terça-feira, 27 de julho de 2010

Imensidão de areia

No deserto estou faminto e com sede.
Meus pés cansados e calejados quase se rendem.
Nessas horas, sempre surge um oásis.
Nessas horas, o oásis sempre some.

Ando de armadilha em armadilha, de ilusão em ilusão.
Continuo de frustração em frustração, de perda em perda.
Mais habituado, sempre, porém, me deixando abalar.
É a fórmula humana que os humanos não mais possuem.

O fluxo das águas não cessa.
Me pergunto se algum dia algo vai permanecer.
Já não sei mais, e acho isso uma estupidez.
Não quero mais ser motivo de chacota.

Não tenho mais surpresas.
Não espero mais nada, mesmo quando um tudo se apresenta.
Caminharei sozinho no deserto até o fim, porque é assim que tem que ser.
É assim que a vida me ensinou que é.

O tempo nunca me pertenceu.
Levo comigo meu coração, apenas ele, e tudo o que ele guarda.
Vou me alimentando de esperanças vãs, matando minha sede com a água de um futuro que não me pertence.
Na realidade, só tenho essa inesgotável imensidão de areia, e nela permaneço enquanto minhas pernas aguentarem.

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