sábado, 19 de junho de 2010

Gênios

Os gênios vão além do corpo físico. Por isso, os gênios não morrem. Não morrem porque são diferenciados. Não morrem porque aquilo que eles fizeram não se apaga. Os gênios são um pouco mais do que humanos. Eles guiam a humanidade.

Os gênios não competem por nada. Eles apenas o são. Inapelavelmente. Os gênios somente são gênios porque não percebem que são gênios. Perdessem a simplicidade, perderiam a genialidade. Faz parte do ser gênio não ter tal percepção.

Por isso, não entro em desespero quando os gênios se vão. Na verdade, eles não se vão: ficam, mais presentes e vivos do que nunca. Eles dão cor a tudo aquilo que fazemos, nos tiram da insossa monotonia. Todo gênio é um tanto louco. Pessoas normais não são portadoras da dádiva da genialidade. A loucura dos gênios é que permite que nós, mortais, continuemos aqui vendo algum tipo de motivo nisso tudo.

Os gênios não se vendem às mesquinharias. Não são reféns do seu corpo, de sua beleza, de suas fugacidades. O que de belo eles possuem não está na aparência que o tempo sempre degrada: está em suas características singulares e excêntricas, está em suas almas, em suas mentes que insistem em ser um oásis de deliciosa diferença frente aos tacanhos sensos comuns.

Repito: os gênios não morrem. Eles permanecem agregando verdadeiro valor às nossas vidas, mesmo que não percebamos. Há neles uma aura enriquecedora, uma verdade que mesmo que desmentida pelas vãs ciências, jamais poderá ser falsificada. Os gênios são singelos. Os gênios são nossa eterna inspiração, talvez os únicos que sejam reais portadores da essência fundamental que tanto Parmênides procurava.

Saramago vive.

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