domingo, 5 de setembro de 2010

Curiosos

Eles tem uma facilidade imensa de proliferação. Basta um carro bater, um corpo estar caído no chão, que lá estão eles. Os curiosos papa-defunto surgem em alucinante velocidade. Se duplicam, triplicam, quadriplicam, em segundos.

Eles não só se reproduzem de forma instantânea, como também vão ensaiando o velho jornalismo marrom. Eles vão dando uma série de palpites, tão grande que se torna quase impossível errar. Mesmo assim, erram. Limitam as hipóteses à desgraceira iminente. Sônias Abrãos por todos os lados. Ih, ele morreu!. Nossa, que horror! A coisa tá feia ali, hein? Meu Deus do céu, que judiaria!

Na verdade, ninguém vê nada. Só o pessoal da ala vip. Aqueles que ficam na primeira fila, de preferência com uma Tek Pix em punhos. O Youtube vai bombar! O resto só especula. Parece a imprensa brasileira investigando dossiês e denúncias para incriminar a Dilma.

Às vezes o pessoal se dá bem. Tem um ou outro presunto fresco no meio das ferragens. Estas pessoas precisam urgentemente de assunto. Passam semanas a fio descrevendo a muvuca para toda e qualquer alma que lhes cruze o caminho.

Entretanto, vez por outra, ninguém morre. É aí que, quando se presta atenção, se podem ouvir centenas de exclamações sussurradas: "Putz, ninguém morreu aí. Vamos embora."

Um comentário:

Ângela disse...

Eu não olho, me dá um mal estar na hora... As pessoas sentem uma atração incrível por coisas bizarras e negativas. Aí a explicação para tanto programa ruim na tv.