quinta-feira, 1 de julho de 2010

Choradeira

Estou verdadeiramente comovido com a choradeira do superintendente de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, sobre um suposto favorecimento da CBF ao Inter, no caso do eminente adiantamento da janela, que possibilitará ao colorado inscrever na reta final da Libertadores os reforços Renan, Tinga e Rafa Sóbis.

Primeiramente, gostaria de um dia entender, sinceramente, a verdadeira função deste senhor no departamento de futebol são-paulino. Pelo que vejo, o seu papel é meramente o de falar besteiras em público, participar de programas humorísticos, e ficar de briguinhas infantilóides contra dirigentes e jogadores não menos caricatos de outros clubes paulistas.

Só que por aqui, isso não vai colar. O discurso moralista de Cunha, dizendo, com lágrimas nos olhos, que o São Paulo é ético, respeita regras, e blá blá blá não condiz, definitivamente, com a prática. O tricolor paulista tem se notabilizado, nos últimos anos, por ser o maior pirata de atletas do futebol brasileiro. Seus dirigentes, éticos, corretos, honestos, que rezam o Pai Nosso e a Ave Maria todas as noites antes de dormir, se atravessam em todos os negócios que lhes convêm atravessar. Basta lembrar dois jogadores que estavam acertados com o Inter, e na última hora foram para o São Paulo, seduzidos por propostas oportunistas e eticamente contestáveis: Miranda e Dagoberto. Dizem que Jorge Wagner estava acertado com o Grêmio quando e chegou o São Paulo e... zapt! Onde estava a moralidade nessas horas? Guardada numa gaveta cheia de cupins?

Então, o Inter tem, sim, a obrigação de usar todos os dispositivos legais para inscrever seus reforços, e vencer o São Paulo nas semifinais da Libertadores. Se é ético, não sei, mas o fato é que todo mundo faz. O Flamengo usou deste mesmo artifício para inscrever Adriano no Brasileirão do ano passado. E está com a taça no armário. O Grêmio, quando recontratou Tcheco em 2008, fez o mesmo. Por que logo o Inter teria de bancar o Joãozinho do Passo Certo num momento tão importante? Sejamos menos hipócritas, por favor...

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