domingo, 31 de outubro de 2010

Do lado errado

Incômodo, acidez no estômago.
Eis a desgraça humana.
Se passar por cima, será covarde.
Se não fizer nada, será esmagado.

Ambiente cortante, cheiro estranho no ar.
Vê sozinho, dirão que é louco.
Mata os fantasmas em sua mente.
Rostos de pavor, sirenes tocam.

Glamour patético, fim do mundo.
Os vermes vão comendo sua pele.
Ganhos, perdas, espertezas.
Nessas horas, só os vadios fazem sentido.

Na calçada, esfrega-se enquanto urina nas calças.
Quão deliciosa é sua derrota?
Aparências enganam, sente a escuridão chegando.
Nada é resolvido quando se é tolo.

Pode ser um palhaço, um cadáver.
Engole o vômito, mastiga a mágoa.
O circo não acaba nunca.
Caminhou em vão, volta de cabeça baixa.

A plateia finge interesse, mas todos só querem gozar.
Ninguém se importa com explosões interiores.
Ficam entregues à mesquinhez do mundo vil.
Comida estragada, o que não mata engorda.

sábado, 30 de outubro de 2010

Meus 10 filmes de terror favoritos

Hoje me proponho a fazer aqui um top 10 de filmes de terror. Desde moleque sou louco por esse tipo de filme, e é uma paixão que tenho até hoje. Minha lista não é técnica, ela inclui ingredientes, digamos, afetivos e simbólicos também. Por isso, o leitor pode estranhar uma ou outra posição do ranking. Desde já aviso que os links contêm algumas cenas bastante fortes e chocantes. Aí vai a lista:

Décima posição- A Hora do Pesadelo: Freddy Krueger é um ícone. Simples assim, embora ele seja o que menos me agrada em termos de serial killers cinematográficos (http://www.youtube.com/watch?v=OZ46DSqzMZM).

Nona posição- Viagem Maldita: Eis um filme do qual eu esperava muito pouco e saiu melhor que a encomenda. É um remake de "Quadrilha de Sádicos", de 1977 (http://www.youtube.com/watch?v=JoJk-Sdcj7Y0.

Oitava posição- Halloween (H2): A trama de Michael Myers é uma marca forte dos filmes de terror (http://www.youtube.com/watch?v=cHslouUNi00).

Sétima posição- O Massacre da Serra Elétrica: Carnificina a torto e a direito (http://www.youtube.com/watch?v=BYutsz8bbew).

Sexta posição- A Casa de Cera: Um filme com Paris Hilton tinha tudo para ser uma porcaria. Mas não é. É sensacional. Menção honrosa para a "cena do dedinho" (http://www.youtube.com/watch?v=ezjk0zoor94).

Quinta posição- Predador: É um filme de ficção científica. Mas considero como terror também. E dos bons (http://www.youtube.com/watch?v=oFwEa2TsluA).

Quarta posição- Brinquedo Assassino 2: O primeiro filme que eu vi no meu primeiro videocassete, quando tinha uns seis anos de idade (http://www.youtube.com/watch?v=JOcGnP8erN8&feature=related).

Terceira posição- Sexta-Feira 13 Parte 8: Dizem que é um dos piores da série de Jason Vorhees. Não concordo. Gosto bastante desse filme (http://www.youtube.com/watch?v=3wtXs3vJEbE&feature=related).

Segunda posição- O Exorcista: Clássico absoluto. Assustador. Sensacional (http://www.youtube.com/watch?v=vaPYNGNt1aI).

Primeira posição- O Albergue: Imagine um clube em que os sócios têm carteirinha para torturar pessoas, do jeito que bem entenderem, com preços tabelados entre americanos, asiáticos, etc. Imaginou? Esse é o campeão do meu ranking de filmes de terror favoritos. Da era do terror explícito, o melhor (http://www.youtube.com/watch?v=I9vg9Bz75Sg).

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Choques de realidade

Caminhamos feito zumbis.
Decidiram nosso destino por nós.
Nos enganaram o tempo todo.
Pensávamos que tínhamos vida própria.

Agora, tudo é esquizofrenia.
Exibição patética, eles lambem a imagem no espelho.
Portas fechas, eu quero ir embora.
Sou a aberração que berra por dentro até estourar.

Sigo como cogumelo, eterno cogumelo.
O palhaço odeia quando as crianças riem.
Sangue sugado, gotas caem no travesseiro.
A sorte é que ninguém ouviu.

Festa dos cadáveres vivos, dançando e putrefando.
Planeje o que lhe deixam planejar.
Subtraia a si mesmo de sua vida.
Espere a manada esmagar seu corpo.

Ingênuos, ainda damos nosso melhor.
Tudo é inútil, esforço vão.
Os vermes que comerão nossos miolos não se tornarão mais sábios.
Então vamos dar um vexame e nos divertir um pouco?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Rodeio de gordas

Leio no site de Época repercussão de reportagem da Folha de São Paulo que relata uma das coisas mais escrotas que vi na vida, um tal "rodeio de gordas", que alguns estudantes babacas da Unesp fazem em sua universidade (http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2010/10/27/confira-imagens-da-comunidade-do-orkut-que-promovia-o-rodeio-de-gordas/). A "brincadeira" consistia no ato de um imbecilóide qualquer montar numa menina obesa que circulasse deprevenidamente pela faculdade e tentar se manter o máximo de tempo em cima dela, como num verdadeiro rodeio.

Primeiro, o caso Geisy Arruda, na Uniban. Agora, o "rodeio de gordas". Infelizmente, o ambiente universitário, que era para ser culturalmente diferenciado, esclarecido, apenas reproduz de forma grotesca a alienação e imbecilidade da sociedade na qual está inserido. Não só em Unibans e em Unesps se verifica a existência de um bando de imbecis que receberá um diploma com toda pompa e circunstância. Isso vai mais longe e está em praticamente todas as universidades do país, públicas ou privadas, de diversas maneiras. É um negócio meio epidêmico.

É só ver os "trotes" que alguns cursos fazem pelos campi Brasil afora. Os idiotas pintam os calouros, sujam-nos, passam vinagre, chimarrão, e alguns mais espertos abusam desses momentos para se aproveitar das meninas com suas mãos bobas. É humilhação plena e grotesca. Agem como animais, gritam de maneira demente, se auto-afirmam com cantos de guerra estúpidos e grosseiros.

Se vivemos numa sociedade doente, cheia de preconceitos e rotulações frente a qualquer tipo de fuga de padrão, seja estética ou comportamental, o ambiente universitário, que deveria se concentrar em combater esse tipo de coisa, de forma geral tende a reproduzir tudo o que de pior existe no mundo contemporâneo. Esses fatos lamentáveis reforçam apenas uma visão de mundo que conduz à intolerância, ao desrespeito e à desvalorização do ser humano.

Imagine como fica a cabeça de uma gordinha dessas da Unesp, que já sofre cotidianamente com atitudes de preconceito, de não-aceitação social e consequente insatisatisfação com o próprio corpo, e de repente se vê no meio de um campus com um imbecil retardado montando nela, com um monte de debilóides rindo e aplaudindo em volta. É aceitável tal nível de degradação humana? A chacota vale o sofrimento de uma pessoa que já se encontra vulnerável e fragilizada por ser menosprezada em uma sociedade que prioriza a estética e a superficialidade em detrimento do que de mais valioso o ser humano pode possuir, suas ideias e sentimentos?

