quarta-feira, 27 de outubro de 2010

(In) existência

Enquanto fecho os olhos, os fantasmas se aprontam.
Sono, pesadelo, falta de ar.
O corpo vira uma prisão, ninguém ouve meus gritos.
Faço toda a força, provoco e chamo para a briga.

Enquanto ela some, crio meu próprio apocalipse.
Agora os olhos estão abertos, mas tento fugir da realidade.
Isso tudo será esquecimento ou desprezo deliberado?
Ela não devia achar que os sentimentos são maldições.

Já não há mais sustos, nem angústias.
Mas o coração vai mofando, o mundo ri dos bolores.
Ainda não aprendi a ser o nada que sou, e insisto em acordar todas as manhãs.
Ninguém se importa mais com o desespero humano.

Rostos indiferentes frequentam uma história insuportavelmente repetitiva.
O ápice nunca chega, bocejos se proliferam.
Esperar, esperar, esperar.
Enquanto isso, atitudes alheias vão desenhando um futuro sombrio, minha dor mais aguda.

Questão de tempo, minha tragédia pessoal, comédia e gozo para a plateia.
Sou o palhaço triste que tenta fazê-la sorrir.
A recompensa é o direito de inexistir.
Algum sádico na multidão estende uma faixa: "Eu já sabia".

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