sábado, 31 de julho de 2010

Horizonte

O horizonte está escondido. Sou cercado por prédios. Vou seguindo minhas necessidades mais imediatas. Fico apenas imaginando o que há por detrás de tudo isso. Não posso, no entanto, perseguir o horizonte. Não sei se ele me pertence.

Às vezes tenho medo de imaginar o futuro. As coisas são nebulosas. Tudo o que tenho é o presente. E o futuro só existe quando é presente. Ou seja, o futuro na verdade não existe. As projeções são um grande engano.

Por mais que tentemos ser racionais, somos, na verdade, seres animalescos. Nossas necessidades básicas são menos básicas do que as dos demais seres vivos. Mas não deixam de, por isso, serem básicas. O que projetamos como meta, afinal, que não seja bem-estar, boa alimentação, tranquilidade e alguém para amar? Tudo o que projetamos são meios. Os fins são os mesmíssimos de hoje, apenas em proporções diferentes.

Então, por que nos preocupamos tanto? Por que ficamos imaginando o que vai ser, o que não vai ser, o que devemos buscar, de que forma devemos buscar? Por que insistimos em ver um sentido maior naquilo que fazemos?

Somos reféns do futuro. Mesmo eu, que não o projeto, vivo preocupado, aflito com o que será dele. É uma angústia tola. O horizonte sempre estará além de onde possamos chegar. Sempre.

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