O mundo ocidental contemporâneo, com seus vícios e valores distorcidos tem de, sim ou sim, se repensar profundamente. O contexto universitário, que, apesar dos pesares, e desse monte de barbaridades, tem tido alguns avanços tímidos nesse sentido aqui no Brasil, tem a obrigação de, cada vez mais tomar a frente nisso. E dar exemplo.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

(In) existência

Enquanto fecho os olhos, os fantasmas se aprontam.
Sono, pesadelo, falta de ar.
O corpo vira uma prisão, ninguém ouve meus gritos.
Faço toda a força, provoco e chamo para a briga.

Enquanto ela some, crio meu próprio apocalipse.
Agora os olhos estão abertos, mas tento fugir da realidade.
Isso tudo será esquecimento ou desprezo deliberado?
Ela não devia achar que os sentimentos são maldições.

Já não há mais sustos, nem angústias.
Mas o coração vai mofando, o mundo ri dos bolores.
Ainda não aprendi a ser o nada que sou, e insisto em acordar todas as manhãs.
Ninguém se importa mais com o desespero humano.

Rostos indiferentes frequentam uma história insuportavelmente repetitiva.
O ápice nunca chega, bocejos se proliferam.
Esperar, esperar, esperar.
Enquanto isso, atitudes alheias vão desenhando um futuro sombrio, minha dor mais aguda.

Questão de tempo, minha tragédia pessoal, comédia e gozo para a plateia.
Sou o palhaço triste que tenta fazê-la sorrir.
A recompensa é o direito de inexistir.
Algum sádico na multidão estende uma faixa: "Eu já sabia".

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Homens, instintos, regras

Os animais têm instinto. Os homens têm regras. Para conter seus instintos. Os animais vivem em relativa harmonia com seus instintos. Os homens, com suas regras para dominar os instintos, são só desarmonia.

O homem é tão irracional que precisa da racionalidade das regras para preservar a espécie. O homem cria regras que os homens não entendem. Até os contra-regras resolvem ficar contra as regras.

Debaixo da chuva, todos dançam anarquicamente. Já não há qualquer sincronia, nem passos marcados. A água desmanchou as regras, diluiu as tintas. Estado de natureza, oração pagã, deleite pleno.

Um a um eles caem. Natureza sem Estado. Os animais têm instinto. Os homens criam novas regras para conter seus instintos...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Um grande Gre-Nal

O Gre-Nal do final da tarde de ontem no Olímpico foi um senhor jogo de futebol. Cheio de alternativas, reviravoltas, o confronto foi emocionante do início ao fim.

O primeiro tempo foi marcado por um certo domínio colorado. Mas, da mesma maneira como vinha acontecendo nos últimos confrontos fora de casa, faltou ímpeto, poder de fogo. O Inter tinha domínio territorial, mas não finalizava. Já o Grêmio era mais incisivo. Numa bola parada, fez o seu gol, com André Lima, em falha de Renan. Aliás, Renan merece um capítulo à parte. Sempre o considerei um baita goleiro, e comemorei muito sua contratação no meio do ano. Mas o fato é que ele tem comprometido muito debaixo da meta colorada. Ontem ficou no meio do caminho no primeiro gol do Grêmio. Vem falhando sistematicamente. Não sei o que aconteceu, mas a Europa fez mal ao goleiro. O Renan que foi era um goleiro muito promissor, projeto de titular de seleção brasileira. O Renan que voltou é um goleiro pouco confiável, que não passa tranquilidade nem ao Dalai Lama. Urge a volta de Pato. Ou mesmo de Lauro, que se não é o goleiro dos sonhos de ninguém, pelo menos é um goleiro que falha pouco.

Voltando ao jogo, o segundo tempo começou amplamente favorável ao Grêmio. Nos seus primeiros minutos, o Inter levou um baile constrangedor. O time colorado não via a cor da bola. Entretanto, o Inter tem um jogador de exceção, aquele cara que na hora do aperto coloca a bola debaixo do braço e diz: "agora é comigo". Este cara é D'alessandro. O argentino tomou conta do jogo, travou um duelo particular com Victor, e passou a dar mais vida ao ataque colorado, agora reforçado por Sóbis, que entrou bem, apesar do tempo parado. Num escanteio cobrado por D'ale, Índio faria o seu nonagésimo quinto gol em Gre-Nais. Mas Fábio Rochemback fez uma defesaça que, maldade, Renan não faria, cometeu o pênalti e foi expulso. Alecsandro converteu. Mesmo assim, jogou uma péssima partida. Estava num daqueles dias de Alecbrahimovic.

O panorama do Gre-Nal mudara da maneira mais maluca possível. Com o jogo empatado, o Inter, agora com um a mais, tinha tudo pra liquidar a fatura. Mas numa bobeada incrível do setor direito de sua defesa, levou o segundo gol gremista, de Fábio Santos. Depois disso, manteve a pressão, que não era mais do que sua obrigação. E D'ale, o caubói fora da lei colorado, decidiu. Recebeu a bola na entrada da área, girou e chutou rasteiro, seco, no cantinho esquerdo de Victor. Dois a dois. E seguiu assim até o final. Tudo certo e nada resolvido. O Inter mantém chances reais de título, graças aos tropeços dos adversários do topo da tabela. O Grêmio mantém suas chances de vaga na Libertadores. Tudo, absolutamente tudo pode acontecer nessa reta final de Brasileirão. E o campeonato, a exemplo do que tem ocorrido nos últimos anos, implora: "Me ganha, Inter! Me conquista e vamos ser felizes para sempre."

Não sei se para sempre... Mas pelo menos até o Mundial, daria pra ser bem feliz...

domingo, 24 de outubro de 2010

Importante, pero no mucho...

O Gre-Nal deste fim de tarde no Olímpico vai definir significativamente as trajetórias de Inter e Grêmio na sequência do Campeonato Brasileiro. A vitória significa a possibilidade do colorado continuar sonhando com a taça. Para o Grêmio, significa a entrada com força na luta por uma vaga na Libertadores do ano que vem, Libertadores para a qual o Inter, lembremos, já está classificado.

Mas o jogo, por outro lado, se tem essa relativa importância, além do óbvio componente de ser um clássico, não é assim tããão importante para o lado vermelho. Não que eu não queira que o Inter ganhe. Quero muito. É sempre uma delícia ver o Inter ganhar do Grêmio. No Olímpico, calando 50 mil azuis, então, nem se fala. Podendo enterrar o sonho gremista de estar na Libertadores, ainda... Seria sensacional. Entretanto, excluindo-se o fator rivalidade, e se pensando "holisticamente", o peso não é tão grande.

Suponhamos que o Inter perca (toc, toc, toc) o clássico desta tarde. Tudo bem, o título brasileiro iria para o brejo. Mas, se a sensação de perder o título nacional não é exatamente "boa", num ano em que o Inter ganhou um Bi da Libertadores, garantiu vaga automática para a próxima, para a Recopa, e vai disputar um Mundial Interclubes, não é uma tragédia. O colorado está fazendo uma campanha razoável no certame nacional. E está administrando, bem, um ano de exceção.

