quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Roth, meu malvado favorito

A vitória maravilhosa do Inter no México, contra o Chivas, tem vários personagens. A reação impressionante (talvez até surpreendente pela rapidez e contundência) do colorado no pós-Copa, também. Podemos falar na estrela de Giuliano, na personalidade de D'alessandro, na segurança de Bolívar, na raça de Guiñazu, na qualidade de Sandro... Mas tem um personagem que se destaca fulgurantemente nesta retomada que deixa o Internacional muito, mas muito perto mesmo, do Bi-campeonato da Libertadores da América: Celso Juarez Roth.

Quando me disseram, num final de tarde de sábado, se não me engano, que a direção anunciou Roth como o treinador da reta final colorada na Libertadores, pensei que era brincadeira. De mau gosto. Não só pela falta de títulos, mas também pela empáfia que certas vezes Celso Roth demonstrou em sua última passagem pelo Grêmio, eu confesso que não queria ele no Inter, muito menos num momento tão decisivo. Assumo, contudo, que estava absolutamente enganado. A contratação de Roth para o comando técnico do Inter teve precisão milimétrica. É só vermos a metamorfose espetacular que o futebol da equipe apresentou na comparação entre antes e depois da Copa do Mundo. Vieram bons reforços? Sim, vieram. Mas as mudanças vão muito além disso.

Comecemos pelas individualidades. Sandro, que sob o comando de Fossati parecia displicente, perdido, com a cabeça no Tottenham, voltou a jogar a enormidade que sabemos que joga. Bolívar, novo capitão, tem jogado demais, e está atravessando a melhor fase de sua carreira ao lado de um lento, mais ainda assim renovado, Índio. Kléber está apoiando como nunca! Guiñazu encontrou seu espaço no campo, está correndo tanto quanto antes, mas correndo certo. Taison renasceu, voltou a ser o jogador rápido e perigoso que sabemos que pode ser. E Alecsandro finalmente tem feito o que sabe fazer: ser centroavante, sem surtos de Alecbrahimovic (o seu alter-ego indesejável), sem invenções, sem toquezinhos estúpidos e infrutíferos no meio de campo.

O espantoso crescimento destas individualidades tem relação direta com a maneira coletiva de o Inter jogar. O time amedrontado, confuso, indefinido, retrancado de Fossati, deu lugar a um time marcador em todos os setores, aplicado, com organicidade tática, jogadores que sabem perfeitamente o que devem fazer, e que jamais abdica de agredir o adversário. O Inter, nas mãos de Celso Roth, tornou-se um time audacioso, com espírito grande, que faz valer o peso da camisa.

Celso Juarez Roth está muito perto de sua redenção como treinador de futebol. Já foi motivo de chacotas de todo o tipo, inclusive de nossa torcida. Agora, está a um passinho de um título da América, título que os badalados Vanderlei Luxemburgo, Mano Menezes e Muricy Ramalho, por exemplo, não possuem. E merece. Merece demais. Celso Roth é um cara extremamente trabalhador. É sério, dedicado, faz o máximo que pode pelos times que treina, trabalha os mínimos detalhes táticos e técnicos. Faltava o grande título porque, de fato, sempre faltou-lhe material humano capaz de transformar estes trabalhos excelentes em resultados mais concretos. Agora, ele tem. E está aproveitando muitíssimo bem a oportunidade dada pelo Inter.

Muito obrigado, Roth. Levaste o Inter ao Mundial Interclubes. Estás perto demais de nos levar ao Bi da América. Continues trabalhando, talvez mais do que nunca, nestes dias até a decisão. Não deixes a euforia demasiada tomar conta do ambiente. Há, ainda, longos 90 minutos para desentalar, de uma vez por todas, todos os gritos de tua garganta, e, se necessário, chorar todas as lágrimas típicas dos vencedores dignos. Tu és, Roth, um sujeito que honra cada letra da palavra d-i-g-n-i-d-a-d-e.

Desde já, peço sinceras desculpas por cada contestação, cada xingamento, cada deboche de minha parte, mesmo que, com tuas atitudes e palavras à época, os tenha merecido. Senti muita raiva de ti nas vezes em que, talvez contaminado pelo ambiente arrogante da Azenha, menosprezaste alguns feitos do Inter, quando dele perdias pelo simples fato de o teu time ser pior. Mas são águas passadas. Hoje, és meu malvado favorito. Com teu trabalho e tua competência, estás dando uma imensa alegria à nação colorada, que, claro, precisa ser complementada na próxima quarta-feira. De qualquer forma, tenhas a certeza de que, aconteça o que acontecer, passei a te respeitar em absoluto, em todos os sentidos, como pessoa, como sujeito de caráter, como profissional. Valeu, Roth. De coração.

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