa muito do seu gesto de solidariedade.

Aí vão, mais uma vez, os dados necessários para quem quiser ajudar:
Paciente: Natalia Marroni Marques.
Prontuário: 11691615.
Banco de Sangue do Hospital de Clínicas de Porto Alegre: Rua São Manoel, 543 (segundo andar).

Para mais informações, acesse http://www.hcpa.ufrgs.br/content/view/601/800/.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Vitória do profissionalismo

O Inter ganhou do Botafogo. Houve quem pedisse para entregar. Mas não o fez. Foi lá e fez a sua parte. Sem dar margens para nenhum tipo de comentário.

Os grandes sabem ser nobres. O colorado foi nobre. Podia prejudicar o Grêmio. Mas ajudou. O Inter é grande. Como foi grande em 1997, ao bater por 7 a 0 na última rodada um Bragantino que era adversário direto do tricolor gaúcho para escapar da degola.

Mas o Internacional não venceu pelo Grêmio. Venceu por si mesmo, pela sua camisa. Não haveria mesmo de se preocupar em deixar ou não o tricolor obter uma vaga na Libertadores 2011, Libertadores para a qual o colorado já está classificado desde agosto.

Não foi uma vitória de sorte. O Inter jogou bem demais. Seus reservas mostraram qualidade para encarar o Botafogo de igual para igual em pleno Engenhão. Muriel pegou muito. Massari mostrou que tem potencial para estar no elenco principal na próxima temporada. Glaydson provou que é anos-luz melhor que Wilson Mathias. E Sóbis entra numa fase de visível crescimento técnico na hora certa.

Agora, é manter o trabalho sério e focado até o Mundial Interclubes, o grande objetivo. Que algumas certezas se confirmem e algumas correções de rumo sejam feitas. Queremos muito o Bi Mundial.

domingo, 21 de novembro de 2010

Horas

Horas que se arrastam.
Horas que não passam.
Risadas são ruídos.
Sufocam-no até que se jogue no chão.

Horas desnecessárias.
Prelúdio inútil.
Ele adianta o relógio.
Mas fazer isso não adianta nada.

Rasga as planilhas.
Busca um passatempo.
O tempo não passa.
A vida é cheia de protocolos.

Talvez brinque de roleta russa.
Precisa se divertir.
Quem disse que as coisas melhoram?
Velhos fantasmas, lembra-se da crueldade.

Brinda a mediocridade humana.
Ser igual é ser melhor?
Alucinações de um era não prometida.
Todos estão tão vazios por aqui...

sábado, 20 de novembro de 2010

Placebo

Eles sonharam com um mundo melhor.
Agora são só lamentações.
Esmagados pelo desânimo.
A vida foi um placebo.

De repente, o descontrole.
Malditas lembranças, doce passado.
Não podem apagar suas letras.
Mas precisam começar tudo de novo.

O tempo foi desperdiçado, ou eles cresceram?
Ficam esperando algum chamado que não sabem se existe.
Ondas indefinidas estão afogando seus desejos.
Martelo batido, dedo na cara, dor aguda.

O escuro é a melhor fuga.
Estão queimando, queimando, queimando mais.
Poucos minutos decidem uma vida.
Resta apenas arrumar a bagunça.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O pequeno ditador

O pequeno ditador passa por cima de tudo. Com o poder nas mãos, busca o que quer, o que entende ser o melhor.

O pequeno ditador não se importa em patrolar o que tiver de patrolar. Prende quem tem de prender.

O pequeno ditador, excessivamente racional, talvez, vislumbra todas as ameaças em sua volta. E trata de extirpá-las pela raiz.

O pequeno ditador não se importa com mais nada. Custe o que custar, realizará todas as suas vontades.

O pequeno ditador dá o contra-golpe antes do golpe. Ele sabe suficientemente bem o que deve ser feito.

O pequeno ditador faz a multidão delirar. Mas o faz com estilo. Domina com classe. Às vezes, domina sem mesmo ser percebido.

O pequeno ditador prepara-se para ser grande. Tem certeza de que vai sê-lo. Para isso, terá de controlar a si mesmo. Ou terá que mandar prender a si próprio. Ele mesmo, sua maior ameaça.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Papéis

Estava simples como um dia de sol.
Prazeres ácidos vão corroendo e fazendo sobreviver.
O destino é irônico e irreversível.
Na fila, vão trocando sonhos inalcançáveis por realidades pragmáticas.

