segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Futuro previsível

Espantosas coincidências me desafiam.
Que fique o que de bom aconteceu, e que isso melhore.
Centímetros podem ser quilômetros, você bem sabe.
Angústias e expectativas dobradas.

Pode ser mais uma brincadeira de mau gosto.
As lembranças doces falam mais alto do que as experiências amargas.
Como posso contrariar as minhas lógicas irracionais?
Não me diga o que pensar, o que sentir.

Permito-me sentir nojo daquelas fotos.
Nelas eu vejo o tanto de tempo e de dignidade que você me tomou.
Mas a culpa é minha, eu sei.
Ainda não me acostumei à frieza humana.

Vi os porcos comendo tudo o que te dei.
Ainda bem que você achou alguma utilidade.
Tome cuidado para não sujar os pés.
Desfile de mãos dadas e esfregue na minha cara.

Toda a diversão anterior não te satisfaz.
Sua sensação de poder se configura às minhas custas.
Bloqueie minhas novidades, mantenha-me refém!
Faça-me perder mais tempo e sono.

Você já tomou a vacina contra a minha doença.
É bom não dar margens aos sonhos alheios.
Nada mudou, nada mudará.
Seguiremos monótonos como uma lagoa em dia primaveril.

Sei o lixo que vem por aí para me soterrar, mas não consigo reagir.
A casca da ferida já foi arrancada.
Tentarei disfarçar a humilhação.
Você adora me mostrar a minha insignificância.

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