D'alessandro está corretíssimo quando afirma que o grande foco é o Mundial. É o maior título que um clube pode ganhar! Neste ano, fomos pela segunda vez os maiores do continente. E poderemos ser os maiores do mundo, novamente, em dezembro. Claro que queremos ganhar mais um Gre-Nal e aumentar ainda mais a avassaladora vantagem vermelha nos clássicos. Mas se não ocorrer, temos que lembrar que a temporada já está ganha. E, de lambuja, pode ser ainda mais espetacular no final do ano.

sábado, 23 de outubro de 2010

Ciúme

A pós-modernidade traz no seu ideário uma série de premissas, algumas interessantes, várias estapafúrdias. A maior de todas as bobagens pós-modernas pode ser resumida a uma sentença: quem ama não sente ciúme. Como assim, cara-pálida?

Quem ama sente ciúme, sim! É normal, e eu diria, é inerente ao amor. Chega a ser, em algum termo, "natural". Claro que aqui estou considerando uma estrutura cultural monogâmica. É a minha estrutura cultural. E alguém se atreveria a dizer que a cultura não estabelece relações diretas com a natureza?

Tendo o ponto a partir do qual argumento bastante esclarecido, afirmo que o ciúme denota, ao mesmo tempo, sensibilidade e racionalidade. Vou começar pela racionalidade. Não sou daqueles que acreditam na simplória fórmula "homem + mulher= reprodução". Acho que pode haver uma série de tipos de relação homem-mulher. Principalmente se o homem em questão gostar de Restart.

Opções musicais/sexuais à parte, acredito, sim, que possa existir amizade entre homem e mulher. Mas essa é UMA das alternativas. Quando há um homem e uma mulher na parada, a priori, seria ingenuidade descartar, digamos, "algo mais" que amizade. A fórmula, então, seria mais ou menos a seguinte: "homem + mulher≈ reprodução".

Em sã consciência, um homem que ama uma mulher (ou vice-versa), não tem porque gostar da ideia de colocar minimamente em risco a relação com a pessoa que ama. Isso me parece ridículo de tão simples! Então, é até certo ponto racional que se sinta um certo incômodo ao ver a pessoa amada interagindo com uma pessoa do sexo oposto. Se a pessoa é heterossexual, tem toda a lógica se pensar na ameaça, mínima que seja, de que ela se interesse pela pessoa do sexo oposto com a qual interage. O mesmo vale para homossexuais, trocando-se apenas a expressão "sexo oposto" por "mesmo sexo".

Mais do que racional, sentir ciúme é um sintoma inevitável de quem ama, é um sinal de sensibilidade. Só não sente ciúme, um pouquinho que seja, a pessoa que não ama. Ela pode sentir qualquer coisa. Mas amor não é. A ausência de ciúme, para mim, significa desleixo, desprezo. No pacote do amor, sentir ciúme está incluído. E não é peça opcional.

Claro que a pós-modernidade, com seu relativismo devastador, tenta nos convencer do contrário. E tenta ridicularizar quem sente ciúme, rotulando como inseguro. Ora bolas, rotulem como acharem melhor! Neste verdadeiro estado de natureza das relações humanas, quem não sente ciúme não sente nada: trata o outro como objeto descartável e substituível. A ausência de valores promovida pela pós-modernidade desumaniza o convívio humano. Particularmente, acho que essas coisas retrógradas, tipo sentimentos e noção de certo e errado, ainda são necessárias para que não voltemos à barbárie.

De todo modo, gostaria de deixar claro, se assim não o fiz até aqui, que não defendo o ciúme doentio, que corrói as relações. Apenas acho que uma certa dose de ciúme é indispensável, embora não suficiente, para chamarmos uma relação de amorosa. Mais do que isso, perceba o amigo leitor que falo em sentir ciúme, não em demonstrar ciúme. O ciúme é algo que, em 90% das vezes, é algo que tem de ser mastigado, mastigado, mastigado, até que possa ser engolido. Nos outros 10%, eu me atreveria a recomendar: demonstre, sim! Claro, com moderação, com limites. Mas demonstre! Isso mostra que você tem sangue correndo nas veias. Isso mostra que você se importa com quem você ama.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Bolinhas e fita crepe

Coitado do Serra. Muito triste o que aconteceu com ele. Deve ficar em observação por mais alguns dias. É preocupante esse avanço da indústria de armas. Principalmente no que diz respeito a bolinhas de papel ou bobinas de fita crepe.

É a última moda do tráfico no Rio. A coisa tá cada vez mais violenta. Quando o BOPE chega, é um tal de bolinha de papel e bobina de fita crepe voando... Um caos! Até o Capitão Nascimento entra em pânico.

Ahmadinejad, lá no Irã, também vai tramando das suas. Está criando um canhão de bolinhas de papel. Teme-se pelo futuro da humanidade.

Já por aqui, já se está pensando em regulamentar uma lei. Folha de ofício e rolo de durex, só com porte! É questão de segurança pública.

A classe média alta carioca vai fazer uma caminhada no Leblon, pela proibição de bolinhas de papel e rolos de fita crepe. "Pelo bem de nossas crianças e de nossas famílias". Ana Maria Braga, Hebe e Regina Duarte já confirmaram presença. Dizem que a última está com medo. Muito medo. Medo de um Brasil em que se percam vidas por causa de bolinhas de papel e rolos de fita crepe.

Manoel Carlos já está pensando em abordar o tema de bolinhas de papel e rolos de fita crepe na próxima novela das oito. Ele sempre pensa nessas questões que afetam a sociedade brasileira.

Fato é que o Brasil terá de se mobilizar. Algo tem que ser feito em situação tão absurda, violenta e calamitosa. Num único grito, ouve-se ecoar por cada rua desse país: abaixo as bolinhas de papel! Rolos de fita crepe nunca mais!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Forma e conteúdo

Caro poeta, deixe de lado o que te impuseram.
Foda-se a rima, dane-se a forma.
Apenas se entregue com toda a força.
Transborde seu conteúdo.

A forma não diz nada.
Ela mente que estamos certos.
Deixe de lado as superficialidades e regras.
Purifique seus versos.

Traços parnasianos não tão significam nada.
O engodo da beleza que morre em si mesma sufoca seu coração.
Crie sua anarquia, jogue os manuais no lixo.
Apenas ria debochadamente desse monte de besteiras.

Caro poeta, simplesmente seja você.
Aperte suas feridas, esprema seu pus.
Ame como um desvairado, odeie coma chama de Mefistófeles, se necessário.
Deixe as palavras te libertarem.

Pingue seu sangue sobre a folha.
Arregale os olhos e veja o tanto que o mundo lhe enganou.
Se divirta com sua própria tragédia.
Faça com que a caneta perfure seu coração.

Entregue sua alma, mas não a venda.
Abrace seus fantasmas.
Faça as palavras dizerem algo.
Você, só você, pode dizer o que sente.

