quinta-feira, 24 de junho de 2010

Dia sem Globo

Cresce no Twitter a campanha do "Dia sem Globo". Trata-se de uma mobilização para que se boicote a emissora da família Marinho no dia 25 de junho, dia do jogo entre Brasil e Portugal. É um protesto simbólico contra a postura rasteira da Rede Globo quando do episódio dos palavrões proferidos por Dunga contra Alex Escobar, da referida emissora (http://www.youtube.com/watch?v=Jeu7Dlov7gY&feature=related).

Dunga talvez tenha se passado um pouco pelo fato de ter feito o que fez no meio da entrevista. Mordeu a isca global. A maior empresa de comunicação do país agora se faz de coitadinha. Mas está, na verdade, profundamente rancorosa contra o treinador da seleção.

Dunga cortou a série de privilégios que a emissora historicamente tem possuído nas coberturas da seleção brasileira (http://www.consciencia.net/dunga-da-uma-surra-na-tv-globo-os-meninos-mimados-perderam-privilegios/); (http://www.tribunadaimprensa.com.br/?p=9337); (http://botafogoemdebate.forumeiros.com/coluna-do-jim-f1/dunga-mesmo-se-perder-de-goleada-j-e-um-vencedor-t1395.htm). Mexeu com gente grande. Agora, a Globo volta toda a sua fúria contra o treinador gaúcho.

A grande questão, no entanto, é que os globais já não são detentores do monopólio da informação e das fontes que moldam a opinião pública. A internet, por exemplo, tem servido cada vez mais para tensionar, positivamente, esta relação. É pouco ainda, e o efeito prático possivelmente será irrisório. Mas já serve para mostrar que existe, sim, uma fatia crescente do público com consciência crítica, e que abre progressivamente os horizontes para manifestá-la. E isso é absolutamente positivo e democrático.

Ademais, não esqueçamos o lado humano da questão. Dunga há vinte anos é execrado pela imprensa nacional, liderada pela "vênus platinada", que, como todos sabemos, possui um "muito forte poder de agenda", desde o fracasso na Copa de 90, maldosamente chamado por este setor de "era Dunga". A vitória de 94, capitaneada por Dunga, tão somente serviu para velar as relações tensas.

Dunga nunca foi querido pela imprensa nacional. É tosco, não gosta de sorrisinhos interesseiros e tapinhas oportunistas nas costas. Por isso, desperta muitas antipatias. Mas é um cara sincero, autêntico, que segue somente a sua cabeça e as suas convicções. Dunga, acima de seus acertos e erros, é um sujeito de caráter. Por isso, cada vez mais o admiro. E torço ferozmente para que vença a Copa e esfregue na cara desta bandalha. Seria um tapa de luva. No caso de Dunga, um tapa de luva de boxe, é bem verdade.

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