sábado, 25 de setembro de 2010

O dia em que não puder te ver

É meio de noite. Penumbra no quarto. Insônia. É você em minha mente. Fico me torturando, hipotetizando um futuro incerto, inseguro, imprevisível. Fico pensando no dia em que eu não puder mais te ver.

Sei que você estará presente. Mas sei que sequer tenho você. Talvez seja uma sina, um carma, pensar em quem não pensa em mim. Ou pensa? Não sei. Mas não vem ao caso. Vem ao caso, isso sim, que nesse exato momento, com o caderno e a caneta sobre a cama iluminados pela luzinha do celular, penso em você. Vejo e sinto todo o tesouro que você guarda. Ainda preciso, entretanto, de um mapa para encontrá-la, algo que torne isso um pouco menos impreciso. Enquanto isso não acontece, vou remoendo minha mente com os obscuros pensamentos sobre o obscuro dia em que eu não puder mais te ver.

Tento não me ferir, mas sei que não tenho volta. Lembra daquele silêncio sepulcral? Ele disse tudo. Tento engolir a seco o que sinto, mas o coração aperta de modo a me recordar que sou humano, e, enquanto humano, te amo. E o que farei no dia em que não puder mais te ver? Esperarei você lembrar que existo? Buscarei forças para tornar o óbvio mais óbvio do que o já óbvio? Calarei com a tristeza solene de quem não soube se expor da maneira certa?

Pensar neste dia impreciso dói. Muito. Me dá medo. Muito. Sou ruim em ler sinais. Ainda assim, os leio, mesmo que distorcidamente. É minha sina. Assim como é minha sina guardar no peito a ansiedade infinita e sufocadora de quem nunca sabe se o que faz é suficiente. Tento, de todas as formas possíveis, cabíveis e não ridículas, transfigurar para seus olhos vivos aquilo que bate no meu peito. Mas nunca sei se estou conseguindo. Por não ter tato com essas coisas, fico entre o exagero e a sobriedade excessiva, mesmo que esta sobriedade seja dada quando me encontro ébrio. As coisas poderiam ser muito mais simples.

Talvez alguma providência divina, um milagre, nossos sonhos conectados ou nossos anjos amigos, enfim, alguma dessas coisas nas quais precisamos acreditar para sobreviver, faça, pelo menos uma vez, termos a certeza de que podemos compartilhar nossas luzes, nossas sombras, nossas razões e, principalmente, nossas loucuras. Será, então, este um grandioso dia: o dia em que não me preocuparei mais com o dia em que eu não puder te ver.

4 comentários:

Lu Sieber disse...

Nossa, que bonito!!!!!

Tânia Emiko disse...

Maravilhoso,seu site,parabéns..!

Tânia Emiko disse...

Perfeito para meu estado de espirito! sabe aquela musica que vc escuta ,escuta e diz,ele ta falando de mim?!!,pois ehe,a sua escrita foi isso,tudo que eu precisava hoje!! #A.doro!

Bruno Mello Souza disse...

Oi, Tânia!

Fico muito feliz que tenhas gostado do blog e se identificado com o texto.

Sinto-me gratificado quando aquilo que escrevo repercute positivamente, e de alguma forma faça algum bem para quem lê.

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