segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Palavras

Palavras podem ser como revólveres ou facas. Podem machucar gravemente. Podem até matar.

Palavras podem dar ensejo a todo tipo de imaginação. Imaginação perversa. Imaginação corrosiva.

Palavras podem consumir espíritos. Podem ser certeiras ou indecisas. Podem agredir discretamente.

Palavras podem ser defensivas, também. Podem disfarçar a dor. O "tudo bem" é um paliativo. Nunca está tudo bem.

Palavras descrevem sadicamente a nudez não vista. Seu corpo esteve exposto. O não feito também derrete a pele. Porque poderia ter sido feito.

Tudo o que fora cogitado, em algum momento, em algum espaço, se realizou. O sangramento é inevitável. Palavras são a silhueta daquilo que me adoece.

Palavras mastigadas, palavras cuspidas. Palavras projetadas direto ao alvo, meu peito. Preciso de um colete à prova de palavras.

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