domingo, 25 de julho de 2010

Massa do mesmo

O GP da Alemanha serviu para eu largar a Fórmula 1 de mão, pelo menos até que surja um piloto brasileiro que tenha condições mínimas de vitória e vergonha na cara. Eu era um admirador de Felipe Massa. Considerava-o um baita piloto, um cara capaz de protagonizar a volta da dignidade brasileira na Fórmula 1. Considerava. Hoje, ele caiu para a vala comum. Reeditou os momentos mais lamentáveis e patéticos de Rubinho Barrichello e Michael Schumacher ao dar passagem para Alonso.

E não adianta colocar o piloto como coitadinho que só tem que seguir ordens da equipe. Há momentos em que a hombridade fala mais alto, e que não devemos nos curvar aos patrões. O que teria acontecido se Massa tivesse se recusado a ceder a posição no mole para o piloto espanhol? Teria sido demitido? E se assim acontecesse, o mundo iria acabar? Respondo: poderia ter sido demitido, sim; mas o mundo não acabaria por causa disso.

Fosse demitido, Massa seria um herói, um mártir histórico de um escândalo de proporções inimagináveis. Pegaria muito mal para a Ferrari. A Fórmula 1 como um todo seria repensada. Para o bem. E, mesmo que nada disso acontecesse, ainda assim, a covardia do piloto brasileiro não se justifica. Pilotos de Fórmula 1 ganham uma grana astronômica. Massa não ficaria pobre. Ainda por cima, vem de uma família que ao que parece é muito bem estruturada financeiramente. Pelo nome que tem, Massa jamais ficaria desempregado. Muito menos viraria mendigo. Uns trocos a mais sobrepujaram a sua dignidade de homem.

No duelo da ousadia, do espírito esportivo de vitória contra a comodidade e o fatalismo, Massa escolheu se entregar à sujeira do mundo da Fórmula 1. Poderia ter peitado a Ferrari e virado um exemplo de amor ao esporte. Não o fez. Seguiu as orientações anti-desportivas da equipe. Preferiu ser um cãozinho adestrado. Infelizmente, hoje Massa mostrou ser mais do melancólico mesmo.

Saudades do Ayrton Senna, dos tempos em que vitórias no automobilismo eram conquistadas no braço, e não em manobras pouco plásticas das cabines e das salas condicionadas dos senhores do dinheiro...

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