E o que sente, caro poeta, sempre será único.
Singular como o segundo que acaba de passar.
Viva mais agudamente suas angústias.
Recrie seu universo, antes que ele exploda.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ensinamentos

Um dia me fizeram crer no certo.
Mas o certo estava errado.
Um dia me fizeram crer no bem.
Mas o bem na verdade não existe.

Um dia me fizeram olhar o céu.
Mas a vida é um inferno.
Um dia me ensinaram a saber perder.
Faltou me ensinarem a ganhar de vez em quando.

Um dia me ensinaram a dizer a verdade.
Mas era de mentira.
Um dia me ensinaram a lutar.
Mas me colocaram na categoria errada.

Um dia me ensinaram a compartilhar.
Mas o mundo é só egoísmo.
Um dia me ensinaram a rezar.
Mas descobri que Deus é ateu.

Um dia me ensinaram a cantar.
Mas imploram que eu me cale.
Um dia me disseram que sou livre.
Mas estou preso a mim mesmo.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Anjo

Meu doce anjo, desculpe se em algum momento te machuco. Gostaria de ser o melhor para você. Mas continuo perdendo o sono. Continuo pensando em você.

Oh, meu lindo anjo, estou me corroendo. Não controlo minha mente. Sinto dor na cabeça e no coração.

Anjo do sorriso luminoso, me leve para longe da multidão. Os risos e palavras ao vento me deixam tonto. Quero apenas a serenidade de sua alma.

Anjo amado, o que posso fazer se me sinto fraco? Sou uma fratura exposta, um espírito desnudo. Me proteja, me aqueça, dê um significado a esse monte de coisas desconexas.

Anjo que me fez descobrir que estou vivo, não me deixe morrer, por favor. Tolere minhas limitações, minhas tolices. Tolere meu amor e meus gestos bobos. Deixe que eu exista para você. Me acolha em suas asas.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Um momento

Um momento, todo sentido.
O sol iluminou mais.
As crianças jogando bola se alegraram.
O pedinte ficou rico.

O Íbis virou time bom.
O Rubinho foi campeão.
Bush ficou bonzinho.
Serra ficou cabeludo.

Zorra Total ficou engraçado.
O ébrio ficou alerta.
O carrancudo ficou bobo.
O álbum de figurinhas ficou completo.

Tudo ficou diferente, mais interessante, mais vivo.
As cores tomaram harmonicamente meu campo de visão.
Até o rubor de minha face acho que ficou menos patético.
Um novo mundo floresceu quando ela sorriu pra mim.

domingo, 17 de outubro de 2010

Nostalgia (2): 10 desenhos animados que marcaram a minha infância

Hoje, apresento o ranking dos 10 desenhos animados que mais marcaram a minha infância. A lista contempla não só os desenhos em formato de série, de televisão, mas também longa-metragens. O que importa aqui, de fato, é que seja desenho. Vamos à lista:

Décimo lugar- He-Man: Direto de Etérnia, He-Man e seu cabelo tigelinha e a cruz-de-malta no peito (http://www.youtube.com/watch?v=dP7dUAXH0w0&feature=related).

Nono lugar- Tom e Jerry: Era monótono e previsível. mas marcou a minha infância. Eu sempre torcia para o Tom, aliás (http://www.youtube.com/watch?v=-l96VVDqsaM).

Oitavo lugar- Thundercats: Baita desenho. Eu tinha uma espada do Lyon quando era moleque, curtia pra caramba (http://www.youtube.com/watch?v=2Qd_IsxgAf8).

Sétimo lugar- Muppet Babies: Os bebezinhos bizarros eram divertidíssimos (http://www.youtube.com/watch?v=1ju75XsCO4o).

Sexto lugar- Cavalo de Fogo: Não, Cavalo de Fogo não é o Felipe Melo bêbado. É um desenho bem bacaninha que passava no SBT (http://www.youtube.com/watch?v=DIVBSn4Ujzs).

Quinto lugar- Dennis, O Pimentinha: O moleque travesso que infernizava o Sr. Wilson era sensacional. Clássico (http://www.youtube.com/watch?v=F0-RovQ7pDw).

Quarto lugar- O Rei Leão: O longa-metragem da Disney foi uma febre que também me contagiou. Impossível não se apaixonar pela história de Mufasa, Simba, Pumba, Nala e cia (http://www.youtube.com/watch?v=YO3NEhIz-Ws).

Terceiro lugar- Pica Pau: Clássico do clássico do clássico do clássico. Eu só não gostava do Pica Pau maluco, mas quando ele estava "de cara", era muito bom (http://www.youtube.com/watch?v=5xjPktDM87M).

Segundo lugar- Alladin: Na minha modestíssima opinião, dentre os clássicos Disney, Aladdin possui os personagens mais carismáticos, com ênfase especial para o papagaio Iago e o impagável Gênio (http://www.youtube.com/watch?v=do6y4PP3hL0).

Primeiro lugar- Cavaleiros do Zodíaco: O grande campeão do top 10 dos desenhos que marcaram a minha infância pertence aos Cavaleiros do Zodíaco. A trama dos defensores de Athena teve seu auge em meados dos anos 1990, quando era transmitida pela extinta Rede Manchete (http://www.youtube.com/watch?v=V5jrxa69NQk).

sábado, 16 de outubro de 2010

Nostalgia (1): 10 seriados japoneses que marcaram a minha infância

Nesse fim de semana me dedicarei a um exercício de nostalgia. Minha infância poderia ser dividida em dois tipos de entretenimentos televisivos: os seriados japoneses e os desenhos animados. Hoje, apresento uma lista com os 10 seriados live action japoneses que mais marcaram a minha infância. Amanhã, apresentarei os 10 desenhos animados que mais me marcaram na fase inicial da minha vida. Sem mais delongas, vamos aos nossos amigos de olhos puxados:

Décimo lugar- Lion Man: Era um seriado antigão, meio tosco, se passava num contexto camponês. Tinha tudo para eu detestar. Mas eu até que gostava (http://www.youtube.com/watch?v=_QzUfOWtbEo; http://www.youtube.com/watch?v=aTey3rvx9tg).

Nono lugar- Cybercops: Os uniformes dos policiais futuristas eram bem bonitos. Mas os efeitos especiais eram algo próximo do constrangedor, mesmo para a sua época. Possivelmente isso se deva ao fato de ter sido produzido pela Sato Company, e não pela Toei Company, que era a responsável pela esmagadora maioria dos seriados que vimos em terras tupinquins (http://www.youtube.com/watch?v=fFY2toYcSvc; http://www.youtube.com/watch?v=opAwaWeXUDE).

Oitavo lugar- Flashman: Quase ninguém gostava de Flashman. O seriado veio na safra logo após Changeman, aqui no Brasil, e talvez isso tenha pesado, porque, definitivamente, o seriado não chegava aos pés de Changeman. Mesmo assim, era legalzinho (http://www.youtube.com/watch?v=OOaoDOr-fek; http://www.youtube.com/watch?v=e93c6T2lb-I).