Não há erro, nem condenação.
Talvez o mundo deva ser exatamente assim.
Ela tem que se esconder, ela está debaixo de um sol quente.
Vida vívida ou mal vivida?

Escolhemos não escolher.
Isso tem graça, ainda que os sorrisos sejam contidos.
Algum dia liquidaram tudo enquanto as crianças choravam.
Elas já perderam a inocência.

Fazemos o bem muito mal.
Não estamos aptos a ser o que querem que sejamos.
Ora, se é assim, então não sejamos!
Não há equívoco maior do que fingir que está tudo certo.

Bebamos uns drinks, até que nossa revolta com nossos papéis extrapole nossas ilusões.
Mas não deixemos de fazer nossos doces crimes valerem a pena.
Só agora é possível perceber que estamos longe da linha de chegada.
O que tiver de acontecer, vai acontecer: é o que sempre quisemos.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Parnasianismo futebolístico

Parabéns ao Mano Menezes. O Brasil perdeu para a Argentina. O Galvão e a Fátima Bernardes devem estar pulando de alegria. O futebol moleque, maroto, atrevido, está de volta.

Com Dunga, o anticristo futebolístico, o Brasil jogava feio. E, mais feio ainda, ganhava. Quando foi eliminado da Copa, numa dessas circunstâncias normais do futebol, tipo, perder um jogo, o treinador foi execrado. Tenho a leve impressão que com o treinador/rapper, o pessoal vai pegar mais leve.

Afinal, com Mano, tudo se resolveu. Viva Neymar. Viva Douglas, Jucilei, e companhia limitada. Futebol bonito. Perdedor, mas bonito. Não estou secando, embora não morra de amores pela seleção. Mas quero ver até onde esse Brasil brasileiro, mulato inzoneiro, vai chegar.

Dunga, e seu time de futebol carrancudo, tinham uma mania muito feia. Ganhavam títulos. Ganhavam da Argentina. Mas esse negócio de ganhar está fora de moda. Com Mano, estamos de volta ao parnasianismo futebolístico. A seleção pode ser perdedora. Mas tem que ser com glamour. E dando entrevista exclusiva pra Globo, é claro.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O cachorro feio

Praticamente todos os dias, quando passo pela rua de manhã, vejo um cachorro todo deformado. Não sei se em alguma briga canina, ou se fruto da agressão de algum covarde. O fato é que ele tem várias cicatrizes na cara, os olhos meio avermelhados, e parte da boca rasgada. Seus dentes ficam permanentemente expostos, exatamente pela falta de parte dos lábios. Isso o torna um cachorro bem feio.

As pessoas parecem sempre se assustar quando se deparam com ele. Algumas evitam olhá-lo. Confesso que da primeira vez que o vi também me assustei um pouco, fiquei um tanto chocado com a imagem não muito agradável. Porém, quase imediatamente esse susto se transformou numa espécie de piedade, e também algum tipo de "afeto de observador". Não sei se isso é bom ou ruim. Mas é o que sinto.

Fico imaginando o quanto aquele cachorro deve ter sofrido. Para mim, a hipótese mais plausível é a de que tenha sido agredido por algum ser vivo travestido de humano. Posso estar errado. Mas é a minha impressão.

Aquele cachorro tem um olhar triste como nunca tinha visto na vida. Às vezes, ele fica deitado, olhando para o nada, e quando alguma pessoa passa ele olha com certo temor conformado. Seu olhar expressa uma melancolia impressionante nesses momentos. É como se com os olhos ele pedisse: "por favor, me deixa quieto aqui. Sou inofensivo, apesar de minha feiura. Já sofri pra caramba. Apenas não me faça mal."

Aquele cachorro feio de rua mexe comigo. Talvez seja por estar convencido de que algum babaca fez aquilo com ele, mas o fato é que noto uma pureza incrível em sua postura, pureza que os animais decerto possuem, mas que nele, pelo que deve ter passado, parece elevar-se à enésima potência. Ele foi surrado por um mundo que jamais compreendeu. Ele foi surrado por um mundo no qual sequer pediu para estar. Hoje, sobrevive rejeitado pelas calçadas, com gente fazendo cara feia para ele. Acostumou-se à solidão. Apenas segue. Não sabe por quê. Mas segue.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Letras sujas

Não leio o seu jornal.
Preciso manter meu estômago bem.
Arranque olhos com mentiras bem contadas.
Sempre haverá quem acredite.

