quarta-feira, 21 de julho de 2010

O rock nacional está acabando (?)

Eu fico impressionado quando presto atenção em como o rock brasileiro tem sido degradado rapidamente em um curtíssimo período de tempo. Essa bandas emo, bandas coloridas, o diabo a quatro, só tem servido para destruir e corroer as bases do nosso rock. A "era Restart" parece vir para liquidar de vez com o cenário do rock nacional.

Há ainda alguns pilares que mantêm alguma esperança. Pitty é o principal deles, por ainda conseguir competir dentro deste cenário árido e inóspito. Até agora conseguiu não degringolar, a despeito de namorar com o baterista do NX Zero. Mas, sejamos positivos: ele deve ser muito gente fina. Capital Inicial também faz um som de muita qualidade, há muito tempo, além de O Rappa, CPM 22, dentre outras bandas sobreviventes no cenário nacional. Isso sem contar um cenário que hoje é relegado a segundo plano, que reside aqui no sul do Brasil, que conta com bandas de extrema qualidade e larga rodagem como Engenheiros do Hawaii e Nenhum de Nós.

O grande problema é que com a perda de espaço destas bandas (no cenário de hoje, aparece ainda com nitidez apenas Pitty), a tendência é que haja uma proliferação progressiva destas bandalhocas lixo, até a exaustão. Essa é a certeza alentadora: esse formato tem prazo de validade curto. Vai encher o saco logo, logo.

Mas a questão que fica é: o que substituirá esse formato? O que as novas gerações consumidoras do rock nacional vão esperar? Há esperança de uma reemergência das grandes bandas de outrora, de uma identidade verdadeira do nosso rock? Ou teremos mais do mesmo piorado, como são essas porcarias de bandas coloridas que substituíram o emo, que por sua vez substituíram o hardcore melódico?

Quero ter esperança de que essa fase do rock brasileiro seja um longo e tenebroso inverno. É bem verdade que o underground brasileiro ainda tem muita coisa boa, e não vai parar de produzir boas bandas. Mas aqui estou tratando de um cenário mais amplo. E neste cenário mais amplo, pop por assim dizer, o momento é muito ruim, de doer a alma.

Espero que o estrago feito nos cérebros da juventude que ouve essas coisas escrotas não seja tão forte a ponto de liquidar de vez com o verdadeiro rock brasileiro, tão rico, que já produziu bandas históricas como Legião Urbana, Barão Vermelho, Mutantes, Titãs, Engenheiros, dentre outros tantos. Há de se buscar reposição. E talvez isso tenha que partir do público. Porque os produtores das grandes gravadoras seguem apenas uma lógica: a lógica do lucro. Enquanto estes lixos derem lucro, eles continuarão incentivando e colocando no mercado. Mesmo que o fedor se torne insuportável.

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