sábado, 18 de setembro de 2010

O dia em que eu puder voar

Ainda hoje, feito moleque, sonho com o dia em que eu puder voar. Meu corpo e minha alma estarão leves. Poderei observar tudo com serenidade e paz no coração. Poderei viver integralmente.

No dia em que eu puder voar, tudo o que passo e sinto hoje terá algum sentido. O sol brilhará com mais intensidade. Poderei pousar em um gramado verde e ser acariciado pelo vento.

Nesse dia, tudo será belo. Poderei respirar fundo sem dificuldades. Minhas mãos não tremerão mais, minha face não ficará mais rubra de maneira quase indecente. Poderei te olhar sem medo, o ridículo já não mais atemorizará, porque tudo, nós mesmos, seremos docemente ridículos. Neste dia serei bobo, romântico, cafona, com muito orgulho.

Sonho com o dia em que eu puder voar, porque nesse dia gozarei da mais desejável e utópica liberdade: a liberdade de amar. No dia em que eu puder voar, encontrarei minha essência nua e crua. Minha boca já não terá receio de falar ou beijar. Minhas asas desconhecerão os limites do céu, do infinito, do desconhecido.

Ah, o dia em que eu puder voar... Nesse dia, apreciarei o canto dos pássaros, entenderei a simplicidade e a beleza de uma natureza que hoje passa despercebida. Deitarei descompromissado, comerei maçãs, refrescarei meu corpo num lago limpo e azul.

No dia em que eu puder voar, já não farei mais perguntas: me deliciarei com as respostas. No dia em que eu puder voar, já não terei mais angústias me sufocando: a realidade abrirá meu peito. No dia em que eu puder voar, flutuarei, apenas. Alcançarei o ápice da existência, meu nirvana. No dia em que eu puder voar, a simplicidade substituirá todas as complexidades do meu espírito.

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