Já me diziam que páginas de jornal eram sujas.
Mas algumas são imundas.
Me faça sentir vergonha de estar vivo.
Divida tudo e todos, embaralhe as cartas.

Seu orgulho despudorado é tão vexatório!
Tudo que você diz vira forro para o cocô do cachorro que não tenho.
As motosserras derrubam muitas árvores.
Me tire daqui, preciso respirar.

Você implora a liberdade de me manter preso.
A hipocrisia faz parte do maldito jogo.
Você sabe quantas criancinhas já matou?
Não há reza nem perdão numa hora como essa.

Sua sede de sangue não acaba nunca.
Não, isto que você bebe não é champagne.
Desce macio mas não é champagne.
Peça socorro ao vaso sanitário.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Doçura e acidez

Fragmentos, desleixos talvez, imobilidade.
Minha cabeça é um balão cheio de ar.
Quase me desespero, um dia fui capaz.
Mas agora não consigo conversar comigo mesmo.

Me auto-limito, é o mal necessário.
Este é o jogo da vida, um jogo de esconde.
Todas as vezes em que fui cru, dias melancólicos me perseguiram.
A regra está posta, não há mais o que questionar.

Nos novos velhos dias, procuro uma nova conduta.
Em algum momento, há que se acertar.
Ele passa em minha frente, mas só posso rir por dentro.
Se assim é menos ruim, que assim continue.

As dúvidas me corroem, mas também me alimentam.
Se me roubaram a árvore, por que não posso ao menos colher umas maçãs de vez em quando?
Essa luta é imoral desde a origem.
Padres pedófilos não têm o direito de me perdoar.

As crianças brincam inocentemente enquanto violamos nossa alma.
Você pode gritar e vomitar à vontade.
Esse filme não acabará tão cedo.
Dias, meses e anos se passaram, mas tudo continua deliciosamente igual.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sugestões para Sílvio Santos sair da bancarrota

Sílvio Santos está na bancarrota. A coisa tá feia. Mas há jeitos de sair dessa. Claro que há. Não vivemos numa sociedade atomista, onde apenas com esforço se pode tudo? Ora bolas, então o Silvião vai conseguir.

Ele pode comprar uma Tele-Sena. Imagina se ganha! Sua vida estará resolvida para todo o sempre! Ou não?

Ele também pode comprar um carnê do Baú. Pode ganhar sua casa própria. Sem-teto, pelo menos, ele não ficaria! E, ainda que não ganhe porcaria nenhuma, vai poder trocar as mensalidades por um produto nas lojas do Baú. Pode levar um ventilador ou um ferro de passar.

Ele também pode ser um revendedor da Jequiti. Se daria bem. Tem tino para vendedor. Se ele batesse na porta de minha casa, certamente o atenderia.

Em último caso, ele poderia pedir um empréstimo no Panamericano. Ah, não, o Panamericano é o pivô da incomodação toda...

Ele já não tem nem Lombardi nem Gugu. Mas poderia derreter os Troféus Imprensa que ganhou. Ouro vale mais do que dinheiro.

Acho que o Silvião vai lançar um programa novo. É típico de sua personalidade. Um Topa Tudo invertido. Agora, a plateia é que vai jogar aviõezinhos de dez reais para ele.

Má oê! Eu quero dinheirôôôô!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Bem-vindo

Mediocridades, medianidades, previsibilidades.
Você sabe muito bem o que passou.
Insanidade, sua mente covarde, inacessibilidade.
Vigie bem o que há de lhe escapar.

Vento na cara, estava tudo estranho.
Alguém batia à porta e não ouvi.
Roubaram nossos remédios do armário.
Já não reconheço meus traços, minhas letras, minhas palavras.

Você foge, você corre, mas não pode se esconder.
Você engole, mas você se mostra martelando você mesmo.
Procure a cura, o seu sono é a cura, o mundo te esqueceu.
Eles te recebem de braços abertos, parabéns, você agora é mais um.

