domingo, 19 de setembro de 2010

O capitalismo e a infelicidade humana

Sou um pouco cético em relação às alternativas que hoje se colocam em contraponto ao capitalismo. Revolução, socialismo, comunismo, tudo isso descansa em paz, sete palmos abaixo da terra. No entanto, o fato de não vislumbrar alternativas plausíveis não significa que eu ache o capitalismo bom. Pelo contrário, na verdade o capitalismo é uma porcaria. Ele desumaniza tudo que é humano, converte todas as subjetividades em cifras e cria padrões inalcançáveis que só fazem alimentá-lo. O capitalismo é perverso exatamente porque é movido à insatisfação humana.

O modelo capitalista necessita da infelicidade da população para se reproduzir. Tudo se compra. Mas este tudo não tem limite nunca, não tem demarcação, tal a velocidade avassaladora do sistema produtivo. Por isso, mesmo o mais rico dos homens não consegue parar. Ele está sempre em busca deste tudo que lhe foge em velocidade constante. É como se fosse uma imensa e infinita escada rolante, na qual o "objetivo final", em últimos termos a felicidade, comprada sempre pelo dinheiro, está num degrau acima o suficiente para não ser alcançada pelas mãos de um sujeito com os pés presos a um degrau logo abaixo.

Sempre haverá um carro novo, um celular novo, uma helicóptero novo, um iate novo, um padrão novo. O capitalismo cria necessidades novas na exata medida em que o que se pode não seja nunca suficiente. Com isso, ele se reproduz com ainda mais potência. O mais terrível é que, para alargar sua margem de segurança, o sistema capitalista cria necessidades para além do material, que se socorrem do material para serem satisfeitas. É aí que entram, entre outras coisas, aspectos referentes a padrões estéticos absolutamente subjetivos que são objetivados para criar um padrão suficientemente universal e longínquo que torne o ser humano insatisfeito consigo mesmo, com aquilo com o que ele tem de conviver diária e inescapavelmente: sua imagem frente ao espelho. O capitalismo é tão virulento que é capaz de fazer o ser humano ser tão infeliz quanto seja necessário para sua reprodução, das formas mais cruéis e desprovidas de ética e sensibilidade possíveis.

À primeira vista, o dinheiro parece resumir e simplificar a felicidade, criando uma linguagem única e universal para mensurar as subjetividades humanas. O dinheiro pode comprar tudo. Entretanto, este tudo encontra-se sofrendo constantes mutações e violentas ampliações, típicas de um sistema que precisa regular as emoções e desejos das pessoas, sempre em direção à infelicidade, para sobreviver e se reproduzir. Com isso, o dinheiro, apoiado na dinâmica da produção ao mesmo tempo quase ilimitada e intangível para as possibilidades humanas mais ou menos refinadas, torna a felicidade inalcançável, dentro de seus termos disseminados ideologicamente na sociedade capitalista.

Eis então a maior das contradições do capitalismo: um sistema que se apoia em seus termos ideais sobre a liberdade humana, torna o ser humano prisioneiro de padrões sempre fugidios. Refém da busca incessante de uma condição material que se encontra sempre muito à frente, poderá o ser humano praticar a verdadeira e mais límpida das liberdades? Ou a noção de liberdade é um grande engodo para perpetuar um sistema desigual de dominação do homem pelo homem?

A infelicidade é o combustível do capitalismo. Com seres humanos felizes e plenamente satisfeitos, o capitalismo apagaria. Ele se transformaria em qualquer outra coisa que não poderia ser chamada de capitalismo.

4 comentários:

Lu Sieber disse...

Muito bom, concordo com quase tudo que escreveu aí, mas...
Internamente, sei que "essa coisa de capitalismo", na forma e no estágio em que se encontra, não é nem um pouco benigna para o se humano.
Mas, não sei se é pelo fato "de eu ser mulher", que adoro a variedade de opções de produtos e formas de consumo que temos, dentro desse sistema (não me rotule de consumista, por favor, heheheh).
Por outro lado vejo o lado ruim, o lado da insatisfação e do sentimento de baixa auto-estima que nos sobrevêm, quando não estamos nos padrões, quando não temos as coisas que queríamos ou que "deveríamos ter".
É como se eu fosse duas pessoas, com essa dicotomia de pensamento em mim.

Anônimo disse...

o capitalismo é hoje o grande responsavel por tantos casos de depressao. Da hora que acordamos até dormir tudo que vemos é consumo,vivemos no mundo de consumo. Voce liga a tv e ve inumeras propagandas,sai nas ruas e nao é diferente agora até o youtube ta cheio de porcarias com várias vlogueiras fazendo voce comprar coisas que nao precisa.Falo isso pq viajei nessa vibe de comprar,comprar,comprar e nunca estou satisfeita.
Se voce almeja um carro,trabalha e o consegue semanas depois criam algo novo,esse nao é o problema,acredito que devemos fazer uma lavagem em nossas cabeças pra que nao mais nos rendamos a esse fim.
A nossa sociedade vive hoje hedonismo,triste é saber exatamento onde isso irá terminar!!

Anônimo disse...

o capitalismo é hoje o grande responsavel por tantos casos de depressao. Da hora que acordamos até dormir tudo que vemos é consumo,vivemos no mundo de consumo. Voce liga a tv e ve inumeras propagandas,sai nas ruas e nao é diferente agora até o youtube ta cheio de porcarias com várias vlogueiras fazendo voce comprar coisas que nao precisa.Falo isso pq viajei nessa vibe de comprar,comprar,comprar e nunca estou satisfeita.
Se voce almeja um carro,trabalha e o consegue semanas depois criam algo novo,esse nao é o problema,acredito que devemos fazer uma lavagem em nossas cabeças pra que nao mais nos rendamos a esse fim.
A nossa sociedade vive hoje hedonismo,triste é saber exatamento onde isso irá terminar!!

Bruno Mello Souza disse...

Concordo bastante contigo, Anônima.

Volte sempre!