quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Gente maluca

Vou andando pelo centro da cidade. E quanta gente maluca eu vejo! O punk de cabelo em pé tenta ser anárquico sem saber quem foi Bakunin. O mendigo pede esmolas usando o boné com o nome do político que o sacaneou a vida inteira.

Vou andando pelo centro da cidade. E quanta gente maluca eu vejo! A menina de saia curta e quatro marmanjos em volta sente-se a Britney Spears. São os referenciais de comportamento pós-modernos. O cara de camisa do Grêmio ainda acredita em imortalidade. Lembro-me, não sei por que, daquele filme, "Um morto muito louco".

Vou andando pelo centro da cidade. E quanta gente maluca eu vejo! O hippie pensa que está em Woodstock. Mas é só a Rua da Praia. O homem de meia idade engravatado acredita que será promovido. O folder da empresa foi bem convincente.

Vou andando pelo centro da cidade. E quanta gente maluca eu vejo! O sujeito que vende água pensa que sua esposa está planejando a janta. Mas ela está sendo jantada pelo padeiro. A garota de aparelho nos dentes pensa no seu colega de aula. Mas ele nem sabe que ela existe.

Vou andando pelo centro da cidade. E quanta gente maluca eu vejo! O sujeito que compra e vende ouro só pode dar bijuterias para a mulher que ama. Viva o capitalismo, suas justiças e coerências! A estátua viva se finge de morta. E se pergunta se algum dia já se deu o direito de viver.

Vou andando pelo centro da cidade. E quanta gente maluca eu vejo! O cara que vende chicletes não tem dentes. O velhinho que vende algodão doce sente correr pelo seu rosto um suor salgado.

Vou andando pelo centro da cidade. E quanta gente maluca eu vejo! Em uma vitrine, meu reflexo. Fantasioso e sonhador, sou o mais maluco de todos.

Um comentário:

ATIRANDO PRATOS PELA JANELA disse...

Amo o centro. Lá existe vida!Lá existe gente!
:D