Veio um cego te oferecendo esmolas, você estendeu sua mão.
O jeito certo é o jeito contrário, agora você descobriu.
Sua identidade com código de barras, sua identidade com código de balas.
Você finalmente aprendeu a vencer.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Prisão

Pegue a chibata, vá surrando os corpos nus.
Todos queriam um pouco desse sangue.
Vontade de poder, unhas cravadas em objetivo único.
Deu para perceber quando os vermes estiveram ajoelhados?

Curvados ao senhor, eles pedem permissão para sonhar.
Com prazer teatral, ele nega, e nega água também.
Sobram apenas farelos no chão, enquanto a massa se acotovela.
A terra crocante machuca a boca.

Acreditaram que havia verdade nas palavras de seu senhor.
Hoje, só há mentira e hipocrisia.
É o jogo de cena de quem manipula mentes e almas.
Os covardes fogem, correm para serem pegos na saída.
Pensaram que havia saída.

Estarão para todo o sempre algemados.
A vida é uma grande prisão.
Rendem-se como animais feridos e incapacitados.
Estão livres de suas próprias vontades.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Vigília e pesadelo

Gritos ecoam no corredor e em sua mente. A escuridão parece engolí-lo. É uma montanha russa cega. Ele se debate sozinho.

Arrasta-se pela casa. Vê um vulto de dentes arreganhados. A musculatura está toda travada. Há algo muito forte que lhe imobiliza. Os músculos da face não respondem. Tenta gritar, externalizar seu horror. Mas não consegue.

Beija o chão, esmagado por uma força que envolve todo o seu corpo. Estará ele morto? Será ele, agora, um zumbi, um ser que vaga errantemente por aí?

Lembra-se de todas as rezas possíveis. Pai nosso e Ave Maria. Agarra-se às suas últimas esperanças.

Passa-lhe um filme angustiante pela mente. Lembranças ensolaradas, as mesmas lembranças, ganhavam o tom melancólico do entardecer. Num filme mudo, crianças brincam na rua. A iluminação é rarefeita. Montanhas, igrejas e casas configuram um cenário aterrorizantemente pacato, calmo, familiar.

Talvez esteja em outro tempo ou espaço. Talvez esteja se digladiando com os fantasmas de sua mente. Sabe que uma hora vai acordar. Não sabe quando.

domingo, 7 de novembro de 2010

Miolos

Lá estão os miolos no chão.
Dizem que aqueles miolos já foram muito úteis.
Dizem que aqueles miolos já fizeram coisas brilhantes.
Agora, estão mais para comida de porco.

Lá estão os miolos no chão.
Miolos de um desmiolado.
Já não brinca mais de espoleta.
Na verdade, não adiantou nada.

Lá estão os miolos no chão.
Agora são tão inúteis.
Estão em lugar algum.
Era este o lugar prometido.

Lá estão os miolos no chão.
Nhoque com molho, lembranças de infância que eles já não produzem.
Juntos, faziam sentido.
Agora, são arquivo de perícia.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Das misérias

Estou cercado por animais.
Ganância, ódio e prisão.
Pegam suas armas e saem atrás de alguma coisa que se mexa em sentido contrário.
Não há lado certo no estado de natureza.

Não faz diferença a desgraça das casas em chamas.
Ratos não saem apenas do esgoto.
Há um fedor insuportável no ar.
Náuseas me consomem até que eu me curve diante do trono.

Escravidão pós-moderna, direito de viver.
Relegados como um corpo estranho, já não empunham bandeira nenhuma.
Miséria humana, miséria anárquica.
Nossas certezas derretem com o sol.

As crianças recolhem migalhas de comida estragada no chão.
Alguém ainda se importa com elas?
Cabeças baixas, bocas lacradas.
Era tudo o que nossos senhores queriam.

Roth começa a acordar

Com as chances práticas de título brasileiro reduzidas a zero, o Inter passa a se focar na preparação do time para o Mundial Interclubes. Após a Libertadores, o colorado estava num processo meio letárgico, até natural, meio lutando pelo título, meio "de canto", e alguns problemas visíveis não estavam sendo considerados. Mas alguma coisa já está mudando.

