segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Escárnio

Você já reparou nos sorrisos de escárnio ao seu redor? Estamos vivendo uma nova era que não nos pertence. Estamos, mas não somos. Nossa essência contraria os dogmas vigentes. No entanto, é necessário sobreviver. Só por isso é que ainda sorrimos. Faz parte do jogo de cena. O sorriso (nos) vende.

As mentes vazias estão dominando. Elas disfarçam incrivelmente bem a sua mediocridade. Tudo é uma questão de saber vender seu peixe. Eis a falácia do livre mercado. Eis a falácia da liberdade em si mesma.

Estamos perfeitamente organizados. Existe algo mais caótico do que isso? Violentamos nossos desejos em nome da adequação. Alguém nos inculcou de que precisamos pertencer ao clube. Já está suficientemente óbvio que estamos marcados a ferro e fogo pelo nosso dono.

Escolhemos racionalmente sermos irracionais. Estas regras são a nossa maldição imprescindível! Que felicidade é esta, que somos incapazes de alcançar? E o que devemos fazer se a distância entre nossos hálitos se tornar insignificante? Seguiremos as regras ou seremos felizes?

Enquanto o hoje continuar sendo um filho bastardo de nossos calendários, permaneceremos, assim, tingindo sorrisos que não significam nada, jogando um jogo que sempre perdemos em nome de uma ordem comum criada por quem nos odeia. O amanhã, filho pródigo, é um tremendo de um cínico mentiroso. E o ontem, filho mais velho, reconhecido mas fracassado, já não tem moral para dar lição nenhuma. Procuremos pelo hoje, então. Ele deve estar largado, dormindo em algum canto desta cidade imensa.

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