sexta-feira, 2 de julho de 2010

Olhos

Aqueles olhos já não olham mais para mim.
Eles são fugidios e angustiantes.
Aqueles olhos já não são os olhos que conheci.
Estão frios, distantes, sem brilho.

Os olhos dela me evitam, me desprezam.
Sei para onde eles olham, e conheço bem o fim dessa história.
Talvez sejam olhos de raiva ou mágoa.
E tudo o que os meus oferecem é amor e ternura.

Onde estarão aqueles olhos outrora carinhosos?
Em que canto se esconderam os luminosos olhos que me davam força, vida, acolhida e esperança?
É notável o afastamento sobre o qual sequer pude opinar.
Sinto falta daqueles olhos, e de quando ela era um pouco minha.

Meus olhos pediram muito pela volta daqueles olhos.
Mas eles se mantêm irredutíveis.
Meus olhos enchem d'água, mas, orgulhoso, disfarço.
Estes meus olhos estão fartos de ver sempre as mesmas cenas.

Os mesmos olhos que sorriam, hoje são carranca.
Seus olhos serão mesmo tão insensíveis?
Mas não se preocupe: meus olhos não tornarão a olhar os seus.
Eles ainda têm um pingo de dignidade.

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