Leio no Globo.com que Celso Roth está promovendo a volta de Pato Abbondanzieri ao time titular. Me parece um grande acerto. Por dois motivos. O primeiro é a notória má fase técnica de Renan. O goleiro inseguro e instável que voltou da Espanha não é nem sombra do confiável e promissor goleiro que foi para lá, cheio de perspectivas boas para a carreira. A fase do até então titular é tão ruim que não há chance de Abbondanzieri entrar pior do que ele estava. O segundo motivo para considerar um acerto a volta de Pato à meta colorada é sua experiência, sua tarimba, sua grife. O argentino passa respeito não só aos companheiros de time, mas também aos adversários. Foi recentemente classificado, em ranking do IFFHS, o melhor goleiro argentino da história. Por mais que se conteste os critérios do instituto, é o único que trabalha com isso, e é vinculado à FIFA. Logo, não é pouca coisa. Numa disputa complicada, tensa, como é o Mundial Interclubes, Abbondanzieri pode ser fundamental.

E tem mais. Pato vai se aposentar no final do ano. Terminará a carreira jogando o mais importante campeonato interclubes. Estará comendo grama para conquistá-lo, e se despedir dos gramados com chave de ouro, sendo campeão do mundo pela terceira vez, a primeira e única fora do Boca Juniors, clube que o consagrou.

Mas, se a entrada de Abbondanzieri é substancial, não chega a ser suficiente para resolver os problemas colorados para o Mundial. Há basicamente três questões a serem definidas.

A primeira se refere ao cabeça de área. Wilson Mathias, talvez por não ser da função, tem sido insuficiente. No banco há opções que, se não são empolgantes, pelo menos são interessantes: Glaydson e Derley. Glaydson joga um feijão com arroz bem legalzinho. É discreto, não compromete, marca bem e sai jogando sem maiores dificuldades. Derley, por sua vez, tem uma maior capacidade de se apresentar ao ataque, de dar opções na movimentação ofensiva da equipe, como fazia Sandro. Qualquer um dos dois parece, ao menos para mim, constituir uma melhor opção que Wilson Mathias.

A segunda questão é o posicionamento de Sóbis. Será um quinto homem de meio campo, pela esquerda, fazendo o que Taison fazia? Ou vai ser atacante, fazendo companhia mais aguda ao centroavante?

E a terceira questão é justamente o centroavante. Alecsandro não é mau jogador. Mas vem jogando mal. Ou Roth lhe aplica uma terapia de choque, ou o faz dar lugar a Leandro Damião, que sempre que entra dá boa resposta. Contra o Atlético Goianiense, com Alecsandro suspenso, terá uma boa oportunidade.

Agora, o Brasileirão é, mais do que qualquer coisa, um laboratório de luxo. É hora de fazer os devidos ajustes no time, ver o que não está bem na engrenagem, trabalhar forte, e ir tinindo para o Mundial Interclubes. Com uma equipe bem definida e encaixadinha, dá pra beliscar bem. A Inter de Milão de 2010 não é nem sombra do que era o Barcelona de 2006. Inclusive, acho a semifinal um jogo potencialmente mais perigoso do que uma suposta final com os italianos. É a chance de ouro para o bi.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Ajuda: doação de sangue

Caros leitores do Dilemas Cotidianos,

Ontem à tarde recebi um e-mail de uma colega e grande amiga chamada Etiene, pedindo ajuda para uma prima sua. A garota tem 11 anos de idade e está com uma doença rara no sangue. Ela está vivendo há cerca de 20 dias dentro de uma bolha no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

A única chance de cura da menina é uma transfusão total de sangue. Isso quer dizer que é necessária uma grande quantidade de doadores. Por isso, peço a todos os amigos leitores que puderem, que façam essa doação no Banco de Sangue do Hospital de Clínicas. Mais do que isso, peço que divulguem o máximo possível para familiares, amigos e conhecidos. Quanto mais doadores, melhor. Sangue de todos os tipos é bem-vindo, pois o hospital se responsabiliza por fazer a troca.

É indispensável que ao proceder a doação, o doador apresente o nome da menina, Natalia Marroni Marques, e o número do prontuário, 11691615, para que o sangue recebido seja destinado a ela. O endereço para fazer a doação é Rua São Manoel, 543 (segundo andar). Fica na rua ao lado do Hospital de Clínicas.