Sétimo lugar- Black Kamen Rider: O mais sombrio dos live action japoneses. As músicas, tanto de abertura quanto de encerramento, também eram um show à parte, as melhores dentre os seriados do nosso ranking (http://www.youtube.com/watch?v=JHGitZajfPI; http://www.youtube.com/watch?v=dWOhyTsl6A4).

Sexto lugar- Winspector: O seriado teve muitos problemas aqui no Brasil, de dublagem e edição de som. Mas era muito legal visualmente (http://www.youtube.com/watch?v=T5IAYt1aReI; http://www.youtube.com/watch?v=uk_T7_In1IU). PS: tenho a mente muito poluída, ou a movimentação do Biker (o robô amarelo) era um tanto "bagaceira"?

Quinto lugar- Changeman: Quando moleque, eu tinha até o uniforme do Changeman azul! O maior do gênero Super Sentai (heróis japoneses em equipe) (http://www.youtube.com/watch?v=dFDWbd6IHIg; http://www.youtube.com/watch?v=8vNJ8Q4Zukk).

Quarto lugar- Jaspion: Dispensa maiores apresentações. Depois de Ultraman, é o mais famoso dos "policiais do espaço" (http://www.youtube.com/watch?v=4SDT860St8c; http://www.youtube.com/watch?v=B4Lq2-sfAOc).

Terceiro lugar- Jiban: Apesar de ter o capacete parecidíssimo com o símbolo do Grêmio, o policial de aço leva a medalha de bronze (sacou, sacou?) (http://www.youtube.com/watch?v=-pR6MY87Ef4; http://www.youtube.com/watch?v=67M-UsFhKFE).

Segundo lugar- Jiraiya: Se o capacete do Jiban parece o escudo do Grêmio, o vermelho e branco Jiraiya é coloradaço! Medalha de prata pra ele (http://www.youtube.com/watch?v=YAcYmxXm2JI; http://www.youtube.com/watch?v=147U1ed67TM).

Primeiro lugar- Spielvan: Sei que é polêmico. Mas, fazer o quê? Spielvan era meu favorito, apesar de todos os problemas de roteiro que a trama poderia ter. Além disso, Lady Diana era uma gracinha. Pena que hoje deve ser avó (http://www.youtube.com/watch?v=Z2swLPGoIUE; http://www.youtube.com/watch?v=OK2xg_QhtOI).

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Parafusos

Desde criança, Pedro sonhava em apertar parafusos para a direita. Nas brincadeiras na escola, sempre queria ser o personagem que apertava parafusos para a direita. Teve todo o apoio da família. Seu pai sempre dizia: "meu filho, você vai ser um grande apertador de parafusos para a direita quando crescer".

Pedro seguiu seu destino, foi atrás de seu sonho. Aos 18 anos, entrou na faculdade, para fazer o curso de apertamento de parafusos para a direita. Foram quatro anos suados. Teve professores que marcaram a sua trajetória, como Caetano, o professor da cadeira de Introdução à porca, e Gilmar, da cadeira de Chave Phillips II. Com todo esse aporte e esforço, conseguiu realizar o grande sonho: em uma solenidade extremamente marcante e emocionante, recebeu o diploma de apertador de parafusos para a direita.

A partir dali, seguiu uma carreira acadêmica brilhante. Fez mestrado e doutorado em apertamento de parafusos para a direita. Em Harvard, fez pós-doutorado em apertamento de parafusos para a direita, com ênfase em apertamento de parafusos para a direita com chave de fenda amarela!

Pronto, bem formado, passou a dar aulas. Durante anos e anos ensinou centenas, talvez milhares de novatos, a milenar arte de apertamento de parafusos para a direita. Virou um monstro sagrado de apertamento de parafusos para a direita. Escreveu dezenas de livros. Teve uma vida absolutamente bem-sucedida, ganhou respeito e notoriedade. Havia quem dissesse que ele era o nome mais importante do mundo na área de apertamento de parafusos para a direita. Pedro foi longe, mais longe do que ele mesmo podia imaginar, orgulhando a todos em sua volta.

Já velho, com uns setenta anos, resolveu mudar drasticamente de vida. Há momentos na vida em que há de se arrojar, ser um tanto irresponsável, corajoso. Pedro decidira ousar, e via-se a mais reluzente ousadia naqueles olhos já envelhecidos. Era um novo, emocionante e entusiasmante momento. Agora tudo mudaria, valeria a pena. Buscava intensidade no que lhe restava de vida. Pedro decidiu que, daquele momento em diante, apenas apertaria parafusos para a esquerda.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Perversidade

Tudo estava normal, deu até pra sorrir.
Mas sempre há más novas para perturbar.
Perversidade que salta aos olhos.
A conspiração bate à porta.

Entenda, faz todo o sentido esse pânico.
Haveria alguém melhor e mais forte.
O sussurro agora é grito.
O sangue pinga no chão.

Filme repetido, traumas e tortura.
Vale mesmo essa curtição?
Espere enquanto procuro o vaso, me sinto vulnerável.
Minha esquizofrenia, minhas lógicas, meus enlaces perfeitos.

Pode ser que não haja nada de errado.
Avise ao meu sono e ao meu estômago.
Violência psicológica, alma chutada e cuspida.
O relógio gargalha do meu desespero.

Não há como suportar os malditos golpes.
O silêncio me sacode, fico tonto.
Dias escuros, overdose para aguentar.
Já estou livre para enlouquecer?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Olhos fechados

Passou o dia inteiro na cama, enterrado pelos edredons. Nem o sol e o belo dia lá fora eram suficientemente motivantes. Preferia ficar deitado, deixando as horas passarem. A vida fora da cama e dos edredons era hostil, agressiva.

Era muito melhor permanecer ali, quieto, de olhos fechados. Com os olhos fechados, a vida era menos hostil e agressiva. Com os olhos fechados, podia viver a vida que quisesse. Com os olhos fechados, podia ser amado por quem amava. Com os olhos fechados, podia viver de verdade. Com os olhos fechados, podia fugir para onde bem entendesse. Com os lhos fechados, tinha a chance de ser feliz!

Deitado, com os olhos fechados, sob os edredons, sonhava com o amanhã. Desde criança, fora ensinado que o amanhã sempre seria melhor. Talvez por isso ainda rezasse todas as noites, na esperança de que o amanhã fizesse algum sentido. Mas o amanhã jamais chegava. O prometido amanhã só existia com os olhos fechados.

A noite de quem passa o dia de olhos fechados é destinada à mais angustiante das insônias. Aquilo não haveria de terminar tão cedo. A garganta e o peito atravancavam o choro. O homem insone, fadado à solidão, ao silêncio, à escuridão, encontra na luz do banheiro sua única chance de distração e fuga da monotonia. Finge vontade de urinar apenas para se encarar no espelho. Então, se pergunta o porquê de tudo isso se o amanhã será exatamente igual. O amanhã é um eterno ente virtual. Antes de nascer, morre e vira hoje. Nessas horas, em que as portas da percepção se escancaram, o senso prático se exacerba.

