sexta-feira, 18 de junho de 2010

O lixo e o prazer

Estou no meio do lixo me deliciando. Você tem noção do prazer que isso representa? Você sabe quando me tirarão daqui à força? Aguardo o fim de tudo, sorridente.

Coma aquela carcaça antes que os ratos cheguem. Eles sempre chegam. Não há mais fedor nem nojo. Esfrego essas porcarias no meu corpo. Esse é o jogo. Essa é a regra.

Quantos daqueles olhares doces foram de verdade? Quantas das minhas palavras você não entendeu? Não preciso mais de ilusões. Me deixe soterrado por aqui mesmo.

Quando tudo perde o sentido é que a brincadeira começa. É aí que misturo todos os meus sentimentos com a carniça e todas as coisas emporcalhadas e sujas. Afinal, a não ser para mim, eles nunca foram mais do que isso mesmo.

Talvez eu simule um orgasmo na presença da morte. Talvez eu cuspa naquelas imagens sacrossantas. No final, saímos todos derrotados. Viraremos lixo, insuportavelmente fétido. E o sorriso ficará mais marcado e exposto do que nunca.

Vamos começar isso tudo pelo agora. Posso arrancar meu coração para você devorá-lo. Sua boca lambuzada do meu sangue parece tão adorável! Seu deleite acaba por me satisfazer plenamente.

Então, de mãos dadas mergulhamos em um mar de lâminas. Estamos nos purificando, acredite. Sorrindo um para o outro, descobrimos que somos a mesma coisa nauseante. Isso daria um lindo retrato para a nossa sala de estar, querida!

Deitamos na poça. Estamos expostos, deliciosamente entregues à nossa verdade mais profunda. Debochamos de tudo o que se encontra acima de nós. O prazer está do lado do avesso de nossas peles.

Um comentário:

ATIRANDO PRATOS PELA JANELA disse...

"Bichos!
Saiam dos lixos
Baratas!
Me deixem ver suas patas
Ratos!
Entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado...

Bichos Escrotos
Saiam dos esgotos
Bichos Escrotos
Venham enfeitar
Meu lar!
Meu jantar!
Meu nobre paladar!"