Recapitulando, de maneira mais esquemática:
Paciente: Natalia Marroni Marques.
Prontuário: 11691615.
Banco de Sangue do Hospital de Clínicas de Porto Alegre: Rua São Manoel, 543 (segundo andar).

Vamos fazer essa corrente e ajudar, doando sangue e divulgando! Não dói nada, e ainda ganha um sanduichinho com suco na saída!

Para mais informações, acesse http://www.hcpa.ufrgs.br/content/view/601/800/.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Xenofobia

Um vídeo postado no You Tube mostra muito bem o que é a "elite educada" deste país (http://www.youtube.com/watch?v=tCORsD-hx0w&feature=player_embedded). É um festival de declarações infelizes e xonófobas postadas no Twitter com o advento da eleição de Dilma Rousseff.

O tom é sempre o mesmo: o sul sustenta o nordeste, nordestino vende o voto por um quilo de arroz, etc, etc. Pior do que isso, alguns destes sujeitos sustentam uma visão neo-nazista de inferioridade inerente e natural do povo nordestino em relação ao resto do país.

Primeiramente, há um equívoco muito claro quando se quer colocar a vitória de Dilma como consequência do Bolsa Família no nordeste. Fosse adotado o ideário xenófobo dos brilhantes twitteiros, de excluir o nordeste da eleição, sabe 0 caríssimo leitor qual seria o resultado? Tchan tchan tchan tchan... Vitória de Dilma! Não adianta chorar, o povo BRASILEIRO elegeu Dilma Rousseff (http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4767396-EI15315,00-Dilma+se+elegeria+sem+contar+com+Norte+e+Nordeste.html).

Há que se levar em conta a pluralidade dentro dos próprios estados. Eu, gaúcho, votei em Dilma, assim como muitos e muitos outros gaúchos, assim como muitos mineiros e paulistas votaram em Dilma. Ou há nichos de iluminados superiores também dentro dos estados das regiões pretensamente serristas, "desenvolvidas"? Se há, bom, daí que a tentativa de regionalizar a vitória do PT perde todo o sentido. Mapinhas homogeneizadores entre regiões azuis e vermelhas são coisa pra inglês ver.

É bastante triste ver o quanto as elites deste país são absolutamente insensíveis e preconceituosas. O nordeste historicamente foi excluído dos projetos de desenvolvimento nacional, e por isso, só por isso, possui o abismo que o separa do resto do país. O nordeste, largado num canto pelos governos brasileiros de forma geral, até a chegada de Lula ao poder, ficou nas mãos de coronéis que tiraram proveito da miséria de seu próprio povo para cometer seus mandos e desmandos.

Agora, o nordeste pertence ao mapa do Brasil como região do Brasil, não como anexo indesejado e parasitário, como as elites querem fazer crer. Seres humanos de lá, que são tão seres humanos quanto os seres humanos de qualquer outra região do país, agora têm o direito que os filhinhos de papai que xingam muito no Twitter têm naturalizado: o direito à alimentação, a uma vida minimamente digna.

É óbvio que isso não é tudo, que há muitos outros passos a serem dados para termos um nordeste verdadeiramente forte e inserido na marcha do desenvolvimento. Mas há que se dar o primeiro passo. Agora, nordestino é tratado como gente. O governo brasileiro não vira mais a cara para a região que mais precisa dele. E isso é um avanço significativo.

É esta nova postura que os setores conservadores da sociedade brasileira não aceitam. Querem manter os seus privilégios, e, se possível, aumentar ainda mais a lacuna entre as regiões. Sentem-se humilhados por terem seus status e "títulos de nobreza" com valor factual reduzido num país um pouco mais igualitário. Estes são sintomas até certo ponto esperáveis de uma sociedade capitalista competitiva em que há a necessidade de indivíduos serem, ou sentirem-sem, melhores ou superiores a outros indivíduos, numa luta infinita por dinheiro e prestígio.