Ri e chora ao mesmo tempo. Toda a dor e angústia, todos os amanhãs risonhos que viraram hojes de cara fechada, todos os ontens banhados em lágrimas nascidas da alma de um ser humano que parece não ter nascido para dar certo, todos os deboches e peças pregadas em sua existência, tudo isso se simplifica de maneira incrivelmente singela e clara. Quando se dá conta, o corpo nu vai se esvaziando debaixo do chuveiro. A vida finalmente torna-se rosada, acenando enquanto desce pelo ralo. Já não há mais dor. Está livre. Tudo isso não passou de um devaneio louco. É melhor apenas fechar os olhos.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Insanidade

Construa logo sua casa de palha para se proteger da verdade, meu amigo.
É a competição de quem grita mais alto.
Sociedade doente, causas deploráveis.
É o fim dos tempos que já chegou?

Todos aplaudem, embasbacados, aquela performance.
Os medíocres amam a mediocridade.
Não sabem o que falam, só sabem quanto ganham.
É muito fácil se entregar à lama e se deixar ressecar.

Apologia à estupidez.
De que adianta desenhar chaves se as mentes permanecem fechadas?
Isso é luta braçal ou puro comodismo?
Sobe à boca, como vômito súbito, a vontade de expelir o que sinto a respeito disso.

Miséria mental absoluta que faz putrefar o que ainda nem existe.
Eles são aliados porque temem perder seu podre poder.
Fazem de tudo para desacreditar nossa verdadeira fé.
Aqueles pés limpos imundiciaram nosso chão, seus perfumes caros deixam o ambiente fedendo a bosta.

Olhe aqueles dementes mascando notas de cem.
Não fazem ideia de que ainda não foram abandonados.
Pedaços de papéis coloridos que promovem nosso suicídio coletivo.
Os dementes, a bem da verdade, somos nós, aqui fora.

Palavras

Palavras podem ser como revólveres ou facas. Podem machucar gravemente. Podem até matar.

Palavras podem dar ensejo a todo tipo de imaginação. Imaginação perversa. Imaginação corrosiva.

Palavras podem consumir espíritos. Podem ser certeiras ou indecisas. Podem agredir discretamente.

Palavras podem ser defensivas, também. Podem disfarçar a dor. O "tudo bem" é um paliativo. Nunca está tudo bem.

Palavras descrevem sadicamente a nudez não vista. Seu corpo esteve exposto. O não feito também derrete a pele. Porque poderia ter sido feito.

Tudo o que fora cogitado, em algum momento, em algum espaço, se realizou. O sangramento é inevitável. Palavras são a silhueta daquilo que me adoece.

Palavras mastigadas, palavras cuspidas. Palavras projetadas direto ao alvo, meu peito. Preciso de um colete à prova de palavras.

domingo, 10 de outubro de 2010

Bem e mal

Hoje à noite tem debate na Band. Serra, o candidato "do bem", tentará praticar seu maniqueísmo pobre e podre. Se Serra é do bem, sou do mal. Convicto e abraçado com o capeta.

A campanha de Serra, do PSDB, é baseada em uma estratégia tosca, truculenta, covarde e absurda. O discurso do tucano trata o povo como massa de manobra. Sem nenhuma vergonha na cara, apela para todo o tipo de argumento esdrúxulo.

Serra apela, como bom hipócrita eleitoreiro, para o que de mais retrógrado e lamentável pode haver numa campanha política. Adota a tática do terrorismo. Aquela mesma que ele, do alto de sua sabedoria, criticava lá em abril (http://dilemascotidianos.blogspot.com/2010/04/serra-e-apologia-ao-medo.html). Quem te viu, quem te vê, hein, Sr. Burns?

Dilma lutou contra a ditadura? Ah, era terrorista. Se dependesse de gente bunda mole que na primeira dificuldade se borra pernas abaixo e sai fugida do país, talvez até hoje estivéssemos oprimidos pelo regime militar. Viva quem lutou contra a ditadura!

E o aborto, então? Coisa mais absurda pensar em debater uma questão de saúde pública! Deixemos as mulheres pobres desse país continuarem abortando e colocando a vida em risco em porões de açougue, sem a mínima condição de higiene.

Daqui a pouco, Serra, o religioso, vai se colocar contra a camisinha e a pílula anticoncepcional. Pode dar mais uns votinhos.

Esqueci que Serra defende a liberdade de imprensa. Liberdade da imprensa golpista de manipular fatos impunemente, em nome de interesses escusos, que nada têm a ver com jornalismo de verdade.

Não esqueçamos também da moral e dos bons costumes. Coisas que esses comunistas comedores de criancinha desconhecem. Esse negócio de comer criancinha deixa pra padre pedófilo.

O fato é que Serra não consegue articular minimamente propostas políticas. Em sua campanha, parte para o lado pessoal e apolítico. Talvez seja somente o que resta fazer. Não haveria defesa política possível na comparação dos resultados práticos do governo do seu PSDB com o PT de Dilma e Lula, que não foi revolucionário, mas revolucionou a vida de muitos brasileiros.

O PSDB de Serra pode até "defender a vida". Mas defende uma vida digna para os pobres deste país? Há motivos, eu diria de sobra, para duvidar disso.

sábado, 9 de outubro de 2010

Imundos

Aqueles covardes pensam que podem tudo.
A imundice da calçada reflete suas atitudes.
São vermes que devem ser pisados.
Pensei em empalar suas cabeças.

Apenas cuspi naquelas caras.
Estão esmagados como patê.
Bichos escrotos que contaminam o ambiente.
Suas bocas sangram, dentes no chão.

Eles achavam que estariam impunes.
Agora mastigam as fezes dos cachorros.
Enquanto eles choram, vou às gargalhadas.
Pervertidos malditos, vômito incerto.

Enquanto eles abusam, você se cala.
Até quando deixará tudo como está?
Peles espremidas até sangrar.
O jogo está bem divertido.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Recomeços

A vida é feita de recomeços. Nunca sabemos onde vamos chegar. Sequer sabemos se vamos chegar. Mas temos que nos manter fortes e firmes. Temos que continuar a caminhada. Às vezes, voltar quilômetros, e recomeçar, por outro caminho, outro rumo.

Os recomeços são dolorosos. Isso é inegável. Às vezes, rumamos convictos por uma estrada, vemos flores e a beleza do campo, sentimos o agradável cheiro da felicidade. É a certeza do caminho certo, por mais redundante que isso possa parecer. Até que, de uma hora para outra, nos deparamos com uma placa dizendo que estamos no caminho errado. Aí, temos que voltar. A volta se dá pela mesmíssima estrada. Continuamos a sentir o mesmo cheiro de felicidade, e vendo as mesmas flores, admirando a mesma beleza do campo. Mas estamos voltando, já saudosos de paisagens tão bonitas. Paisagens inesquecíveis.

Estou vivendo esse caminho da volta. O coração dói um pouco. Não é fácil a sensação de saída de um caminho no qual acreditamos tão firmemente. Fica um certo vazio. Mas continuo admirando essa paisagem e essas flores. São imagens e momentos que ficarão gravados em meu coração até o último dia da minha vida.

