domingo, 4 de julho de 2010

Deserto

As pessoas estão enganadas por aqui.
Pedem pão, pedem circo, pedem piedade.
Sobra a vontade de cegueira.
O que os olhos não vêem, o coração não sente.

Elas adoram ser esmagadas.
O prazer está em colocar as coleiras, latir e correr.
Os olhos abertos são incomodados pela maldita luz.
Me sirva mais cogumelos, por favor.

Voltam os zumbis e suas velas.
Corro deles, não quero que matem minha essência.
Estão famintos por mentiras e banalidades.
Eles sabem bem o que querem.

Enquanto sonho com ela, mastigam meus sonhos.
Salivam cada vez mais.
Estou tomado pela obsessão.
Cravo o punhal nos seus corações, e não encontro nada.

A sede se confunde com o deserto.
Aquilo à minha frente é um oásis ou a boca dela?
Joelhos arrebentados, uivos, queda evidente.
Essa doença não tem cura.

Agora sou apenas ossos.
Tudo se ressecou antes que eu tivesse esperança.
Vontades são venenos.
Tudo está em seu lugar.

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