Porém, não deixa de ser uma contradição, em um ambiente que tanto preza mentes cada vez mais atomizadas e herméticas, que essas mesmas mentes tenham de estar olhando através do muro do vizinho para sentirem algum nível de satisfação. A sociedade capitalista também, no fim das contas, se baseia em algum tipo de alteridade. Só que numa alteridade do avesso, de comparação permanente e doentia, de intolerância e de verdadeira luta PELA desigualdade.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Direita apocalíptica: preparemo-nos

Eu ainda não tinha tido o desprazer de ver um vídeo no You Tube chamado "2012- o fim está próximo" (http://www.youtube.com/watch?v=pQg5cbMyisU&feature=player_embedded). Ele foi postado poucos dias antes do pleito e repercutido acriticamente por "O Globo" e "O Estadão". Mais do que uma ameaça pré-eleitoral, acredito que o vídeo, absolutamente escatológico, é uma preparação, um mundo dos sonhos pós-eleitoral dos setores mais reacionários da sociedade brasileira. É surreal do início ao fim. Paulo Vinícius, no Portal Vermelho, fez uma belíssima análise sobre tal vídeo, a qual reproduzo abaixo. A fonte do artigo é http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=3590&id_coluna=30.

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Serristas apelam e rogam praga no Brasil

Paulo Vinícius *


O dobre de finados nas esperanças de qualquer dignidade nos opositores de Dilma soou no vídeo 2012, o fim está próximo peça que já tem seu lugar na história do cinema, caso exista alhures quem premie o mau gosto, a má fé e falta de caráter... um prêmio Goebbels, talvez. É uma ameaça ao eleitorado, não ficção, um panfleto e uma confissão de quem não esconde o olho grande contra o próprio país e o seu povo. É um filme contra o direito de o Brasil decidir. É uma enganação que desmerece a inteligência do(a) eleitor(a)

A sofrível película – crime eleitoral covarde às vésperas do desenlace das eleições de 2010 – é uma urucubaca assustadora sobre o futuro do Brasil, uma chantagem. Diz ao eleitor, “o fim está próximo”, caso o cidadão cometa o acinte de eleger a candidata Dilma Roussef. Mas o despenhadeiro da rejeição popular se abre ameaçador é ante a legião anti-patriótica e neoliberal.

É um vídeo sobre eles

Mas o filmezinho tem sua utilidade. Diz muito acerca dessa elite anti-Brasil sob Serra. Leiamos nas entrelinhas. Mas, em vez de tecer suposições como sentenças, cabem perguntas que o vídeo sugere:

1 – “Com o Brasil dividido, Dilma assume”.

Os prováveis derrotados nessa eleição limpa farão oposição ainda mais agressiva, contra a vontade popular?

2 – “Investigação sobre aliados e familiares de Serra”. Estão com medo dos mal-feitos da campanha (Paulo Preto, guerra de dossiês entre tucanos, calúnia e crimes eleitorais)? Querem ser inimputáveis? Não podem responder por ilegalidades em apuração?

3 – “Serra viaja para os Estados Unidos para o exílio”. Para os Estados Unidos, é? Entendi. E de lá, vai se unir com os estrangeiros para tomar o nosso Pré-Sal?

4- “Guerra com São Paulo”. Estão se sentindo ameaçados pelos investimentos no estado? Ficaram doídos com a Dilma, ao dizer “quem cuida de pobre em São Paulo é o Governo Federal'?

5 – “Acerto com a Igreja, descriminalização do aborto e impostos sobre as igrejas”.

Como o tema impostos sobre igrejas apareceu? Desculpe a ignorância: igreja não paga imposto?

Uma das mais fortes origens da esquerda representada por Dilma são os católicos e católicas progressistas. Devem eles ter medo de perseguições, a partir de Bento XVI?

Como o chefe do Estado do Vaticano emite juízos sobre a escolha do chefe de Estado do Brasil? E a criminalização do aborto de Serra? Querem dificultar o atendimento pelo SUS das mulheres pobres que já abortaram? Perseguirão as mulheres? Os (As) médicos(as) devem denunciá-las? Quantas morrerão (e seus filhos)?

6- “Servidores federais X programas sociais. Crise”. Desejam que parem os concursos públicos?

7- “Investigações e perseguição a Lula”. Projetam os tucanos em Dilma o que fariam a Lula caso ganhassem a eleição?

8 – “O turismo no Brasil desaba”. Apostam contra a Copa e as Olimpíadas no Brasil?

9 – “Estudantes (pró-Serra) e MST (Dilma) se enfrentam brutalmente”.

PSDB, DEM e PIG farão investimentos no movimento estudantil?

