segunda-feira, 4 de outubro de 2010

No Brasil, Marina leva para o segundo turno; no Rio Grande, vitória fácil de Tarso

Contrariando a tendência verificada nas últimas pesquisas eleitorais, a eleição presidencial vai para o segundo turno. Neste panorama, foi decisivo o peso dos votos de Marina Silva. Não foi Serra com sua campanha baixa abastecida por um incrível aparato pirotécnico midiático que levou o jogo para a prorrogação. Foi a eco-conservadora-pentecostal que, com seu discurso um tanto simplório e pegajoso, tirou votos de Dilma, e facilitou a vida de Serra.

Diante de tal cenário, a questão óbvia que fica é: para onde migrarão os votos de Marina? Para se tentar tal compreensão, é fundamental entender o perfil dos eleitores de Marina Silva. O voto em Marina foi um voto francamente oposicionista? Ou foi um voto de quem, apesar de satisfeito com o governo Lula, não criou suficiente identificação pessoal com Dilma? Haja vista a aprovação de cerca de 80% do atual presidente, a segunda hipótese é bem mais provável. O voto em Marina me pareceu ser o voto de quem queria "mudar não mudando".

Levando isso em consideração, na atual conjuntura, o caminho do PT é aparentemente menos pedregulhoso do que o do PSDB no segundo turno. Agora, mais do que nunca, cabe à campanha de Dilma transformar a eleição em um verdadeiro plebiscito. Deixar claro que Serra é oposição, e pertence ao partido de FHC, que possui uma moldura programática consideravelmente diferente da de Dilma Rousseff e do PT. É hora do confronto direto das práticas de dois partidos que estiveram no poder durante o mesmíssimo período de tempo, oito anos.

Entretanto, o páreo não está corrido. Há pelo menos dois elementos que podem ter algum peso neste processo. O primeiro, e mais elementar, se refere aos ataques da imprensa massiva, cuja preferência está mais do que escancarada no presente pleito. O segundo, bastante impreciso, possui relação com o apoio, ou não, de Marina e seu partido a uma das candidaturas. Particularmente, acredito que a postura do PV será de neutralidade. Isso porque não consigo imaginar Marina Silva apoiando abertamente a candidatura tucana. E ao mesmo tempo, paradoxalmente talvez, os verdes apresentaram um maior alinhamento com o PSDB do que com o PT nos estados, vide o exemplo mais claro de todos, do Rio de Janeiro. Mas, ainda que escolham um lado, teriam Marina e o PV suficiente poder de agenda sobre o voto de seus eleitores em um cenário do qual estão ausentes? Certo mesmo é que essas questões só ficarão mais claras com o passar dos dias.

Já aqui, no Rio Grande do Sul, o processo foi quase o oposto da esfera nacional. Ao contrário da eleição presidencial, e das duas últimas eleições para o governo do estado, não tivemos uma terceira força. A bem da verdade, não tivemos sequer uma segunda. A candidatura de Fogaça, incolor, insípida e inodora, foi tão empolgante quanto uma apresentação do João Gilberto sob o efeito de meio comprimido de Valium. A única possibilidade de confronto residiria na candidatura do PSDB. Mas os tucanos, moribundos depois de quatro anos pra lá de conturbados no estado, cometeram sua própria eutanásia ao lançar Yeda, desgastada por um governo desastroso e manchado por inúmeras denúncias de corrupção. A tentativa de reeleição da atual governadora era uma grande gozação com a cara do povo gaúcho. Neste cenário até certo ponto cômodo, só restou a Tarso conduzir sua campanha sem sustos e correr para o abraço.

Agora, resta-nos aguardar o segundo turno das eleições presidenciais. Fica uma ponta de ansiedade. Então, chega logo, dia 31!

2 comentários:

ursula sander disse...

Sempre ácido com a bossa-nova, hem?

Anônimo disse...

Sempre ácido com a bossa-nova, hem?