quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Rodeio de gordas

Leio no site de Época repercussão de reportagem da Folha de São Paulo que relata uma das coisas mais escrotas que vi na vida, um tal "rodeio de gordas", que alguns estudantes babacas da Unesp fazem em sua universidade (http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2010/10/27/confira-imagens-da-comunidade-do-orkut-que-promovia-o-rodeio-de-gordas/). A "brincadeira" consistia no ato de um imbecilóide qualquer montar numa menina obesa que circulasse deprevenidamente pela faculdade e tentar se manter o máximo de tempo em cima dela, como num verdadeiro rodeio.

Primeiro, o caso Geisy Arruda, na Uniban. Agora, o "rodeio de gordas". Infelizmente, o ambiente universitário, que era para ser culturalmente diferenciado, esclarecido, apenas reproduz de forma grotesca a alienação e imbecilidade da sociedade na qual está inserido. Não só em Unibans e em Unesps se verifica a existência de um bando de imbecis que receberá um diploma com toda pompa e circunstância. Isso vai mais longe e está em praticamente todas as universidades do país, públicas ou privadas, de diversas maneiras. É um negócio meio epidêmico.

É só ver os "trotes" que alguns cursos fazem pelos campi Brasil afora. Os idiotas pintam os calouros, sujam-nos, passam vinagre, chimarrão, e alguns mais espertos abusam desses momentos para se aproveitar das meninas com suas mãos bobas. É humilhação plena e grotesca. Agem como animais, gritam de maneira demente, se auto-afirmam com cantos de guerra estúpidos e grosseiros.

Se vivemos numa sociedade doente, cheia de preconceitos e rotulações frente a qualquer tipo de fuga de padrão, seja estética ou comportamental, o ambiente universitário, que deveria se concentrar em combater esse tipo de coisa, de forma geral tende a reproduzir tudo o que de pior existe no mundo contemporâneo. Esses fatos lamentáveis reforçam apenas uma visão de mundo que conduz à intolerância, ao desrespeito e à desvalorização do ser humano.

Imagine como fica a cabeça de uma gordinha dessas da Unesp, que já sofre cotidianamente com atitudes de preconceito, de não-aceitação social e consequente insatisatisfação com o próprio corpo, e de repente se vê no meio de um campus com um imbecil retardado montando nela, com um monte de debilóides rindo e aplaudindo em volta. É aceitável tal nível de degradação humana? A chacota vale o sofrimento de uma pessoa que já se encontra vulnerável e fragilizada por ser menosprezada em uma sociedade que prioriza a estética e a superficialidade em detrimento do que de mais valioso o ser humano pode possuir, suas ideias e sentimentos?

O mundo ocidental contemporâneo, com seus vícios e valores distorcidos tem de, sim ou sim, se repensar profundamente. O contexto universitário, que, apesar dos pesares, e desse monte de barbaridades, tem tido alguns avanços tímidos nesse sentido aqui no Brasil, tem a obrigação de, cada vez mais tomar a frente nisso. E dar exemplo.

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