terça-feira, 6 de julho de 2010

Fora da toada

É rápido, é atordoante.
A passagem da vida me esmaga, bate o vento na minha cara.
Com uma ponta de receio, ando a passos curtos.
São novidades que não acabam mais.
Aquilo que um dia foi esperança, hoje é pó.
Quadros amarelados me fazem ver que não sou nada.
E assim continuará sendo até o dia em que alguém me acorde.
É o ciclo, o nascimento, a reprodução, a morte.
Uma vez dançamos com os pés descalços sobre o asfalto quente.
Ora, eu não flutuava: apenas rasgava o couro da minha sola.
Era só por isso que você sorria.
Eu guardei seus badulaques em minha carteira.
Leve de uma vez por todas a velha lição em sua mente.
Jamais demonstre afeto em território de zumbis.
Eles devorarão suas expectativas.
Você não foi feito para isso.
Enquanto ele chora, você cavalga e enche a cara.
Não finja que sabe lidar com seus desafios.
A beleza tende a murchar, e fazer com que nada sobre além do que já foi feito.
Eu aplaudo este espetáculo, sou apenas expectador.
Não esqueça de gravar sua felicidade em algum lugar.
Faça a digestão lentamente, e registre de todas as formas.
No fim, meus ossos quebrarão facilmente.
E tudo que sonhei, vivi, chorei, tudo que amei, estará esquecido, resumido a um epitáfio insosso e pré-fabricado.
Os recomeços já não são mais novos.
Meu corpo e minha alma estão mal costurados.
Traga-me mais um café com fé.
Minha xícara está vazia de novo...

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