A TFP voltará com seus estandartes às universidades?

Já que o apoio juvenil organizado a Serra se resume às juventudes partidárias da sua aliança e à extrema direita - inexpressivas no ME - não é meio delirante o cenário criado?

Dói muito ao Serra o repúdio generalizado do movimento estudantil à sua candidatura?

10 – Se elegermos Dilma, o mais provável é a primeira mulher presidente não terminar o mandato?

E depois Serra será recebido por Lula e FHC no aeroporto? Esse tipo de megalomania já tem tratamento psiquiátrico, ou é machismo sem cura?

11 – Se as forças políticas que se opõem a Dilma forem derrotadas, ameaçam como Lacerda, “(...) não pode ganhar. Se ganhar, não pode tomar posse. Se tomar posse, deve ser derrubado”?

12 – Quem pagou o vídeo? Qual é a história sob essa peça apócrifa e covarde - que junto a outras baixezas, restará indelevelmente marcada no decepcionante currículo de Serra?

13 – Para Aécio: é isso que o PSDB, liderado por Alckmin ou Serra, como vaticina o vídeo, fará com a democracia, com o Brasil?

Obrigado por não nos deixar esquecê-los

O Brasil agradece as oportunidades propiciadas pela baixaria do demo-tucanato-carola-tfpista. Oportunidade de recordar como eles trabalham, de perceber que sua ânsia privatizante não acabou, de derrotá-los pela terceira vez, de eleger uma mulher, continuar o fortalecimento do Brasil, com trabalho para o povo e dignidade diante das nações.

Nem adianta o olho gordo. O povo não se dobrará ante as sucessivas ameaças à democracia. O povo já sabe quem não é democrático, por isso votará 13 e, com a Dilma, derrotará o medo, o irracionalismo e as ameaças fundamentalistas ao caráter laico de nossa República.

Talvez pensando nesse tipo de apelação, como uma frase para Dilma e o povo levarem no coração nesse 31 de outubro de 2010, Mário Quintana deixou um verso, um esconjuro ante esses jogadores de praga e sabotadores:"Todos esses que aí estão/ Atravancando o meu caminho/ Eles passarão/...Eu passarinho!"

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma

A eleição de Dilma Rousseff é um marco na história democrática brasileira. Mais do que a eleição de uma mulher para o cargo político mais importante do país, este momento representa a continuidade de um projeto nacional. Foi exatamente aí que residiu o grande mérito da campanha de Dilma: soube diferenciar o projeto do PT do projeto do PSDB. Mas o cenário do segundo turno foi além disso.

Dilma teve que enfrentar uma série de táticas rasteiras. A campanha de José Serra apelou para a baixaria escarrada, com elementos de obscurantismo e a patética cena da bolinha de papel (ou rolinho de fita crepe, como o caro leitor preferir). Teve apoio forte do PIG, liderado por Rede Globo, Veja e Folha de São Paulo. Não foi fácil a peleia. Mas Dilma, relacionando sua imagem a Lula e ao governo, passou por cima das dificuldades. Entretanto, essas foram apenas as primeiras dificuldades dela.

No governo, a presidente terá que superar inúmeros obstáculos. O principal deles talvez seja a exatamente a oposição institucionalizada do PIG. Lula conseguia superá-la em muito pelo seu carisma, durante seu mandato. Ele tem uma imagem pessoal muito forte, de grande identificação com o povo brasileiro. Dilma não tem isso. Ela tem o carisma de uma folha de alface. Não terá a legitimidade da identificação popular mais imediata. Por isso, tem que fazer um governo próximo da perfeição, para dar o mínimo de chances para os setores mais conservadores e reacionários do país.

De qualquer maneira, a soberana vontade popular mostra que as mudanças têm de continuar. Não sou daqueles ufanistas que acham o governo Lula as mil maravilhas. Mas é um governo que fez o melhor posssível dentro das molduras sociais, políticas e econômicas globalmente bem aceitas. É um governo de medidas que são relativamente tímidas em termos de um ideário mais romântico de esquerda, mas que fazem a diferença para a população pobre do Brasil, com uma visão mais inclusiva, mais plural, de aumento de oportunidades. É um governo que prioriza o social. Dilma prosseguirá este projeto. O Brasil está em boas mãos. E continua andando para a frente.