terça-feira, 10 de agosto de 2010

Larissa Riquelme e a imbecilização da sociedade

No início até achei legalzinho o fenômeno Larissa Riquelme, principalmente durante a Copa do Mundo. De fato, ela é muito bonita, bem gostosinha. Mas confesso que encheu o saco. Ela já mostrou tanto, e de forma tão vulgar, que, por exemplo, não me sentiria especialmente incentivado a ver a futura Playboy com fotos dela.

Na base de peitos e bunda, a modelo paraguaia virou uma celebridade absurdamente visada. Não que isto seja novidade por estas bandas. Mas é incômodo ao extremo quando percebemos que hoje em dia, nesta sociedade das personalidades descartáveis, aspectos estéticos por si só conferem o valor às pessoas.

Quem, afinal, sabe o que realmente Larissa Riquelme pensa? Ela tem posição em relação ao mundo que a rodeia? O que ela acha de fazer sucesso na base de atributos com prazo de validade pré-estabelecido? Ela realmente acha legal dar entrevistas sentada no colo de repórteres babões, e deixá-los apalpar seus seios? Não sabemos. Talvez nunca venhamos a saber. Só se num futuro não tão distante ela aparecer num desses programas típicos da Rede TV, estilo "Onde foi parar fulana?", dando entrevistas para a Sônia Abrão e se queixando do abandono da mídia e do público.

Infelizmente, uma sociedade que baseia todos os seus valores em padrões estéticos está fadada ao progressivo retardo mental de seus indivíduos, e à substituição permanente (e, nesse caso, necessária e inevitável) de ícones que duram tanto quanto um pote de Danoninho na mão de uma criança de cinco anos de idade.

De fato, criou-se uma poderosa indústria de "esvaziamento de cérebros" (embora sempre fique a questão: como esvaziar cérebros já vazios?), que destina-se a propagar, tanto quanto possível, padrões inalcançáveis, necessidades estéticas permanentes que levam os sujeitos a consumirem mais, mais, mais, e a estarem cada vez mais insatisfeitos, e comprarem, assim, mais e mais e mais ainda.

Trata-se de um processo perverso de retro-alimentação que torna os indivíduos constantemente insatisfeitos, distanciando-se das prioridades básicas da alma e do espírito para entrar na competição de qual embalagem vazia é mais bonita.

No meio dessa maluquice frenética, tudo o que se nota é que, a despeito das mais ricas ferramentas de conhecimento e comunicação as quais estão cada vez mais acessíveis, as pessoas, em sua maioria, estão se tornando seres estúpidos e superficiais, rasos em todos os sentidos, pobres em auto-estima, vulneráveis de forma inelutável aos efeitos do tempo, decidido e impiedoso. Os indivíduos, de forma geral, parecem ter perdido qualquer força para superar os padrões impostos, por meios alternativos de sistematização do mundo à sua volta, seus valores e crenças. É uma pena.

Um comentário:

Lu Sieber disse...

É, mas se eu tivesse um corpo daquele tipo, eu não ficaria triste (heheheehe)...