sábado, 11 de setembro de 2010

2 anos de Dilemas Cotidianos- 6ª posição: A fornalha

O sexto lugar do especial de 2 anos do DC fica com o texto "A fornalha", que conta o curioso caso de Helder e Priscilla, um casal que se viu envolvido em uma situação no mínimo inusitada.

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Faz uns cinco anos. Helder e Priscilla andavam pelo centro de uma metrópole qualquer. Estavam iniciando um namoro. Era tudo novo e absolutamente maravilhoso. Ele estava completamente apaixonado. E ela demonstrava o mesmo interesse e a mesma intensidade. Beijavam-se, beijavam-se muito. Entrelaçavam suas pernas a cada esquina para darem um novo beijo cinematográfico. A felicidade era transparente nos olhos dos dois, como se o mundo tivesse se tornado um verdadeiro paraíso.

Havia uma verdadeira química entre os dois. A troca de olhares era apaixonada, os sorrisos insistiam em vazar. Via-se, ali, um casal feliz, jovem, promissor.

De mãos dadas andaram, visitaram lojas, contaram piadas, curtiram cada delicioso segundo. Mas a tarde começava a cair, e era chegada a hora da partida. Helder elegantemente levou Priscilla para o ponto de seu ônibus. Logo à frente na fila estavam dois rapazes jovens, desses bem aculturados, no pior sentido da palavra.

Priscilla tirou a blusa ali mesmo, em gesto surpreendente e inusitado. Seus seios estavam desnudos, e ela sorria, enquanto Helder observava toda a sua beleza estupefato, constrangido e amedrontado com os olhares alheios. Eram lindos os seios de Priscilla, redondos e durinhos como se fossem duas bolas de futebol de salão. Os dois rapazes da frente olhavam escancaradamente, e riam com cara de tara, para desespero de Helder.

Passaram os dois rapazes a alisar o corpo de Priscilla. Apertavam os seios, beijavam-nos, mordiam-nos, lambiam-nos. Helder não conseguia ter reação alguma. Priscilla se deleitava, sorria com prazer transparente na luz de seus olhos. Priscilla trazia os rapazes para um cada vez mais íntimo contato físico. Eles baixaram as calças da moça, e passaram a fornicar sua genitália.

Helder, num misto de angústia e ódio, com os olhos marejados das mais salgadas lágrimas, retirou-se. Haveria uma desforra, disso tinha certeza. E logo tratou de viabilizá-la.

Seu plano começou pela instalação de uma enorme fornalha em sua casa. Era grande, muito grande mesmo, grande o suficiente para torrar uma pessoa.

Passou então a investigar os rapazes protagonistas da cena com Priscilla. Conversou com motoristas do ônibus daquela linha, descreveu seus rostos e maneiras de vestir, e obteve informação suficiente para saber por onde moravam.

Pediu para o irmão Juliano o carro emprestado. Não só o carro como também um revólver. E foi-se para as redondezas indicadas pelos motoristas. Com certa rapidez, avistou um grupo de rapazes que fumavam e conversavam em voz alta numa esquina. E lá estavam os dois procurados. Helder saiu do carro, sacou o revólver, e obrigou-os a adentrar o porta-malas, onde com incrível agilidade amarrou-os e lacrou suas bocas.

Levou-os para a sua casa. Jogou-os no chão da sala, e imediatamente acendeu a fornalha. Com o mais puro dos ódios correndo nas veias, chutou-os, cuspiu em seus rostos. Gritava. Pegava-os pelos colarinhos, e batia suas cabeças no chão, com toda a força que a fúria proporciona. Arremessou o primeiro à fornalha. Os gritos e gemidos ecoavam pela casa. Quando o primeiro já não conseguia mais debater-se, e sinalizava estar morto, olhou para o segundo. Este implorava piedade, e chorava descontroladamente, sem, no entanto, gritar. Hélder respondeu aos choros do rapaz:

- Lá, na parada do ônibus, você estava rindo mergulhado em luxúria. Agora chora. Irônico, não? Teve dó de alguém? Parou pra pensar no que eu sentia ao ver minha namorada nua nos braços de vocês?

O rapaz continuou a chorar, e Helder arremessou-o à fornalha, para fazer companhia ao corpo já completamente torrado do amigo.

Diz-se que, depois disso, Helder voltou a procurar Priscilla, e os dois voltaram a namorar, mais fervorosamente e apaixonadamente do que nunca. E para cada um que atravancasse os caminhos de Hélder e sua paixão, lá estava a fornalha, pronta e quente. Reza a lenda que a fornalha ainda nos dias de hoje mantém-se ativa e útil, exatamente na finalidade para a qual fora instalada. Por incrível que possa parecer, ninguém jamais suspeitou de nada...

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