quarta-feira, 30 de junho de 2010

Homens de poucas palavras

Os homens de poucas palavras podem ser revestidos de certo mistério. Tenha certeza, eles têm muito a revelar. Eles têm muitas coisas a dizer. Mas precisam ser instigados.

Os homens de poucas palavras não falam fácil. Para eles, as palavras não são vagabundas que se dão ao desfrute a hora que se quer, do jeito que se quer.

Os homens de poucas palavras são românticos, e tratam elas, as palavras, como damas cujas mãos devem ser beijadas, com um tanto de carinho, um tanto de respeito e um tanto de solenidade.

Os homens de poucas palavras podem parecer frios, distantes e alienados. Mas na verdade fervilham, e se encontram permanentemente prestes a entrar em violenta erupção.

Os homens de poucas palavras têm suas emoções à flor da pele. Eles são seres anacrônicos, deslocados. Eles não se satisfazem com as facilidades fornecidas por palavras simplórias e utilitárias.

Os homens de poucas palavras guardam suas palavras porque sabem que elas são o seu bem mais precioso. Eles sabem que tudo se traduz em palavras. E as palavras são as únicas coisas que eles possuem.

Os homens de poucas palavras são capazes de morrer de amor calados. Eles tomam cuidado, até excessivo, porque sabem que amores não são grama: são flores.

Os homens de poucas palavras sentem dor. Tão mais fácil seria resolver tudo com a grosseria típica dos fracos! Mas os homens de poucas palavras adoram a controvérsia. Há um certo prazer sarcástico nisso, afinal, só sente dor quem está vivo. Mas precisava ser tanta?

Os homens de poucas palavras sonham. Sonham com o dia em que às flores seja permitido tomar mais e mais os espaços sempre verdes, sempre iguais, sempre previsíveis destes campos imutáveis e sem cheiros e cores.

Os homens de poucas palavras guardam suas palavras para o dia em que elas já não sejam ordinárias desprovidas de valor. E mesmo que esse dia nunca chegue, terão sempre a certeza de que valeu a pena. Antes elas morram rainhas do que vivam prostitutas.

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