De toda forma, a estrada continuará a existir. Levo dela o que de mais humano e doce já senti e presenciei. Foi um sonho lindo. Espero, pelo menos, ter deixado alguma marca boa. Algo que registre o quanto experimentei a mais singela, sincera e contemplativa alegria. Já não contenho as lágrimas. Não são lágrimas de tristeza. São lágrimas limpas, puras. São lágrimas de quem teve o privilégio de se sentir vivo. Num caminho talvez equivocado, mas nem por isso menos maravilhoso. Não me arrependo nem um pouco de ter andado por aqui.

Agora, resta me reencontrar. Caminharei por outras estradas. Não serão como esta. Seguirei pela obrigação de procurar meu rumo, um rumo que não sei ao certo qual é. Mas seguirei, sempre lembrando da beleza das flores e do campo, e do cheiro de felicidade que só esta estrada possui. E, talvez um dia, eu veja que o que estava errado não era a estrada, mas o destino escolhido. E aí poderei, de uma vez por todas, voltar a essa estrada, por aqui andar, e tudo daqui admirar com a máxima intensidade, sem pensar em chegar a lugar algum, que não seja este mesmo. Ficarei somente pela beleza das flores e do campo. Ficarei somente pelo cheiro da felicidade.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

As nuvens e o sol

O dia estava feio. Mais feio que o José Serra chupando manga. As nuvens no céu estavam carregadas, pesadas, escuras. Chovia razoavelmente. Era um dia nada convidativo. Eu estava enfurnado na biblioteca com minhas leituras sobre a mesa. Era, de fato, o que de melhor eu poderia fazer num dia tão horroroso. Chuva, mais chuva, e um entardecer fechado e melancólico: era tudo o que se poderia esperar dali para frente, até a noite.

Mas, incrivelmente, de forma repentina, quase abrupta, o sol deu o ar da graça, lá do lado de fora. Atreveu-se a desafiar o imponente e carrancudo cinza do céu. Aquele momento curto, singelo, foi uma das coisas mais belas que vi na vida. O brilho dourado claro banhando a grama, a árvore, as pessoas... O dia teve um espasmo de alegria. Em meio a tantas lágrimas, deu um sorriso, inocente e descompromissado como o sorriso gostoso de uma criança que não se importa com as agruras da vida.

Aquele instante, que deve ter durado no máximo uns dois minutos, foi como uma espécie de recado divino, conforto, consolo para minha alma. Está tudo nublado e enegrecido. Mas o sol fez questão de me lembrar de que ainda está lá. Luminoso, amoroso, cheio de vida, como sempre. Minha vida está pesada, cinzenta e chorosa como o dia lá fora estava. Mas o sol não se apagou.

Que passem logo essas nuvens, então, e o céu se descortine com o mais lindo dos dias, me dando a certeza de que aquele desprezo, aquela distância e aquela frieza foram passageiros. Como um dia chuvoso de outubro.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Marcelo Madureira e seu festival de imbecilidades

Marcelo Madureira é humorista do Casseta e Planeta, programa da Rede Globo. Um imbecil de marca maior. O programa do qual faz parte já foi muito melhor. Hoje, é tão engraçado quanto câncer. Apresenta um nível cada vez mais baixo e um humor cada vez menos inteligente.

Deparo-me, no You Tube, com um vídeo deste debiloide falando uma série de impropérios e baixarias do presidente Lula (http://www.youtube.com/watch?v=E9ndIwlX2PI&feature=player_embedded). Acompanhado do idiota do Diogo Mainardi, risonho como uma hiena com cócegas. Mainardi é o avalista intelectualóide de qualquer xingamento a Lula e ao PT. É um Arnaldo Jabor sem grife. Do lado dele, até seres desprovidos de cérebro minimamente capacitado, sentem-se incendiados com a possibilidade de falar do presidente e dos "comunistas comedores de criancinha". Não que Mainardi seja grande coisa. É um perfeito idiota. Mas pelo menos ele finge que tem fundamento nas bobagens que fala e escreve.

As imbecilidades proferidas por Madureira refletem o que sua emissora tenta transmitir: o que há de mais reacionário e sujo em termos de pensamento político brasileiro. Ninguém vai se esquecer do debate Lula e Collor. Tampouco das entrevistas com os presidenciáveis no Jornal Nacional, na presente campanha. E de tantos e tantos casos descarados de manipulação. Aliás, sugiro, pra quem ainda não viu, o batidíssimo "Muito Além do Cidadão Kane". Tem no You Tube. Vale a pena dar uma olhada.

Marcelo Madureira, o humorista incapaz de fazer humor de bom gosto, fala que Lula transformou a política em chacota. Não dá, entretanto, um mísero argumento para validar tal besteira. E o seu programete, que faz piadas lamentáveis e preconceituosas de todos os lados para com a sociedade brasileira? Tem direito de fazer a chacota que quiser? E a Globo, manipulando pornograficamente fatos, entrevistas e debates a seu bel-prazer, faz o que, diferente de chacota, refinada, com o contexto político nacional?

O protótipo de humorista, com suas palavras agressivas e desrespeitosas com o presidente da República, reflete o que a elite mais babaca deste país pensa: operário no poder é um deboche. Um cara do povo na presidência é um insulto! Viva a tradição, pátria e família!

A questão é que o povo já não se deixa manipular pelas elites chiliquentas com um não mais do que parcial afastamento do poder. Entretanto, todo o cuidado é pouco. O PIG (Partido da Imprensa Golpista, termo cunhado por Paulo Henrique Amorim com imensa precisão) vai para o tudo ou nada para o segundo turno.

Há que se fazer, principalmente pela internet, um tensionamento permanente. Felizmente, os novos recursos tornaram a comunicação muito mais plural. A relação está muito longe da igualdade. Mas, pelo menos, os canais para a contestação estão cada vez mais abertos. A democracia agradece.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Espelho

Se olha no espelho. Os olhos vermelhos e molhados dão o tom do que sente.

Pensou, estupidamente talvez, que dessa vez seria diferente. Agora, presencia sua própria dor.

Cansou de tentar. Cansou de errar. Simplesmente cansou.

Precisa de sua cama. Precisa de sua alma de volta.

Pensou que teria o direito de sorrir. Ou de ao menos tentar sorrir. Enganou-se. O reflexo em sua frente mostra tudo. Menos sorriso.

Ninguém pode ouvi-lo. Ninguém pode vê-lo. É um fantasma, afinal.

Ele ainda existe. Insiste em existir. Não sabe por que motivo nem até quando. Não é. Está. Poderia até ser. Mas, de fato, não é. E a vida ensina, dia após dia, que nunca será.

Reza para que o sol volte a nascer amanhã. E agradece a Deus por mais um dia abençoado.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

No Brasil, Marina leva para o segundo turno; no Rio Grande, vitória fácil de Tarso

Contrariando a tendência verificada nas últimas pesquisas eleitorais, a eleição presidencial vai para o segundo turno. Neste panorama, foi decisivo o peso dos votos de Marina Silva. Não foi Serra com sua campanha baixa abastecida por um incrível aparato pirotécnico midiático que levou o jogo para a prorrogação. Foi a eco-conservadora-pentecostal que, com seu discurso um tanto simplório e pegajoso, tirou votos de Dilma, e facilitou a vida de Serra.

