quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O namorado e o presidente

O ônibus é o local ideal para se começar a pensar nas coisas mais estranhas e nas relações mais curiosas possíveis no que diz respeito à vida do dia-a-dia. Num destes momentos de filosofia barata interior, cheguei à conclusão de qua há muitas semelhanças entre o namorado e o presidente. Quase simetricamente, isto vale para as mulheres também. Mas, por ser homem, para mim é mais fácil falar pela ótica masculina. Mas, fique claro, o aspecto do gênero aqui pouco ou nada importa, ainda que alguns dos aspectos, de fato, se apliquem mais adequadamente ao lado masculino da força.

Também poderia refinar e falar não só em namorado, mas também em noivo e marido. Nesse caso, namorado seria prefeito, noivo seria governador, e marido seria presidente. Mas vou simplificar e denominar apenas de namorado, toda a espécie de cônjuge, e resumir os cargos do executivo ao presidente. A essência é praticamente a mesma. O que importa é que vejo nos relacionamentos homem-mulher algo bastante semelhante às relações de poder.

Sim, relações homem-mulher são relações de poder. E de foder também. Podem ser mais ou menos democráticas e liberais, podem ser até mesmo anárquicas. Ainda assim, o poder está na pauta, em diferentes graus de distribuição e diluição.

O namorado tem uma missão governamental. É um chefe de Estado. O povo, o eleitorado, é a namorada. O namorado tem de ser um bom administrador. Ele tem que ter o dom de conduzir a relação com o menor número de turbulências possível. Muitas vezes, assim como para o eleitorado, a situação econômica pesa. Mas às vezes a dominação carismática pode resolver, ou pelo menos gerar paliativos. Uma boa noite de transa tem o poder de amansar o povo revolto. É o velho pão e circo. Com o perdão do trocadilho infame, neste caso, pau e circo.

O namorado e o presidente tem um amor imenso ao poder. Todos gostamos do poder. Não sejamos hipócritas. O quanto ele, seja namorado ou presidente, puder se propagar no poder, assim o fará. A não ser que possa concorrer a um cargo hierarquicamente superior. Aí, a renúncia pode ocorrer sem maiores remorsos. E o povo que se dane.

Entretanto, o namorado não é tão senhor de si. Existem pressões exteriores absurdas. Sabe aquela amiguinha da namorada que está sempre falando mal de você? É o PSTU. Não tem a intenção de tomar o poder, pelo menos não este poder, não este Estado. Quer apenas tumultuar a relação bovina previamente estabelecida e cômoda. Ou será que o PSTU seria lésbica? Sei lá.

Mais do que isso, o namorado tem de estar permanentemente atento às conspirações. Em questão de dias, pode vir o golpe de Estado. Tenha certeza: em todas as circunstâncias, conspiradores não irão faltar. Às vezes, pode ser até mesmo um ministro de confiança. Relações políticas e amorosas são deveras instáveis. Ainda mais em democracias não consolidadas. Por isso, é bom evitar a convulsão social. O povo tem de estar satisfeito e de barriga cheia.

O povo, e as namoradas, querem um tanto de segurança e ordem. Governos desordeiros dão chance ao azar. Nessas horas, os conspiradores oferecem um governo duro, vigoroso, do jeito que o povo gosta. E daí, senhor presidente, se você não endurecer (mais do que nunca, sem perder a ternura), nada sobrará além do ostracismo do exílio. Não é fácil a vida de presidente. Digo, namorado.

Um comentário:

ATIRANDO PRATOS PELA JANELA disse...

Passarei a analisar os artigos de política sob uma nova ótica. Digamos que mais divertida...
Obs : Andar de bus faz bem hehe