domingo, 29 de agosto de 2010

Entre o lá e o cá

Encontra-se numa sinuca de bico.
Quem disse que armadilhas iguais ficam manjadas?
À noite, os pensamentos tiram-lhe o sono.
Eis um sujeito entregue novamente.

Luta consigo mesmo para disfarçar o indisfarçável sem parecer distante.
Como mostrar sem mostrar?
Como dizer sem dizer?
Como sentir sem sentir?

Não sabe lidar com essas coisas.
Sente que está prestes a demonstrar e destruir de vez.
Ou deixará os dias passarem, até o dia em que alguém mais hábil tome-lhe a vez?
Entre o lá e o cá, seu coração se despedaça quando pensa no sorriso dela.

Gosta de existir para ela.
Mas não sabe se existe o suficiente.
Não sabe se sofrerá novamente, então fica na defensiva.
Ao seu redor, no entanto, isso passa a ser notado, interrogatório e parede.

É aí que a vermelhidão toma cada canto de seu rosto.
Como disfarçar tamanho desconcerto?
Será que foi perceptível?
E, se foi, isso é uma boa ou uma má notícia?

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