Diante de tal cenário, a questão óbvia que fica é: para onde migrarão os votos de Marina? Para se tentar tal compreensão, é fundamental entender o perfil dos eleitores de Marina Silva. O voto em Marina foi um voto francamente oposicionista? Ou foi um voto de quem, apesar de satisfeito com o governo Lula, não criou suficiente identificação pessoal com Dilma? Haja vista a aprovação de cerca de 80% do atual presidente, a segunda hipótese é bem mais provável. O voto em Marina me pareceu ser o voto de quem queria "mudar não mudando".

Levando isso em consideração, na atual conjuntura, o caminho do PT é aparentemente menos pedregulhoso do que o do PSDB no segundo turno. Agora, mais do que nunca, cabe à campanha de Dilma transformar a eleição em um verdadeiro plebiscito. Deixar claro que Serra é oposição, e pertence ao partido de FHC, que possui uma moldura programática consideravelmente diferente da de Dilma Rousseff e do PT. É hora do confronto direto das práticas de dois partidos que estiveram no poder durante o mesmíssimo período de tempo, oito anos.

Entretanto, o páreo não está corrido. Há pelo menos dois elementos que podem ter algum peso neste processo. O primeiro, e mais elementar, se refere aos ataques da imprensa massiva, cuja preferência está mais do que escancarada no presente pleito. O segundo, bastante impreciso, possui relação com o apoio, ou não, de Marina e seu partido a uma das candidaturas. Particularmente, acredito que a postura do PV será de neutralidade. Isso porque não consigo imaginar Marina Silva apoiando abertamente a candidatura tucana. E ao mesmo tempo, paradoxalmente talvez, os verdes apresentaram um maior alinhamento com o PSDB do que com o PT nos estados, vide o exemplo mais claro de todos, do Rio de Janeiro. Mas, ainda que escolham um lado, teriam Marina e o PV suficiente poder de agenda sobre o voto de seus eleitores em um cenário do qual estão ausentes? Certo mesmo é que essas questões só ficarão mais claras com o passar dos dias.

Já aqui, no Rio Grande do Sul, o processo foi quase o oposto da esfera nacional. Ao contrário da eleição presidencial, e das duas últimas eleições para o governo do estado, não tivemos uma terceira força. A bem da verdade, não tivemos sequer uma segunda. A candidatura de Fogaça, incolor, insípida e inodora, foi tão empolgante quanto uma apresentação do João Gilberto sob o efeito de meio comprimido de Valium. A única possibilidade de confronto residiria na candidatura do PSDB. Mas os tucanos, moribundos depois de quatro anos pra lá de conturbados no estado, cometeram sua própria eutanásia ao lançar Yeda, desgastada por um governo desastroso e manchado por inúmeras denúncias de corrupção. A tentativa de reeleição da atual governadora era uma grande gozação com a cara do povo gaúcho. Neste cenário até certo ponto cômodo, só restou a Tarso conduzir sua campanha sem sustos e correr para o abraço.

Agora, resta-nos aguardar o segundo turno das eleições presidenciais. Fica uma ponta de ansiedade. Então, chega logo, dia 31!

domingo, 3 de outubro de 2010

Mãos dadas, peito aberto

Garota linda, preciso de um pouco de alívio.
A cada segundo que passa, você ocupa meu peito com mais força.
Os subterfúgios não resolvem.
Baby, você é a substância que preciso em minhas veias.

Garota, preciso dar mais algum passo?
Já não sei por onde ando.
Não me importo com a temperatura do asfalto.
Me faça sorrir, baby, você sabe que pode.

Garota linda, quero estar ao seu lado.
Gritar aos quatro ventos tudo o que sinto.
Me dê sua mão agora.
Baby, abandone seus medos enquanto abandono os meus: é o acordo de que precisamos.

Garota, farei o meu melhor.
Sejamos cúmplices deste crime promissor.
Vamos pegar em flores e criar um mundo novo e nosso.
Baby, vamos fazer uma revolução a dois.

sábado, 2 de outubro de 2010

Políticos e figurinhas

Andando pelo centro de Porto Alegre ontem, recebi pelo menos uma dúzia de santinhos de candidatos. É impressionante a variedade! Tem pra todos os gostos. Mas é um desperdício. Desde já, deixo uma sugestão: a Panini poderia lançar o álbum de figurinhas das eleições. Seria sensacional!

O álbum viria dividido por partidos. Duas páginas para cada um. Dos maiores. Tipo, PT, PSDB, PMDB. Partidos como PSTU, PTN, PCO, viriam em uma página. Com aqueles cromos repartidos ao meio, com dois candidatos cada. Como a seleção da Bolívia no álbum da Copa de 1994.

Os candidatos das majoritárias poderiam vir naquele formato "quebra-cabeças". Aos poucos, daria pra formar a carequinha do Serra. O laquê da Dilma. A carinha de manga chupada da Marina.

Não poderiam faltar as figurinhas com os "distintivos" dos partidos. Com efeito holográfico, é claro. Estrelinha do PT, tucaninho do PSDB, mãozinha segurando a rosinha do PDT... E por aí vai.

O álbum poderia ser dividido por afinidades ideológicas. Uma parte para a esquerda. Outra para a esquerda porra-louca. Uma para o centro, uma para a direita, e uma para os partidos desprovidos de ideologia. Por maiores que sejam as dificuldades conceituais, ainda daria pra fazer isso com algum critério.

Imaginem as crianças jogando bafo e fazendo trocas no colégio durante a semana! "Tá me faltando o Cláudio Janta". "Eu tenho uma Maria do Rosário repetida. Troca pelo Sebenelo?". "Alguém aí quer a Ana Amélia?". "Não, obrigado".

No fim das contas e das eleições, os candidatos se resumem a isso mesmo. Figurinhas entulhando caixas de correspondência. Colocando-as num álbum, pelo menos aumentariam as probabilidades de o povo lembrar em quem votou nas eleições anteriores.

Panini, tá dada a dica.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Leveza

Sopra o vento no meu rosto. Respiro fundo, medito, olho ao meu redor. Eu simplesmente me entrego. Fico sentado no gramado verde, observo lindas flores, campos, um laguinho cristalino à minha frente, sinto o cheiro da natureza.

O sol não se faz torturante. Ele apenas me transmite a leveza e a beleza de estar bem sintonizado com as energias que me fortalecem.

Então ela surge. Ela é mais radiante do que o sol. Sorri. Me olha. Ela está feliz. Eu também. Senta-se ao meu lado. Como um bobo, despudoradamente olho para seus olhos e sua boca.

É nessa hora que vejo que a vida é algo que pode dar certo. Tudo, até então, até este gramado, aquelas flores, o laguinho, tudo até essa presença leve e aconchegante, tudo até esse momento em que ela sorri para mim, fora prelúdio. Não fosse assim, não teria tido a mesma graça.

Beijo-a com todo o carinho e afeto que parecem transbordar em meu peito, em meus braços, em minha boca, em meus olhos. Posso sentir a respiração dela. Acaricio seu rosto, e agradeço sua existência.

Então, acordo. Doce melancolia da constatação de que esse momento tão lindo ainda não chegou. Mas não deixa de ser um sinal. Não estou proibido de sonhar.